30 de dezembro de 2010

Sussurros

A tristeza chegou de mansinho. Pouco a pouco, passo a passo. Chegou encostou a cabeça no meu ombro, sussurrou palavras ao meu ouvido. Constatei que a saudade apertava.

Se ela transmutasse-se em gente, a tristeza, seria pálida e sem cor. Sem sal. De poucas palavras, sussurra verdades e inverdades. Povoa a mente com ideias, no meu caso, planta a solidão e aumenta a distância.
Mulher, sabe bem onde ferir, é como a mãe que cutuca a ferida do próprio filho. Tristeza sem fim ao fim do expediente.

Salas vazias, repletas da mais pura saudade. Tristeza enche o peito, esvazia a alma. Tudo é triste e sem cor que até o sol por entre as nuvens se escondeu.
A janela reflete as palavras tristes e sem forma no papel. Reflete também o olhar vazio, frio, que procura na rodovia um caminho para a vida...

28 de dezembro de 2010

Twitter: Falamos mais, mas falamos sozinhos

Hoje pela manhã li o artigo de um dos blogs da Veja: "No Twitter, grande parte das pessoas conversa – sozinha" após a leitura, comecei a fazer alguns questionamentos, alguns inclusive tuitados...

Acho que o assunto rendeu e resolvi continuar aqui minhas reflexões:

Se o twitter é onde buscamos informações sem interações, podemos dizer que ele não se encaixa como rede SOCIAL e sim como rede de INFORMAÇÕES? Isso seria atribuir a ele o mesmo status de "imprensa"?

O padrão social para obter informação requer mesmo interação? Em que momento existe a quebra do hábito?
Twitter funciona como um segundo filtro? Acredito que sim, afinal milhares de informações são publicadas a todo instante sobre inúmeros assuntos. Só fato de ser publicado já o torna relevante, se publicado e em seguida tuitado e retuitado temos um aprofundamento na escala de relevância, correto?

Mas se algo atinge o patamar de relevância para ser distribuído e multiplicado pela rede, por que não gera comentários? Por que o número de replies ainda é tão baixo em comparação ao total de tweets?

Nesse ponto volto ao passado e lembro das conversas sobre conteúdo local, sobre interações com as pessoas próximas fisicamente. Globaliza se a informação, temos acesso a muito mais notícias, mas a partir de que ponto essas influem diretamente no nosso modo de viver?

Lembro das conversas entre vizinhos, que hoje dificilmente ocorrem, assuntos sobre o bairro, sobre a comunidade eram muito mais recorrentes do que hoje em dia. E de certa forma eram coisas que influenciavam diretamente. Hoje fala-se mais sobre coisas que ocorrem do outro lado do mundo, mas sem tanto impacto local.

Uma década fez e faz diferença.
Temos mais contatos, conversamos com mais pessoas sobre mais assuntos, mas isso faz diferença no final das contas?

27 de dezembro de 2010

Sobre 2010 e suas partes


Reviews e retrospectivas são muito comuns nessa época do ano. Olhar para trás às vezes faz bem, digo “às vezes” porque é como diz aquele dito popular “Quem vive de passado é museu” e se tem algo que realmente não dá é tentar ficar revivendo coisas, sejam mágoas ou alegrias, sejam coisas ou pessoas, temos uma grande dificuldade em deixar algumas coisas para trás, da mesma forma como não nos apegamos em certos detalhes que deveriam ser muito mais importantes...

Se aquilo que nos faz mal nos prende mais, deveríamos dar mais atenção a pequenos momentos de alegria. Seja um passeio com amigos, seja uma tarde sozinha em casa.
2010, último ano de sua década. Fechamos mais um ciclo, mais uma geração entregue ao mundo. Uns mais saudosistas dos anos 80. Outros com saudades dos anos 90 que apesar de não parecer, já tem um tempinho que passou também.
Para um ano em que eu comecei basicamente sem nada, 2010 foi até que generoso: encerro o ciclo num emprego que eu gosto, com melhores condições, com possibilidades de crescimento, com um salário melhor que o anterior, com colegas de trabalho bem-humorados e que contribuem sem reclamar para o crescimento do empresa; uma galera que não liga de abrir mão do eu em benefício do coletivo. Admiro essa visão de time em uma empresa grande. Dá gosto ver que as pessoas aqui não se limitam a fazer somente aquilo para o que foram contratadas...

