10 de dezembro de 2016

Sobre a véspera

E a chuva torna a cair em São José dos Campos. Chuva pra mim é benção, afinal água é vida. A chuva molha a terra, molha a alma.
A gente planta, espera, acredita. A gente ama. A gente sempre mantém a fé de que vai ser melhor. Ainda que cada um acredite em algo diferente, em Deus, deusas, ou até mesmo não acredite, a gente ainda assim acredita que, de alguma forma, as coisas vão ficar melhores.

Mais um ano. Menos um, segundo os pessimistas.
Eu tenho fé de que plantei coisas boas. Só me resta esperar, deixar a chuva chover, o vento ventar, o rio correr e a Terra girar.

Hoje eu queria uma bebida, um abraço bem específico. Queria ser parte, queria estar presente. Acho até que queria ser eu o presente.
Uma lágrima escorre.

Em sempre vou te encontrar em cada detalhe do meu dia.

6 de dezembro de 2016

Hoje, morrer seria menos dolorido.
Escrevo pra tentar de chorar. É em vão.

Vínculos

Vínculos.
O que é essa coisa de criar vínculos?

Sei lá, eu me acho tão filha da puta quando percebo que tudo é uma questão de tempo. Pra acontecer, pra esquecer.
Tudo é tempo.

Ninguém é insubstituível. Não que dê pras coisas serem exatamente da mesma forma com todos. Sei lá, só acho que com o tempo, com a distância, pessoas, coisas situações, quase tudo deixa de fazer sentido.

É uma frieza. É um não ligar.
Não é que não dói. Dói. Sofro.
Mas eu sei que não é pra sempre. E isso alivia. É como se eu tivesse sempre alguém a me lembrar: calma, já vai passar.



Resgatei esse post de anos atrás. Muitos anos, diga-se de passagem. Na verdade dois anos. Dois anos é muito ou é pouco?

E parece que algumas coisas não mudam por aqui. Parece que eu vivo em ciclos eternos.
Em que momento da vida eu estou?
Num momento onde tenho certeza das escolhas que eu gostaria de fazer, mas ao mesmo tempo as minhas escolhas não dependem só de mim para ser completas.
O que me resta? Resta ir vivendo.

Eu sempre tive e sempre vou ter inúmeras perguntas. Especialmente porque o silêncio me incomoda quando há distância.
Silêncio só é bom quando há proximidade, porque aí há cumplicidade. Porque há um olhar, porque há o toque.

A distância precisa ser preenchida. Com palavras. Com gestos.
Como é que a gente sabe que vai valer a pena?
Como é que a gente sabe que vai ficar tudo bem?

Eu quero as respostas. E as respostas não dependem de mim.
Me resta ter paciência. E eu não sei se eu consigo conquistar essa virtude.

O que eu tenho a perder?
O que os outros tem a perder?

Eu sei quem sou e do que sou capaz.
Dou meus pulos, minhas voltas, faço meus "corre". Faço acontecer.

Paciência, eles dizem.
Paciência, eu peço.

Aos poucos vou desistindo. Não por não gostar, porque se tem uma certeza nessa história é o quanto amo.
Ontem eu lembrei de algo importante que eu disse a mim mesma: amo? sim, mas não sou idiota.

Vou deixar a porta aberta. Tô indo ali cuidar de mim.