28 de junho de 2016

Cartas para um furacão

Eu falo demais.
Defeito de fabricação detectado ainda na infância. Umas duas professoras reclamavam muito sobre a pequena Priscila.
Durante um bom tempo eu era obrigada a ficar isoladinha na classe, porque eu terminava primeiro a tarefa e começava a tagarelar e não deixava os coleguinhas terminarem.
Voltei pra infância e adolescência nas últimas semanas. Por diversos motivos. Motivos bons, ruins ou excelentes.

Voltei a ser um neandertal também. Depois volto nisso.

O que eu realmente preciso dizer, e talvez a escrita poupe longos áudios no whatsapp ou talvez eu simplesmente precise organizar minhas ideias e vejo neste espaço uma extensão de coisas que acontecem ou que eu simplesmente imagino, enfim, o que eu preciso dizer é que tenho vivido de flashbacks.

Por quê?
Porque passo a semana lembrando de pequenos momentos. De toda uma história. Das últimas semanas.
De como me perco e me reencontro. (Nessa parte insira Lost Stars "Take my hand, let's see where we wake up tomorrow...")

É estranho pra mim depois de tanto tempo sentir essas coisas. É estranho ver meu sexto sentido dando sinal de vida.
Ação, reação.

Coisas pequenas têm tomado proporções gigantescas. É o furacão.
Apesar dos mais de trinta nas costas eu não sei lidar com algumas coisas. Com relacionamentos. Com pessoas. Parece que sim, mas não. Na real eu não sei lidar com o meu presente, porque ele é diferente de tudo o que já aconteceu antes. Completamente diferente. Por inúmeros motivos.

Ontem a tarde me peguei pensando em algo extremamente bobo. Eu sempre achei que eu tivesse uma "quedinha" por olhos claros. Fato: chamam atenção, são raros, já tive minhas paixonites, não eram parte da minha vida.
Ok, esse não é o ponto. O ponto é que numa sala com mais olhos azuis e verdes do que a média da população brasileira eu me dei conta que não são os olhos, é a maneira de olhar que me encanta. E aí pensei que... que... Deixa pra lá. Eu não sei admitir algumas coisas. Não admito fraquezas. Tenho um novo "calcanhar de Aquiles".

Nesse ponto a gente volta pra aquela parte lá em cima onde eu disse que voltei a ser criança e adolescente nas últimas semanas.

Estar apaixonada depois de tanto tempo, depois de fugir de tantos relacionamentos, fugir de responsabilidades e expectativas, me traz de volta à adolescência. Só que dessa vez é diferente.
Eu tô fazendo uma zona com tudo isso. Porque eu não sei esperar. Eu não faço ideia de como faz pra esperar.
Eu carrego intensidade nas veias. Intensidade, ansiedade. Coisas que sobram por aqui.

Tudo o que têm acontecido esse ano tem me ensinado lições legais.
Eu sei bem o que quero. E eu fico igual criança mimada, porque o quê eu quero eu quero agora. É um medo de morrer sem viver tudo...
"Tempo é a palavra que nos define" Concordo.

Eu sei que a vida não é um jogo. E eu sei também que eu levo como se fosse um jogo. Regras. Rodadas. Dados. Sorte.
Tô precisando de alguém com paciência pra me ensinar a viver de outro jeito.
Já dei uma acordada em relação a algumas coisas.

Uns dois meses atrás eu sai pra correr com uma amiga. Ela treina. Eu corro de malandragem. Corro pra fugir ou pra me reencontrar, é mais físico que qualquer outra coisa, hormônios...
Nesse dia ela foi me acompanhando e pediu pra eu segurar um pouco, porque eu gasto muita energia no começo...

Lição pra vida. Ir mais devagar.
Eu não acredito em sempre. Nada é pra sempre. Nem eu, nem você, nem meus pais, nada. Eu acredito em coisas que podem ser "por toda a vida".

Penso alto "Vem correr comigo?"

Nesse momento toca Maglore, Dança diferente.
Vou fechar a janela, acho que entrou um cisco aqui. Ando emotiva.

Eu sou uma manteiga derretida quando estou sozinha. Coisas raras: outra pessoa me ver chorar. Não saio da minha fortaleza assim tão fácil.
E já nem sei porque é que tô dizendo tudo isso. Ou sei.

Aliás, eu sei bem.
Sei que tô tentando organizar as palavras, sei que tô com um medo enorme de perder.
Perder muita coisa. Não é uma questão de expectativas. Mas perder o acesso a momentos que quando são vividos são únicos e especiais, justamente porque é incrível essa coisa de não termos expectativas.
De não ter peso. De não ter cobrança.
Eu faço o que quero, quando eu quero.

Falando novamente em jogo e em medo: tenho medo de você perder o interesse.
Sou incrível, mas ao mesmo tempo eu duvido se sou tão incrível assim.

Foda, né?
Desculpa por minha cabeça ser uma zona e minha boca quase impossível de ficar calada.

27 de junho de 2016

Ressaca

Minha cabeça tá uma zona.
Meu coração tem tanta certeza de algumas coisas, mas meu problema sempre foi a cabeça.
A cabeça que diz pra ir devagar e eu não escuto. A cabeça que tá repleta de pensamentos.
A cabeça que me atormenta.

Amanheci pensando.
Bebi pensando.
Falei sem pensar.

Disse tudo o que eu queria ter dito.
Mas eu deveria ter dito?

Tá confuso.
Estou com medo.
Eu não te conheço.

Penso por um instante em colocar um ponto final nessa história.
Tem algo doendo aqui.

21 de junho de 2016

Sobre eu tentar não ser clichê na madrugada. (Ou viadagem)

Sabe quando você quer muito gritar algo aos quatro cantos do mundo, mas ao mesmo tempo quer guardar algo incrivelmente bom só com você?
Tô nessas.
E tá faltando palavra.
E São Paulo ficou perto.
E não existe distância.
E tem um monte de E's.
E tem suspirinho. E tem sorriso bobo.
E tem playlist. E tem céu azul, céu nublado. E o clima não importa mais.

Tudo ficou azul, clichê, eu sei, me desculpa.


CARALHO. CARALHO.
Tá faltando palavra.
E o que me deixa mais feliz é que dessa vez eu não tô sozinha nessa história.



Clichê.
É, eu sei.
Mas ao mesmo tempo que tudo é tão óbvio, chega a ser engraçado a zona que tá por aqui.
E eu tô adorando.

"A gente se combina, a gente tem tudo a ver
Se é coisa do destino, eu já não sei te dizer"