Se no início desses quase 365 dias que já se passaram eu me meti em diversas confusões amorosas, se me envolvi em rolos, briguei, me magoei, magoei outras pessoas, me apaixonei, desapaixonei, briguei de novo, confiei, me decepcionei, dezembro de 2010 permite que eu encha a boca pra dizer que consegui chegar a uma das minhas metas desse ano: namorar com alguém que goste de mim e de quem eu goste também.
Por mais que haja dificuldades, por mais que exista a distância, acho que poucas vezes me senti assim... tão bem... A relação tem altos e baixo? Tem, mas nada impede de prosseguir superando cada obstáculo que aparece, e olha que não foram poucos: de ex-maluca surtando à fofoca, esse ano eu acho que enfrentei de tudo, enfrentei até a triste (e ao mesmo tempo feliz) constatação de um grande amor às vezes deixa de existir... No final fica a certeza de que vou dormir e amanheço pensando na mesma pessoa, fica a certeza de quero construir um lar, dividir minhas coisas, dividir minha vida... São planos em que 2011 pretendo ficar mais perto de realizar!

2010 teve suas dificuldades: desemprego, confiança quebrada, brigas bobas, mas teve muito mais coisas boas.
Posso dizer que esse ano me firmei um pouco mais como fotógrafa. Casamentos e making-of com fotos particularmente excelentes e a conquista da minha primeira foto publicada na capa de dois jornais regionais (agradecimento especial: Raquel Marques pelas oportunidades concedidas e a Fátima Gamallo, mais do que mestre: exemplo de vida e grande encorajadora... Fica mais fácil vencer quando conto com a torcida de vocês).

2011 está quase aí. Esperanças e forças renovadas. Novos rumos, novos planos. Coisas boas permanecem, coisas ruins me desfaço, me despeço.

24 de dezembro de 2010

Boas Festas!

Boas Festas!

Que o Natal seja motivo de renascimento das esperanças de que a vida pode ser, sim, melhor.
2010 foi um ano incrível, de altos e baixos e principalmente de superação.

Feliz Natal!

19 de dezembro de 2010

Paixão

Eu tenho uma necessidade quase que diária de me apaixonar. Chega a ser doença esse desejo de querer sentir as maçãs ruborizando levemente, sentir aquele calor queimando dentro do peito...
Olho e me apaixono. Uma, duas, várias vezes ao dia. Quero suspirar pelos cantos, esbanjar sorrisos bobos. Eu preciso me apaixonar de novo e novamente a cada meia hora. Me apaixono por sorrisos, por fotos, pela mesma pessoa, por várias pessoas, pela criança bonita, pela criança simpática, pelo olhar atraente. Pelo aroma do café.
Me apaixono pela vida. Do jeito que a vida é.
É meu vício essa coisa de sentir as mãos transpirando nervosismo. É um vício, ecoa a frase pelo quarto.


p.s: geraldo, não tenho seu e-mail

17 de dezembro de 2010

Geraldo não me entende mais

Geraldo me visitava, trocávamos parcas palavras, mas ainda assim havia comunicação nessa vida nômade que a gente leva de link em link.
Geraldo, entendia e comentava comigo, de noite na cama, sem parcimônias suas histórias, seus contos e seus pontos. Geraldo tinha uma alma feminina que me encantava. Mas Geraldo sumiu, não deixou um bilhete escrito sobre a mesa, não deixou endereço, nem e-mail para contato.

