26 de maio de 2015

Pode ser?

Hoje é mais uma daquelas tardes de folga em que eu tiro um tempo para escutar música, fazer nada, organizar minhas coisas, dar uma limpa nos papéis que acumulam sobre a mesa.
Eu tenho a mania de tirar coisas da vida. Coisas. Pessoas.
Acho que coloquei tudo num mesmo saco e joguei fora.

Nada completa.
Faltam ambições. Na realidade, falta o desafio.
Tenho sentido falta de ter alguém interessante o suficiente para que seja um desafio.
Confesso que ando preguiçosa o suficiente para não querer um desafio tão grande.

Sei lá se são os anos, a vida, as experiências ou se é a minha chatice natural que anda reinando por aqui.
Tô sem paciência de ter as mesmas conversas, sabe?

Esse ciclo precisa ser quebrado.
A Lila disse, dia desses no snapchat, que precisa se reinventar. Tomei um pouco disso para mim.
Preciso me reencontrar.

"Qual é o rumo?" fico me perguntando e pensando.
Trabalho para não pensar. Porque pensar dói.
O grande mal do século é pensar. Sócrates está redondamente certo quando diz que tudo o que sabe é que nada sabe. Quanto mais sabemos, maior o nosso contato com o nada.
Ok, estou filosofando demais.

A questão é esse vazio indecente que brota nessas tardes... Um vazio de alma.
E eu simplesmente não consigo me planejar para preencher esse vazio.

Tem algo errado. E não é de hoje.
Eu estou engasgada;

Acho que é isso. Eu tô engasgada. Tô querendo vomitar todas as palavras, as angústias, a raiva que existe aqui.

Uma porrada de sentimentos que venho guardando.
Uma vontade sem fim de exigir respostas.

Aí eu paro, respiro. Percebo que não dá pra ser assim.
Não dá pra ser sempre do meu jeito, não dá pra ter todas as respostas, não dá pra prever o futuro.
Se bem que o que me incomoda é essa pseudo-inércia sentimentalística em que me encontro.

Aí eu erro. Aí os outros erram. Aí eu não sei o que fazer nem o com meu erro quanto mais com os dos outros.

Perdi o encanto. Eu quero nascer de novo. Pode ser?
Eu quero encontrar alguém com um perfil parecido com o meu, pode ser?
Eu quero voltar a estudar, pode ser?
Eu quero voltar a ter rotina, pode ser?
Eu quero minha promoção, pode ser?

Eu quero um futuro diferente do meu presente.

18 de maio de 2015

O Elefante.



Passei a tarde bebendo. O que não exatamente signifique eu esteja bêbada neste exato momento.
Neste exato momento estou ouvindo Elephant Gun pela quinta vez. Você não lembra, mas me pediu para ver o videoclipe da música num dia em que eu estava triste.
Meu estômago dá mais voltas que os bailarinos do vídeo. E não, não estou bêbada. É que lembrar você me dá borboletas no estômago.
Tenho tentado entender tudo o que se passou.
Tudo o que se passa.
Sou um bicho chato que não gosta da ignorância, que não gosta de não saber das coisas, que não gosta de não entender.
E eu não sei exatamente quando ou por que a minha vida tomou esse rumo. Não é um rumo ruim.
Eu caminho por estradas que me deixam em paz.

Beirut me deixa em paz, mesmo tocando em algo aqui dentro que, de certa forma, incomoda.
Não sei descrever essa sensação de paz e incômodo que sinto ao mesmo tempo. Consola a dor, mas não faz a dor desaparecer.
Beirut é quase como um colo quente que acolhe as lágrimas salgadas num dia frio.

Escuto Elephant Gun pela sexta vez.
Bato o olho no relógio: 22h38.
Por quantas vezes eu contei os minutos para estar contigo? Por quantas vezes eu achei 23h um horário mais perto da minha felicidade?
Por quantas vezes os poucos minutos me alegraram?
Por quanto tempo vou pensar nessa história toda?

Isso aqui não é real. Eu tô fantasiando um conto. Tô falando de uma vida que não aconteceu.
Falo das possibilidades que eu sonhei pra gente. Da viagem pra Cuba. Da foto de você só de camisa que eu não tirei.
Eu tô presa numa redoma de vidro com o meu passado. Presa com o passado que não existiu.

Sabe toda essa pose de pessoa bem resolvida? Então, isso tudo é mentira.
Mentira. Parte da pose é mentira. Eu tô bem, eu juro.

Só queria ser foda por uma noite. Só queria uma foda por uma noite. Não com você. Mas com qualquer outro corpo que se dispusesse a desprender energias.
O foda é que eu não tenho nem a foda, nem você.
O foda é que não tenho nem lembranças dessa história que nunca existiu.
Esse elefante branco que ocupa espaço na cabeça e no coração.


