6 de dezembro de 2009

Conta-letras

A alma preenche o corpo como a água preenche o copo. Toma a forma, forma-se de novo. Moldes, formas de fôrmas, brincadeiras, entrelinhas...

Um amor. Uma madrugada e palavras desconexas.
No olho o resto do lápis negro, delineando o cansaço da noite. Limitando movimentos e pensamentos, contornando o espaço e encurtando a distância.
Na boca o gosto fresco do creme dental. Ao fim o que ela de fato desejava eram aqueles beijos saudosos, recheados de volúpia com pitadas bem dosadas de paixão...

Um instante, um segundo eterno, uma saudade sem fim. Mais palavras e a total ausência de significados ou coerência naquele texto digitado às pressas.

Letra a letra, as palavras iam surgindo no velho monitor, como conta-gostas, pingando suavemente...
Mais uma dose, mais um trago. E nada parecia suavizar aquela dor.

Sem pensar, desistiu do "conta-letras", apagou as luzes e se foi.

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