15 de dezembro de 2009

Com o passar do tempo

Papai anda esquecendo coisas. Hoje me peguei com medo. Medo do futuro.
Não porque eu forçosamente me torno mais "adulta" com o passar dos dias. Não, isso não me assusta, não me assusta perceber que problema de verdade é pagar conta no final do mês ao invés de chorar o coração partido por conta das paixões não correspondidas. Aliás amores não correspondidos é assunto do qual não posso reclamar. Mas medo porque o tempo está passando pra ele também. Dá um nó na garganta, um aperto no peito.

Perdi meu avô esse ano. Alzheimer. O velho era forte com uma montanha, andava à cavalo com seus 87 anos. Acordava cedo todo dia e mimava os netos, mas a doença o derrubou. No fundo meu avô rejuvenesceu nos últimos meses de vida: voltou a ser um bebê, precisando de ajuda pra tudo, já não pronunciava palavras direito, não comia. Um bebê com a experiência de uma vida inteira, um bebê que criou 12 filhos trabalhando na roça. Pois bem, hoje de manhã deu um aperto no peito e um medo do futuro. Medo de perder meu pai da mesma forma que perdi meu avô.

Tão ruim quanto esse sentimento de perceber que Papai não é eterno e que ele não vai estar aqui pra sempre é a dúvida que acompanha tudo isso: será que sou uma boa filha? Será que sou a mulher que Papai lutou e educou para que eu fosse? Eu poderia ser melhor. E num instante percebo que outra pessoa é a filha que ele esperava que eu fosse. Estranho não?

Papai esquecendo coisas simples, e falando sobre como a gente não vê o tempo passar... E aí eu fico sem palavras. A lágrima expressa o que eu queria dizer.

3 comentários:

  1. é escutando pessoas como você que eu fico com um nó na garganta por não conviver com meu pai.
    Mas eu canalizo essas coisas pras pessoas que convivo, e eu sei que minha tia ta indo pelo mesmo caminho que seu avô. ela já tem 80 anos, anda meio apática, esquecendo de tudo, meio lerda mesmo.
    da uma dor no coração tão grande...

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  2. Quando papai noel começou a esquecer de mim, eu percebi que não adiantava mais chorar pra resolver meus problemas.

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  3. É ... a sua história me faz lembrar como perdi minha Bisa. Foi ficando mais velha e aí surgiram porblemas, doenças, no coração . Ele já estava fraco, o corpo também e foram com lágrimas que eu superei a perda . Mas ao mesmo tempo aprendi que elas me fizeram perceber que o tempo passa para todos. Por mais que lutemos á nossa hora vai chegar, e quando isso acontecer eu quero ter certeza de que dei o melhor de mim em tudo, de que fui a pessoa que todos esparavem que eu fosse mas, de uma forma positiva e ao mesmo tempo também obedecendo as minhas vontades e desejos porque, se você me perguntar o que eu sou hoje eu só posse te responder isso: Eu sou alguém que tenta todo o tempo fazer a diferença . E se você me perguntar se hoje eu sou o que esperam de mim eu te digo que simplismente não sei mas vou fazer o possível porque o impossível eu faço todos os dias.
    Bjs , Dri!

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