24 de novembro de 2009

Quando o corpo pede

A alma logo entra no ritmo.
Ando trocando horários. Preciso cuidar mais de mim.
Semana passada a garganta me derrubou. Adiei compromissos inadiáveis, posterguei coisas, pessoas e eventos.

Agora a cabeça anda a mil. Planos e metas. Será que eu consigo?
Vamos ver no que dá.

13 de novembro de 2009

Coletivo

Alcatéia.
Enxame.
Matilha.
Fa-lan-ge.
Cardume.
Ônibus.
Tarde quente e passos largos. Noto como estou fora de forma ao começar subir a passarela, atravessando a Rodovia Federal. Troco as passadas lentas e largas por passos curtos numa tentativa de andar mais rápido.
Ao longe vejo surgir o ônibus. Rapidamente, ele se aproxima da parada que encontra-se ao final da passarela que eu atravessava.
“Não vai dar tempo”, penso em voz baixa. Logo mais a frente segue um ciclista empurrando seu transporte, penso em pedir a ele que me dê uma carona até o ponto. Olho novamente na direção do ônibus, cada vez mais perto, comendo asfalto pelo longa reta da Rodovia. Num segundo instante presto atenção nas pessoas que o aguardam, não são muitas, mas se eu correr um pouco, são suficientes para que eu chegue a tempo de tomar o coletivo.
Uma a uma, vão subindo enquanto eu corro e aceno para o motorista, pedindo que me espere.
Já dentro do ônibus peço licença e atravesso a catraca. O cobrador olha e sorri.
Calor escaldante. Sinto o suor escorrer e molhar a camisa branca do uniforme. Paro de frente para uma senhora gorda. Sentada, cabelos desgrenhados, ela presta atenção em mim, como se medisse mentalmente cada centímetro meu. Abaixo a blusa que insiste em subir. “Engordei mais do que deveria”.

Conforme os pontos vão passando, as pessoas vão descendo e subindo no veículo. Um ciclo constante ritmado pela catraca alternando ao sinal de pedido para parar.
“Trrrraaaque”, mais um. “Pééééinnn” e menos dois. “Trrrraaaque”, estudantes voltando das aulas. “Pééééein”, domésticas voltando do trabalho. Mais um “pééééín” e é minha vez de descer.
Salto, confiro as horas no celular e caminho em direção ao trabalho. Comigo, só os meus pensamentos. O transporte coletivo segue seu rumo. E eu vou tentar ganhar a vida em mais um dia de trabalho.

11 de novembro de 2009

Convites para o Google Wave

Ok, título mais do que clichê para algo que tem dado o que falar: Google Wave.
Se você não sabe o que é você pode visitar o About e inteirar-se do assunto. Porém, contudo, todavia, se o teu inglês não estiver lá essas coisas, ou você estiver na fase do "The book is on the table" vale googlar o assunto, ou ler essa matéria na Info.

Ficou por dentro? Já sabe do que se trata? Quer um convite? Então se liga na parada:
Eu acabei de receber os meus convites. Dei uma tuitada e vi que tem muita gente que ainda não sabe do que se trata e que também ainda não tem convite.

Como sou uma pessoa muito linda, gostosa, inteligente, simpática legal resolvi distribuir por aqui os convites.

Como vai funcionar?
Nesses tempos de twitter, onde todo mundo pensa em coisas com até 140 caracteres eu resolvi ir na contramão: Pra tentar faturar um dos convites você acessa o Woofer, que é uma ferramenta de Macroblogging e escreve o teu texto justificando a causa, motivo e razão pela qual você merece entrar pra essa "onda" (sacou o trocadilho?).

Depois de escrever, pegue o link e comente aqui.

Não haverá sorteio.

Eu tenho 5 convites e vou distribuir da seguinte forma: 3 para os textos que eu mais gostar, porque sim, os convites são meus e eu distribuo como bem entender (hahahaha risada bem maléfica) e os outros 2 convites eu vou distribuir assim (afinal eu quero aumentar o número de visitas deste humilde blog, né?):

Você pede para os teus amigos darem uma forcinha pra ti. Como? Comentando aqui e colocando o link pro teu texto no Woofer. As duas pessoas que tiverem mais amigos na campanha "Eu mereço um convite pro Wave" levam.

