13 de novembro de 2009

Coletivo

Alcatéia.
Enxame.
Matilha.
Fa-lan-ge.
Cardume.
Ônibus.
Tarde quente e passos largos. Noto como estou fora de forma ao começar subir a passarela, atravessando a Rodovia Federal. Troco as passadas lentas e largas por passos curtos numa tentativa de andar mais rápido.
Ao longe vejo surgir o ônibus. Rapidamente, ele se aproxima da parada que encontra-se ao final da passarela que eu atravessava.
“Não vai dar tempo”, penso em voz baixa. Logo mais a frente segue um ciclista empurrando seu transporte, penso em pedir a ele que me dê uma carona até o ponto. Olho novamente na direção do ônibus, cada vez mais perto, comendo asfalto pelo longa reta da Rodovia. Num segundo instante presto atenção nas pessoas que o aguardam, não são muitas, mas se eu correr um pouco, são suficientes para que eu chegue a tempo de tomar o coletivo.
Uma a uma, vão subindo enquanto eu corro e aceno para o motorista, pedindo que me espere.
Já dentro do ônibus peço licença e atravesso a catraca. O cobrador olha e sorri.
Calor escaldante. Sinto o suor escorrer e molhar a camisa branca do uniforme. Paro de frente para uma senhora gorda. Sentada, cabelos desgrenhados, ela presta atenção em mim, como se medisse mentalmente cada centímetro meu. Abaixo a blusa que insiste em subir. “Engordei mais do que deveria”.

Conforme os pontos vão passando, as pessoas vão descendo e subindo no veículo. Um ciclo constante ritmado pela catraca alternando ao sinal de pedido para parar.
“Trrrraaaque”, mais um. “Pééééinnn” e menos dois. “Trrrraaaque”, estudantes voltando das aulas. “Pééééein”, domésticas voltando do trabalho. Mais um “pééééín” e é minha vez de descer.
Salto, confiro as horas no celular e caminho em direção ao trabalho. Comigo, só os meus pensamentos. O transporte coletivo segue seu rumo. E eu vou tentar ganhar a vida em mais um dia de trabalho.

Um comentário:

  1. Engraçado, hoje teria acontecido o mesmo comigo, se eu não tivesse caído antes de alcançar o ônibus! =P

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