Agora ele escreve cartas, mas envia-as sem destinatário certo. De vez em quando pego uma dessas no ar, volto a sua antiga moradia, devoro suas palavras. Então passo mais tempo sem ver nada, sem sentir nada... Aí Marisa faz com que eu me lembre, então volto a caçar no ar as palavras jogadas por aí...

Geraldo, me manda um e-mail?

16 de dezembro de 2010

Meias armênias



Encomendei aquelas meias do teu sonho. Coloridas, listradas e de seda. Quer dizer, eu acho que elas são assim, para falar bem a verdade eu não sei. Espero que sejam, porque me lembram sonhos bons, coisas boas, e principalmente coisas felizes. Meias listradas e coloridas são alegres. Não mais alegres do que o meu sorriso quando você está por perto, mas alegres ainda assim.

A chuva atrapalhou os planos. Eu queria ter ido ao parque passear de canoa. Sem deixar virar é claro. Canoas só viram em cantigas infantis. Pelo menos a minha canoa. E sempre tem um culpado.
Agora só uma pessoa tem culpa: Você. Você é responsável por essa felicidade boba que eu ando sentindo.

Não, não foge, não. Fica na raia!
Converso com meus pensamentos.
Revejo os meus sonhos. Você é parte de todos eles.
A chuva cai timidamente lá fora.

9 de dezembro de 2010

De estimação

Se existe quem crie a tal da "culpa de estimação", tenho eu, minhas mágoas. E essas são tão de estimação que cuido delas com carinho: alimento todos os dias. Dou palavras com sabor de fel, banhos regados de ironia e um certo dissabor.

Minha mágoa é bárbara. Por vezes animal, que não raciocina e sai latindo seus impropérios a torto e a direito.

8 de dezembro de 2010

IM

Foi assim que adormeci: ao som do doce silêncio da tua voz, que nada diz e que estranhamente condiz com tudo aquilo que fiz e desfiz...
Foi como ver o mar pela primeira vez, como perder o fôlego, como perder a vida e encontrá-la logo em seguida. Como a alegria de ver cada letra surgindo nessa conversa sem sentido, nesse papo onde admito sentir tanto a tua falta que me falta o ar.

Foi ao som do teu silêncio, da tua ausência noturna, desse jeito assim ,que minha pele encontrou a cama fria, que meus poros sentiram o toque da roupa de cama trocada no mesmo dia.

E então, numa quarta como tantas outras, vivi quase um dia de quinta. E palavras de quinta foram surgindo. Foi assim, desse jeito assim, que fui completando, recheando o vazio com o “não dizer” que tudo diz. Não era amanhã, mas já não era mais hoje. E me perdi no tempo, e desejei tua boca e quis tua pele tão fresca e tão próxima quanto a roupa de cama.

30 de novembro de 2010

Sobre o jogo

Não vou declarar toda minha paixão assim. Não vou gritar aos quatro cantos do mundo. Vou deixar subentendido, deixar no silêncio enquanto te olho, na interpretação da linha da mão... Na desculpa pra te tocar...

Sempre fui direta, sempre entreguei as cartas marcadas e por muitas vezes blefei, sabia do jogo perdido. Dessa vez vai ser diferente. Dessa vez vai ser sussurrado ao pé do ouvido, de um jeito tão bobo que nos faça rir...
Não quero tempo contado, não quero terceiros entre conversas que são nossas e que às vezes ficam pela metade.

Com o tempo, entendi que é necessário esperar por algumas coisas e acreditar em algumas outras, pois bem, resolvi acreditar nessa coisa aqui no peito e ver onde tudo isso vai dar...

29 de novembro de 2010

Sem tradução

Não sei se a gente morre de saudade. Nunca ouvi falar de alguém que consumido pelo sentimento que somente existe na língua mãe, sucumbisse ao sono eterno.
Acho que aqueles que sentem saudade não morrem, mas devem desmaterializar-se. Talvez numa vã tentativa de ficar mais perto daquele cuja existência desperta a saudade no peito.

