5 de novembro de 2009

Ausência...

Parou no tempo e respirou numa tentativa de levar o máximo de ar aos pulmões.
Lembranças frescas brotaram a sua frente, como gazelas saltitantes correndo pelo campo. Nem tudo estava perdido, pensou em voz baixa. Até porque, por mais que viesse a pensar em alto e bom som, não havia ninguém ali que pudesse escutar aquele misto de lamúrias saudosas com aquele sentimento sem nome.

O sorriso tímido, que fixou-se naquele rosto desde que descobriu-se enamorado, tornou-se maior pelos instantes em que duraram aquelas lembranças. Precisava voltar a trabalhar.

Enquanto protelava por mais uma vez as atividades do dia, procurava algo diferente para embalar aquela noite quente. Embora ainda não fosse verão, as primeiras noites do mês de novembro andavam tão quentes quanto a da estação que ainda estava por chegar.

Queria colocar poesia em suas palavras, em vão. A prosa sempre se encaixou tão bem com suas ideias que seria bobeira tentar substituir.

Lentamente as palavras iam surgindo numa tentativa boba de descrever algo que sequer fora criado ainda. Era estranho escrever sobre algo que ainda não havia acontecido, como se quisesse prever o futuro.

Faltava algo. Pensou que talvez o calor demasiado estivesse a atrapalhar o momento, mas isso era só uma possibilidade...

Faltou-lhe o ar, faltaram-lhe palavras.
Deu duas voltas na fechadura, trancou a porta e atirou-se em direção ao nada.

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