28 de outubro de 2009

O sol e a cama

Poderia ser uma manhã como tantas outras.

Ao fundo os sinos da Igreja preenchiam o ambiente. A saudade estava no peito assim como o desejo estava à flor da pele.

Por entre poucas nuvens o sol adentrava o quarto através da janela entreaberta. Timidamente aquecia cada parte do corpo, como um abraço quente em noite fria.

Ela virou-se e procurou pelo celular. Conferiu as horas e pôs-se a reler algumas mensagens. Frases curtas, por vezes desprovidas de acentuação. Ponto-a-ponto. Letra-a-letra, signos repletos de sentimentos inexplicáveis.

O tempo passou. A semana escorreu e parou na metade.
"É isso o que eu quero?" perguntou-se em silêncio.

A pergunta ainda ecoa no ar, sem resposta, sem caminhos.
Quando há muitas opções é sempre mais difícil escolher. Jogar tudo pro alto e recomeçar enquanto ainda há tempo pra errar ou continuar por um caminho que parece seguro, mas sem certezas absolutas?

Tantas dúvidas, tantas lembranças. Ela queria novamente apenas a cama, apenas o sol. Ou outro lugar parecido com o útero materno.

Um comentário:

  1. Bom, arrisque. Não vale a pena acordar todos os dias acreditando que o amanhã vai melhorar. Se não está bom, como queria que estivesse, arrisque naquilo que mais deseja. Afinal, não é nada bom suspirar sentindo uma leve dor.

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