30 de setembro de 2009

Os pensamentos que eu nunca vou admitir

Tento sorrir pra não chorar. Algum sentimento que não sei dizer qual bateu à porta do velho coração.

Penso. Repenso. Ouço a mesma música enquanto coço a cabeça tentando espantar tudo o ronda minha mente.

Quero ser o cais, forte, impávido e colosso. Quero cuidar, dar certezas, quero amar sem medidas. Mas ai teus medos se tornam meus medos. E eu também tenho medo de te perder. Não quero preocupações bobas, não quero procurar motivos para ter incertezas. Nessas horas teus olhos fazem falta, pois costumo arrancar certezas deles, mesmo sem você perceber. Me pego contando os dias.

A música acaba e recomeça novamente. Minha mania de pensar demais também é assim.
A lágrima cai. Tímida, rola devagar sobre a pele e salga a boca. Talvez esse seja o sabor da incerteza. Talvez esse sabor me dê ainda mais sede dos teus beijos.

Sinto como se estivesse desenhando: o lápis sobre a folha cria planos, apago, rabisco novamente. E tudo vai ficando assim, meio certo, meio incerto.

Já não sei ao certo o que estou pensando ou sentindo.
Enquanto isso no mundo real, vou posar de boa moça. De moça boa, daquelas fortes, que não se abalam com qualquer coisa.

A mente fervilha.
Quero teu colo, teu cheiro, tua pele. Quero a paz do teu sorriso e o calor do teu corpo. Quero a tua respiração descompassada. Fazer amor até perder o ar.

Novo giro na roleta. Nova carga de pensamentos. Eles não param, vão surgindo de todos os cantos, como praga, só pra me atormentar. "Concentração! Concentração" repito silenciosamente como um mantra secreto.

No fim tudo dá certo.

28 de setembro de 2009

De mansinho

Tem dias que a vontade de escrever chega assim, como o título: de mansinho. Vagarosamente.

As palavras, pequeninas - ou não - vão surgindo letra-a-letra no monitor. Os dedos, hoje não tão rápidos, traduzem em signos os pensamentos frescos que surgem borboleteando por aqui.

O dia quente e calmo passa ora correndo, quase voando, ora arrastando cada minuto, como se cada segundo fosse o segundo mais demorado e importante do século.

Pequenas alegrias completam a segunda-feira. Cada sorriso reflete a paz que ando sentindo. Sem querer ser pretensiosa, mas eu poderia tranquilamente dizer que nunca estive tão feliz. E estou.

Felicidade chegou de mansinho, e acredito que não vai embora tão cedo. Se bem que uma vida inteira pra ser feliz assim ainda é pouco.

23 de setembro de 2009

Djavan é um bobo

Sim, ele é um bobo. Enquanto ele sussurra que adormeceu sorrindo "lembrando do nosso amor" eu sou mais esperta: adormeço e desperto pensando nele - o amor, não no Djavan.

Os dias passam, todos lindos e completos, ainda que lá fora, naquela coisa chamada realidade o céu esteja cinza e a chuva insista em escorrer pela janela. Aqui dentro, nesse meu mundinho particular eu vejo arco-íris espalhados e espelhados por aí. O meu "céu interior" está sempre azul, um azul tão bonito que dá vontade de sorrir.

Inglês é uma língua boba. Diz que o tal do blue é triste, mas como posso ser triste se está tudo azul?

O amor bateu em minha porta e eu abri. Na verdade eu é que fiquei ali espreitando meu amor dormir e resolvi bater. Me preocupei com seu silêncio, mas senti paz porque soube que aquele amor - e aquele sorriso, aqueles olhos, aquela pele, aqueles beijos, aquele abraço - era meu. Era? Não! É meu.

Aí fico a escrever de boba que sou. Brinco com as palavras da mesma maneira como minhas mãos brincam com as tuas, da mesma forma que a gente brinca na avenida em noite fresca.

Eu lembro então dos detalhes bobos, dos pequenos cuidados, aqueles gestos que quase ninguém liga, mas que a gente liga, e liga muito. Lembro do momento fofo em que, com carinho, te servi à boca aquele naco de queijo.

Tudo é tão leve. Até as Devassas eram leves e louras.

Djavan é um bobo. Pra que sonhar com o amor, se meu sonho virou realidade quando nos teus olhos eu vi um "sim"? Sonhos agora são sinônimos de futuro, meu presente é realidade e não há nada mais real do que este amor bobo, leve e recheado de coisas boas.

