30 de dezembro de 2009

Do chão

A vida tem dessas coisas estranhas, coisas que a gente pensa e diz e outras que preferimos deixar só no pensamento mesmo.

Fim de noite em mais um fim de ano. Lá fora a chuva cai, alternando entre aquela coisa contínua, que refresca, e outros momentos não tão molhados, mas que refrescam também.

Aqui dentro a luz branca faz com que os olhos cansados prefiram a escuridão. O corpo, também cansado, prefere a música calma e o “geladinho” do chão.

Tantas coisas, tantos detalhes. Tua presença doce faz com que eu me esqueça dos problemas ao tocar novamente a tua pele. Marcas registram os momentos de humor.

Não consigo pensar direito. O corpo pesa, a cama chama, mas minha tarefa aqui é registrar minha satisfação, registrar meu sorriso bobo, e por que não, apaixonado.

Paula Toller me faz companhia e diz uma grande verdade: “Depois de você, os outros, são os outros e só.”

Engraçado como comecei a escrever este post ainda no chão, ainda deitada. Fechava os olhos, sentia teu cheiro novamente e sorria. Sorriso leve, desses que a gente dá quando está de bem com a vida, não importa o que aconteça.

Aí lembro das tantas vezes em que eu quis explicar a saudade que eu sinto. E lembro também de como eu gosto de te fazer sorrir e de como gosto de ficar te olhando por minutos a fio, registrando cada detalhe.

Paula continua cantando, lá fora a escuridão tomou conta do céu. Faz calor. Normal para dezembro. Normal para o verão. Normal para querer voltar a deitar no chão.

29 de dezembro de 2009

Abraços Normais

Ao som de Nelly Furtado resolvi registrar minhas experiências sobre “Los Abrazos Rotos” mais recente obra de Pedro Almodóvar.
Não sei exatamente quando comecei a me interessar pela obra do diretor. Se eu não me engano o primeiro filme que vi foi a Má Educação, filme forte, impactante. Após algum tempo chegou as minhas mãos Volver, aí sim a paixão chegou de vez.
Mas falemos de “Abraços Partidos”. Li em vários lugares que a crítica internacional agraciou o filme com elogios. Almodóvar está, de certa forma, retornando ao cinema “arte”. Contudo pra quem acompanha o trabalho de Pedro, ou que assistiu Volver, espera que o diretor se supere em seu novo filme, o que não acontece.

Abraços Partidos não chega a ser um filme ruim, mas não fará tanto estardalhaço quanto “Volver” ou “Fale com Ela” ou o bem humorado “Kika”.

A primeira hora do filme prende de tal forma que gera uma expectativa muito grande sobre o desenrolar da trama. Há um mistério na vida de Mateo e sobre o que acontece com Lena, graciosamente interpretada por Penélope Cruz. Não sei se chega a ser um problema, mas a partir de certo ponto no filme o roteiro acaba ficando um pouco previsível e com cenas soltas, uma delas é a que mostra Diego e as drogas, não há sentido, poderia ter acontecido qualquer outra desgraça pra ligar o garoto ao diretor Mateo. A partir desse ponto o fato de Mateo ser o pai de Diego não causa mais surpresa a quem está assistindo.

Destaque para Penélope Cruz, suas caras, suas bocas e o corpo perfeitamente esculpido aos 35 anos. A trilha sonora do filme também é interessante, mas ainda acredito que Volver surpreendeu muito mais nesses, e em outros, quesitos.

"Abraços Partidos" não chega a ser um filme ruim, muito pelo contrário, todavia, não é uma obra prima.

27 de dezembro de 2009

Um balanço sobre dois mil e nove

Final de ano, poucos dias para 2010 e cá estou eu, escrevendo, como sempre.
Não sei se faço um balanço de 2009 e tento registrar com meias palavras as principais emoções do ano, ou se deixo tudo guardado apenas nessa cabeça oca que por vezes falha.

2009 foi um ano diferente, pela primeira vez estabeleci metas reais e cumpri com parte delas.

Parar de sofrer pelos outros foi uma. Tentar criar paciência foi outra. E acho que em ambas eu dei uma melhorada. Se tem algo que eu realmente aprendi a fazer foi parar de correr atrás de meio mundo, de implorar atenção, por mais que ainda hoje eu faça um pouco de birra, reconheço.

Não é que eu não precise de ninguém pra viver, não é isso. De certa forma eu entendi que a vida é cíclica: pessoas vem e vão como as estações do ano. E pessoas novas chegam, às vezes ficam por muito tempo, às vezes não.

A gente tem dificuldade em deixar ir. Acho que seres-humanos em geral tem essa coisa de não saber colocar fim em determinadas coisas. Fim nem sempre é fracasso. Depende de como você chegou a esse ponto da história. É aquele velho clichê: Felicidade é o caminho e não um destino.

Dois mil e nove chegou pra trazer paz ao coração. Passei boa parte do ano remoendo o fato de não ter ninguém, me torturando e achando que nunca mais fosse gostar, amar, me apaixonar e outros verbos similares. Vi amigos começarem a namorar, e sim, eu admito: invejei. Sei lá, acho que depois de tudo o que eu passei nos anos anteriores eu nunca quis tanto ter alguém e nunca antes (na história desse país coração) me senti tão preparada(?) pra namorar.
Ok, eu sabia que faltava encontrar a pessoa. E firmei o pé na ideia de que, diferentemente de outras vezes, não iria começar um relacionamento acreditando que com o tempo passaria a gostar. Ou você começa já gostando ou esquece. E por substitua o “você” por “eu”.
Tudo bem que meus avós viveram quase 50 anos juntos (meu avô faleceu antes das bodas) e não tiveram essa coisa de namorar e “bibibi”, mas os tempos eram outros, né não?
2009 (e vou começar vários parágrafos com o número) também foi o ano em que me interessei pelas pessoas erradas. Incrível como surgiu gente que estava em outros relacionamentos ou com histórias mal resolvidas. Incrível como o tempo, as situações, nada se encaixava. No meio do ano tive a impressão que eu era “Amante Profissional”. Aí resolvi chutar o balde e cuidar de mim. Fechei o peito pra balanço. Coloquei um ponto final nas minhas histórias do passado e me tranquei dentro de mim mesma. Não quis mais essa coisa de sentir borboletas no estômago. Como diria Zagallo: “Aí sim fomos surpreendidos”. Não preciso nem contar o que aconteceu né? O destino, Deus, a vida, ou seja lá qual designação você queira usar, resolveu me pregar uma peça daquelas: fez o coração bobo da Pri, que estava embalado e jogado no fundo do freezer, igualzinho comida congelada, começar a descongelar e por que não, bater mais forte.
Eu juro que eu tentei fugir. Todavia tem coisas que não tem como fugir MESMO. E atire o primeiro palavrão aquele que nunca se viu babando por um sorriso bonito, quem nunca se apaixonou sem querer. (Aliás acho que paixão é sempre assim: sem querer)
2009 involuntariamente me fez ser tudo o que eu sempre disse que jamais seria: professora. Se bem que se formos analisar ensinar é uma vertente da comunicação: é transmitir conhecimento e tem a ver com aquela coisa do jornalista querer “formar e informar”. Dar aulas mostrou-se uma atividade um tanto quanto interessante. Algo apaixonante. Definitivamente viciante. Do contato com os alunos à satisfação de sentir-se parte da vida de alguém, tudo carrega um gosto especial.
E aí lembro, sei lá porquê, dessa necessidade visceral de nos sentirmos parte de um todo. Inclusão e afins. A gente sempre quer ser parte de algo. Seja pelas diferenças, seja pelas semelhanças: temos uma tendência ao grupo, ao time, ao elo, ao integrar algo.
Foi um bom ano, apesar do seu fim meio que caótico, do fim que forçosamente representa pra mim aquilo que de fato é: recomeço.
O que eu espero de 2010? Bom, já tá tarde (são 03h45 aqui no meu relógio) e eu já me estendi demais por aqui, fica pra outro post, ok?
Em todo caso, fica aqui o meu desejo de que o nosso 2010 seja ainda melhor que 2009. Seja repleto de paz, saúde, garra e sabedoria.

15 de dezembro de 2009

Com o passar do tempo

Papai anda esquecendo coisas. Hoje me peguei com medo. Medo do futuro.
Não porque eu forçosamente me torno mais "adulta" com o passar dos dias. Não, isso não me assusta, não me assusta perceber que problema de verdade é pagar conta no final do mês ao invés de chorar o coração partido por conta das paixões não correspondidas. Aliás amores não correspondidos é assunto do qual não posso reclamar. Mas medo porque o tempo está passando pra ele também. Dá um nó na garganta, um aperto no peito.

Perdi meu avô esse ano. Alzheimer. O velho era forte com uma montanha, andava à cavalo com seus 87 anos. Acordava cedo todo dia e mimava os netos, mas a doença o derrubou. No fundo meu avô rejuvenesceu nos últimos meses de vida: voltou a ser um bebê, precisando de ajuda pra tudo, já não pronunciava palavras direito, não comia. Um bebê com a experiência de uma vida inteira, um bebê que criou 12 filhos trabalhando na roça. Pois bem, hoje de manhã deu um aperto no peito e um medo do futuro. Medo de perder meu pai da mesma forma que perdi meu avô.

Tão ruim quanto esse sentimento de perceber que Papai não é eterno e que ele não vai estar aqui pra sempre é a dúvida que acompanha tudo isso: será que sou uma boa filha? Será que sou a mulher que Papai lutou e educou para que eu fosse? Eu poderia ser melhor. E num instante percebo que outra pessoa é a filha que ele esperava que eu fosse. Estranho não?

Papai esquecendo coisas simples, e falando sobre como a gente não vê o tempo passar... E aí eu fico sem palavras. A lágrima expressa o que eu queria dizer.

9 de dezembro de 2009

Intensidades...

Tem muita coisa guardada aqui dentro. Tem muito ponto de vista, muita informação e muita opinião. E tem sentimento também. Não sei por quê, mas a menina, que sempre demonstrava (quase) tudo, resolveu guardar fatos, coisas, acontecimentos e outros “mentos” mais dentro de si mesma.

Passei a observar mais. E quando digo algo, as palavras às vezes vêm com tanta força que eu me machuco ao proferi-las, porque elas – as palavras – ficaram tanto tempo dentro de mim, que o sentimento que dá significado a elas, que dá o porquê delas existirem, cresceu tal qual massa fermentada.

Apertei o pause, mas esqueci que o rio continua a correr. E a água foi acumulando, acumulando. Quando abri novamente as barragens até o “Eu te amo” doeu. Levou parte de algo sólido.

O tempo se foi. Não volta. Quero outros “agoras” pra lembrar mais a frente.
Bocejo, janela laranja, barulho de chuva. Férias, beijo na boca, amor.
Cadê aquele sorriso que me faz feliz?

No fim é tudo questão de intensidade.

6 de dezembro de 2009

Conta-letras

A alma preenche o corpo como a água preenche o copo. Toma a forma, forma-se de novo. Moldes, formas de fôrmas, brincadeiras, entrelinhas...

Um amor. Uma madrugada e palavras desconexas.
No olho o resto do lápis negro, delineando o cansaço da noite. Limitando movimentos e pensamentos, contornando o espaço e encurtando a distância.
Na boca o gosto fresco do creme dental. Ao fim o que ela de fato desejava eram aqueles beijos saudosos, recheados de volúpia com pitadas bem dosadas de paixão...

Um instante, um segundo eterno, uma saudade sem fim. Mais palavras e a total ausência de significados ou coerência naquele texto digitado às pressas.

Letra a letra, as palavras iam surgindo no velho monitor, como conta-gostas, pingando suavemente...
Mais uma dose, mais um trago. E nada parecia suavizar aquela dor.

Sem pensar, desistiu do "conta-letras", apagou as luzes e se foi.

24 de novembro de 2009

Quando o corpo pede

A alma logo entra no ritmo.
Ando trocando horários. Preciso cuidar mais de mim.
Semana passada a garganta me derrubou. Adiei compromissos inadiáveis, posterguei coisas, pessoas e eventos.

Agora a cabeça anda a mil. Planos e metas. Será que eu consigo?
Vamos ver no que dá.

