12 de agosto de 2008

Porque sinto saudades da rádio

Trabalhei na Stereo Vale durante três anos. Três longos e bons anos. Lá aprendi o que é sentir paixão por rádio, por mais que trabalhar em rádio seja uma profissão meio diferente.

Meu primeiro registro em carteira é de lá. Primeiro e único diga-se de passagem. Portanto se alguém souber de algo, por favor, avise a Pri!

Comecei fazendo estágio. Tinha acabado de sair de um trabalho voluntário na Univap TV, onde fiquei um ano editando imagens, fazendo produção e direção de imagens algumas vezes.

Costumo dizer que a Univap TV, que aliás agora é TV Univap, foi uma grande escola. Mesmo sem ganhar um centavo aprendi muita coisa lá. Graças à essa experiência posso dizer que meu nome já rodou em créditos em rede nacional. Afinal editei alguns programas veiculados na Rede Vida de Televisão. Não é uma Globo, eu sei, mas é e foi um começo. Um bom começo eu diria.

Enfim, mas falando de Stereo Vale: comecei como estagiária em 2005. No dia 18 de Fevereiro se eu não me engano eu fiz a entrevista, com o cara que viria a ser, até o presente momento, o melhor chefe do mundo: Elói Moreno, ou se você preferir o cara de blusa verde e barba na foto ao lado, que está junto com Lino Pedrosa, outro dinossauro do rádio e que agora está na Band Vale.

Comecei fazendo produção de comerciais. Sabe os comerciais que você ouve? Pois é, ele não nascem prontos, alguém tem que editar e produzir. Basicamente chamar o locutor, gravar com ele o texto, editar os erros (que geralmente não são poucos) e colocar trilha ou efeitos especiais. Achou fácil? Pois é, um é fácil, mas repare no bloco comercial, preste atenção em quantos comerciais são veiculados. Imagine dez comerciais chegando pra ontem na sua mesa?

Fora essa parte de produção dos comerciais, também tinha algumas coisas da programação. Em muitas emissoras a programação da madrugada é gravada e em algumas, a rádio fica no "automático" durante esse período, Aí é que está: pra ficar tudo certinho alguém tem que montar, isto é, colocar na exata sequência música, vinheta, comercial, vinhetas, pontes, enfim, tudo do jeitinho que você ouve. Imagina isso num final de semana: montar madrugadas da sexta, sábado, domingo E segunda! Não é complicado, mas é algo que requer no mínimo prática.

No começo eu ainda catalogava Cds.

Passava tardes na discoteca da rádio cadastrando inúmeros Cds. Incluindo informações sobre ano, gravadora, faixas, se era single, se era álbum, coisas assim, parte do meu conhecimento sobre música vem dessa época, dos tempos em que passava minhas tardes isoladas no meios dos milhares discos de vinil, como se pode ver na foto ao lado:

 

Foi também por causa da rádio que acabei mudando de horário na faculdade, indo estudar à noite. Foi também nessa época que comecei a beber cerveja, frequentar barzinhos e socializar. Idas ao Habib's se tornaram constantes após as aulas. Graças a Stereo Vale eu tinha dinheiro. Não era muito, é fato, mas era o suficiente. Posso afirmar que nunca ganhei bem, isto se o assunto tratado for apenas $dinheiro$, mas se for pra contar outros benefícios, ah! não posso reclamar. Na rádio eu trabalhava por prazer. Trabalhava em troca de sorrisos, trabalhava conversando e gargalhando com pessoas que talvez eu nunca esqueça. Seja pelas risadas ou pelas fofocas. Pessoas legais e outras nem tanto. Nomes como Elói Moreno, Jocilene, Aline, Maristela, Simone, Anizio, Michele, Míriam, Lino Pedrosa, Marcos Rocha, Gilson Moraes, Miller (também conhecido como Millerzinho), Carlos França, Zé Márcio, Stephano, Cristina, Geter, Paulinho, Silvana, Carlinhos, Speedy, Dona Benê, Angelina, e até mesmo outros como Shirley Souza, Fabrício, Maristela, Simone, Marcelo Correa não fariam parte de um pedaço da minha vida. Até uma "pseudo-filha" eu ganhei enquanto trabalhava lá. Boas amizades. Algumas que duram até hoje, como a Sil, o Pedro Alberto, que acabei descobrindo é meu irmão gêmeo e o Carlinhos.