Saudade aperta, sufoca, deixa a gente sem ar, como paixão nova em coração de adolescente. E é estranho como trinta segundos após ter a tua presença, essa coisa que sufoca vai tomando conta do peito. Não é paixão, é vácuo de algo bom. É como se o coração quisesse virar ao contrário só pra não ter que sentir essa falta que você faz.

28 de novembro de 2010

Nossa vida pode ser dividida e contada a partir do antes, depois, durante e daqui pra frente.
Escrevo palavras sem nexo algum, sem ordem alguma, mas com toda a vontade do mundo. O que mais admiro na gente é essa capacidade de tentar consertar as coisas.

18 de novembro de 2010

#vidadelan

Ficar sem computador por mais de 7 dias nunca foi tão “animador”.
O fato é que com a ida da minha querida máquina para a manutenção me vi obrigada a frequentar um mundo completamente novo: a lan house.
A primeira batalha foi achar algum estabelecimento que estivesse aberto em pleno domingo, véspera de feriado, as vinte e duas horas de uma noite um tanto quanto fria. Noite anormal pra esses idos de novembro.

Local encontrado, cadastro efetuado. Por que todo mundo ainda estranha o “psouva”? Há tempos não via um rosto tentando decifrar o username. Se você ainda não sabe acho que os negritos a seguir vão ajudar: Priscila Souza Silva, e não, esse não é meu nome completo, meus queridos.
Pois bem cadastro efetuado, segui para uma das máquinas disponíveis. A lan é grande. Acho que tem mais de 30 computadores disponíveis. Mesmo com o horário tardio havia adolescentes, a maioria jogando. Eu acho que era CS (conter strike).
Minha grande surpresa foi a relação custo/benefício: R$ 1,00/hora.

Acho que hoje é o quarto dia que estou por aqui. Geralmente venho, compro minha uma hora, leio e-mails, respondo alguma coisa, vejo meu Google Reader, twitto um pouco, ouço música e fim, sobram minutos para conversar com algum amigo que esteja online.
E hoje estou dando graças a Deus que meu fone de ouvido funciona com os DOIS CANAIS. Sabe por quê? Porque tem uns pirralhos gritando na minha orelha e eu vou esquarteja-los a qualquer instante. Tá, não vou, mas meu, custa jogar de boca fechada? Os pirralhos têm uns 10 anos cada um. Não mais que isso. Estão jogando. No computador ao meu lado. E não bastassem gritar, eles parecem que não tomam banho há uns três dias, aí tenho que aturar a gritaria e o cheiro maravilhoso de CC. Imagine a minha felicidade.

Frequentar a lan tem seu lado bom. Vejo muita gente diferente.
É legal ver um povo mais velho acessando a internet. Por exemplo agora, aqui do meu lado tem uma senhora no chat do facebook. É. Nem eu uso direito o chat do facebook e a senhora aqui do lado tá toda empolgada. Tá na digitação estilo “cata-milho” mas me parece feliz.
De tempos em tempos ela ajeita os óculos, vermelhos como as unhas – e isso me lembra Cecília, ou coloca os fones pra ver algum vídeo engraçado no youtube.
Fora isso, tem a academia. A academia fica no prédio ao lado, em vez em quando, quando fico sem fones, dá pra ouvir as aulas sei lá do quê. Ouço a contagem típica de aulas de aeróbica e outras coisas mais. Dá saudade de algumas coisas. Talvez da minha adolescência, quando eu frequentava assiduamente a academia.
E tem o Luiz. O Luiz é o rapaz que “administra” a lan house. À primeira vista ele parece emo. Na segunda e na terceira também. Aí você olha mais um pouco e começa a achar o cabelo dele uma mistura de Justin Bieber com Restart. O Luiz é quieto. Pelo menos comigo ele é. Ele só fica de papo com as menininhas da idade dele, de no máximo uns 17 anos.