13 de novembro de 2009

Coletivo

Alcatéia.
Enxame.
Matilha.
Fa-lan-ge.
Cardume.
Ônibus.
Tarde quente e passos largos. Noto como estou fora de forma ao começar subir a passarela, atravessando a Rodovia Federal. Troco as passadas lentas e largas por passos curtos numa tentativa de andar mais rápido.
Ao longe vejo surgir o ônibus. Rapidamente, ele se aproxima da parada que encontra-se ao final da passarela que eu atravessava.
“Não vai dar tempo”, penso em voz baixa. Logo mais a frente segue um ciclista empurrando seu transporte, penso em pedir a ele que me dê uma carona até o ponto. Olho novamente na direção do ônibus, cada vez mais perto, comendo asfalto pelo longa reta da Rodovia. Num segundo instante presto atenção nas pessoas que o aguardam, não são muitas, mas se eu correr um pouco, são suficientes para que eu chegue a tempo de tomar o coletivo.
Uma a uma, vão subindo enquanto eu corro e aceno para o motorista, pedindo que me espere.
Já dentro do ônibus peço licença e atravesso a catraca. O cobrador olha e sorri.
Calor escaldante. Sinto o suor escorrer e molhar a camisa branca do uniforme. Paro de frente para uma senhora gorda. Sentada, cabelos desgrenhados, ela presta atenção em mim, como se medisse mentalmente cada centímetro meu. Abaixo a blusa que insiste em subir. “Engordei mais do que deveria”.

Conforme os pontos vão passando, as pessoas vão descendo e subindo no veículo. Um ciclo constante ritmado pela catraca alternando ao sinal de pedido para parar.
“Trrrraaaque”, mais um. “Pééééinnn” e menos dois. “Trrrraaaque”, estudantes voltando das aulas. “Pééééein”, domésticas voltando do trabalho. Mais um “pééééín” e é minha vez de descer.
Salto, confiro as horas no celular e caminho em direção ao trabalho. Comigo, só os meus pensamentos. O transporte coletivo segue seu rumo. E eu vou tentar ganhar a vida em mais um dia de trabalho.

11 de novembro de 2009

Convites para o Google Wave

Ok, título mais do que clichê para algo que tem dado o que falar: Google Wave.
Se você não sabe o que é você pode visitar o About e inteirar-se do assunto. Porém, contudo, todavia, se o teu inglês não estiver lá essas coisas, ou você estiver na fase do "The book is on the table" vale googlar o assunto, ou ler essa matéria na Info.

Ficou por dentro? Já sabe do que se trata? Quer um convite? Então se liga na parada:
Eu acabei de receber os meus convites. Dei uma tuitada e vi que tem muita gente que ainda não sabe do que se trata e que também ainda não tem convite.

Como sou uma pessoa muito linda, gostosa, inteligente, simpática legal resolvi distribuir por aqui os convites.

Como vai funcionar?
Nesses tempos de twitter, onde todo mundo pensa em coisas com até 140 caracteres eu resolvi ir na contramão: Pra tentar faturar um dos convites você acessa o Woofer, que é uma ferramenta de Macroblogging e escreve o teu texto justificando a causa, motivo e razão pela qual você merece entrar pra essa "onda" (sacou o trocadilho?).

Depois de escrever, pegue o link e comente aqui.

Não haverá sorteio.

Eu tenho 5 convites e vou distribuir da seguinte forma: 3 para os textos que eu mais gostar, porque sim, os convites são meus e eu distribuo como bem entender (hahahaha risada bem maléfica) e os outros 2 convites eu vou distribuir assim (afinal eu quero aumentar o número de visitas deste humilde blog, né?):

Você pede para os teus amigos darem uma forcinha pra ti. Como? Comentando aqui e colocando o link pro teu texto no Woofer. As duas pessoas que tiverem mais amigos na campanha "Eu mereço um convite pro Wave" levam.

Lembrando que, neste caso, só vale comentário feito com Conta do Google.

Você tem até o meio do dia de sexta-feira pra exercitar os neurônios, chamar os amigos e participar.

5 de novembro de 2009

Ausência...

Parou no tempo e respirou numa tentativa de levar o máximo de ar aos pulmões.
Lembranças frescas brotaram a sua frente, como gazelas saltitantes correndo pelo campo. Nem tudo estava perdido, pensou em voz baixa. Até porque, por mais que viesse a pensar em alto e bom som, não havia ninguém ali que pudesse escutar aquele misto de lamúrias saudosas com aquele sentimento sem nome.

O sorriso tímido, que fixou-se naquele rosto desde que descobriu-se enamorado, tornou-se maior pelos instantes em que duraram aquelas lembranças. Precisava voltar a trabalhar.

Enquanto protelava por mais uma vez as atividades do dia, procurava algo diferente para embalar aquela noite quente. Embora ainda não fosse verão, as primeiras noites do mês de novembro andavam tão quentes quanto a da estação que ainda estava por chegar.

Queria colocar poesia em suas palavras, em vão. A prosa sempre se encaixou tão bem com suas ideias que seria bobeira tentar substituir.

Lentamente as palavras iam surgindo numa tentativa boba de descrever algo que sequer fora criado ainda. Era estranho escrever sobre algo que ainda não havia acontecido, como se quisesse prever o futuro.

Faltava algo. Pensou que talvez o calor demasiado estivesse a atrapalhar o momento, mas isso era só uma possibilidade...

Faltou-lhe o ar, faltaram-lhe palavras.
Deu duas voltas na fechadura, trancou a porta e atirou-se em direção ao nada.

4 de novembro de 2009

Formigas

- Vamos sentar ali que não está tão sujo
- Ok!

Limpam as folhas, sentam abraçados e encostados na árvore.

Alguns minutos depois...

- Espera um pouquinho, Amor... Eu acho que... Não é por nada, mas acho que isso aqui do lado é um formigueiro...
- (tentativa de dizer algo) *muitas risadas*



Pois é... Alguém sentou no formigueiro.

3 de novembro de 2009

Desconversas e um monólogo.

Eu nunca sei das coisas. Acho que por isso sou tão contraditória. Ao mesmo tempo que não sei de quase nada, é como se no fundo eu já tivesse assistido a minha própria vida e soubesse o roteiro de trás para frente. Isso faz com que eu tenha uma intuição, um sexto sentido maior do que a grande maioria das pessoas. E pode ser também que eu apenas esteja blefando, induzindo os outros a acreditarem em minhas verdades...

Contradição. Ser o avesso do que já fui. O avesso do que serei. O avesso do que você gosta ou deixa de gostar. Diferente e estranho. Estranho e bom. E mesmo assim fica interessante, não ser o avesso do que eu era antes... Ser agora desedificante. Te virar pelo avesso. “Anormal”, como diria Fernanda Takai e sua banda.

E enquanto penso nas minha peraltices, lembro de como te encorajo a quebrar regras, a sermos pessoas politicamente incorretas por alguns segundos, mesmo que seja só pra correr e atravessar a rua com o sinal fechado para os pedestres. Crianças, por favor, desconsiderem a última sentença.

Gosto de planejar o futuro. Gosto de ser exceção assim como também gosto de misturar assuntos e voltar no tempo e lembrar de uma noite gostosa repleta de pretextos e com um show especial. Gosto de provocações, insinuações e recados dados. Também gosto de ser direta como uma flecha, e às vezes sútil como uma flor.

Eu não sei escrever. Não sei usar as palavras de uma maneira com que elas fiquem bonitas, alinhadas, gostosas de ler. Sei que coloco sentimento. Também sei dizer “Eu te amo”, e o digo por mais que eu ainda tenha medo. A sensação que tenho é que a cada “Eu te amo” meu, eu entrego ainda mais meu coração, tatuo uma letra a mais do teu nome sobre a superfície cicatrizada do meu peito.

Entre tequilas, um nome; entre os planos, um destino; entre tanta coisa: saudade.
O meu corpo ainda sente a presença do teu.

29 de outubro de 2009

Praga

- Se tudo der errado na minha vida eu caso com você.
- Tá louca? Falando assim minha mãe vai escutar
- Seria legal, gosto da tua presença, a gente conversa, seria algo que daria certo...
- Nem sonha com isso... Já me jogaram praga essa semana.

28 de outubro de 2009

O sol e a cama

Poderia ser uma manhã como tantas outras.

Ao fundo os sinos da Igreja preenchiam o ambiente. A saudade estava no peito assim como o desejo estava à flor da pele.

Por entre poucas nuvens o sol adentrava o quarto através da janela entreaberta. Timidamente aquecia cada parte do corpo, como um abraço quente em noite fria.

Ela virou-se e procurou pelo celular. Conferiu as horas e pôs-se a reler algumas mensagens. Frases curtas, por vezes desprovidas de acentuação. Ponto-a-ponto. Letra-a-letra, signos repletos de sentimentos inexplicáveis.

O tempo passou. A semana escorreu e parou na metade.
"É isso o que eu quero?" perguntou-se em silêncio.

A pergunta ainda ecoa no ar, sem resposta, sem caminhos.
Quando há muitas opções é sempre mais difícil escolher. Jogar tudo pro alto e recomeçar enquanto ainda há tempo pra errar ou continuar por um caminho que parece seguro, mas sem certezas absolutas?

Tantas dúvidas, tantas lembranças. Ela queria novamente apenas a cama, apenas o sol. Ou outro lugar parecido com o útero materno.

20 de outubro de 2009

Quando eu for escrever um livro

Eu vou começar a história, seja ela qual for, numa manhã fria apesar do céu azul e com ventos que cortam a pele, mas ainda assim ventos gostosos de serem sentidos. Não sei ao certo sobre o que escreverei. Se sobre uma jovem perdida no tempo e no espaço, repleta de dúvidas, colocando um pouco de mim na tal personagem, ou se criarei teorias fantásticas sobre coisas bobas e/ou idiotas.

O que sei é que quero escrever. Ir pensando e e escrevendo. Talvez saia algo sem pé nem cabeça, talvez tenha começo meio e fim. Pode ser também que eu vá apenas colocando palavra após palavra, como faço aqui e agora. Pode ser um ensaio, uma reunião de crônicas sobre o tudo e o nada. Pode ser que eu coloque no papel meus pensamentos sobre fones de ouvido e elevadores. Não sei ao certo. O que sei é que algum dia, longe ou perto, sentarei e começarei a escrever um livro. E eu vou falar de uma manhã como tantas outras, uma manhã que, com certeza, você aí do outro lado também já viveu.

Passa-me pela cabeça agora escrever sobre todas as manhã de um mês. "As manhãs de novembro" é um bom título, não é?
Frias? Úmidas? Azuis? Mostrar a vida a partir de outro angulo. Pensar diferente. Ou simplesmente pensar igual a todo mundo.

Sei lá. Eu só queria escrever.

14 de outubro de 2009

Tarde oca

Há coisas, fatos e sentimentos que simplesmente não entendemos e nem vamos entender tão cedo. Há silêncios, palavras não ditas. Há um vazio oco no ar.

Nem toda tarde precisa ser repleta de palavras, nem todo silêncio é ruim, nem todo escuro é vazio. A penumbra preenche o ambiente, preenche o quarto. A pouca luz brinca no cômodo ocupado pelo som lento e hipnotizante.

As palavras não são ditas. As perguntas não são feitas. As respostas? Inventadas.
Realidade se mistura aos fragmentos de mais uma tarde de outubro.

Que sentimento é esse? É como se um "não-sentir" tomasse conta do peito.
Escrevo, escrevo, escrevo. Ouço sussurros, esqueço nomes.

Tantas coisas tão (in)comuns a todos nós. Ou será que não? Ou será que essa angústia - finalmente consegui dar nome ao que sinto: angústia - é só minha?

Vejo a ligação perdida. Shit! Era uma oportunidade de ouvir uma voz que acalenta e acalma. Acalma e acalenta. A calma. Calmaria. Aleatório? Amor embaixo d'água. Linhas e mais linhas, digitadas, sentidas, marcadas. Vazias.

A tarde oca vai passando.

Resquícios

O corpo dói.
Todo o cansaço dos dias muito bem aproveitados resolve aparecer. Muitas horas de sono serão necessárias pra que eu possa me recompor e para que meu corpo se acostume à ausência do teu. Muitas horas serão necessárias para que o gosto da tua boca saia da minha e para que as lembranças, que insistem em se repetir na minha cabeça, se desfaçam no ar.

Cada instante vivido, cada sorriso, cada cheiro característico ainda está vivo, ainda está latente.

Felicidade reina. A menina, toda faceira, digita palavras sem saber onde vai parar esse registro. Cada linha a mais, uma entrelinha com declarações de amor. São mensagens subliminares que só o destinatário dessas tantas letras compreenderá por completo.

Será que é amor? Sim, o é. Esse sentimento que brotou no peito, e que cresce cada dia, é um pequeno amor. Desses que você olha e vê futuro. Pequeno não por conta da intensidade, mas pequeno porque, perto do que será, ele vai ser maior que o mundo. Ao menos do meu mundo.

