28 de julho de 2009

Desejos da terceira pessoa

Ela queria escrever, mas não sabia exatamente o quê.
Vários assuntos poderiam ser por ela abordados, várias palavras utilizadas para preencher um vazio sem fim. Todavia a fonte das palavras estava seca naquela tarde de julho.

Ela sentia saudade. Saudade, ansiedade e uma vontade enorme dum abraço demorado. Um abraço que poucos conheciam.

Aliás nos últimos dias vontades bobas haviam feito estacionado na mente e no coração: Vontade boba de dar a mão no escurinho do cinema sem que ninguém percebesse, e ficar ali acariciando furtivamente, vontade de sentir o calor dor rosto encostando no ombro e ver filme assim mesmo: juntinho.

Não sabia se era influência do frio, mas a necessidade de ter alguém por perto urrava dentro dela. Necessidade de cuidar de alguém como há muito aquela jovem não fazia.

Foi então que pensando nessas coisas ela sentiu-se só e desejou por alguns instantes uma paixão possível, dessas dignas de contos de fadas com direito a final feliz. E desejando uma possível paixão ela lembrou-se que, de certa forma, ela já estava apaixonada. Faltava apenas ser possível realizar seus desejos, faltava apenas que permitissem com que ela colocasse em prática os cuidados. Cuidar sem esperar nada em troca e nada mais.

24 de julho de 2009

Descobrindo e compartilhando música nova

Pássaro Solto - Luzia Dvorek

O que sei de amor não saberia,
Sem o trecho de poesia sem um verso de canção
Quando o amor me pega e me domina,
O poeta me ilumina na neblina da paixão.

Aprendi que o amor não se acorrenta,
Quando é solto o amor aumenta, que é pra caber na imensidão
Tem que ser amor pra que dê certo,
Como pássaro liberto, só pousado em sua mão
Que o amor ninguém isola, não é ave de gaiola,
Só nas cordas da viola que se prende um coração

Download da música

Excesso de palavras numa sexta-feira chuvosa

Há dias adio essa coisa de escrever. Há dias venho procurando pelas palavras que melhor definem o que eu ando sentindo.

É que sinto tantas coisas e muitas vezes todas elas ao mesmo tempo. É como se eu ficasse triste e alegre no mesmo momento, entende? E esse ato de adiar o momento em que começarei a dizer tudo que é necessário ser dito (ou não) deixa uma certa ansiedade no ar, deixa uma certa melancolia também.

É algo que agarra, que me prende num lugar onde não sei onde estou.
Confuso? Sim. Tão confuso quanto minha visão de mundo, quanto minhas paixões, quanto meus sentimentos.

Gosto dessa minha complexidade ambulante e ululante. Gosto de me sentir um quebra-cabeça que precisa ser montado pragmaticamente, e confesso me sentir bem sendo uma espécie de enigma... Por mais óbvia que eu seja, por mais transparente e previsível, sempre serei uma interrogação, tal como disse Clarice Lispector "O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar".

No fundo, acredito que eu duplipenso demais. E isso resume muitas coisas.

O fato é que ando de saco cheio com algumas pequenas coisas. Eu sei que são pequenas, mas ainda assim são coisas que me irritam profundamente.

Tá... Não é profundamente, tããão profundamente assim, porém irritam, sabe?
Uma das minhas irritações é comigo mesma. É saber que quando eu ajo por impulso eu faço o que não queria ter feito. E sem essa de jogar culpa nos outros. Fiz porque quis, ainda que querendo eu não queria de verdade ter feito o que eu quis. Não é arrependimento, não é querer "voltar atrás", só acho que tem certas coisas são desnecessárias na vida da gente. Bem desnecessárias pra falar a verdade. Tudo bem que gosto de lustrar meu ego de vez em quando e que com isso eu acabo virando uma pessoa superficial, contudo é tudo instantâneo demais. E é justamente essa instantaneidade que me irrita.

Comida instantânea por exemplo: Até dá uma tapeada na fome, mas sustenta? Conhece alguém que viva de miojo e goste disso? Não né? Pois bem. Café instantâneo também. É bom? Claro que é, mas não tem o mesmo sabor, o mesmo aroma do que aquele que foi cuidadosamente preparado, desde a produção dos grãos até a hora de passar a bebida.

Gosto de coisas mais demoradas. Porque geralmente essas coisas demoradas são complicadas e eu sou complicada, complexa, excêntrica. E não vou mudar porque os outros se incomodam com isso, e olha que eu incomodo muita gente, viu? Se um dia eu vier a mudar com certeza vai ser porque eu me sentirei melhor assim.