22 de setembro de 2009

Quarenta e seis do segundo tempo.

Nunca é tarde pra marcar um gol em final de campeonato.
Meu gol eu marquei aos 24 anos. Não sei se vai ser o gol mais bonito da minha vida, mas por enquanto é aquilo que podemos chamar de "Gol de Placa".

Costumo encarar a vida como uma final de campeonato todo dia. E neste caso: nunca é tarde pra descobrir que é possível amar de novo.

Sei lá, eu passei minha vida toda achando que ia amar uma só vez na vida. Aí eu cai do cavalo. E foi o tombo mais gostoso que já tomei, ever.

E se eu quebrar a cara de novo? Tudo bem, eu só espero ter fôlego pra me apaixonar novamente quando eu tiver 89 anos e meio. Mesmo que seja pra me apaixonar de novo pela mesma pessoa que está hoje ao meu lado.

Nunca é tarde pra se abrir ao novo. A gente tem uma capacidade de se reconstruir que é incrível. O problema é que a gente sempre se subestima. Por isso é mais fácil e cômodo acreditar que só se ama uma vez. O novo dá da medo. Principalmente quando é pra deixar algo novo entrar no coração.

Ser jovem é estado de espírito, já disseram por aí...
É ter essa vontade de inovar, de tentar o novo, de não ter medo de errar sabendo que depois ainda vai ter tempo pra consertar as "cagadas" que possam vir a acontecer. Porque merdas acontecem, não é?

Nunca é tarde pra aprender que erros às vezes, mas só às vezes, são bons. Não que a gente tenha que sair errando à torto e a direito, mas se permitir errar é se permitir viver. Ninguém é perfeito. Nunca vai ser. Até o teu herói favorito tem um ponto fraco, por quê você não pode ter?

Nunca é tarde pra aprender a ter paciência.
A vida é uma maratona e não uma corrida de 100 metros rasos, como disse Guga Ketzer numa palestra que tive o prazer de assistir no último final de semana. Quem corre maratona vai na manha, não sai em disparada gastando toda a energia em alguns segundos de glória.

Nunca é tarde pra marcar o seu gol de placa. Seja ele qual for. O meu gol, foi um gol de amor. Resolvi dar uma nova chance ao meu coração. Talvez por isso eu ande por aí distribuindo sorrisos bobos.

10 de setembro de 2009

Foi aí que resolvi escrever

Era apenas mais uma das tantas tardes de setembro já vividas. Pra ser exata já vivi 24 vezes um 10 de setembro. Não que nesse dia específico houvesse algo muito diferente. A diferença era a de que justo hoje eu me dei conta da data e tentei, inutilmente, recordar tantos outros setembros passados.

Dei uma pausa na construção desavergonhada de sentenças sem sentido e fui olhar os arquivos do blog. Voltei para 2008.

Não sei ao exato se hoje me sinto mais mulher ou mais menina do que há um ano atrás.
Na verdade eu estava só pensando na vida e esperando algo acontecer.

A vida muda. E a gente vai sambando, tentando entrar no compasso dessa coisa louca.

Acho graça da ferida cicatrizada. Acho graça do sorriso que me acompanha. Também acho graça da maneira como o meu primeiro pensamento do dia também mudou. E eu que jurava que ia ser pra sempre, quem diria, hein?

Não sei se o que sinto é amor. Ou talvez eu só tenha medo de ter certeza de que é amor. Ou ainda eu só não queira ficar admitindo aos quatro cantos do mundo o que ando sentindo, espalhando como aquele sorriso me faz bem, como é gostoso ver a minha vida naqueles olhos castanhos ou qualquer outra coisa boba e sútil, digna de uma adolescente apaixonada.

O engraçado é que ao mesmo tempo que sinto essa coisa juvenil florescendo no peito eu tento ver no futuro - e futuro não é pra sempre, é apenas futuro - a solidez de uma vida construída à quatro mãos, por mais que isso agora seja um sonho bobo que eu nem sei se vai sair dessa dimensão chamada "imaginação".

Ando querendo mais. Mais tardes de domingo, mais noites de sexta, mais muito mais que isso. Mais jantares em família, por mais que eu queira me jogar do quinto andar de tanta vergonha.

No fundo meus desejos se resumem em um só: Deixar de sermos apenas "eu e você" pra formar um "nós". Enquanto penso nisso escuto músicas e isso justifica o título.