Falando assim pareço apenas uma boba apaixonada. E o sou. E não ligo.
E os resquícios ficam por aqui, ficam a me recordar do quanto é bom estar ao lado de alguém especial.

11 de outubro de 2009

...

Uma hora dessas eu certamente deveria estar dormindo, especialmente quando se sabe que ao acordar a estrada me espera.

Sentei-me aqui mais uma vez com uma vontade de cuspir sentimentos, descarregar energia na teclas pretas e gastas. Os pensamentos, sempre eles, me torturam. Acho que se eu pudesse, gostaria imensamente de instalar a porcaria de um botão ON/OFF na cabeça. Pensar dói.

E pensar não é necessariamente ser inteligente. Falo de coisas distintas. Bem distintas.

Enquanto o meu traseiro esquenta a cadeira, vou porcamente tentando dizer algo que preste. Algo que não seja mais um desabafo juvenil de quinta categoria.

A resposta pra tudo? Não tenho. Mas metade dos meus problemas seriam resolvidos com uma coisa chamada "diálogo" e outra chamada "respeito". Os dias não são fáceis quando sei que a qualquer instante serei interrogada de cada vírgula do que faço e penso. Meus sentimentos não tem explicação.

Vou despejando palavras. Dizendo coisas sem sentido. Repito ideias. Repito cenas. Tomo pito por não estar dormindo.

No fundo eu quero aquela paz de volta. A mesma paz de uma tarde nublada e chuvosa no museu, a mesma paz de uma tarde chuvosa no carro. Lembranças. Pensamentos. Saudades. Sentimentos.

Uma coisa vai puxando outra e quando vejo estou na roda novamente. Eu penso, eu lembro, eu quero. Acima de tudo: eu respeito. Misturo assuntos. Misturo minha vida com a tua e me pego odiando novamente. Lembro do fel, lembro da raiva.

Mais palavras, mais energia, mais sentimentos.
Insegurança.
Como pode alguém tão cheio de lábia, tão cara de pau, tão pseudo-autoconfiante ser tão inseguro? Como pode esse medo bobo de perder?

Medo bobo porque apesar de odiar o bendito "pra sempre" eu sei que vai ser por toda a vida. Ou espero isso. Ou desejo isso. E no fundo eu quero.

Declaro o meu amor nas entrelinhas. Grito em cada espaço, em cada palavra não dita, o quanto, em tão pouco tempo, meus pensamentos e sentimentos se tornaram intensos. Digo sem dizer que quero a calma de te ter por perto...

Preciso dormir. A madrugada vai passando.
Continuo contando os minutos.

Não tenho pressa.

8 de outubro de 2009

Ausência

Faltam as palavras.
Sim, faltam.

Todas as palavras do mundo fazem falta neste exato momento. Neste momento, nem essas que digito aleatoriamente, somente para preencher o vazio de uma tarde chuvosa, conseguem transmitir em alto e bom som o que eu sinto. Se é que sei o que sinto, se é que se pode cometer o pecado de tentar traduzir (e conseguir) sentimentos em palavras.

Há uma ânsia, um desejo e um torpor no ar. Uma angústia, quem sabe.
Entre um tablete e outro, o chocolate adoça a boca que deseja teus beijos. Chocolate com passas para passar o tempo. Os mesmos dedos que batem sorrateiramente no teclado quebram em pedaços menores o doce sobre a mesa. A mão que deseja tua pele, alva e macia, alterna entre alimentar o corpo e esvaziar a mente das palavras que vão surgindo.

Fico a enrolar, sem ter o que escrever. O twitter está fora do ar novamente e não tenho como registrar meus pensamentos mais aleatórios. Tenho vontade de escutar as não tão velhas canções da adolescência e me pego cantarolando “Save me” do trio cabeludo e loiro.

Lá fora chove e aqui dentro faz frio. Desligo o aparelho condicionador de ar que estava estupidamente ligado. O chocolate acaba e a boca sente falta de água.

Penso novamente no teu nome. No nome que por acaso do destino veio parar na minha vida e foi ganhando espaço no coração sem querer. Acho que de tanto fugir desse amor ele se tornou maior do que eu poderia imaginar. É grande sim, mas não o digo. Neste caso prefiro guardar as palavras aqui comigo.

Faltam as palavras pra dizer a falta que você faz.

30 de setembro de 2009

Os pensamentos que eu nunca vou admitir

Tento sorrir pra não chorar. Algum sentimento que não sei dizer qual bateu à porta do velho coração.

Penso. Repenso. Ouço a mesma música enquanto coço a cabeça tentando espantar tudo o ronda minha mente.

Quero ser o cais, forte, impávido e colosso. Quero cuidar, dar certezas, quero amar sem medidas. Mas ai teus medos se tornam meus medos. E eu também tenho medo de te perder. Não quero preocupações bobas, não quero procurar motivos para ter incertezas. Nessas horas teus olhos fazem falta, pois costumo arrancar certezas deles, mesmo sem você perceber. Me pego contando os dias.

A música acaba e recomeça novamente. Minha mania de pensar demais também é assim.
A lágrima cai. Tímida, rola devagar sobre a pele e salga a boca. Talvez esse seja o sabor da incerteza. Talvez esse sabor me dê ainda mais sede dos teus beijos.

Sinto como se estivesse desenhando: o lápis sobre a folha cria planos, apago, rabisco novamente. E tudo vai ficando assim, meio certo, meio incerto.

Já não sei ao certo o que estou pensando ou sentindo.
Enquanto isso no mundo real, vou posar de boa moça. De moça boa, daquelas fortes, que não se abalam com qualquer coisa.

A mente fervilha.
Quero teu colo, teu cheiro, tua pele. Quero a paz do teu sorriso e o calor do teu corpo. Quero a tua respiração descompassada. Fazer amor até perder o ar.

Novo giro na roleta. Nova carga de pensamentos. Eles não param, vão surgindo de todos os cantos, como praga, só pra me atormentar. "Concentração! Concentração" repito silenciosamente como um mantra secreto.

No fim tudo dá certo.

28 de setembro de 2009

De mansinho

Tem dias que a vontade de escrever chega assim, como o título: de mansinho. Vagarosamente.

As palavras, pequeninas - ou não - vão surgindo letra-a-letra no monitor. Os dedos, hoje não tão rápidos, traduzem em signos os pensamentos frescos que surgem borboleteando por aqui.

O dia quente e calmo passa ora correndo, quase voando, ora arrastando cada minuto, como se cada segundo fosse o segundo mais demorado e importante do século.

Pequenas alegrias completam a segunda-feira. Cada sorriso reflete a paz que ando sentindo. Sem querer ser pretensiosa, mas eu poderia tranquilamente dizer que nunca estive tão feliz. E estou.

Felicidade chegou de mansinho, e acredito que não vai embora tão cedo. Se bem que uma vida inteira pra ser feliz assim ainda é pouco.

23 de setembro de 2009

Djavan é um bobo

Sim, ele é um bobo. Enquanto ele sussurra que adormeceu sorrindo "lembrando do nosso amor" eu sou mais esperta: adormeço e desperto pensando nele - o amor, não no Djavan.

Os dias passam, todos lindos e completos, ainda que lá fora, naquela coisa chamada realidade o céu esteja cinza e a chuva insista em escorrer pela janela. Aqui dentro, nesse meu mundinho particular eu vejo arco-íris espalhados e espelhados por aí. O meu "céu interior" está sempre azul, um azul tão bonito que dá vontade de sorrir.

Inglês é uma língua boba. Diz que o tal do blue é triste, mas como posso ser triste se está tudo azul?

O amor bateu em minha porta e eu abri. Na verdade eu é que fiquei ali espreitando meu amor dormir e resolvi bater. Me preocupei com seu silêncio, mas senti paz porque soube que aquele amor - e aquele sorriso, aqueles olhos, aquela pele, aqueles beijos, aquele abraço - era meu. Era? Não! É meu.

Aí fico a escrever de boba que sou. Brinco com as palavras da mesma maneira como minhas mãos brincam com as tuas, da mesma forma que a gente brinca na avenida em noite fresca.

Eu lembro então dos detalhes bobos, dos pequenos cuidados, aqueles gestos que quase ninguém liga, mas que a gente liga, e liga muito. Lembro do momento fofo em que, com carinho, te servi à boca aquele naco de queijo.

Tudo é tão leve. Até as Devassas eram leves e louras.

Djavan é um bobo. Pra que sonhar com o amor, se meu sonho virou realidade quando nos teus olhos eu vi um "sim"? Sonhos agora são sinônimos de futuro, meu presente é realidade e não há nada mais real do que este amor bobo, leve e recheado de coisas boas.

22 de setembro de 2009

Quarenta e seis do segundo tempo.

Nunca é tarde pra marcar um gol em final de campeonato.
Meu gol eu marquei aos 24 anos. Não sei se vai ser o gol mais bonito da minha vida, mas por enquanto é aquilo que podemos chamar de "Gol de Placa".

Costumo encarar a vida como uma final de campeonato todo dia. E neste caso: nunca é tarde pra descobrir que é possível amar de novo.

Sei lá, eu passei minha vida toda achando que ia amar uma só vez na vida. Aí eu cai do cavalo. E foi o tombo mais gostoso que já tomei, ever.

E se eu quebrar a cara de novo? Tudo bem, eu só espero ter fôlego pra me apaixonar novamente quando eu tiver 89 anos e meio. Mesmo que seja pra me apaixonar de novo pela mesma pessoa que está hoje ao meu lado.

Nunca é tarde pra se abrir ao novo. A gente tem uma capacidade de se reconstruir que é incrível. O problema é que a gente sempre se subestima. Por isso é mais fácil e cômodo acreditar que só se ama uma vez. O novo dá da medo. Principalmente quando é pra deixar algo novo entrar no coração.

Ser jovem é estado de espírito, já disseram por aí...
É ter essa vontade de inovar, de tentar o novo, de não ter medo de errar sabendo que depois ainda vai ter tempo pra consertar as "cagadas" que possam vir a acontecer. Porque merdas acontecem, não é?

Nunca é tarde pra aprender que erros às vezes, mas só às vezes, são bons. Não que a gente tenha que sair errando à torto e a direito, mas se permitir errar é se permitir viver. Ninguém é perfeito. Nunca vai ser. Até o teu herói favorito tem um ponto fraco, por quê você não pode ter?

Nunca é tarde pra aprender a ter paciência.
A vida é uma maratona e não uma corrida de 100 metros rasos, como disse Guga Ketzer numa palestra que tive o prazer de assistir no último final de semana. Quem corre maratona vai na manha, não sai em disparada gastando toda a energia em alguns segundos de glória.

Nunca é tarde pra marcar o seu gol de placa. Seja ele qual for. O meu gol, foi um gol de amor. Resolvi dar uma nova chance ao meu coração. Talvez por isso eu ande por aí distribuindo sorrisos bobos.

10 de setembro de 2009

Foi aí que resolvi escrever

Era apenas mais uma das tantas tardes de setembro já vividas. Pra ser exata já vivi 24 vezes um 10 de setembro. Não que nesse dia específico houvesse algo muito diferente. A diferença era a de que justo hoje eu me dei conta da data e tentei, inutilmente, recordar tantos outros setembros passados.

Dei uma pausa na construção desavergonhada de sentenças sem sentido e fui olhar os arquivos do blog. Voltei para 2008.

Não sei ao exato se hoje me sinto mais mulher ou mais menina do que há um ano atrás.
Na verdade eu estava só pensando na vida e esperando algo acontecer.

A vida muda. E a gente vai sambando, tentando entrar no compasso dessa coisa louca.

Acho graça da ferida cicatrizada. Acho graça do sorriso que me acompanha. Também acho graça da maneira como o meu primeiro pensamento do dia também mudou. E eu que jurava que ia ser pra sempre, quem diria, hein?

Não sei se o que sinto é amor. Ou talvez eu só tenha medo de ter certeza de que é amor. Ou ainda eu só não queira ficar admitindo aos quatro cantos do mundo o que ando sentindo, espalhando como aquele sorriso me faz bem, como é gostoso ver a minha vida naqueles olhos castanhos ou qualquer outra coisa boba e sútil, digna de uma adolescente apaixonada.

O engraçado é que ao mesmo tempo que sinto essa coisa juvenil florescendo no peito eu tento ver no futuro - e futuro não é pra sempre, é apenas futuro - a solidez de uma vida construída à quatro mãos, por mais que isso agora seja um sonho bobo que eu nem sei se vai sair dessa dimensão chamada "imaginação".

