13 de julho de 2009

Entrelinhas indizíveis

Eu escrevo o indizível. Preencho as entrelinhas com segredos, com verdades que desejo manter ocultas. Recheio cada entrelinha com verdades que apenas meu coração conhece, que apenas aqueles olhos castanhos conseguem ver, verdades chistosas que só aquele sorriso largo, alvo, notável, compreende a graça.

Escrevo sim o indizível. Anoto aqui, sem querer querendo, cada sentença que jamais vou admitir. Rio só, sorrio. Descrevo sensações trazidas pela leveza desse doce e subtil afeto, sentimento que por aqui resolveu atracar-se.

Das lembranças, que são poucas e quase nulas, aprecio mais as que inventei. Recordo-me de tudo o que ainda não aconteceu. Colho, maduros e saborosos, os frutos de minha imaginação: as tardes no cinema, o leve e tímido resvalar das mãos enquanto caminhávamos lado a lado no parque. Lembro-me também dos olhares trocados, dos carinhos acanhados, do cuidado e das gentilezas trocadas. Guardo na memória os tenros frutos da minha mente, coisas que só aconteceram aqui dentro de mim e que agora partilho despudoradamente.

A cada nova linha, uma nova sensação deixada e registrada no espaço em branco que agora é a tela do computador, mas que poderia perpetuar-se também nas páginas alvas do velhos cadernos da faculdade, ondem também se encontram muitas cartas não entregues.

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