9 de maio de 2016

Chuva de outono. Ou como falar sobre lágrimas.

Levo em mim todas as tormentas do mundo. Não da forma lírica como eu gostaria, mas é que eu saio esparramando palavras à torto e à direito, como quem carrega um balde cheio d’água.
É salgada a água que levo. Plantei lamúrias, colhi lágrimas. Carrego os frutos num balde por aí.
O balde pesa. Eu paro e penso.
Eu peso as lágrimas. E vou carregando dentro de mim mais coisas do que posso aguentar, vou rompendo as barreiras... Vou me recriando... Me refazendo. Me “recoisando”. Deixando a represa arrebentar...
Eu me devoro, me desfaço. Às vezes em lágrimas.
A tormenta que chega é chuva que cai. Cada gota uma lágrima.
Lá fora faz sol, mas aqui dentro chove. Lá fora tudo é bonito, mas aqui, aqui é cinza.
Eu gosto de cores gris. Eu gosto do outono. Mesmo que lá fora não chova, no outono aqui de dentro, sempre chove.
Há um mar dentro de mim.
A ressaca chega. O tempo vira.
O tempo passa...
E vou virando a vida às avessas. E aí o meu mar, vira alegria. A lágrima, antes fruto da lamúria plantada, agora lava a alma. De alma lavada, me sinto alva.
A semana termina.
Eu recomeço.

21 de abril de 2016

Do ìndio

Você me disse, dia desses, que gosta da maneira como escrevo, como demonstro alguns sentimentos.
Era o dia do Índio, eu me lembro bem. Era o seu aniversário.
Justamente por isso, resolvi hoje fazer do vinho companhia e das palavras um registro sincero de tudo que se passa por aqui.
Poucas vezes eu te desejei como desejo hoje. Até porque me pego perguntando inúmeras vezes é possível querer alguém assim, sem nunca ter visto, sem nunca ter tocado?
Nossa história é repleta de reviravoltas. Talvez por isso eu tenha essa curiosidade, esse desejo ardente de provar dos teus beijos, essa vontade louca de querer te conquistar. Talvez porque no fundo eu seja uma contadora de histórias (não à toa eu cursei jornalismo) e essa (nossa?) história fica cada dia mais louca, mais interessante.
E você, que sempre gostou do que eu escrevo, se torna hoje inspiração. Se torna a companhia que eu queria pra esse final de noite, o toque que eu queria em minha pele.

29 de março de 2016

Sobre a noite passada

Cada noite é o mesmo tormento: quanto mais eu tento não pensar em você mais eu penso.
Quanto mais eu procuro motivos para não gostar, mais motivos você me mostra.

Mesmo sem eu pedir, mesmo quando eu não te procuro.
Tá ficando impossível não sorrir com uma mensagem tua, tá ficando impossível não ficar feliz do teu lado.

Tá ficando impossível não te querer...

Será que você imagina?

Ainda que falte a luz, na penumbra eu vejo teus lábios.
Tenho evitado te olhar nos olhos. É medo.
Medo que você perceba essa represa de sentimentos prestes a romper.