Ando querendo mais. Mais tardes de domingo, mais noites de sexta, mais muito mais que isso. Mais jantares em família, por mais que eu queira me jogar do quinto andar de tanta vergonha.

No fundo meus desejos se resumem em um só: Deixar de sermos apenas "eu e você" pra formar um "nós". Enquanto penso nisso escuto músicas e isso justifica o título.

27 de agosto de 2009

Dicas Blogger, desde (quase) sempre na rede

"Era um blog muito engraçado, não tinha widgets, não tinha nada..."

Acho que grande parte da blogosfera brasileira, poderia cantarolar essa música até uns tempos atrás. Por mais que existissem alguns (vários) widgets, a gama de personalização dos blogues hospedados pelo Blogger não era muito extensa, e por mais que fosse, até um tempo atrás ninguém entendia lhufas da coisa.

Nessa atmosfera de dúvidas e caminhos escuros eis que surge uma luz no fim do túnel. E não, não era um trem vindo na nossa direção. Eis que em 2007 surge o Dicas Blogger.

Quem gosta de blogs imagina que o Dicas Blogger é tipo Deus, que está aí desde o principio, onisciente e onipresente.

O DB é algo como pai e mãe de cada novo blogueiro, e por que não, dos mais antiguinhos também. Ensina os primeiros passos, e depois que você já consegue andar com os próprios cliques, ele continua ao teu lado, divindo coisas legais, mostrando coisas novas e dando dicas, muitas dicas.

Escrito pela Juliana Sardinha, mulher de fibra e garra e que deixa muito tubarão no chinelo, o DB está na rede, mas não é peixe, e completa anos agora em agosto.

Não é necessário falar sobre os diversos prêmios já recebidos, afinal você com certeza já passou por e conferiu. (se não passou ainda tá em tempo, viu?)

Se você também bloga o DB é passagem obrigatória.
E se não bloga também. Afinal você acha que o DB é considerado onisciente à toa?

26 de agosto de 2009

Rótulos e embalagens

Me peguei twittando sobre o assunto e resolvi me aprofundar e lançar algumas palavras ao vento, não como Cássia, mas como Priscila!

Desde que a gente nasce a gente vai acumulando rótulos dos mais diversos. A gente cresce e continua recebendo os benditos dos rótulos.

Roqueiros, pagodeiros, São Paulinos, Palmeirenses, Paulistas, Cariocas ou Gaúchos, bonitos e feios, inteligentes e ignorantes, separações, categorias. Heteros, homos, transsexuais.

E todo mundo te julga por aquilo que você aparenta ser. O tempo todo.
Se você apaixona demais, de menos. Se você não se apaixona.

Entendo a Ariane quando ela diz E Daí? E tenta se expor menos.

Às vezes eu penso do mesmo jeito: tenho que me conter, tenho que falar menos sobre mim. Twitter às vezes nos deixa muito vulneráveis. E eu fico pensando se algum possível empregador ia gostar de saber como sou intensa, como me apaixono, ou como me sinto num dia onde o tédio reina sobre a vida. Será que vou deixar de ser levada à sério por conta disso: por ser humana demais?

#Mimimi tem limite, e todo mundo sabe. Eu também sei quando exagero, tudo bem que só percebo isso quando já exagerei, mas e daí?

Vou deixar de sentir o que sinto? Deixar de ser quem sou? De pensar como penso? Dificilmente.

Tenho vinte e quatro anos nas costas (no resto do corpo também, embora muita gente dê menos), já passei por muita coisa nessa vida e tenho outras mil experiências para viver. Nunca neguei a cara à tapa e sempre me esforcei pra dar o meu melhor em algumas coisas. Por essas e por outros motivos durante um bom tempo tive gastrite: porque eu me cobro demais. E vou continuar me cobrando. Embora em dia s como hoje eu simplesmente me revolte e tenha vontade de mandar um grande FODA-SE para meio mundo.

Rótulos, embalagens, máscaras sociais.
Fofocas e burburinhos.
Vontade de jogar tudo pro alto e começar tudo de novo outra vez.

22 de agosto de 2009

O retorno do anjo mau

O Anjo Mau retorna à Terra. Volta à vida, solitário, ainda doente de amor, ainda amando na hora errada. Os amores mudam, a dor permanece.

E é justo quando dói que ele sente que volta a viver. A dor o traz de volta a vida, como a fênix que ressurge das cinzas. É como se o fogo o consumisse por dentro, como se a carne se tornasse ferida viva, latejando, deixando o sangue escorrer do coração ferido de amor.

Cada gota que cai, enche o peito de vida. É como se ocorresse uma transfusão ao contrário, onde a equação realizada se resume em quanto menos sangue mais vida.

O Anjo mau sorri em meio a dor. Disfarça o incomodo sentido, as escaras abertas, sorri para o jogo de Xadrez a sua frente. Encara cada peça como única. Fita por um tempo maior a Rainha. Sorri novamente e nota que sem querer deixou um pouco do sangue escorrer pelo tabuleiro.

Não é a velha ferida de sempre que sangra. É uma nova. E isso o desconcerta.
Atordoado ele se esconde. Envergonhado de seus sentimentos, evita olhar nos olhos alheios.

Até quando? Ninguém sabe.
O Anjo apesar de mau, sempre surpreende.

21 de agosto de 2009

O pior dos piores

A gente tem mania de procurar o melhor de algo, o maior de algo. O melhor livro, a melhor música... Records... A maior qualidade, a melhor noite, a maior furada, o maior mico. Pensando nisso cheguei no pior fora já tomado na história.

Pelo menos na minha história.
O pior fora não foi o cara me dizer que éramos amigos e que não queria estragar a amizade, não foi simplesmente me evitarem, não foi quando ficaram com outra na minha frente mesmo sabendo que eu estava afim, nada disso. O pior fora, o meu pior fora, foi o que tomei quando me disseram quem não dava pra continuarmos juntos. Quando a boca dizia algo e os olhos desmentiam cada palavra dita. O pior fora é saber que o outro também gosta, também quer, e mesmo assim o tão esperado "conto de fadas" não vai ter final feliz. O pior fora foi aquele motivado por covardia. Por medo de jogar tudo pro alto, enfrentar algumas coisas e tentar ser feliz.

Ainda bem que tomei um fora assim! Pois é, tudo na vida tem um lado bom...

19 de agosto de 2009

Epístola Livre

Carta aberta aos passantes, aos viventes e aos amantes. Não os amantes frutos de adultério, mas me refiro aqui àqueles que amam.

Na verdade essas palavras escritas na pressa de mais um dia representam apenas uma maneira de aliviar a cabeça e deixar transbordar em palavras um pouco dos sentimentos desta que vos escreve.

Creio que muitos acham graça nesses suspiros apaixonados publicados desavergonhadamente. Palavras que apenas desejam preencher um coração já preenchido.

Quisera eu preencher com atitudes a vida, o dia-a-dia, de quem tanto aprecio.

Quão piegas consigo ser. Piegas e tola tal qual uma criança ingênua.
Escrevo ao relento, como quem nada quer de volta. Ainda que meus desejos sejam todos loucos e incandescentes. Desejos de construir uma vida à dois, de ser mais, de ser a melhor pessoa do mundo, para simplesmente ser parte de ti...

Sabes, andei chorando pelos cantos, sentada à frente de um monitor, ou situada atrás do volante em noite fria. Sei bem que você sabe. Não era um choro ruim, acredite. Era um choro por sentir-me impressionada com a constatação de que novamente brotou algo no lugar que eu julgava estéril. Completamente estéril.

O conto de fadas finalmente acabou. E agora vejo que posso criar novas histórias.
Estou livre para fazer novas escolhas sem parar e pensar numa história que poderia ter dado certo.

E meu espírito anda tão leve que trocaria meu mundo pelo teu, ainda que em dias como o de hoje você quisesse implodi-lo. Trocaria o meu mundo, inteiro, repleto de pequenas alegrias por aquilo que sobrar do teu.

Deves me achar uma desvairada cheia de alucinações. Ou talvez só uma boba a escrever tolices. De verdade? Não me importo mais.

Me sinto livre. E de certa forma devo isso a tua decisão de ter ficado mais um pouco comigo, ao me convencer com os frutos dessa amizade.

18 de agosto de 2009

Apetite

Porque minha fome é amor e minha sede é de beijos!
Porque o coração pede, coração bate, coração sente.

Passional. Sentimental. Irracional.
O tipo de pessoa que não se contenta com sexo meia boca, meia alma, meia cura.

O que eu quero, quero por inteiro.
O resto é passatempo.

Apetite. Fome. Meio dia. Um dia pela metade.
Uma vida inteira. Um amor inteiro.
Uma lembrança pela metade.



Texto antigo.
Não sei porque resolvi postar.

13 de agosto de 2009

Do ouvido para a alma

Eu sempre tive uma ligação muito interessante com música.
Desde pequena quando pegava os vinis do meu pai e escutava um a um, seguidamente.

Especialmente Häendel e Beethoven. Não entendia e continuo não entendendo muita coisa, apenas aprecio e confesso-me encantada com quem gosta de música clássica e conhece de verdade.

Também desde pequena gosto de Rita Lee, em especial de um trabalho que já existia antes mesmo da dona Priscila aqui vir ao mundo: Rita Lee e Roberto de Carvalho lançado em 1982 (eu sou de 1985).

Dessa época, em que escutar os discos de meu pai era um hábito, conservo até hoje uma mania: ouvir música deitada no chão e de olhos bem fechados.

Gosto da sensação da música sendo parte de mim, tomando conta de cada poro, cada centímetro da pele. Escorrendo feito a água gelada arrepiando como num banho de cachoeira. Gosto de sentir meu coração tentando acompanhar o compasso da música.

Por essas e por outras sinto saudade das aulas teóricas de música, saber o tempo de mínimas, breves, semi-breves, informações e conhecimentos jogados ao ostracismo da minha cabeça.

Confesso que há muito não fazia destas coisas, não conhecia algo, em questão de som, tão bom ao ponto de me levar de volta a esse passado que de certa forma é memorável. Ouvia sim meus rocks, tinha meus momentos Coldplay, System of Down e outras coisas mais, mas não era como antes. Esses momentos não vinham acompanhados de um sentimento de paz, de algo possível de sentir fisicamente por dentro do peito.

Foi então que conheci Beirut.
E me encantei. E me desfiz no ar, e senti paz. E quase chorei com essa sensação que me faz companhia sempre que escuto. É como se Deus tocasse em mim e preenchesse todo um vazio que eu sequer sabia que existia.

Primeiro Elephant Gun, que tempos depois descobri ser parte da trilha sonora de Capitu, minissérie da Rede Globo. Até aí o vazio não havia sido descoberto muito menos preenchido. Gostei tanto da música que fui procurar mais coisas. Baixei um EP e também o último álbum o "The Flying Club Cup". Do EP já conhecia a música da minissérie, mas meu êxtase veio mesmo é com a faixa de número 2 do álbum: Nantes.

Baixe. Ouça. E me diga você o que você sentiu.

Kid Abelha e a falta do pronome

Há muito não o uso, afinal ele tem sido desnecessário nessas minhas andanças solitárias. Desde que decidi não mais amar, construí um Muro de Berlim ao redor do coração.

Apesar de alta, a edificação deixava algumas partes à mostra. Durante muito tempo expus cicatrizes de uma velha história, marcas do conto de fadas que não deu certo.

Mesmo com esse desejo insano de me fechar, de isolar meus sentimentos do convívio, nesse meio tempo tentei entregar as chaves do grande portal - que leva a parte mais profunda daquilo que tenho no peito - para algumas pessoas.

O problema é que pulei a etapa do pronome. Não havia um "nós". Assim como continua não havendo. Era sempre eu e você ou você e eu. No máximo aparecia um "a gente" no meu vocabulário sentimental. Mas nada tornava duas pessoas em uma só. Nada era "nosso", nada era "compartilhado" de fato.

Falei sobre minha vida. Ouvi sobre a vida alheia.
Certa vez até tentei que um certo par de olhos castanhos adentrasse os muros e conhecesse os jardins. Queria mostrar-lhe o meu porto particular, o meu cais, o local mais seguro do meu mundo. Queria que o brilho daquele olhar motivado por mim.

Não deu certo. Continuamos a ser eu e o "Par de olhos". Como diria Kid Abelha mas "Amor por retribuição? Você só pode estar de brincadeira".