Lembrando que, neste caso, só vale comentário feito com Conta do Google.

Você tem até o meio do dia de sexta-feira pra exercitar os neurônios, chamar os amigos e participar.

5 de novembro de 2009

Ausência...

Parou no tempo e respirou numa tentativa de levar o máximo de ar aos pulmões.
Lembranças frescas brotaram a sua frente, como gazelas saltitantes correndo pelo campo. Nem tudo estava perdido, pensou em voz baixa. Até porque, por mais que viesse a pensar em alto e bom som, não havia ninguém ali que pudesse escutar aquele misto de lamúrias saudosas com aquele sentimento sem nome.

O sorriso tímido, que fixou-se naquele rosto desde que descobriu-se enamorado, tornou-se maior pelos instantes em que duraram aquelas lembranças. Precisava voltar a trabalhar.

Enquanto protelava por mais uma vez as atividades do dia, procurava algo diferente para embalar aquela noite quente. Embora ainda não fosse verão, as primeiras noites do mês de novembro andavam tão quentes quanto a da estação que ainda estava por chegar.

Queria colocar poesia em suas palavras, em vão. A prosa sempre se encaixou tão bem com suas ideias que seria bobeira tentar substituir.

Lentamente as palavras iam surgindo numa tentativa boba de descrever algo que sequer fora criado ainda. Era estranho escrever sobre algo que ainda não havia acontecido, como se quisesse prever o futuro.

Faltava algo. Pensou que talvez o calor demasiado estivesse a atrapalhar o momento, mas isso era só uma possibilidade...

Faltou-lhe o ar, faltaram-lhe palavras.
Deu duas voltas na fechadura, trancou a porta e atirou-se em direção ao nada.

4 de novembro de 2009

Formigas

- Vamos sentar ali que não está tão sujo
- Ok!

Limpam as folhas, sentam abraçados e encostados na árvore.

Alguns minutos depois...

- Espera um pouquinho, Amor... Eu acho que... Não é por nada, mas acho que isso aqui do lado é um formigueiro...
- (tentativa de dizer algo) *muitas risadas*



Pois é... Alguém sentou no formigueiro.

3 de novembro de 2009

Desconversas e um monólogo.

Eu nunca sei das coisas. Acho que por isso sou tão contraditória. Ao mesmo tempo que não sei de quase nada, é como se no fundo eu já tivesse assistido a minha própria vida e soubesse o roteiro de trás para frente. Isso faz com que eu tenha uma intuição, um sexto sentido maior do que a grande maioria das pessoas. E pode ser também que eu apenas esteja blefando, induzindo os outros a acreditarem em minhas verdades...

Contradição. Ser o avesso do que já fui. O avesso do que serei. O avesso do que você gosta ou deixa de gostar. Diferente e estranho. Estranho e bom. E mesmo assim fica interessante, não ser o avesso do que eu era antes... Ser agora desedificante. Te virar pelo avesso. “Anormal”, como diria Fernanda Takai e sua banda.

E enquanto penso nas minha peraltices, lembro de como te encorajo a quebrar regras, a sermos pessoas politicamente incorretas por alguns segundos, mesmo que seja só pra correr e atravessar a rua com o sinal fechado para os pedestres. Crianças, por favor, desconsiderem a última sentença.

Gosto de planejar o futuro. Gosto de ser exceção assim como também gosto de misturar assuntos e voltar no tempo e lembrar de uma noite gostosa repleta de pretextos e com um show especial. Gosto de provocações, insinuações e recados dados. Também gosto de ser direta como uma flecha, e às vezes sútil como uma flor.

Eu não sei escrever. Não sei usar as palavras de uma maneira com que elas fiquem bonitas, alinhadas, gostosas de ler. Sei que coloco sentimento. Também sei dizer “Eu te amo”, e o digo por mais que eu ainda tenha medo. A sensação que tenho é que a cada “Eu te amo” meu, eu entrego ainda mais meu coração, tatuo uma letra a mais do teu nome sobre a superfície cicatrizada do meu peito.

Entre tequilas, um nome; entre os planos, um destino; entre tanta coisa: saudade.
O meu corpo ainda sente a presença do teu.