Fora outros benefícios como baladas na faixa, cinema na faixa, estoque de camisetas suficiente para montar um time de futebol com todos os reservas, shows na faixa: inclua em shows a Gravação do DVD da Ivete no Maracanã, vários shows dela, shows como de Chiclete com Banana, Babado Novo, Edu Ribeiro, Capital Inicial, Jeito Pivete Moleque, Inimigos da HP, Jammil e Uma Noites, entre outros mais que não vou lembrar.

Ah sem contar também o quesito "excursão", onde além de me divertir

no Hopi Hari, no Playcenter, no Skol Beats eu ganhei muitos amigos entre os ouvintes da rádio que participaram das promoções para as Caravanas Stereo Vale. Numa dessas conheci gente com a Aline, o namorado dela, a Cinthia Caetano, a Ismênia e o Marcelo, o Sérgio, Enfim uma galera bacana com quem às vezes eu ainda mantenho contato.

Na Stereo Vale também cresci como profissional. Aprendi o significado de trabalhar em equipe. Reconhecer um time! Entender que várias pessoas juntas nem sempre são um time, uma equipe. Afinal um time tem uma meta em comum, ao contrário de um grupo de pessoas reunidas. Ali aprendi a lidar com o "ego estrela" e a necessidade de ser mais que os outros de alguns. Aprendi que fofoca no ambiente trabalho é sempre prejudicial. E aprendi também que o correto é sempre correto, nunca o errado ou o duvidoso, como disse Caco Barcellos em seu livro "O Abusado".

Aliás, a Stereo Vale pagou mais que isso, Mais que salário e mais que amigos: Pagou minha formatura, meu dia de princesa, afinal você acha que tirei dinheiro de onde para pagar, o que talvez tenha sido a minha melhor festa? Foi com o dinheiro conquistado lá que paguei minha festa de formatura, que rolou em março de 2007. Talvez tenha sido o dia em que eu tenha ficado mais bonita, não porque estava toda arrumada e trajando um lindo tomara-que-caia longo, mas porque minha alma estava em festa. E eu me senti realizada por poder gritar que a faculdade havia então acabado, que a partir dali eu era Jornalista. Por mais que ainda hoje eu morra de saudade de ter minhas noites ocupadas, seja com professores e aulas legais ou com os amigos foi bom chegar ao fim e foi bom festejar.

Com o fim da faculdade, meu contrato de estágio também chegou ao final. Fui efetivada como Operadora de Áudio. Apesar de que na prática, eu cuidava de uma parte da atualização do site e de alguns conteúdos como newsletters e emails marketing. Depois de um tempo, com a saída de alguns funcionários, comecei a ir pro ar também. Em Janeiro de 2007 comecei a apresentar o Eu Que Sei.Com junto com Gilson Moraes, esse cara aí da foto e que agora dá o ar da graça na 89fm  em São Paulo.

Com a ida do Gil pra São Paulo tivemos que arranjar outro locutor para o horário. É aí que entra Sr. Miller. Eu e o Miller nos entrosamos de primeira. O Eu Que Sei se tornou um programa ainda mais interativo, começamos a receber mais e-mails, mais telefonemas  e acho que ficamos mais engraçados também. O Miller sempre teve idéias geniais, começamos a produzir melhor o programa, nessa época é que surgiram aberturas inusitadas para o Eu Que Sei como o dia em que "sobrevoei" São José de helicóptero. Fiquei mais de um ano à frente do Eu Que Sei. Além de apresentar também era responsável pela produção do programa, agendar entrevistados e selecionar os temas abordados. Numa dessas que entrevistei a nadadora Fabíola Molina.