Continuei a caminhar. Por vezes fazias festinhas junto ao famoso muro meu, mas sempre do lado de fora. Tentava encontrar nos sorrisos alheios, na tez branca como marfim um alguém digno e corajoso o suficiente pare adentrar e por lá ficar. Mas pessoas corajosas querem desbravar o mundo, e nesse caso o meu infinito particular ainda era pouco. Conseguimos formar um "a gente", mas o agente super poderoso resolveu acompanhar a correnteza e conhecer outros portos.

Pensei em errar tudo de novo. Voltar no tempo e reviver coisas que infelizmente haviam mudado. Afinal até então eu acreditava cegamente que "longe do teu domínio eu iria de mal à pior".

Ainda faltava o bendito do pronome. Faltavam os "nossos" sonhos, os sonhos com a "nossa" casa, a "nossa" vida. Eu não tinha encontrado "a fórmula do amor"

Então antes que me jogasse de algum andar, resolvi sair, fazer um "contrato com a noite".

Tomei "3 taças", e tantas outras taças mais, na inútil tentativa de me livrar dessa "fixação" por pronomes.

Passei um bom tempo me perguntando "por que eu não desisto" dos pronomes. Cheguei a conclusão que foi pressa demais em tentar viver coisas, planejar viagens com direito a estadia num Grand'Hotel, quando a gente nem conseguia planejar direito as idas ao cinema.

Passei por cima dessa história. Atropelei a paixão.

Passei mais um tempo alternando entre me fechar no porto existente atrás do meu Muro de Berlim e espiar pela fresta se existia alguém para quem eu pudesse jogar a chave. Durante esse tempo sem querer fui deixando o muro cada vez mais alto sem nem mesmo perceber.

O tempo foi passando... Quando eu menos esperava, num passeio por entre os jardins do lugar onde o passado é guardado percebi que o que eu procurava mesmo era alguém transparente, que mesmo sem querer demonstrasse equilíbrio. E que tivesse o mesmo desejo de construir pronomes como eu. Eu já havia me cansado de gastar tantas palavras por gastar, e confesso tentei não pensar naquela possibilidade. Foi em vão.

Coração é um bicho bobo e burro, um bicho que a gente não manda. Quanto mais eu tentava não pensar mais meu coração procurava por "coincidências e confirmações". Percebi que mesmo tentando forçar a abertura dos fortes e pesados portões que guarda o mundo que existe atrás do muro, eu acabei mudando meu comportamento sem perceber. Já havia entregue metade da chave. E tudo ficou a meio a meio. Minhas visões de mundo, meus desejos. Eu não estava nem dentro do meu próprio mundo nem longe o suficiente pra me desprender e me descuidar com estranhos.

Nesta cabeça que vos fala criar um pronome agora parecia real, parecia uma ideia simples, uma questão de tentar a sorte, por que não?

O "nós" estava tão perto, tão próximo, tão meu.
Mas acho que me perco dentro de mim. Leio e releio palavras, invento situações. Me sinto incapaz de acender a luz numa noite escura. Incapaz de dar de volta a paz que senti enquanto observava pelas frestas a vida lá fora do meu mundo.

Acabei perdendo o sono e tendo certeza que, de alguma forma, eu sou louca, mas ninguém desconfia.

10 de agosto de 2009

Volátil

Meu corpo se desfaz no ar. Se torna leve e se eleva.
Meu coração não bate, apenas sussurra os movimentos.

Tudo é paz, tudo é bom. Permaneço assim, quieta, atenta e mansa.
Carrego um sorriso bobo no rosto, um riso solto no ar, um sorriso quase pueril...
Então cerro os olhos e me teletransporto para algum local longe e alto de onde vejo tudo e todos. E tudo é tão transparente quanto minhas palavras, quanto meu olhar.

7 de agosto de 2009

Amanhecendo

A sexta amanheceu suave e plena. A madrugada havia sido quente, tão quente que a janela do quarto permaneceu aberta durante toda a noite. Lá fora a Lua sorria, grande, bela e majestosa projetando sua luz quarto adentro.

Os sonhos não foram dos melhores, um incômodo dissimulado, disfarçado de insônia que marcava presença a cada vez que eu pegava no sono. Durantes os breves intervalos de repouso, tornava a sonhar com o objeto de meus desejos, com tudo o que eu não quero desejar. Sonhava com o calor dos corpos tão quentes quanto a súbita noite cálida em pleno inverno. Sonhava com beijos ardentes, inebriantes, repletos da mais pura volúpia. Um desejo bom. Um bom encontro entre os corpos. Mãos se misturando entre colo, ancas, pernas, coxas e barriga...

Sonhava e acordava com raiva. Sonhava e esperava nos sonhos as palavras que jamais vou ouvir.

Foi então que amanheceu. A aurora com suas cores típicas foi chegando de mansinho junto com o canto dos pássaros. O dia foi se formando pouco a pouco.

O celular despertou e eu inocentemente permaneci por mais alguns instantes a conversar com o teto, fitando-o e tentando ouvir suas respostas. Fez-se sexta-feira. Hora de cair da cama e ganhar o dia.

5 de agosto de 2009

Palavras engasgadas.

Odeio meu orgulho besta, odeio esse silêncio ensurdecedor, odeio as perguntas sem resposta.

Odeio me portar como adolescente, regressar no tempo com esse turbilhão de sentimentos. Não gosto das minhas mãos molhadas de suor quando falo ao telefone contigo, não gosto da maneira como disparo a falar e não te ouço.

Não gosto dessa situação.
Não aprecio a maneira como minha perna fica balançando incontrolavelmente cada vez que olho a janela do messenger. Não curto a forma como me programo para sempre ler e rever as mesmas palavras, as mesmas imagens.

Não curto a forma como nego tudo o que sinto. Não gosto de estar assim. Não gosto de perder o controle sobre a situação, sobre o que sinto e tudo o mais.

Odeio ligações perdidas no celular. odeio chamadas não retornadas.
Isso me transtorna, me tira a paz.

Essa ansiedade me corrói. Me deixa elétrica, agitada. Me torno impulsiva e tomo atitudes iguais as de uma criança que nunca se apaixonou e que não sabe lidar com o que sente.

Voltei no tempo. Voltei a sentir algo que jurava não mais sentir.
Não é amor, mas é aquela paixão boba e inconsequente. Aquela que não se importa em passar por cima do orgulho pra simplesmente dizer: Hey, me preocupo com você.

Palavras engasgadas. Perguntas sem respostas.
Até quando?

3 de agosto de 2009

O homem grávido

Já imaginou um homem grávido? Não? E acompanhar uma gravidez pela ótica masculina? Uma gravidez igual a "Festa Surpresa", daquelas que você nem desconfia, mas fica super feliz quando descobre? Ficou curioso?

Pois é, agora matar essa curiosidade é possível. Não é feitiçaria, é tecnologia. O aquariano (e meu amigo) Marcelo Sardela da Agência Minimalist descobriu recentemente que vai ser Papai. E pai aos vinte e poucos anos.

Junto com a notícia vieram também preocupações e um outro ponto de vista sobre a gestação. Sentimentos e preocupações, além é claro do crescimento do futuro herdeiro(a) ele anda registrando no blog Pai aos Vinte.

Dica de leitura bem bacana tanto pra quem já tem filho quanto para quem ainda não tem, ainda mais que em agosto a gente comemora o Dia dos Pais.

E pro Papai Sardela só posso desejar Felicidade e dar os Parabéns pelo primeiro Dia dos Pais desde já!

28 de julho de 2009

Desejos da terceira pessoa

Ela queria escrever, mas não sabia exatamente o quê.
Vários assuntos poderiam ser por ela abordados, várias palavras utilizadas para preencher um vazio sem fim. Todavia a fonte das palavras estava seca naquela tarde de julho.

Ela sentia saudade. Saudade, ansiedade e uma vontade enorme dum abraço demorado. Um abraço que poucos conheciam.

Aliás nos últimos dias vontades bobas haviam feito estacionado na mente e no coração: Vontade boba de dar a mão no escurinho do cinema sem que ninguém percebesse, e ficar ali acariciando furtivamente, vontade de sentir o calor dor rosto encostando no ombro e ver filme assim mesmo: juntinho.

Não sabia se era influência do frio, mas a necessidade de ter alguém por perto urrava dentro dela. Necessidade de cuidar de alguém como há muito aquela jovem não fazia.

Foi então que pensando nessas coisas ela sentiu-se só e desejou por alguns instantes uma paixão possível, dessas dignas de contos de fadas com direito a final feliz. E desejando uma possível paixão ela lembrou-se que, de certa forma, ela já estava apaixonada. Faltava apenas ser possível realizar seus desejos, faltava apenas que permitissem com que ela colocasse em prática os cuidados. Cuidar sem esperar nada em troca e nada mais.

24 de julho de 2009

Descobrindo e compartilhando música nova

Pássaro Solto - Luzia Dvorek

O que sei de amor não saberia,
Sem o trecho de poesia sem um verso de canção
Quando o amor me pega e me domina,
O poeta me ilumina na neblina da paixão.

Aprendi que o amor não se acorrenta,
Quando é solto o amor aumenta, que é pra caber na imensidão
Tem que ser amor pra que dê certo,
Como pássaro liberto, só pousado em sua mão
Que o amor ninguém isola, não é ave de gaiola,
Só nas cordas da viola que se prende um coração

Download da música

Excesso de palavras numa sexta-feira chuvosa

Há dias adio essa coisa de escrever. Há dias venho procurando pelas palavras que melhor definem o que eu ando sentindo.

É que sinto tantas coisas e muitas vezes todas elas ao mesmo tempo. É como se eu ficasse triste e alegre no mesmo momento, entende? E esse ato de adiar o momento em que começarei a dizer tudo que é necessário ser dito (ou não) deixa uma certa ansiedade no ar, deixa uma certa melancolia também.

É algo que agarra, que me prende num lugar onde não sei onde estou.
Confuso? Sim. Tão confuso quanto minha visão de mundo, quanto minhas paixões, quanto meus sentimentos.

Gosto dessa minha complexidade ambulante e ululante. Gosto de me sentir um quebra-cabeça que precisa ser montado pragmaticamente, e confesso me sentir bem sendo uma espécie de enigma... Por mais óbvia que eu seja, por mais transparente e previsível, sempre serei uma interrogação, tal como disse Clarice Lispector "O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar".

No fundo, acredito que eu duplipenso demais. E isso resume muitas coisas.

O fato é que ando de saco cheio com algumas pequenas coisas. Eu sei que são pequenas, mas ainda assim são coisas que me irritam profundamente.

Tá... Não é profundamente, tããão profundamente assim, porém irritam, sabe?
Uma das minhas irritações é comigo mesma. É saber que quando eu ajo por impulso eu faço o que não queria ter feito. E sem essa de jogar culpa nos outros. Fiz porque quis, ainda que querendo eu não queria de verdade ter feito o que eu quis. Não é arrependimento, não é querer "voltar atrás", só acho que tem certas coisas são desnecessárias na vida da gente. Bem desnecessárias pra falar a verdade. Tudo bem que gosto de lustrar meu ego de vez em quando e que com isso eu acabo virando uma pessoa superficial, contudo é tudo instantâneo demais. E é justamente essa instantaneidade que me irrita.

Comida instantânea por exemplo: Até dá uma tapeada na fome, mas sustenta? Conhece alguém que viva de miojo e goste disso? Não né? Pois bem. Café instantâneo também. É bom? Claro que é, mas não tem o mesmo sabor, o mesmo aroma do que aquele que foi cuidadosamente preparado, desde a produção dos grãos até a hora de passar a bebida.

Gosto de coisas mais demoradas. Porque geralmente essas coisas demoradas são complicadas e eu sou complicada, complexa, excêntrica. E não vou mudar porque os outros se incomodam com isso, e olha que eu incomodo muita gente, viu? Se um dia eu vier a mudar com certeza vai ser porque eu me sentirei melhor assim.

Não que eu seja uma Gabriela Cravo e Canela, que nasceu assim, cresceu assim e vai ser sempre assim. Eu simplesmente mudo no meu tempo, pouco a pouco, mudo conforme acho que tenho que mudar, da mesma maneira que já mudei diversas vezes. Como já mudei meu jeito de me vestir, como mudei meu jeito de falar, meu jeito de pensar também.

Gosto de ir em busca do novo. À passos lentos, é verdade. Vez ou outra com direito a dar um passinho para trás, mas nada que comprometa o andar da carruagem.