Não que eu seja uma Gabriela Cravo e Canela, que nasceu assim, cresceu assim e vai ser sempre assim. Eu simplesmente mudo no meu tempo, pouco a pouco, mudo conforme acho que tenho que mudar, da mesma maneira que já mudei diversas vezes. Como já mudei meu jeito de me vestir, como mudei meu jeito de falar, meu jeito de pensar também.

Gosto de ir em busca do novo. À passos lentos, é verdade. Vez ou outra com direito a dar um passinho para trás, mas nada que comprometa o andar da carruagem.

E falar em carruagem me lembra de cavalos, o que me faz pensar que ando segurando pra não ser grossa com os outros sem necessidade, e que ando aturando frescurite alheia de boca fechada. Não quero nem ver quando a minha (sempre pouca) paciência se fizer ausente. Me irrito com gente que acha que "o meu é melhor que o seu", principalmente quando o assunto tem a ver com gostos pessoais. PESSOAIS entendeu? Isso quer dizer que é da pessoa, único, individual. Fui clara?

Xi, acho que já me irritei...
Por hoje é só.

21 de julho de 2009

Cantarolando...

Gosto de Ser Cruel - Kid Abelha
Composição: George Israel / Paula Toller

Sou capaz de gritar
E de te ofender
De me machucar
Mas não de te esquecer
Sou capaz de chorar
Ser ridícula até não aguentar
Posso bater com a cabeça na parede
Posso fingir que não sou inteligente
Posso pensar em vingança e traição
Eu gosto de ser cruel
Pra chamar sua atenção
Eu faço o que você quiser
Pra agradar seu coração

15 de julho de 2009

Ensina-me a ter paciência? Aliás, faça mais que isso: Peça-me para te esperar.
Ensina-me as coisas tuas, conta-me os segredos teus. Divide comigo tuas dores, teus anseios, suas alegrias. Conta-me, utilizando daquele teu olhar, se teu dia foi bom ou ruim. Convida-me para um passeio. Permita que eu te pague um refresco, um sorvete ou outro mimo qualquer.

Aliás, me deixa te mimar, te gracejar, te encher de carinhos? Deixa me fazer isso sem que eu lhe peça nada em troca a não ser o teu sorriso?

13 de julho de 2009

Entrelinhas indizíveis

Eu escrevo o indizível. Preencho as entrelinhas com segredos, com verdades que desejo manter ocultas. Recheio cada entrelinha com verdades que apenas meu coração conhece, que apenas aqueles olhos castanhos conseguem ver, verdades chistosas que só aquele sorriso largo, alvo, notável, compreende a graça.

Escrevo sim o indizível. Anoto aqui, sem querer querendo, cada sentença que jamais vou admitir. Rio só, sorrio. Descrevo sensações trazidas pela leveza desse doce e subtil afeto, sentimento que por aqui resolveu atracar-se.

Das lembranças, que são poucas e quase nulas, aprecio mais as que inventei. Recordo-me de tudo o que ainda não aconteceu. Colho, maduros e saborosos, os frutos de minha imaginação: as tardes no cinema, o leve e tímido resvalar das mãos enquanto caminhávamos lado a lado no parque. Lembro-me também dos olhares trocados, dos carinhos acanhados, do cuidado e das gentilezas trocadas. Guardo na memória os tenros frutos da minha mente, coisas que só aconteceram aqui dentro de mim e que agora partilho despudoradamente.

A cada nova linha, uma nova sensação deixada e registrada no espaço em branco que agora é a tela do computador, mas que poderia perpetuar-se também nas páginas alvas do velhos cadernos da faculdade, ondem também se encontram muitas cartas não entregues.

12 de julho de 2009

Devaneios de um domingo a tarde

Faltavam-me palavras.
Queria porque queria registrar aquele momento, aquela sofreguidão em dizer o que sentia. Descrever aquela ausência latente no peito, aquele desejo de se jogar em direção ao desconhecido.

No peito brotava uma vontade absurda de pegar a estrada e sair por aí. Mas faltava dinheiro, afinal por aqueles dias já havia gastado demasiadamente nas reuniões sociais que aconteceram durante a semana.

Sobre a mesa pousava o prato vazio, fruto da última refeição. Os restos de comida impregnavam o ambiente com o cheiro característico da comida feita por meu pai. Os temperos, os gostos, tudo deixava o ar impregnado com um frescor de pimenta. Se é que pimenta pode deixar algo fresco ao invés de ardente.

