29 de outubro de 2009

Praga

- Se tudo der errado na minha vida eu caso com você.
- Tá louca? Falando assim minha mãe vai escutar
- Seria legal, gosto da tua presença, a gente conversa, seria algo que daria certo...
- Nem sonha com isso... Já me jogaram praga essa semana.

28 de outubro de 2009

O sol e a cama

Poderia ser uma manhã como tantas outras.

Ao fundo os sinos da Igreja preenchiam o ambiente. A saudade estava no peito assim como o desejo estava à flor da pele.

Por entre poucas nuvens o sol adentrava o quarto através da janela entreaberta. Timidamente aquecia cada parte do corpo, como um abraço quente em noite fria.

Ela virou-se e procurou pelo celular. Conferiu as horas e pôs-se a reler algumas mensagens. Frases curtas, por vezes desprovidas de acentuação. Ponto-a-ponto. Letra-a-letra, signos repletos de sentimentos inexplicáveis.

O tempo passou. A semana escorreu e parou na metade.
"É isso o que eu quero?" perguntou-se em silêncio.

A pergunta ainda ecoa no ar, sem resposta, sem caminhos.
Quando há muitas opções é sempre mais difícil escolher. Jogar tudo pro alto e recomeçar enquanto ainda há tempo pra errar ou continuar por um caminho que parece seguro, mas sem certezas absolutas?

Tantas dúvidas, tantas lembranças. Ela queria novamente apenas a cama, apenas o sol. Ou outro lugar parecido com o útero materno.

20 de outubro de 2009

Quando eu for escrever um livro

Eu vou começar a história, seja ela qual for, numa manhã fria apesar do céu azul e com ventos que cortam a pele, mas ainda assim ventos gostosos de serem sentidos. Não sei ao certo sobre o que escreverei. Se sobre uma jovem perdida no tempo e no espaço, repleta de dúvidas, colocando um pouco de mim na tal personagem, ou se criarei teorias fantásticas sobre coisas bobas e/ou idiotas.

O que sei é que quero escrever. Ir pensando e e escrevendo. Talvez saia algo sem pé nem cabeça, talvez tenha começo meio e fim. Pode ser também que eu vá apenas colocando palavra após palavra, como faço aqui e agora. Pode ser um ensaio, uma reunião de crônicas sobre o tudo e o nada. Pode ser que eu coloque no papel meus pensamentos sobre fones de ouvido e elevadores. Não sei ao certo. O que sei é que algum dia, longe ou perto, sentarei e começarei a escrever um livro. E eu vou falar de uma manhã como tantas outras, uma manhã que, com certeza, você aí do outro lado também já viveu.

Passa-me pela cabeça agora escrever sobre todas as manhã de um mês. "As manhãs de novembro" é um bom título, não é?
Frias? Úmidas? Azuis? Mostrar a vida a partir de outro angulo. Pensar diferente. Ou simplesmente pensar igual a todo mundo.

Sei lá. Eu só queria escrever.

14 de outubro de 2009

Tarde oca

Há coisas, fatos e sentimentos que simplesmente não entendemos e nem vamos entender tão cedo. Há silêncios, palavras não ditas. Há um vazio oco no ar.

Nem toda tarde precisa ser repleta de palavras, nem todo silêncio é ruim, nem todo escuro é vazio. A penumbra preenche o ambiente, preenche o quarto. A pouca luz brinca no cômodo ocupado pelo som lento e hipnotizante.

As palavras não são ditas. As perguntas não são feitas. As respostas? Inventadas.
Realidade se mistura aos fragmentos de mais uma tarde de outubro.

Que sentimento é esse? É como se um "não-sentir" tomasse conta do peito.
Escrevo, escrevo, escrevo. Ouço sussurros, esqueço nomes.

Tantas coisas tão (in)comuns a todos nós. Ou será que não? Ou será que essa angústia - finalmente consegui dar nome ao que sinto: angústia - é só minha?

Vejo a ligação perdida. Shit! Era uma oportunidade de ouvir uma voz que acalenta e acalma. Acalma e acalenta. A calma. Calmaria. Aleatório? Amor embaixo d'água. Linhas e mais linhas, digitadas, sentidas, marcadas. Vazias.

A tarde oca vai passando.

Resquícios

O corpo dói.
Todo o cansaço dos dias muito bem aproveitados resolve aparecer. Muitas horas de sono serão necessárias pra que eu possa me recompor e para que meu corpo se acostume à ausência do teu. Muitas horas serão necessárias para que o gosto da tua boca saia da minha e para que as lembranças, que insistem em se repetir na minha cabeça, se desfaçam no ar.

Cada instante vivido, cada sorriso, cada cheiro característico ainda está vivo, ainda está latente.