E falar em carruagem me lembra de cavalos, o que me faz pensar que ando segurando pra não ser grossa com os outros sem necessidade, e que ando aturando frescurite alheia de boca fechada. Não quero nem ver quando a minha (sempre pouca) paciência se fizer ausente. Me irrito com gente que acha que "o meu é melhor que o seu", principalmente quando o assunto tem a ver com gostos pessoais. PESSOAIS entendeu? Isso quer dizer que é da pessoa, único, individual. Fui clara?

Xi, acho que já me irritei...
Por hoje é só.

21 de julho de 2009

Cantarolando...

Gosto de Ser Cruel - Kid Abelha
Composição: George Israel / Paula Toller

Sou capaz de gritar
E de te ofender
De me machucar
Mas não de te esquecer
Sou capaz de chorar
Ser ridícula até não aguentar
Posso bater com a cabeça na parede
Posso fingir que não sou inteligente
Posso pensar em vingança e traição
Eu gosto de ser cruel
Pra chamar sua atenção
Eu faço o que você quiser
Pra agradar seu coração

15 de julho de 2009

Ensina-me a ter paciência? Aliás, faça mais que isso: Peça-me para te esperar.
Ensina-me as coisas tuas, conta-me os segredos teus. Divide comigo tuas dores, teus anseios, suas alegrias. Conta-me, utilizando daquele teu olhar, se teu dia foi bom ou ruim. Convida-me para um passeio. Permita que eu te pague um refresco, um sorvete ou outro mimo qualquer.

Aliás, me deixa te mimar, te gracejar, te encher de carinhos? Deixa me fazer isso sem que eu lhe peça nada em troca a não ser o teu sorriso?

13 de julho de 2009

Entrelinhas indizíveis

Eu escrevo o indizível. Preencho as entrelinhas com segredos, com verdades que desejo manter ocultas. Recheio cada entrelinha com verdades que apenas meu coração conhece, que apenas aqueles olhos castanhos conseguem ver, verdades chistosas que só aquele sorriso largo, alvo, notável, compreende a graça.

Escrevo sim o indizível. Anoto aqui, sem querer querendo, cada sentença que jamais vou admitir. Rio só, sorrio. Descrevo sensações trazidas pela leveza desse doce e subtil afeto, sentimento que por aqui resolveu atracar-se.

Das lembranças, que são poucas e quase nulas, aprecio mais as que inventei. Recordo-me de tudo o que ainda não aconteceu. Colho, maduros e saborosos, os frutos de minha imaginação: as tardes no cinema, o leve e tímido resvalar das mãos enquanto caminhávamos lado a lado no parque. Lembro-me também dos olhares trocados, dos carinhos acanhados, do cuidado e das gentilezas trocadas. Guardo na memória os tenros frutos da minha mente, coisas que só aconteceram aqui dentro de mim e que agora partilho despudoradamente.

A cada nova linha, uma nova sensação deixada e registrada no espaço em branco que agora é a tela do computador, mas que poderia perpetuar-se também nas páginas alvas do velhos cadernos da faculdade, ondem também se encontram muitas cartas não entregues.

12 de julho de 2009

Devaneios de um domingo a tarde

Faltavam-me palavras.
Queria porque queria registrar aquele momento, aquela sofreguidão em dizer o que sentia. Descrever aquela ausência latente no peito, aquele desejo de se jogar em direção ao desconhecido.

No peito brotava uma vontade absurda de pegar a estrada e sair por aí. Mas faltava dinheiro, afinal por aqueles dias já havia gastado demasiadamente nas reuniões sociais que aconteceram durante a semana.

Sobre a mesa pousava o prato vazio, fruto da última refeição. Os restos de comida impregnavam o ambiente com o cheiro característico da comida feita por meu pai. Os temperos, os gostos, tudo deixava o ar impregnado com um frescor de pimenta. Se é que pimenta pode deixar algo fresco ao invés de ardente.

Resolvi então ir até a cozinha, na busca de um refresco ou algo que saciasse a sede. Porém sede maior é que eu tenho em minh'alma nesse instante. Algo insaciável talvez.

Espacei as linhas, criei conteúdo de forma a preencher a lacuna do tempo.
Compreendia o sorriso, mas não o entendia.

Enquanto isso, balançava as pernas de forma cadenciada, numa tentativa de afastar o frio. Não que o tempo estivesse com temperaturas amenas, mas porque apesar do inverno ser presente, eu usava o velho short azul... O mesmo que no verão costumava valorizar minhas pernas durantes as longas pedaladas pelas ruas da cidade.

Recordei-me que me propus voltar a pedalar. Desta segunda nada passaria.
Contas acertadas, bicicleta renovada e leituras em dia. Tudo começaria a ficar em ordem.

Contudo, havia ainda o dia de hoje. O domingo solitário, refém de mim mesma.

Jogue tudo pelos ares, vem fazer parte de mim. Era isso o que tinha vontade de dizer a todos os estranhos, era isso o que eu tinha vontade de gritar da janela do quarto. Mas silenciei, da mesma forma como há algum tempo venho silenciado meu coração.

10 de julho de 2009

Da mesa

TV ligada, fones de ouvido. iPhone. iPod. Cartoon Network.
Penumbra. Take me out.

Skol. Outra Skol.
Caneta, lápis, lapiseira, porta-treco, porta-caneta, porta-coração.
Foto. Porta-retrato.

Celular. Guitarra. Solo. Solidão.
Distância, pensamento, saudade?

Grande rio. Rio de Janeiro. Loucura jogo e armação.
Palavras, mensagens, ausência, ressaca.
Mais bebida, mais palavras, mais sinceridade.

Paixão: Sim ou Não?

8 de julho de 2009

Sobre as chaves e o castelo

Dei-te a chaves do meu mundo.
Conhecer uma parte do que sou depende, agora, muito mais de ti do que de mim. Em cada armário espalhado por aqui você encontra uma parte de mim. Minhas mágoas, todas elas, estão jogadas no fundo dessas gavetas que você encontra a cada novo passo dado na direção que te apontei.

Aqui dentro do meu mundo o que você encontra é um alguém sem defesas, alguém que baixou a muralha e permitiu que você adentrasse com a única condição de manter segredo sobre o que você irá ver.

Por precaução resolvi olhar novamente os armários dos quais você agora tem a chave. Cuidado, muita coisa pode assustar, mas lembre-se que são os armários do passado. O presente está em outro lugar, o presente está num castelo.

Um castelo mais bonito por sinal. Um castelo chamado coração. Deste castelo você ainda não tem as chaves. E nem precisa... As portas desse castelo nunca ficam trancadas, estão apenas encostadas de forma que só quem ouse chegar perto descubra que pode entrar.

Há muito tempo ninguém reina soberano a partir do Castelo. Sua ultima Majestade partiu após a guerra e deixou apenas os armários repletos de lembranças e outras coisas.

Confesso que até pouco tempo atrás estava tudo desorganizado. Não sabia o que deixar nos armários e gavetas do passado e o que eu poderia deixar no castelo. Passei um tempo perdida dentro de mim para organizar tudo isso, mas agora até que está tudo organizado e principalmente: limpo das mágoas que eu sentia.

Sei que você está à porta. E sei que tem medo de entrar. O novo às vezes é apaixonante. Prometo te guiar e ficar ao teu lado.

6 de julho de 2009

Releituras de um amor

Fui reler as cartas que você não me entregou.
Tortura planejada e auto-praticada é algo um tanto quanto estranho. Mas penso que às vezes entrar em contato com a dor pode nos tornar mais fortes. E talvez isso tenha acontecido comigo hoje: Talvez eu tenha me tornado mais forte.

Em outras épocas, em outros tempos, em outros amores, cá estaria eu escrevendo palavras banhadas pelas lágrimas não contidas.

Hoje fui me torturar com o passado para ver a quantas andas o processo de cicatrização de uma doença que achava não ter cura. Me surpreendi com o resultado. As lágrimas, termômetro da minha angústia, nem sequer marejaram os olhos, nem sequer brotaram.

Será que encontrei a cura pra distância, pra saudade, pro amor mal resolvido?

5 de julho de 2009

Tentativas

Eu não sou romântica, mas eu tento.
Eu não sei tocar violão, mas ainda assim eu tento.
Eu não sou atriz, mas interpreto meu papel. Ou pelo menos eu tento.

Eu não digo eu te amo, mas ainda assim meus olhos tentam dizer isso por mim sem nem mesmo pedir permissão.
Eu não sou a pessoa mais fofa do mundo, mas eu tento.
Eu não digo que me preocupo. Porque eu me preocupo mesmo e não preciso nem dizer.
Eu não sei ficar quieta durante muito tempo, mas eu até que tento manter em silêncio a minha boca. Tudo bem que aí os olhos falam, os meus atos falam, que meus pensamentos continuam falando alto também, mas a ausência de sons às vezes faz parte.

Eu não sei esquecer algumas coisas, mas juro: eu estou tentando (e estou conseguindo).
Eu não te compreendo. Não entendo. Mas eu tento.

E quero continuar tentando outras coisas também.
Assim como eu tento expressar a ausência que sinto agora... Não consegui, eu sei. Mas tentei.

3 de julho de 2009

Resposta (ou perguntas?)



Chegar ou partir?
Ficar ou fugir?

Te espero? Sigo em frente?
Que faço eu da vida que Deus me deu?
Pego um caminho qualquer e deixo a rua me levar? Ou saio, sacana, em busca de algo que não é meu?

E meu desejo? E minhas vontades? E o nosso beijo que não aconteceu?

Sonho, ilusão, magia.
Devaneios à luz da bela lua que ilumina parcamente a rua por onde eu passo.
Lua tão bela, que cresce e pisca timidamente tornando público o flerte que a minha timidez me impede de dar...
Atrai pra si as borboletas, as famosas borboletas.

E agora, José? Aliás, será que há um José nessa história também?
Nesta noite a festa ainda nem começou.

Partir? Ficar? Esperar? Mudar? Transformar? Estreitar? Aproximar?
Ou simplesmente conquistar?

A hora certa de dizer Eu te amo...

Tava analisando e relembrando algumas coisas. Vi recados no Orkut e me atentei a datas. "Te amo's" daqui, "Meu amor" pra lá... Em tão pouco tempo de relacionamento a tão almejada (?) frase é trocada.

Mas "Eu te amo" tem hora certa pra ser dita?
Eu não acredito em "Amor a primeira vista", até porque amor, amor mesmo, pelo que eu bem entendo, nasce da convivência, nasce do conhecimento, nasce do dia-a-dia compartilhado, ainda que distante, mas compartilhado mesmo assim.

Acho meio impossível conhecer alguém e um mês depois já estar caindo de amores. Para isso existe a paixão. A paixão é o sentimento que melhor se encaixa enquanto não percebemos no outro os "defeitinhos" que todo mundo tem.

Tudo bem que você pode passar a vida toda com alguém e ainda assim não amar.
Essa possibilidade também existe.

Acho que essa busca incansável do ser-humano pelo amor banalizou o pobre coitado do sentimento. Muita gente diz "Amo você" como se fosse um mero "Bom dia", como se fosse algo apenas por educação, polidez. E mais, abre a boca pra falar algo que não sente, o que, a meu ver, é ainda pior.

Amar, de certa forma, é sentir-se responsável pelo outro. Dizer que ama sem ter noção da grandiosidade da frase dita é uma crueldade, é alimentar sonhos que não serão realizados, é plantar algo que não será colhido e que possivelmente apodrecerá no coração alheio.

Recordo-me de um antigo relacionamento meu, mais precisamente do início desse relacionamento, quando certa vez eu disse que queria que o tempo passasse logo para ter certeza de que o que eu sentia era amor, para que eu pudesse dizer um "Te amo" que até então estava entalado na garganta. Hoje vejo que eu poderia ter dito "Te amo" antes e que não seria precipitado, afinal foi a época que eu mais gostei desse alguém. Mas tanto tempo se passou e só agora percebi isso.

Como eu poderia saber naquela época o tempo certo pra dizer?
Simples: ter certeza de que estava sendo sincera. E não digo em ser sincera com a outra parte, mas principalmente: Ser sincera comigo mesma.

Hoje sei que meu próximo relacionamento provavelmente vai demorar um pouco mais pra ouvir a tal frase. Acho que quanto mais crescemos, quanto mais apanhamos da vida, mais difícil fica se abrir e sensibilizar-se novamente.

Não que eu tenha me tornado fria ou coisa do tipo. É que agora eu só quero ter um pouco mais de segurança.

2 de julho de 2009

Saudade

Por que é isso que ando sentindo...