Essa é a vida de lan que eu tenho levado. Não vejo a hora de pegar minha máquina de volta, mas acho que vou sentir falta de frequentar a “casa da ovelha” (piada infame péssima do dia).

Enquanto isso, mesmo com os fones escuto: UUUMMMMM, DOIIIIISSS, TRÊEEESS, QUAAAATRO, CIIIIIINCO, VAMO LÁ GENTE... e a gritaria dos moleques...
Depois de hoje meu filho nunca que vai chamar-se Daniel.

17 de novembro de 2010

nos sonhos mais lindos eu vejo você
na forma mais gostosa da realidade, estou ao teu lado.

e e tão bom quando tua pele encontra a minha, quando minha mão alcança a tua e quando os meu lábios sentem o calor dos teus.

e conto cada minuto, segundo, cada instante longe.
e encho a minha vida com promessas e sonhos.
e digo sim, e digo: eu me caso.

16 de novembro de 2010

assim não

Não gosto
da sua mania
de escrever
assim.

Parece
que você pensa
em cada frase
e para.

Não gosto dos erros de português que são tão evidentes.
Não gosto de tantas e tantas coisas. Não gosto das lembranças que remetem-me a teu nome, Cecília.

11 de novembro de 2010

Sutil

Sempre fui meio arisca com as coisas. Meio mimada, talvez.
E não gosto de quem fala demais sem ter nada a dizer. Gosto das palavras bem medidas, bem escritas. De toda aquela coisa certinha e engomada. Amo a sutileza e a elegância.

Minha maior paixão é o padrão e aquela vírgula fora dele. Um detalhe pensado, as vogais que somem e ainda assim dão sentido ao texto.

Amo a maneira como a minha mão procura a tua, a minha loucura no meio da rua.
Curto essa coisa de tentar rimar, mesmo sabendo que eu nasci pra prosear e que essa coisa de verso é sempre o meu inverso, de tanto tentar.

Aprecio o segredo bem guardado, a confidência e a cumplicidade no olhar: tem coisas (muitas coisas) que não gosto de espalhar.

6 de novembro de 2010

meu herói

Meu pai pode até não saber, mas acho ele o cara mais incrível da face da Terra. Se a maioria das pessoas tem um apego com a mãe, aqui em casa as coisas mudam de lado: meu pai, meu herói.

Ainda que a gente passe dias sem trocar muitas palavras, tenho por ele uma admiração do tamanho do mundo.

Papai por vezes lembra meu avô: quietão, dias falando somente o necessário.
Nossa relação alterna entre dias com inúmeras conversas e temporadas em silêncio, mas sabemo-nos presentes.

Podemos passar dias só falando o mínimo do mínimo, mas sei que ao abrir a porta do meu quarto vou encontrar o “Velho” na cozinha ou assitindo televisão. Ouvir seus barulhos pela casa ou enquanto ele cozinha é “vê-lo” vivo. E isso me basta.

Tudo bem que prefiro longas conversas, prefiro ver o pôr-do-sol ao lado do cara que me ensinou alguns dos principais valores que carrego comigo, mas temos nosso momentos de silêncio. Acho que nisso puxei meu pai: o temperamento um tanto quanto sistemático. Não que isso seja um problema, é uma questão de saber adaptar-se.

O pai me ensinou a correr atrás do que quero, meu deu asas muito cedo. Ele saiu de casa cedo. Com 12 anos mudou-se da roça para a cidade para estudar e cuidar dos irmãos mais novos, deixando para trás as lavouras de café do sul das Minas Gerais.

Mesmo tendo sido alfabetizado mais tarde, não perdeu o interesse pela coisa: estudou em colégio de padres, talvez por isso tenha entrado no seminário em Aparecida. Não ficou muito tempo. Terminou os estudos por lá. Não sei depois de quanto tempo veio parar em São José. Dividir uma casa de dois comodos com um dos meus tios.