Felicidade reina. A menina, toda faceira, digita palavras sem saber onde vai parar esse registro. Cada linha a mais, uma entrelinha com declarações de amor. São mensagens subliminares que só o destinatário dessas tantas letras compreenderá por completo.

Será que é amor? Sim, o é. Esse sentimento que brotou no peito, e que cresce cada dia, é um pequeno amor. Desses que você olha e vê futuro. Pequeno não por conta da intensidade, mas pequeno porque, perto do que será, ele vai ser maior que o mundo. Ao menos do meu mundo.

Falando assim pareço apenas uma boba apaixonada. E o sou. E não ligo.
E os resquícios ficam por aqui, ficam a me recordar do quanto é bom estar ao lado de alguém especial.

11 de outubro de 2009

...

Uma hora dessas eu certamente deveria estar dormindo, especialmente quando se sabe que ao acordar a estrada me espera.

Sentei-me aqui mais uma vez com uma vontade de cuspir sentimentos, descarregar energia na teclas pretas e gastas. Os pensamentos, sempre eles, me torturam. Acho que se eu pudesse, gostaria imensamente de instalar a porcaria de um botão ON/OFF na cabeça. Pensar dói.

E pensar não é necessariamente ser inteligente. Falo de coisas distintas. Bem distintas.

Enquanto o meu traseiro esquenta a cadeira, vou porcamente tentando dizer algo que preste. Algo que não seja mais um desabafo juvenil de quinta categoria.

A resposta pra tudo? Não tenho. Mas metade dos meus problemas seriam resolvidos com uma coisa chamada "diálogo" e outra chamada "respeito". Os dias não são fáceis quando sei que a qualquer instante serei interrogada de cada vírgula do que faço e penso. Meus sentimentos não tem explicação.

Vou despejando palavras. Dizendo coisas sem sentido. Repito ideias. Repito cenas. Tomo pito por não estar dormindo.

No fundo eu quero aquela paz de volta. A mesma paz de uma tarde nublada e chuvosa no museu, a mesma paz de uma tarde chuvosa no carro. Lembranças. Pensamentos. Saudades. Sentimentos.

Uma coisa vai puxando outra e quando vejo estou na roda novamente. Eu penso, eu lembro, eu quero. Acima de tudo: eu respeito. Misturo assuntos. Misturo minha vida com a tua e me pego odiando novamente. Lembro do fel, lembro da raiva.

Mais palavras, mais energia, mais sentimentos.
Insegurança.
Como pode alguém tão cheio de lábia, tão cara de pau, tão pseudo-autoconfiante ser tão inseguro? Como pode esse medo bobo de perder?

Medo bobo porque apesar de odiar o bendito "pra sempre" eu sei que vai ser por toda a vida. Ou espero isso. Ou desejo isso. E no fundo eu quero.

Declaro o meu amor nas entrelinhas. Grito em cada espaço, em cada palavra não dita, o quanto, em tão pouco tempo, meus pensamentos e sentimentos se tornaram intensos. Digo sem dizer que quero a calma de te ter por perto...

Preciso dormir. A madrugada vai passando.
Continuo contando os minutos.

Não tenho pressa.

8 de outubro de 2009

Ausência

Faltam as palavras.
Sim, faltam.

Todas as palavras do mundo fazem falta neste exato momento. Neste momento, nem essas que digito aleatoriamente, somente para preencher o vazio de uma tarde chuvosa, conseguem transmitir em alto e bom som o que eu sinto. Se é que sei o que sinto, se é que se pode cometer o pecado de tentar traduzir (e conseguir) sentimentos em palavras.

Há uma ânsia, um desejo e um torpor no ar. Uma angústia, quem sabe.
Entre um tablete e outro, o chocolate adoça a boca que deseja teus beijos. Chocolate com passas para passar o tempo. Os mesmos dedos que batem sorrateiramente no teclado quebram em pedaços menores o doce sobre a mesa. A mão que deseja tua pele, alva e macia, alterna entre alimentar o corpo e esvaziar a mente das palavras que vão surgindo.

Fico a enrolar, sem ter o que escrever. O twitter está fora do ar novamente e não tenho como registrar meus pensamentos mais aleatórios. Tenho vontade de escutar as não tão velhas canções da adolescência e me pego cantarolando “Save me” do trio cabeludo e loiro.

Lá fora chove e aqui dentro faz frio. Desligo o aparelho condicionador de ar que estava estupidamente ligado. O chocolate acaba e a boca sente falta de água.

Penso novamente no teu nome. No nome que por acaso do destino veio parar na minha vida e foi ganhando espaço no coração sem querer. Acho que de tanto fugir desse amor ele se tornou maior do que eu poderia imaginar. É grande sim, mas não o digo. Neste caso prefiro guardar as palavras aqui comigo.

Faltam as palavras pra dizer a falta que você faz.