De tantas e tantas coisas e de tantas e tantas pessoas...

29 de junho de 2009

Borboletas numa segunda de manhã

Acordei de um sonho estranho. Sonhei com borboletas e mais borboletas. Borboletas dentro de seus mais diversos significados na minha vida. Borboletas que às vezes eu metaforicamente caço, borboletas que brotam no estômago, borboletas no meu jardim.

Lembrei de outras coisas, cai da cama e vim escrever. Olhei palavras alheias escritas em outros cantos. Achei algumas coisas desiguais, outras diferentes e outras previsíveis. Lembrei também da minha corrida atrás de mim mesma, das duas Priscila's que nunca se encontravam e que ficavam a correr em círculos. O encontro consigo mesmo é sempre o mais difícil: porque para se encontrar é preciso perder-se de si mesmo. Ou não?

Me perdi e me encontrei. Encontrei também outras pessoas no caminho. Aprendi que meu caminho é meu e que não devo (e não vou) desviar-me por causa dos outros.

Um dia de cada vez.

Outra decisão inteligente (ou não) a qual tento me manter firme é a de não conquistar corações. Não ir em busca deles tem me dado paz. O processo às vezes precisa ser reverso, às vezes é bom deixar-se ser conquistada. Pelo menos uma vez na vida, né?

O novo me inquieta e ao contrário de Clarice: o que obviamente parece prestar, aquilo que é direito, muito me interessa. Não para os fins que todos pensam, porque como escrevi ali em cima estou num momento de "resguardo" emocional, mas me interessa num sentindo de crescimento, de conhecimento, de expandir horizontes, questionar e ver a vida a partir de outros pontos de vista.

Até porque o porto precisa estar pronto quando um novo barco quiser atracar.

27 de junho de 2009

O rio e a caverna

Beyonce resolveu me fazer companhia na noite da última sexta-feira de junho. Parei pra pensar na vida. Acabei sentindo uma ausência sem explicação. A cada música tocada no player um novo tipo de sensação invadia a minha alma.

Senti-me feliz, estranhamente feliz, por mais que a melodia fosse triste eu não pude deixar de sorrir. Lembrei de pessoas que já passaram pela minha vida. Na verdade lembrei de muitas delas e de algumas em especial. Comecei a ver que a vida é parecida com um rio: sempre com águas novas, sempre correndo em direção ao mar.

Lembrei das coisas que eu não tenho mais e percebi que aos poucos estou deixando alguns sentimentos irem junto com as águas. No fundo sei que espero por algo novo e que preciso ter paciência pra que uma história nova comece no tempo certo. Acho que a cicatriz está se formando, como tatuagem sobre a pele, como marca que não dói e que também não deixa de existir.

Penso nesse exato momento nas pessoas que chegaram recentemente em minha vida. Me pergunto qual papel cada uma vai assumir daqui pra frente. Se é que a vida tenha dessas coisas de assumir um papel ou não.

Por que não deixar apenas acontecer? Por que é tão difícil assim?
É medo. Medo do novo, porque geralmente o novo é desconhecido. E o desconhecido assusta.

Me sinto como uma garotinha à porta de uma caverna escura. Levo em minhas mãos apenas uma vela... Tenho que aprender a descobrir o novo na medida em que a pequena chama da vela ilumina a escuridão na qual adentro.

Canto o refrão junto com Beyonce, enquanto os pés tentam marcar o compasso da canção.

Escrevo... Tento ir pra onde as palavras me levam. Começo a criar sentenças na tentativa de preencher o tempo. É como se cada palavra alimentasse a chama da vela. Preciso escrever para continuar caminhando. Escrever para deixar o rio seguir seu caminho.

25 de junho de 2009

Pelo prazer de mudar o dia

Tem dias e dias na vida da gente. Dias bons e dias ruins.
Tem dias que nada acontece e tudo é perfeito, já em outros, naqueles que em que as coisas não vão tão bem assim, pequenos gestos ou acontecimentos podem salvar o Maravilhoso Mundo de Priscila de uma verdadeira catástrofe.

Às vezes pode ser uma música, no meu caso The Cure - Close to me, muda até o pior dos meu humores. Outras vezes um telefonema amigo, uma conversa descontraída muda o sentido da vida.

Mas acho que nada melhor do que unir direção e uma boa trilha sonora. Sei lá se o carro vira minha extensão, se é o fato de saber que com ele vou pra onde quero (e a gasolina deixa)... Sei que pegar a estrada muitas vezes foi a solução que encontrei pra salvar o dia. Chegar a um lugar bonito ou um lugar afastado. Um lugar com pessoas que eu goste ou simplesmente me isolar. Ou simplesmente não chegar a lugar algum mas curtir o caminho enquanto ouço minhas músicas.

21 de junho de 2009

Verbalizando

Estou tentando organizar a zona de sentimentos que resolveu aparecer no meu peito. Não que eu não saiba o que eu quero. Aliás eu acho que sei bem o que quero. E acho estranho exatamente isso: no meu caso saber o que quero é extremamente estranho porque eu sempre fui o ser mais confuso ever.

E o que eu quero é seguir pelo caminho de paz, o caminho que me leva à tudo aquilo que durante muito tempo esteve perto mas que eu nunca enxerguei e que nunca pensei em trazer para perto de mim...

O tempo é de fato um senhor traiçoeiro. Ou não. Talvez ele tenha passado como passou pra me fazer perceber que o que eu procuro são outras coisas, são outras certezas, outros caminhos...

Minha insegurança resolveu bater à porta e se juntar a zona. Hora de organizar, cada qual em seu devido lugar. Passado é passado e não volta mais, então hora de deixar isso claro. Como? Como fazer isso sem magoar pessoas queridas?

Penso. Penso. Penso. Repenso. Verbalizo. Tento colocar em palavras. Tento perguntar. Tento mostrar meu lado, mas será que consigo mostrar o que eu realmente quero mostrar? Será? Perguntas. Pensamentos. Parar. Pausar. Aliterações em P.

Priscilizar. Permitir. Prosseguir. Sutilmente.

Enquanto organizo as coisas por dentro resolvo baixar Drês e Estandarte.
Nando e Samuel. Sa mu el. Sal. Mar. Azul. Olhar.

19 de junho de 2009

Instantâneo

É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, é tanta decisão que tenho que tomar, são tantas coisas, tantas e tantas...

A única coisa que me traz paz é trabalhar e curtir os amigos. No mais tenho sentido medo, um medo que não é de mim... Afinal eu sempre dei minha cara a tapa, sempre tentei o novo, mesmo me considerando uma pessoa tipicamente tradicional. Sei lá... No fim eu acho que eu tento mudar, penso em mudar, dou ideia pra mudar, mas não mudo.

É estranho me entender como um paradoxo, como dois opostos de uma linha, como coisas distintas e tão próximas ao mesmo tempo. Essa linha tênue é moldável.

Eu vejo possibilidades em cada novo caminho que aparece, em cada nova pessoa que surge ou ressurge. Mas possibilidades nem sempre são fatos. E eu ando precisando de fatos. O fato é que eu não tenho paciência para plantar e esperar colher. Sou instantânea, ou quero resultados rápidos, tão rápidos quanto meus pensamentos.

Acho que maturidade é isso: é saber esperar. Esperar e confiar que vai dar certo. É conhecer o tempo das coisas, por ter passado por situações parecidas, semelhantes.

Talvez por isso as paixões da adolescência sejam tão arrebatadoras: porque são instantâneas, são muito intensas em pouco tempo, e porque talvez elas são fruto da ausência de paciência em esperar por algo mais calmo e talvez maior. E por isso muitas vezes eu digo que eu sou uma pirralha...

Eu me encontro entre o saber que tenho que esperar e o desejo de algo grande. Acho que minha grande busca é por um pouco de paz, por algo que me faça pensar menos e viver mais, por almoços cheios de histórias, telefonemas com notícias bacanas, conversas dentro do carro e música, muita música...

Preciso agir mais, curtir mais, ser mais livre de mim mesma...
Se a meta é pensar e viver um dia de cada vez, devo me preocupar também com o que vão pensar de mim?
Odeio quando as coisas dependem só de mim...

16 de junho de 2009

Curitibando por aí...

Feriado, pouca grana, capital do Paraná, frio e muita diversão. É assim que posso resumir meus últimos dias. Apesar das tribulações encontradas - se perder na ida e na volta do aeroporto, frio, poucas horas dormidas, filas e mais filas pro ônibus - posso dizer que foi uma das melhores sensações da minha vida.

Conheci os curitibanos do #EBC, todos muito simpáticos, (não vou citar nomes porque corro risco de esquecer alguém)os visitantes do #EBC vindos de diversos lugares, além é claro de senhorita Leila Vieira e Miss Carol, ambas "tudodebloguetes" como eu.

Na manhã de quinta-feira, Curitiba me recebeu chorosa, fria, nublada, como se entendesse a saudade que eu já sentia do lugar de terra e ares generosos. Mas o tempo foi passando e os olhos desta joseense foram se encantando com cada detalhe, com cada ponto dessa cidade tida como modelo.

Não consegui visitar todos os pontos turísticos, mas isso poderei fazer mais a frente, afinal todo mundo que vai uma vez a Curitiba sempre quer voltar.

Eu poderia ficar horas e horas falando sobre a viagem, afinal são tantos detalhes, tantas coisas vividas em tão poucos dias, que preencheriam páginas e páginas neste humilde blog, mas acredito que as memórias aqui registradas não iriam ficar à altura da doce capital paranaense...

9 de junho de 2009

O que eu não esqueço (e não entendo também)

Acho que todo mundo aqui já ouviu ao menos uma vez na vida a melosa "O que eu não entendo" do Jota Quest. E acho que ao menos por instante todo mundo também deveria prestar atenção na letra...

Tem dias que não entendo muita coisa... E justamente por não entender eu penso mais a respeito, e pensando lembro de coisas que eu queria esquecer.

No mais tudo certo.
Tô tentando resolver meus problemas, sessar um pouco minhas crises...

8 de junho de 2009

De todos os tipos

Já namorei/me envolvi com diversos tipos por aí: Metaleiro que só anda de preto com correntes penduradas, DJ's Safados & Mulherengos, professor de educação infantil, jornalista mega engraçado, jornalista cheio de "nhé nhé nhé", pé-rapada sem ambição (mas lindo de morrer), enfim: quase todos os tipos possíveis. Acho que por essas e por outras não consigo estabelecer um perfil do "namorado ideal".

Talvez o ponto em comum na grande maioria das pessoas que passaram (e marcaram) a minha vida é o bom humor e principalmente as boas conversas. Até porque eu acredito que (quase) tudo na vida a gente resolve conversando.

Se for pra analisar o "amor da minha vida", por mais que não tenha dado certo, é notável a nossa disponibilidade para papos... Inclusive acho que o fim da nossa relação foi meio que marcado por isso: as conversas já não eram como antigamente.

Hoje eu tento me desprender das semelhanças. Sei que alguém pra me conquistar hoje tem que chegar com jeitinho e saber (ou tentar) entender minhas entrelinhas e compreender minhas neuras...

Não quero namorar por namorar. Quero companhia, quero alguém que saiba ser amigo também. Um alguém que se encaixe pelo menos um pouco com todos os tipos...

6 de junho de 2009

Cantando por ai...

Yesterday is a wrinkle on your forehead
Yesterday is a promise that you've broken

Don't close your eyes (2x)

This is your life and today is all you've got now
And today is all you'll ever have

Don't close your eyes (2x)

This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Is it everything you've dreamed it would be
When the world was younger
And you had everything to lose

Yesterday is a kid in the corner
Yesterday is dead and over

This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Is it everything you've dreamed it would be
When the world was younger
And you had everything to lose

Don't close your eyes (4x)

This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?
This is your life
Are you who you want to be?

This is your life
Is it everything you've dreamed it would be
When the world was younger

And you had everything to lose (2x)

Switchfoot - This is your life...

5 de junho de 2009

Adendo de sexta-feira

De fato, trabalhar salva o meu dia.

Das coisas que penso

Eu sempre, e quando digo sempre é sempre mesmo, sempre pensei demais da conta.
Minha cabeça sempre está com pensamentos pululantes e ululantes... Isso muitas vezes contribui para que uma angústia cresça por aqui.

Apesar de estar tudo maravilhosamente(?) bem na minha vida, sinto que ainda falta algo. E essa ausência me faz ter medo de viver. Estranho não? É como se eu quisesse adiar tudo, adiar todos os compromisso, adiar minha vida para quando tudo estivesse completo. Mas eu não sei o que me faz ser ou estar completa.