Papai conta que nessa época ele não tinha relógio, então durante a noite às vezes levantava e ia até a praça de uma das igrejas perto da “casa” onde ele morava para ver as horas e não perder o horário de ir trabalhar. Trabalhou, deu duro na vida, até porque não é fácil trabalhar durante a noite e estudar pela manhã e foi assim que ele formou-se em Psicologia.

Hoje, aposentado depois de 30 anos na mesma empresa, ele ainda acorda cedo: se você chegar em casa as cinco e meia da manhã com certeza vai sentir o aroma do café fresquinho que ele provavelmente acabou de passar.

Ele pode não saber, mas encho a boca pra dizer que sou filha dele.
Ferreira no sangue!

Talvez por ver esse tamanho exemplo eu acredito que eu posso, ou na verdade, deveria, ser bem melhor. Na minha cabeça eu tenho que ser muito melhor, afinal tenho muito mais oportunidades. Me cobro de inúmeras coisas e no fim, acho que ele espera mais de mim.

E se tem algo que me mata é pensar se estou deixando a desejar na frente do meu herói.

2 de novembro de 2010

sobre Cecília e sua irmã perdida

Cecília é dessas moças apaixonadas, dessas que existem apenas no vão entre as palavras criadas na mente doente dessa que vos escreve. Dessas que vivem no vão das pernas de outras moças.
Cecília bebe todos os dias pra matar os vermes que corroem seu coração. Cecília escreve por entre folhas gastas de um velho caderno, deitada no chão.

Cecília foi desafeto, Foi desilusão.
Cecília diz que leva a vida a sério enquanto é confundida como das putas da augusta: meia arrastão, cigarro na boca e toda aquela marra de quem negocia o corpo como ninguém.

Cecília grita: Não fode. Cecília fode. Trepa. Faz amor.

Cecília tem uma irmã perdida. Quase uma alma gêmea. Ilusionista, a coitada. Ilude os corações dos moços da burguesia paulista. A irmã de Cecília não tem nome, mas é amorosa como ninguém.
A irmã de Cecília passou por aqui. Não deixou lembranças, nem deixará. Partiu ao amanhecer, foi na direção em que o vento tocou.

1 de novembro de 2010

brasa bem cuidada

Uma, duas, cinco ligações.
E meu maior desejo, hoje, era apenas desejar “Bom dia”, sem beijos meus, porque beijos nossos são melhores quando a proximidade é tanta, que minha pele chega a arrepiar-se com o toque da tua.

Gosto das nossas lembranças. Gosto de fechar os olhos e sentir de novo tuas mãos nos meus cabelos, bagunçando, alisando, confortando.
Gosto de rir de novo e de novo das formigas me atacando e você a rir, vendo graça no meu desespero.

Tenho comigo muita coisa boa, muita coisa que só foi possível depois que você passou a existir na minha vida. Por esses e outros objetivos me fiz forte.

Com o tempo aprendi que tem que querer. E eu quero. Posso não demonstrar, mas a chama ainda está viva. É como brasa, que quando bem cuidada volta a virar fogo.

27 de outubro de 2010

A guerra no tempo de Cecília

Senti saudades de Cecília. Não porque ela fosse boa companhia, mas porque seus problemas eram menores. Ou porque meus problemas com ela fossem menores.
Naquela época, feridas da guerra não sangravam tanto como sangram hoje. A batalha não era tão intensa e os inimigos eram reais e tinham nome. Nome e sobrenome. Hoje luto contra essa coisa invisível chamada dor.

Tornei-me Maria Dolores. Maria das dores indolores. Maria dessa cegueira branca tal qual Saramago escreveu. Essa coisa branca que envolve e cega. Faz-me bater na mesma tecla. Cecília limpava minhas feridas com álcool. José estava por perto nas horas difíceis. Era ele quem me apresentava novas raparigas. Dessas que todos desejam, mas que poucos se aproximam.

A guerra no tempo de Cecília não era tão dura.

