3 de setembro de 2015

Feijão

Às vezes bate essa vontade insana de sair escrevendo, escrevendo.
Eu sempre me repito quando digo que quanto mais as palavras saem, mais leve eu fico.
Não sei ser efêmera com algumas coisas.
Sou meio Cazuza. Ariano-foda-sem-papas-na-língua. Inconsequente e apaixonado pela vida.
Exagerado.

Eu não sei lidar com o vazio que me é imposto. Não sei lidar com o silêncio quando tudo o que quero é falar.
E mesmo não sabendo lidar eu vou seguindo. Vou engolindo de volta cada palavra não dita, desdita, implícita.
Rumino. Tento digerir.

No fim do dia fica essa sensação de algo parado na garganta. Algo sufocando.
Digito. Apago. Faço declarações de amor, para apagar logo em seguida.
Me apaixono e desapaixono. Uso a razão.
É tanta coisa ao mesmo tempo.

Faço declarações de guerra. Sinto a ira em cada poro da minha pele.
Saio para correr como se eu conseguisse deixar para trás cada pensamento que me abomina. Minha cabeça é minha maior inimiga.
Minha maior aliada.

Corro contra o tempo. E crio paciência. Ou tento.
Coloquei a paciência dentro de uma garrafa, em cima de um pedaço de algodão, tal qual a gente faz com broto de feijão.
Eu vou falando, falando. Preenchendo lacunas. Fazendo perguntas que eu sei que vão permanecer sem resposta.
Mas as lacunas que eu queria preencher palavra nenhuma vai completar.

Transbordo sentimentos. Meu mundo é bem mais extenso. Meu humor é bem mais requintado.
Só tenho esse problema com as palavras. Com as palavras que insisto em censurar.
Esse problema com o broto de feijão que insiste em não brotar.

29 de agosto de 2015

Sobre o chá de sábado a noite

Um sábado a noite serve para muitas coisas.
Serve para sair, beber, ver e rever amigos.
Serve para conhecer gente nova.

Serve também para pensar na vida, fazer um chá e ler um livro. Serve para ouvir um bom jazz em casa.
Serve para recusar convites e curtir sua própria companhia. Serve para não servir para nada e ainda assim ser exatamente o que você esperava de um sábado a noite.

Adoro ter a casa só para mim.
Adoro ser senhora do meu feudo, rainha do meu reino. Biquíni Cavadão define muito bem essa sensação com "Minha casa é meu reino".

Um sábado a noite serve para digerir a semana.

24 de agosto de 2015

Alice e Zé.

Você era Alice e eu só um Zé.
Hoje, eu sou um zero à esquerda, antes eu era um Zé qualquer. Talvez o amor da sua vida ou talvez um Zé Ninguém.

Você me levou para o país das maravilhas, Alice. Eu te ensinei as malandragens do Zé Carioca, ainda que carioca de verdade fosse Capitu.
Fui Zé, fui Bento: cego de ciúmes.

O tempo passou, as memórias não. Estão todas logo ali, se é que você me entende. Se é que você ainda lembra, se é que era amor, se é que era possível nossa relação de Romeu e Julieta...
Ali, se...