16 de outubro de 2014

Sobre estar pronta

Nessas indas e vindas, nessas de ir trabalhar, de ouvir uma música no carro.
Nessas de acender um cigarro, beber uma cerveja... Eu geralmente estou pensando em alguma coisa. Matutando, quebrando a cabeça.
Me preocupo com bem mais coisas do que muita gente imagina. Mas me preocupar não quer dizer necessariamente que eu vá tomar algum tipo de atitude em relação a essa coisa que ocupa a minha cabeça.

Enfim, ontem eu estava pensando sobre repetições, sobre estar pronta (ou achar que estou) para um relacionamento mais sério.
Pensei novamente em todas as expectativas e pensei também na forma como eu transformei, ainda que sem querer, a vida de quem passou por mim.
Talvez se eu tivesse um pouco mais de paciência essas pessoas estariam melhores e talvez ainda estivessem ao meu lado.

Não que eu queira alguém de volta. Não é isso. É só uma questão de achar que eu hoje sou uma pessoa melhor, porque da mesma forma que ensinei eu também aprendi. E se o amor ainda não bateu novamente à minha porta é porque ainda deve ter um motivo, algum degrau pra evoluir que eu até agora não descobri...

Estou esperando? Um pouco. É errado esperar? Não sei.
Eu sempre fui do time que não acredita em palavras mas sim em atitudes.
Eu sei exatamente o que quero, conheço pessoas que têm o perfil, mas eu me pergunto: o que essas pessoas esperam?
Me apaixonei no ano passado. Deu certo? Não. Tentei? Sim. Foi melhor assim? Não sei.
Ainda penso? Às vezes. Dói? Não.

Acho que é isso que me consome... Será que eu sou o que esperam? E isso vale pra tudo: família, vida profissional, amizades...
Outra pergunta a ser feita: Será que eu me mostro como eu gostaria que as pessoas me conhecessem?
Eu acho que a resposta pra essa última é: não.

Mas como sair desse ciclo? Como mostrar pra quem já me conhece que posso ser/sou bem diferente do que a grande maioria das pessoas imagina??

Soma-se a isso tudo a proximidade de mais uma viagem...
Ir, voltar. Mudar.
A cada viagem eu deixo um pouco de mim por aí. Eu trago um pouco do mundo comigo na volta. Será que é numa dessas que minha vida vai mudar completamente?
Vai saber...
Só Deus sabe o que destino me reserva.


30 de setembro de 2014

Sobre digitar e apagar

É tanta coisa que eu queria falar.
Tanta coisa que eu queria reclamar.

Digitei, digitei e apaguei tudo.
Queria apagar mais coisas.

15 de setembro de 2014

O último

O último cigarro foi aceso no caminho pra casa.
Parei no sinal vermelho ainda embrigada com os prazeres de uma boa conversa, olhei a noite e resolvi acender.
Seria uma despedida. Despedir depois de me despir da vergonha, dos preconceitos, das máscaras sociais.

Eu já havia bebido, mas desejei mais uma cerveja.
Acendi o cigarro. Enquanto tragava, pensava na vida.
O sinal ficou verde.
Combinação automática de ações: pisar na embreagem, engatar a marcha e acelerar. Mas eu não quis imprimir velocidade.
Arranquei calmamente, analisando cada movimento.

Eu não queria chegar em casa.
O último cigarro foi consumido em câmera lenta.
Enquanto me desfazia da fumaça, lançava fora cada problema. Na fumaça que subia aos céus, subia uma prece pedindo por paz.

Pela janela observei a cidade a dormir. Sempre gostei de dirigir de madrugada. Me encontro nos meus caminhos solitários.
O rumo está certo, e eu vou devagar, sem pressa pra chegar.

O último cigarro não foi fumado por stress ou coisa parecida.
O último foi minha despedida.