15 de julho de 2015

Sobre coisas boas

Hoje é um daqueles dias em que o amor da vida poderia chegar de mansinho.
Hoje é um dia em que eu vi minha família.

Hoje foi um dia bom.
Hoje eu me sinto incrível.
E hoje eu ainda me sinto só, mas me basto ainda assim.

É bom ir me reencontrando aos pouquinhos.
É bom cozinhar só pra mim, só por prazer.
É bom curtir a vida.

11 de julho de 2015

Cuidado com o Shrek

Sabe, eu não sei se é o tal do Sol no planeta do deus da guerra, Marte, ou se foi a vida que foi trabalhando para me deixar cada dia mais impaciente.
Não digo impaciente de não saber esperar a minha vez de me servir no buffet do "serve-serve", ou impaciente para esperar o bolo assar, a comida ficar pronta.
Não é desse tipo de impaciência que eu falo.

Quando eu digo que talvez o signo de Áries, venha reger a minha ansiedade, é porque eu não sei lidar com as pessoas. "Mas Priscila, as pessoas estão em todos os lugares"... É... Estão. E eu não sei lidar com a maioria delas.
Sei lá, sou o Shrek, sabe?
Construí durante os anos uns muros por aqui. Sou uma cebola cheia de camadas.
E cada dia que passa eu tenho mais preguiça de abrir os portais da "alma" e do "coração", preguiça de "descascar" as camadas e deixar mais gente entrar na minha vida...

No fundo, acabo achando que todo mundo não tá nem aí pra mim, salvo rarissímas exceções.
"Ai, Pri, pára (sim, eu vou continuar acentuando o verbo) com isso, não é assim". Eu sei que não é. Mas é assim que eu me sinto.

Nessas horas sinto falta da faculdade, do ensino médio. Porque eu tinha um motivo para ver todos os meus "então amigos" todos os dias.
Eu gostava dessa frequência. Gostava de ver os "então amigos", que eram amigos da ex, antes de serem meus "então amigos" todos os finais de semana. Por mais que eu saiba que hoje TODOS eles tenham falado mal de mim pelas costas. Por mais que hoje eu saiba que TODOS esses "então amigos" tenham dito que um outro relacionamento meu não iria dar certo.

Eu gostava de uma vez na semana ir na padaria Nove de Julho e beber com os "então amigos".
Eu sempre curti muito meus "então amigos".

O problemas sempre foi o "então". Foi a duração dessa proximidade.
Acho que dessa época, só um ou dois de vez em quando lembram que eu existo e comentam de ter a intenção - sempre fica só na intenção - de marcar um bate papo qualquer dia desses.

Nessas eu fui perdendo o tesão de manter as pessoas por perto.
Prefiro trabalhar. Ocupa muito mais a minha cabeça. E prefiro ocupar a cabeça com trabalho do que perder tempo com quem não faz a menor questão de me manter por perto também. Não vou entrar no quesito dinheiro, por dois motivos: 1- dinheiro não traz felicidade (é essencial pra vida, mas não traz felicidade); 2- Se eu for contabilizar quantas vezes a galera estava sem grana eu fiz a parte de alguém no rolê e resolver cobrar, eu acredito que eu consiga pagar uma viagem bem bacana pra alguma praia do Brasil por pelo menos um final de semana. Mas não, não tô afim de entrar nesse mérito...

É orgulho? É. É um pouco de orgulho. Um pouco de não querer correr atrás.
Mas hoje, acima de tudo, hoje é uma carência o que eu estou sentindo. É um buraco sem fundo. É falta de uma rotina de amizades. Rotina de ter quem pergunte como está "aquela paquera", alguém que saiba qual foi o último episódio do incrível seriado que é "A vida desiludida da Priscila" ou "Diário de uma workaholic". Alguém me acompanhe. Que não pergunte como estão as coisas só pra "fazer sala".

Por isso eu sinto tanta falta da Mari.
Porque a gente se acompanhava. Ela sabia, eu sabia. A gente se dividia.

Tá aí: tá faltando dividir.
Dividir as camadas.
Tá faltando ter com quem "descamar". Ter com quem desabafar sem ter que contar toda a história do coração partido ou outra coisa qualquer desde o começo.
E quanto mais sozinha eu fico, mais eu fico com preguiça de deixar alguém chegar perto. Porque no final todo mundo vai embora. E eu? Eu continuo aqui...

30 de junho de 2015

Sobre se tornar adulta, sobre vazio e sobre amor

Dizem que as rosas ressurgem mais fortes depois de uma boa poda.
O inverno, nos faz querer guardar energias, para ressurgirmos na primavera...
Floridos, imponentes. Coloridos.

Estou pensando na poda.
Pensando no que ainda tenho que cortar para poder ressurgir.
Há tempos sinto falta de me apaixonar.
Há tempos sinto falta de estar colorida com as cores de diversos sentimentos que há muito não dão as caras por aqui.

"Não tenha pressa, Pri"
"O amor acontece"
"Quando você menos esperar..."

Frases que ecoam por aqui.
Mas e se a gente tiver uma cota de pessoas "apaixonantes" na vida? E mais: e se eu já tiver conhecido toda a minha cota?

É uma ansiedade sem fim.
Me sinto bem por um lado, afinal consegui alcançar uma maturidade profissional e financeira que antes eu não tinha.
Prova disso eram minhas contas de telefone, na época pós pago, com interurbanos intermináveis, meu saldo sempre no vermelho. E total ausência de planos.
Só havia um porém: eu amava. Eu era apaixonada. Eu cuspia borboletas pelo ar. Eu ansiava mensagens de "bom dia", matava trabalho (mentira, só fiz isso uma vez na vida), pra encontrar com o então "amor da vida" num show.

Eu sinto falta de ser inconsequente. De não medir esforços e bancar a louca por amor. Pura e simplesmente por viver aquele sentimento que me consumia.
Não faço muito ideia do que aconteceu.

Talvez eu só tenha virado "adulta".
Mas eu ainda não sei direito. Papai costuma dizer que a certeza do hoje só vem com o amanhã.
E o meu hoje anda mais incerto.

Não sei o que carrego no peito.
Não sei se é só vazio. E quando falo em vazio, me pego revirando memórias, e sentindo falta das coisas que vivi, não porque eu sinta falta das coisas, ou pessoas, mas porque esse vazio é enlouquecedor. Porque esse silêncio é ensurdecedor.

Na falta de alguém enfio o trabalho na vida. Enfio metas. Procrastino um pouco, é verdade, mas eu não sei mais ser como eu era antes.

Hey, adultos! Então é isso que vocês chamam de amadurecer?
É deixar de me encantar? É deixar de me apaixonar?

E o amor? Onde eu encontro esse tal de amor?