Não sei se é a falta de um amor qualquer ou daquele amor.
Sei que me sinto vazia. É como se eu soubesse que estou apenas aguardando o momento certo. Mas esse momento certo não chega.

Me pergunto se é isso mesmo o que eu quero: se é esta a profissão que me fará realizada, se é essa a vida que eu quero levar.

São tantas e tantas perguntas. E uma vontade e um medo de mudar... Que às vezes acho que eu sou meu maior defeito.

Pensar, pensar e pensar. Tortura minha de cada dia. Palavras que escorrem entre os dedos tentando esvaziar um sentimento que preenche o peito.
Eu sempre cresci tentando não dar problemas aos outros, tentando resolver tudo sozinha, mas confesso que tem horas que fica difícil. E não é #mimimi como dizem no Twitter.

Me sinto bem e mal ao mesmo tempo. Não quero tomar decisões. Me falta coragem. Coragem pra mudar o que eu não gosto, e o que me faz mal.

3 de junho de 2009

Quando você sabe que é querido.

Ontem tive uma super demonstração de carinho. Singela porém sincera. Meus estudantes, e sim os chamo de meus, porque mesmo não dando aulas me sinto como tal, vieram me fazer uma visita.

A aula acabou um pouco mais cedo o que fez com que eles dessem um pulo aqui no laboratório. Papos animados e troca de ideias.

Gosto dessas visitas que não são motivadas pelos trabalhos acadêmicos. Gosto de conversar, gosto de me sentir próxima. Tanto que às vezes me sinto como um deles, mesmo não sendo. Tenho muito mais contato com o povo de Comunicação Digital, o que faz com que meu carinho por eles seja ligeiramente maior.

Isso não quer dizer que as turmas de Propaganda não sejam importantes, mas é que como são maiores a proximidade não é tanta quanto eu gostaria.

Acho que minha paixão por pessoas faz com que eu me sinta grata por trabalhar onde e como trabalho. Tudo bem que às vezes sinto falta de desafios, de saber da possibilidade de poder crescer a médio prazo... Mas por enquanto está bom como está: tenho aprendido muitas coisas, e de certa forma ensinado também.

Talvez eles nem fiquem sabendo dessas palavras, mas não me importo muito não. O que importa é que os quero bem.

2 de junho de 2009

El King Kong

Tem coisas que acho que só acontecem comigo. Deve ser destino, acaso, ou de fato eu faço parte de uma comédia muito bem redigida por Deus. E dentre tantos capítulos nessa novela mexicana que poderíamos de chamar de "A fantástica e fabulosa vida de Priscila Souza", fica difícil escolher qual o capítulo mais hilário desses 24 anos (não tão) bem vividos.

Para poupar dos detalhes sórdidos e não ficar com uma imagem muito suja vou contar apenas o último dos micos que esta que vos tecla protagonizou:

Eu tenho a pequena mania de ligar para minhas amigas e dar uma de louca e pedir pizza. Ou lanche. Ou perguntar se é do hospício e solicitar uma internação. E minha amiga tem o costume de continuar a brincadeira ou fingir que é engano.

Enfim, domingo a tarde resolvo ligar pra combinar com uma dessas amigas a programação noturna (ou: para qual bar iríamos rumar). Como sabia que ela havia me ligado no sábado resolvi eu fazer uso das últimas chamadas registradas no meu celular, afinal preguiça e praticidade muitas vezes andam de mãos dadas.

Eis que ao atenderem o telefone dá-se início a um diálogo estranho. Bem estranho. O problema é que eu não liguei no celular da amiga, sem querer acabei ligando na casa... E mais sem querer ainda quem atendeu foi a irmã dela. Não preciso dizer que achei que minha amiga esta fingindo que não me conhecia e por pouco eu não pedi pizza pra irmã dela né?

Desatenta? Eu? Imagiiiina. Porque dos micos que eu paguei esse é o mais light. E o mais recente também...

29 de maio de 2009

Enquanto isso na sala da justiça...

Enquanto o Vampirão, fica leiloando beijos por aí, eu penso na minha ausência de grana.

Tudo bem que eu adoro a cor vermelha, mas isso não significa que minha conta bancária tenha que ficar da mesma cor. Seria tão bom ganhar um milhão e poder gastar por aí.

Tá certo que eu não gastaria tudo, afinal uma mulher precavida vale por duas, mas com certeza eu pagaria minhas contas e renovaria algumas coisas em casa, a começar pelo meu computador. Depois compraria um jogo de lentes pra minha câmera, uns filtros e flashes também.

Guardaria uma graninha pra viajar pra algum lugar bacana: tipo uma mini-temporada na "Zoropa".

Trocaria de carro e compraria uma moto. Nada muito caro e extravagante, só algo bom e bonito...

No mais, com um milhão na mão eu ia investir e aproveitar os rendimentos pra investir em mim: cursos e mais cursos. Vários cursos. De idiomas a massagens. Afinal eu ainda acho conhecimento é algo que não tem preço.

27 de maio de 2009

Comentando coisas alheias: o Beijo do Vampiro e a Grande Leila.

Eu sempre quis usar esse trocadilho pra falar sobre uma coisa chamada "leilão". Trocadilhos a parte, fiquei sabendo que o Robert Pattinson - o Vampiro que fez o Crepúsculo (que eu não li e nem assisti) - resolveu leiloar um beijo, como forma de arrecadar grana para ajudar a organização Cinema contra a AIDS .

Achei no mínimo bizarro. Quer ajudar? Doa uma grana, aposto que ele está ganhando muito bem com todo o sucesso. Agora mais bizarro ainda é ver que tem gente que tem a capacidade de pagar caro por um beijo como esse. Ok, existem fãs, mas poxa, não é pra tanto vai... Tá com grana sobrando? Tudo bem... Mas gaste com algo um pouco mais durável...

Sei lá.. Nessas que penso como o ser humano às vezes é mesquinho. A pessoa vai lá e fica disputando um "quem dá mais?" pra ganhar um beijo de um cara famoso... Enquanto isso tem gente passando fome no mundo... Muito dramático? Mas é a realidade...

Eu não pagaria pra beijar alguém. Não mesmo. Se é pra pagar prefiro serviço completo... hohohohoho... Brincadeirinha, mas convenhamos: pelo preço que esse beijo deve ter saído, dá pra pagar uma boa lua de mel por aí...

21 de maio de 2009

O novo

Sabe quando você conhece pessoas novas? E que você se empolga com elas? Não que haja algum interesse sentimental nisso, mas quando você vê que acabou de entrar em contato com um mundo novo? Pois é. Eu tenho uma pequena paixão por isso.

Por essas e por outras às vezes arrisco conversas no ponto de ônibus, em filas de supermercado e até com o caixa do banco. Por essas e por outras me empolgo. E por isso estou empolgada hoje.

Sempre gostei de conhecer gente nova. Sempre gostei de trocar ideias com pessoas interessantes, ainda mais quando você já conhece a pessoa de ouvir falar. Confesso estou empolgada. Até porque acho que tenho mais em comum do que eu imaginava e isso me traz uma alegria enorme.

Hoje acordei sorrindo. Acordei bem disposta, com vontade de conquistar o mundo. Com vontade de sair e curtir o dia. E é justamente isso que vou fazer: colocar a vida em movimento.

Recarreguei minhas baterias ontem. Preciso ir atrás do que quero. Preciso encontrar meu caminho e seguir. Continuar seguindo.

19 de maio de 2009

Tempo, tempo, tempo

Não é falta de tempo o que me faz não escrever aqui. Também não seria falta de assunto. É que de verdade eu acho que o Goiabas Verdes Fritas está chegando ao fim. Não, não estou me despedindo ou coisa do tipo. Estou só escrevendo o que vem à cabeça, como sempre fiz, como me falta fazer mais vezes.

Gosto de dividir o que penso por aqui. Mas penso seriamente em aposentar o GVF e dar início à algo menos adolescente, se é que vossas mercês compreendem o que digo. E penso em comprar um domínio quem sabe... Algo fácil de ser memorizado.

Acho que preciso escrever mais, dizer mais, pesquisar mais, ler mais. Preciso de ar, de fôlego, para voltar a escrever, para voltar a ter paixão por registrar aqui minhas ideias.

Vou amadurecer essa ideia. De qualquer forma, não vou deletar absolutamente nada. Vai continuar tudo como está. Exatamente como está. Até porque o layout/template está de uma maneira que sempre quis: clean e direto. Pelo menos eu acho.

Por hora e por ora é só.

14 de maio de 2009

Pudores

Pudores e recatos são palavras cujo os significados são sinônimos. Significam mais ou menos um certo "Resguardo; segredo. Prudência", ou também "Lugar escondido". Não sei porque mas durante muito tempo sempre associei isso ao falar de sexo.

Acho que o problema nunca foi falar de sexo em si, mas com quem eu falo. Tudo bem que até os meus dezessete, dezoito anos eu era uma pessoa praticamente assexuada, embora tivesse lá os meus hormônios, não era algo que me colocava pilha com AQUELE interesse. Gostava de ouvir as minhas amigas falando durante as aulas, mas não participava da conversa, não contribuía, até porque sempre achei que sexo, tanto o ato quanto o assunto, é algo íntimo.

Compartilhar experiências é bom? Sim, traz conhecimento e ajuda a gente a se conhecer melhor, mas não acho que meio mundo precisa saber das minhas preferências na cama. Acho que por isso sempre gostei mais de ouvir do que falar.

Em casa, acredite se quiser, o assunto é tabu com minha mãe. Mesmo sendo mulher tenho muito mais facilidade pra falar sobre sexo com papai do que com minha mãe. Talvez porque pra ela eu ainda seja a menininha dela, que não cresceu, que continua um bebê...

Já com meu pai tudo sempre foi mais fácil, desde pequena ele sempre matou minhas dúvidas, me deu alguns livros que foram de grande valia.

Hoje em dia, do alto dos meus, cóf cóf, 24 anos eu falo sim sobre sexo. Abertamente até. Porém falo com poucas pessoas. Quiça porque eu goste muito de uma palavra chamada privacidade, ou simplesmente tenha os meus pudores, meus "lugares escondidos".

12 de maio de 2009

Orgulho

Quando comecei a escrever o blog anos atrás, o meu desejo era de fato registrar e principalmente resgatar minha história, resgatar meus passado e minhas origens.

De fato nunca fiz isso. Sempre agendei mentalmente conversas com o cara que mais amo na face da terra e nunca as pus em prática. Não porque tenha faltado vontade, mas porque às vezes eu simplesmente não vi por onde começar a conversar com meu pai, acho que no fundo faltou foi é coragem.

Dessa história que eu queria registrar, uma parte é a origem da família, mas não a minha família entendida como eu, meu pai e minha mãe mas a origem da família do meu pai e da minha mãe. De onde vieram, relacionamento com os irmãos e com os pais deles.

Semanas atrás meu avô paterno faleceu. Uma parte linda dessa história já não está presente por aqui. Como nunca antes um desejo se reascendeu dentro de mim, e em breve espero começar a compartilhar um pouco mais dessas coisas.

Meu pai tem muitas histórias e me ensinou muita coisa. Eu tenho orgulho em carregar o sobrenome dele, por mais que todo mundo me conheça pelo sobrenome da minha mãe, mas é o Ferreira da Silva que define minhas origens, define quem sou, define o que eu quero pra vida.

Nunca disse ao meu pai o quanto sou grata por ele ter me ensinado a viver da mesma maneira que meu avô o ensinou: "Com poucas palavras e muitos exemplos" como ele mesmo disse ao final da missa de encomendação do vovô. Nunca disse ao meu pai o quanto eu tenho orgulho em ser filha de um cara que venceu na vida e que mesmo tendo defeitos - defeitos os quais eu também herdei - ele nunca deixou de ser um homem maravilhoso.

Dizem que pessoas abençoadas, dignas e de bem não sofrem ao deixar essa vida. Hoje tenho certeza que vovô Sebastião é uma delas. Um homem forte, que aos 89 anos morreu dormindo, de uma forma tão serena, tão sem sofrimento que o único sentimento que ele deixa é saudade. Uma saudade imensa. Uma saudade do tamanho do amor que tínhamos e vamos continuar tendo por ele.

Um homem simples, trabalhador, que criou e educou muito bem cada um dos 11 filhos que Deus lhe deu. E que por sua história enche de orgulho essa neta que aqui escreve.

Por ter tios maravilhosos e principalmente por ter um pai herói, um pai como o meu eu me ufano em ser Ferreira da Silva!