27 de novembro de 2008

Separando sílabas

Repito nomes madrugada adentro. Na verdade o nome que eu repito é apenas um, mas testo outras sonoridades. Estranho me pegar repetindo um nome assim, dizendo separadamente cada sílaba, gostando de cada som.

Repito o nome enquanto os minutos se arrastam. Repito, enquanto imagino a noite lá fora, uma vez que a janela já foi fechada faz tempo. Troco palavras, leio e releio as poucas mensagens deixadas no aparelho celular.

Repito um nome madrugada adentro. Me pego imaginando coisas, criando cenas. Não quero criar expectativas. Não devo.

Repito a música, repito o som.
E penso novamente no mesmo nome, o nome de quem há tempos já está dormindo.

24 de novembro de 2008

Paixão por palavras

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Não sei se fiz jornalismo pela busca de uma profissão onde eu pudesse sempre fazer perguntas e aprender um pouco mais sobre tudo, ou se fiz porque tenho uma certa paixão pelas palavras.

Acho que por gostar tanto do resultado da soma de letras, sílabas, todas essas coisas que respresentam os fonemas sempre gostei de pessoas comunicativas. Mesmo aquelas que não falam muito, mas que tem o dom de conversar com gestos ou com os olhos.

Me deparar com alguém de poucas palavras é uma experiência um tanto quanto inusitada. É me deixar com uma pulga atrás da orelha e um ponto de interrogação sobre a cabeça. Sempre fui transparente ou tentei ser. Mesmo que por diversas vezes eu tenha me fechado e construído um muro de Berlin ao redor de mim.

O silêncio me atrai. Vejo nele um mistério a ser desvendado. Gosto de descobrir as pessoas. Tudo bem que às vezes acho que eu sei mais sobre a pessoa do que ela mesma, ou eu me equivoque nas minhas conclusões e descubra que, no fundo, eu não sabia era de nada.

O fato é que às vezes eu tenho medo. Medo pela minha curiosidade e medo pela minha imaginação. Medo porque posso perguntar demais, e medo porque se eu não perguntar eu começo a deduzir.

Algo que sempre me incomodou é o fato que eu tenho consciência de que eu simplesmente penso demais. E meus pensamentos são como esse texto: prolixo.

Contudo, se há algo que eu realmente não posso negar é essa minha paixão por palavras, até porque pensamentos são simplesmente aquelas palavras que não foram ditas.

21 de novembro de 2008

Rebobinando...

Por conta da vida, às vezes a gente começa a rebobinar aquele filminho que tem na cabeça da gente chamado "memória". Sei que fui rebobinando os capítulos onde incluí a tag amor/relacionamentos. E cheguei num ponto onde, de fato meus relacionamentos começaram: meu primeiro beijo. Talvez tudo o que eu viva hoje ainda seja reflexo de como tudo aconteceu.

Beijei tarde pra caramba se formos comparar com o resto da humanidade, afinal já era 2001 e por incrível que pareça eu já tinha (jura que não vai rir?) 16 anos. Não sei se eu demorei pra crescer, se aproveitei bem a infância, se eu era muito feia com cara de nerd, se eu só tinha amores platônicos ou se no fundo eu era insegura pra dar esse passo. Eu sei que eu nunca me pressionei e nem me deixei ser pressionada pra que o tal "primeiro beijo" rolasse. Uma coisa eu sempre tive certeza: queria que fosse com alguém especial, queria um beijo que não fosse beijar por beijar.

E assim foi. Durante uma quermesse no mês de julho, no melhor estilo "adolescente fazendo coisa escondida": Durante a noite e atrás da Igreja. Ele tinha os olhos verdes mais bonitos que eu tinha visto até então e simplesmente não acreditou que eu fosse BV. Primo de uma amiga, irmão de um conhecido e uns dois anos mais velho que eu, ele foi gentil e nem notou minhas pernas trêmulas. O beijo em si foi bom, tão bom que continuou se repetindo por alguns dias. O ruim foi o pedido de namoro que veio uma semana depois. Tudo bem que eu queria que fosse especial, mas pra mim, naquela época, namorar era muita responsabilidade para uma "garotinha" de "apenas" 16 anos.

14 de novembro de 2008

Equações e pronomes

Aos 23, entendi que algumas coisas, e o amor é uma delas, só funcionam direito se forem oito ou oitenta. E não adianta querer algo e não tomar certas atitudes, certas ações. Uma vez que cada escolha requer uma renúncia, afinal tudo tem seu preço.

O fato é que quanto maior a renúncia, talvez (e sim eu disse talvez, porque nem sempre a vida é previsível assim) maior seja também a recompensa.

É estranho ver o amor como um objeto de cristal que ao se quebrar nunca mais voltará a ser o mesmo, será que de verdade é assim? Será que um amor antigo depois de muito tempo por mais que ainda exista não é mais possível por conta das mágoas causadas e sofridas?

Até onde o que sentimos é fruto daquilo que desejamos, daquilo que nos permitimos sentir?

Entre ter um amor morno e uma paixão momentânea porém arrebatadora, o que é melhor? O que você escolheria?

A certeza de amar, de continuar amando, continuar querendo, a certeza de querer por perto ainda existe. O que falta é aquela segurança, segurança de que posso contar, de que ao final o resultado dessa equação seja um, não uma só pessoa, mas a certeza de que ainda seremos "nós" e não simplesmente os pronomes "eu" e "você".

5 de novembro de 2008

Finória

Finória: feminino singular de finório que é adjetivo e significa: indivíduo sagaz; manhoso; ladino; matreiro; astucioso.

Me sinto uma Infante falante. Uma criança boba e feliz que não sabe e nem imagina o dia de amanhã, mas que mesmo assim está feliz.

Sabe quando você acaba de voltar de uma excursão? Tipo aquela primeira ida ao zoo? E que você sente as pernas ainda mexendo, ainda movimentando-se mesmo estando deitada? Sei lá, estou meio assim. Meio criança feliz e muito, mas muito finória.

Não contavam com minha astúcia, não é?

Não me pergunte o porquê, mas estou me sentindo uma criança grande. Aproveitando cada instante. Por dentro, se chove eu danço na chuva se faz sol eu me bronzeio, se tudo é silêncio eu reflito sobre o momento ou encontro um pouco de paz, se há barulho eu procuro a música presente em cada ruído e vejo festa em tudo. Se há nuvens eu procuro desenhos, se não há eu contemplo o céu azul.

Post meio nada a ver eu sei. Sem pé nem cabeça. Escrevo como escrevem as crianças. Sem ser linear, sem ter rumo, apenas digitando o que vem à cabeça;