Meu primeiro registro como Jornalista também pertence a Stereo Vale. Com a criação de um jornal matutino e a minha situação apresentando o programa ao meio-dia, fui registrada então como jornalista. Passei a fazer reportagens e entrevistas também para o Jornal Stereo Vale que era ancorado por Jovana Bubniak.

Com a estabilidade e respeito adquiridos, afinal eu era recém-formada e já estava num lugar almejado por gente com muitos mais anos de carreira, resolvi iniciar minha pós graduação na Cásper Líbero, em São Paulo, agora no começo de 2008.

Carreira perfeita e estável. O dinheiro não era muito, mas era suficiente para minhas baladas, minhas aulas de violão e meus estudos, tudo bem que meu pai me ajudou e continua ajudando com a pós, já que meu salário nunca foi suficiente para pagar esse passo a mais que resolvi dar. Mas tudo que é bom acaba. Em Abril desse ano a Stereo Vale foi adquirida por outro grupo de comunicação, um grupo maior.

A grande maioria dos funcionários foram demitidos. Gente com 25 anos de rádio dispensada e entre esses eu.

Hoje bate saudade. Uma imensa saudade. Maior do que este post que está super extenso para o padrão deste blog. Mas é inegável que sinto falta de falar na "caixinha mágica". De responder emails de gente que nunca vi na vida, mas que tinha um carinho por mim e eu por aqueles que me ouviam. Nunca me achei "fera" no ar. Não sou locutora, mas em um ano aprendi a gostar de uma forma que hoje seria capaz de voltar a apresentar não por dinheiro, mas pelo prazer de estar no ar.

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9 comentários:

  1. Sem querer ser puxa-saco.
    Se não lhe conhecesse, após ler o post, no mínimo, eu teria uma imensa curiosidade. A descrição do diada formatura me fez imaginar eu estando lá. Algumas coisas emocionam. Curti muito o texto... espero ser o "dragão" na minha profissão, como é você na sua!

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  2. É bom trabalhar em uma lugar onde a gente se encaixa direitinho né? Onde nos damos bem com nossa equipe e fazemos o que gostamos. O meu estágio atual é assim também, e fico imaginando como vai ser quando tiver que sair. Dá uma tristeza.

    Sabe que apesar de estagiar em Marketing, tenho uma paixão enormeee por rádio?

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  3. Como é bom ter lembranças, esta é sua bagagem profissional, pessoal isto te coloca pra frente.
    Bacana, legal conhecer um pouco!!

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  4. Priii..como nada que eu fiz deu certo, to mudando de endereço no blog..anota o o novo, o feedburner ta ativado ok, logo vou postar, hoje não da que to mal de sinuzite ai ai ai
    http://abrindooverbo8.blogspot.com/

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  5. UAAU, que legal tr tido a oportunidade de viver tudo isso!
    Grande experiência!

    beeijo !

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  6. Ahh, Pri. Sentir saudades do passado é a melhor maneira de ver que tudo (ou quase tudo) valeu a pena! Já, já a senhora ta trabalhando em algum lugar foda daqui de São Paulo, vai poder curtir muiiiiiito mais, ganhar maiiiiiiiiis dinheiro e aos sábados saimos de noite e domigos tem Ibira. rs Fica triste não, lindona. Qualquer coisa eu to aqui (sempre, ta?!
    Beijão, se cuida mulher!

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  7. :)
    Que bacana, Pri!
    Apesar de longo "para os padrões de blog", eu li até o final, viu? hahaha
    saudade boa!

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  8. se tem algo que me deixa completamente fascinado é rádio...acho que pelo rádio sou capaz de mudar de profissão

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  9. Tenho Saudades Dessa Época Deles Na Stereo Vale.
    Alias Fico Feliz Em Lembrar Que Ja Dividi Estudio Com A Priscila La No EuqueSei.Com.

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