11 de abril de 2014

Reflexões de uma viagem

Toda viagem me transforma. Pra mim tornou-se impossível voltar e continuar sendo a mesma pessoa. Talvez por isso eu goste tanto de viajar sozinha: sinto-me capaz de enxergar o mundo de outra forma, por outros ângulos.

A viagem à Argentina foi boa, não tão incrível quanto Paris, mas boa. Fiz amizades, conheci lugares que queria conhecer, relaxei.
Mas mais interessante que isso foi o que senti enquanto estava em Buenos Aires. E senti tantas coisas. Senti necessidade de compartilhar algumas coisas, senti ausência de algumas pessoas, me senti plena por estar sozinha, tudo junto e misturado como manda a cartilha Priscila de ser.

É engraçado ver o tempo passar. Ver necessidades mudarem, ver seu corpo, seu humor, expectativas, uma série de coisas se transformarem.

Se por um lado estou criando paciência com algumas coisas, com outras já não tenho tanto. Hoje acho que sou mais dona de mim. Pertenço-me. E é tão bom pertencer-se a si próprio.

Estou planejando voltar a estudar. Tem um bom tempo que tenho sentido essa necessidade. Preciso ocupar a cabeça com coisas que me acrescentem. Sempre fui nerd. Meio nerd. Meio completamente nerd.
Sobre relacionamentos: tenho um medo enorme de tentar. Acho que eu sempre desestabilizo quando a coisa começa a ficar séria. Minhas cobranças aumentam: em relação a mim e em relação a outra parte.

Das conversas que tive algo marcou: essa coisa de admiração. E isso tem me martelado muito nos últimos meses. É algo que me corrói.
Acho que se antes eu pensava nas qualidades desejadas, hoje penso nos defeitos aceitáveis. Porque eu também tenho defeitos, e alguns deles – infelizmente – eu vou carregar pro resto da vida.
Tenho procurado o novo. Não tenho encontrado. O novo de certa forma me dá preguiça. O novo que eu aceito é o novo em mim. Difícil de entender? É, pra mim também.

Falando um pouco sobre Buenos Aires: gostei da atmosfera política da cidade. Até comentei que entendo o porquê do argentino ser tão dramático. A história política da Argentina não estabilizou como aqui no Brasil, onde parece que muito se fala mas pouco se faz. Tanto que ontem começou greve geral por lá.

Em todos os lugares pichações com frases políticas, sindicais, pedidos para a presidente Cristina. Acredito que se não fosse toda essa crise eu com certeza pensaria em me mudar para a Paris sul-americana, ainda que o meu espanhol não seja um dos melhores.
Outro pensamento tem ocupado a cabeça: sair do país. Passar uma temporada fora. Um ano, quem sabe? Preciso amadurecer minhas escolhas.

24 de março de 2014

Paz

Sabe quando você sente aquela sensação de dever cumprido?
Pois é, ando sentindo uma paz...

Sabe aquela coisa de não esperar nada e se bastar por si só?
Pois é, ando sentindo uma paz...

Férias chegando. Constatações.
Estou ficando um pouco mais paciente e tenho ganhado muito com isso.

Acho que contribuí com a evolução alheia e de quebra com a minha própria e isso é tão gratificante que me faz ficar em paz.

Aniversário passou.
Comemorei antes e passei o dia propriamente dito da maneira como eu esperava: sem grandes badalações e sozinha.
Não que eu não tenha amigos, tenho e tenho os melhores que a vida poderia me proporcionar, mas é que eu ando completa.

Completa e leve.
Pois é, ando sentindo uma paz...

16 de março de 2014

se

Se eu tiver que escolher, eu escolho esperar.
Esperar a tempestade acalmar, a maré baixar, o barco atracar.

Se eu tiver que escolher, eu escolho esperar.
Esperar a planta nascer, o fruto amadurecer.

Não ligo. Não me importo.
Prefiro cuidar, prefiro plantar meu "pé de amor", regá-lo todos os dias.
Podar se necessário.
Lutar, se necessário.

A escolha é minha e, no fundo no fundo, já está feita.

De raízes fortes e profundas que demoram a brotar e aparecer sobre a terra, assim são meus desejos mais profundos, minhas paixões mais intensas.

Eu calo.
Eu sumo.
Só não deixo de continuar a regar.
Só não deixo de continuar.