6 de maio de 2015

Sobre talvez eu não saber admitir algumas coisas

Eu acho engraçado como eu consigo solucionar todos os problemas da vida dos outros.
Acho foda como tudo é tão simples na minha cabeça, como é básico perceber que, sim, sua mãe vai pegar no seu pé se você tem apenas 20 anos e acabou de se mudar para São Paulo; notar que realmente você não vai dar certo com ninguém enquanto você não der certo consigo mesmo. Acho óbvio demais que suas contas não vão bater no final do mês se você gasta mais do que ganha e especialmente: se você sequer sabe quanto você gasta num mês.
Esses são os problemas dos outros. Resolvo todos eles numa tacada só. Resolvo esses num rabiscar um rascunho qualquer. Desenho soluções se for preciso.

Num geral tudo se resume em: Relacionamentos.
Eles estão por todas as partes.
E o nosso maior é problema é que a gente não sabe lidar com o outro. Especialmente porque nós não sabemos sequer lidar com nós mesmos.
De sexualidade a carreira: somos um poço sem fundo de questões que talvez a gente demore anos para responder, não porque a gente não sabe a resposta, mas às vezes, simplesmente porque admitir a resposta dói.

Verdades nem sempre são doces.
As minhas verdades quase nunca. Ainda mais quando tenho que falar sobre relacionamentos.
Ainda mais quando eu tenho que falar sobre os meus relacionamentos. Talvez por isso eu tenha optado em ficar solteira, em levar grandes oportunidades em "banho maria".


Talvez no fundo eu tenha medo de dar certo com alguém. Auto-sabotagem como diria o Titi (apelido carinhoso do Ítalo).

Ou a minha vida seja só desencontros. A garota perfeita é hétero. O cara perfeito é bom demais pra mim. Ou eu não sou hétero o suficiente. Ou eu tenha medo de que o sexo não seja tão bom quanto os papos, os "amassos". Ou eu não sou tão bi quanto eu acho que eu sou. Ou eu não queira admitir que posso ser feliz com quem gosta de verdade de mim. Ou tenho medo de arriscar um relacionamento à distância de novo.
Talvez seja tudo isso. Talvez.

Talvez eu goste de pessoas mais novas porque elas sempre vão me dar problemas. Ou talvez eu é que goste ser um quebra-cabeça pra essas pessoas.
Tá vendo, tô provando por A + B tudo o que eu disse ali em cima: a gente não sabe lidar direito nem com a gente mesmo, que dirá com os outros. E olha que ultimamente me disseram que sou bem resolvida.
Gatinhos e gatinhas, se eu fosse bem resolvida eu estaria namorando e feliz. No momento estou só feliz.

Não me acho bem resolvida. Muito pelo contrário.
Aliás, desde que voltei de Piracicaba eu estou uma zona por dentro.
Acho que é medo de admitir que me apaixonei. E eu não sei responder se eu ainda estou apaixonada, caso eu tenha realmente me apaixonado.
O ruim da paixão é pensar nas possibilidades. Então quando coloquei possibilidades versus realidade, percebi que estava sonhando alto demais. Cortei expectativas e fugi.

Sai correndo. Fui pro meu porto-seguro. Fui procurar a certeza que eu não admito que é certeza. Fui procurar o amor, que não é paixão. Fui parar em SP. Fui parar nos braços de quem me irrita mas eu não consigo me imaginar passando MUITO tempo longe.

O que pode ter acontecido também em Piracicaba é que eu estava longe de casa. E encontrei uma pessoa genial. É uma possibilidade. Um único alguém com quem eu conseguia falar de coisas extra-trabalho.
Música. Filmes. Política. Alguém foda. Alguém que é o meu avesso. E sendo o avesso de tudo o que eu, coxinha capitalista pseudo pop hipster, pseudo intelectual - sou, é incrível.

A gente sai de mãos limpas dessa história, não é mesmo, Alanis?

Tá, mas e agora?
Agora eu voltei para São José, agora eu vou voltar a trabalhar, agora sobra tempo, sobra tempo demais pra eu ficar pensando em todas as coisas que eu queria ter dito.
Sobra tempo para eu me chatear por ouvir um "a gente não daria certo".
Sobra tempo para eu ficar quieta, me achar incrível por não ter me tornado mais um problema na vida de alguém, só porque o meu ego às vezes precisa provar que eu sou interessante e, blah, irresistível.
Agora sobra tempo pra eu pensar se me apaixonei ou não.
Sobra tempo para sentir falta. Sobra tempo para querer mais conversas. Sobra tempo para adiar outras conversas.

Sobra tempo para escrever coisas e ficar me perguntando outras coisas mais.

E você? Como você está com você mesmo?