Resolvi então ir até a cozinha, na busca de um refresco ou algo que saciasse a sede. Porém sede maior é que eu tenho em minh'alma nesse instante. Algo insaciável talvez.

Espacei as linhas, criei conteúdo de forma a preencher a lacuna do tempo.
Compreendia o sorriso, mas não o entendia.

Enquanto isso, balançava as pernas de forma cadenciada, numa tentativa de afastar o frio. Não que o tempo estivesse com temperaturas amenas, mas porque apesar do inverno ser presente, eu usava o velho short azul... O mesmo que no verão costumava valorizar minhas pernas durantes as longas pedaladas pelas ruas da cidade.

Recordei-me que me propus voltar a pedalar. Desta segunda nada passaria.
Contas acertadas, bicicleta renovada e leituras em dia. Tudo começaria a ficar em ordem.

Contudo, havia ainda o dia de hoje. O domingo solitário, refém de mim mesma.

Jogue tudo pelos ares, vem fazer parte de mim. Era isso o que tinha vontade de dizer a todos os estranhos, era isso o que eu tinha vontade de gritar da janela do quarto. Mas silenciei, da mesma forma como há algum tempo venho silenciado meu coração.

10 de julho de 2009

Da mesa

TV ligada, fones de ouvido. iPhone. iPod. Cartoon Network.
Penumbra. Take me out.

Skol. Outra Skol.
Caneta, lápis, lapiseira, porta-treco, porta-caneta, porta-coração.
Foto. Porta-retrato.

Celular. Guitarra. Solo. Solidão.
Distância, pensamento, saudade?

Grande rio. Rio de Janeiro. Loucura jogo e armação.
Palavras, mensagens, ausência, ressaca.
Mais bebida, mais palavras, mais sinceridade.

Paixão: Sim ou Não?

8 de julho de 2009

Sobre as chaves e o castelo

Dei-te a chaves do meu mundo.
Conhecer uma parte do que sou depende, agora, muito mais de ti do que de mim. Em cada armário espalhado por aqui você encontra uma parte de mim. Minhas mágoas, todas elas, estão jogadas no fundo dessas gavetas que você encontra a cada novo passo dado na direção que te apontei.

Aqui dentro do meu mundo o que você encontra é um alguém sem defesas, alguém que baixou a muralha e permitiu que você adentrasse com a única condição de manter segredo sobre o que você irá ver.

Por precaução resolvi olhar novamente os armários dos quais você agora tem a chave. Cuidado, muita coisa pode assustar, mas lembre-se que são os armários do passado. O presente está em outro lugar, o presente está num castelo.

Um castelo mais bonito por sinal. Um castelo chamado coração. Deste castelo você ainda não tem as chaves. E nem precisa... As portas desse castelo nunca ficam trancadas, estão apenas encostadas de forma que só quem ouse chegar perto descubra que pode entrar.

Há muito tempo ninguém reina soberano a partir do Castelo. Sua ultima Majestade partiu após a guerra e deixou apenas os armários repletos de lembranças e outras coisas.

Confesso que até pouco tempo atrás estava tudo desorganizado. Não sabia o que deixar nos armários e gavetas do passado e o que eu poderia deixar no castelo. Passei um tempo perdida dentro de mim para organizar tudo isso, mas agora até que está tudo organizado e principalmente: limpo das mágoas que eu sentia.

Sei que você está à porta. E sei que tem medo de entrar. O novo às vezes é apaixonante. Prometo te guiar e ficar ao teu lado.

6 de julho de 2009

Releituras de um amor

Fui reler as cartas que você não me entregou.
Tortura planejada e auto-praticada é algo um tanto quanto estranho. Mas penso que às vezes entrar em contato com a dor pode nos tornar mais fortes. E talvez isso tenha acontecido comigo hoje: Talvez eu tenha me tornado mais forte.

Em outras épocas, em outros tempos, em outros amores, cá estaria eu escrevendo palavras banhadas pelas lágrimas não contidas.

Hoje fui me torturar com o passado para ver a quantas andas o processo de cicatrização de uma doença que achava não ter cura. Me surpreendi com o resultado. As lágrimas, termômetro da minha angústia, nem sequer marejaram os olhos, nem sequer brotaram.

Será que encontrei a cura pra distância, pra saudade, pro amor mal resolvido?

5 de julho de 2009

Tentativas

Eu não sou romântica, mas eu tento.
Eu não sei tocar violão, mas ainda assim eu tento.
Eu não sou atriz, mas interpreto meu papel. Ou pelo menos eu tento.

Eu não digo eu te amo, mas ainda assim meus olhos tentam dizer isso por mim sem nem mesmo pedir permissão.
Eu não sou a pessoa mais fofa do mundo, mas eu tento.
Eu não digo que me preocupo. Porque eu me preocupo mesmo e não preciso nem dizer.
Eu não sei ficar quieta durante muito tempo, mas eu até que tento manter em silêncio a minha boca. Tudo bem que aí os olhos falam, os meus atos falam, que meus pensamentos continuam falando alto também, mas a ausência de sons às vezes faz parte.

Eu não sei esquecer algumas coisas, mas juro: eu estou tentando (e estou conseguindo).
Eu não te compreendo. Não entendo. Mas eu tento.

E quero continuar tentando outras coisas também.
Assim como eu tento expressar a ausência que sinto agora... Não consegui, eu sei. Mas tentei.

3 de julho de 2009

Resposta (ou perguntas?)



Chegar ou partir?
Ficar ou fugir?

Te espero? Sigo em frente?
Que faço eu da vida que Deus me deu?
Pego um caminho qualquer e deixo a rua me levar? Ou saio, sacana, em busca de algo que não é meu?

E meu desejo? E minhas vontades? E o nosso beijo que não aconteceu?

Sonho, ilusão, magia.
Devaneios à luz da bela lua que ilumina parcamente a rua por onde eu passo.
Lua tão bela, que cresce e pisca timidamente tornando público o flerte que a minha timidez me impede de dar...
Atrai pra si as borboletas, as famosas borboletas.

E agora, José? Aliás, será que há um José nessa história também?
Nesta noite a festa ainda nem começou.

Partir? Ficar? Esperar? Mudar? Transformar? Estreitar? Aproximar?
Ou simplesmente conquistar?

A hora certa de dizer Eu te amo...

Tava analisando e relembrando algumas coisas. Vi recados no Orkut e me atentei a datas. "Te amo's" daqui, "Meu amor" pra lá... Em tão pouco tempo de relacionamento a tão almejada (?) frase é trocada.

Mas "Eu te amo" tem hora certa pra ser dita?
Eu não acredito em "Amor a primeira vista", até porque amor, amor mesmo, pelo que eu bem entendo, nasce da convivência, nasce do conhecimento, nasce do dia-a-dia compartilhado, ainda que distante, mas compartilhado mesmo assim.

Acho meio impossível conhecer alguém e um mês depois já estar caindo de amores. Para isso existe a paixão. A paixão é o sentimento que melhor se encaixa enquanto não percebemos no outro os "defeitinhos" que todo mundo tem.

Tudo bem que você pode passar a vida toda com alguém e ainda assim não amar.
Essa possibilidade também existe.

Acho que essa busca incansável do ser-humano pelo amor banalizou o pobre coitado do sentimento. Muita gente diz "Amo você" como se fosse um mero "Bom dia", como se fosse algo apenas por educação, polidez. E mais, abre a boca pra falar algo que não sente, o que, a meu ver, é ainda pior.

Amar, de certa forma, é sentir-se responsável pelo outro. Dizer que ama sem ter noção da grandiosidade da frase dita é uma crueldade, é alimentar sonhos que não serão realizados, é plantar algo que não será colhido e que possivelmente apodrecerá no coração alheio.

Recordo-me de um antigo relacionamento meu, mais precisamente do início desse relacionamento, quando certa vez eu disse que queria que o tempo passasse logo para ter certeza de que o que eu sentia era amor, para que eu pudesse dizer um "Te amo" que até então estava entalado na garganta. Hoje vejo que eu poderia ter dito "Te amo" antes e que não seria precipitado, afinal foi a época que eu mais gostei desse alguém. Mas tanto tempo se passou e só agora percebi isso.

Como eu poderia saber naquela época o tempo certo pra dizer?
Simples: ter certeza de que estava sendo sincera. E não digo em ser sincera com a outra parte, mas principalmente: Ser sincera comigo mesma.

Hoje sei que meu próximo relacionamento provavelmente vai demorar um pouco mais pra ouvir a tal frase. Acho que quanto mais crescemos, quanto mais apanhamos da vida, mais difícil fica se abrir e sensibilizar-se novamente.

Não que eu tenha me tornado fria ou coisa do tipo. É que agora eu só quero ter um pouco mais de segurança.

2 de julho de 2009

Saudade

Por que é isso que ando sentindo...

De tantas e tantas coisas e de tantas e tantas pessoas...