24 de outubro de 2010

Sobre perguntas e respostas

Sabe, eu tinha e tenho tanta coisa pra te falar.
E tantos planos também. E de fato queria sua companhia ao meu lado. Mas acho que você já percebeu que eu gosto de gente que decide. E talvez tenha sido assim, com decisões, atitudes e mudanças que você tenha conquistado tudo aquilo que já conversamos, muito embora você fuja dessas conversas.

Você me conhece tão bem que sabe onde aperta o sapato, onde dói o calo. Às vezes acredito que justamente por isso você deveria saber que não gosto de incertezas ou inércia.

Se me perguntares o que eu quero, vou dizer: quero alguém que queira ficar comigo. Custe o que custar. Não deixo qualquer se aproximar. Sou chata. Pragmática. Um tanto quanto difícil de lidar. Não meço palavras. Não preciso de verdades pela metade. Nem de respostas pela metade. Quero um sim que seja sim um não que seja não e fim. Sem delongas, sem tempo pra pensar, sem enrolações.

Cresci. Envelheci ou tornei-me menos nova. Com o passar do tempo perdi aquela gana de conquistar a qualquer preço. Agora é “quer, quer. Não quer? Não me enrole”.

Eu sei o que eu tenho a oferecer. E sei que não é pouco e sei que é pleno.
Então não cobra de mim coisas que você não pode dar. Não me peça respostas pras perguntas que nem você sabe responder.

perdidas

Onde estão todas aquelas palavras que costumavam preencher esse vazio?


"O certo e o incerto, a gente vai saber..."

15 de outubro de 2010

(des)caminhos

caminhos e descaminhos não me levam à você
do nosso encontro: desencontros
sempre espero
sempre quero

sigo só
sigo em frente
sigo rente

nem tão perto que se possa tocar
nem tão distante que não se possa ver

14 de outubro de 2010

in verso

O inverso do verso não consigo escrever
O contrário do amor não é dor e nem mesmo saudade
Nos riffs da guitarra a melodia de mais um anoitecer

Mais um gole, mais uma taça
E lá se vai mais uma garrafa
Uma ordem: Não desfaça

A roda gira, a vida roda
O que quero é o entorno dos teus lábios
Nossos laços
Teus abraços

Outra música
Outra taça
O que sinto é um misto de saudade com sei lá o quê
O verso agora no inverso, não faz com que eu compreenda você

11 de outubro de 2010

antes da cama

Estou enrolando antes de aceitar a cama como o fim da noite de hoje. Ok, sei que não sem nem sete da noite, mas o cansaço mental tá maior do que o meu corpo pode suportar.

Pensei em escrever em inglês. Sabe como é, treinar um pouco e enrolar meus pensamentos também. Lembrei da proposta que uma vez fiz a minha terapeuta: fazermos uma sessão em inglês, coisa que obviamente ela não topou. Seria controle demais, seria fugir das reações e seria ficar medindo palavras.

Acho que eu sempre meço palavras. Por mais que eu diga coisas sem pensar, essas coisas sem pensar com certeza já estavam no "arquivinho" de coisas "sem pensar" que um dia podem (poderão) ser ditas. Entende?

Hoje foi, ou está sendo, um dia estranho. Eu não quero machucar ninguém. Mas também não quero que me machuquem.

Estou aleatória. Mais do que o de costume. Me sinto um caleidoscópio de sentimentos.
Aí eu fico girando, girando, girando.
Sei lá, acho que espero atitudes enérgicas, mesmo sabendo que no momento isso não resolveria absolutamente nada.

Confesso que estou remoendo coisas. Diversas. Boas e ruins, mas ruins principalmente. Eu preciso deitar. Preciso dormir.

Pena que meu sono não me leva de volta ao ponto em que eu gostaria que representasse o início de algo novo.

10 de outubro de 2010

sobre dúvidas e frustrações

Procuro palavras que não devem ser ditas. Procuro no silêncio uma lembrança que acalme o coração. Tudo é está confuso e turvo à minha frente.

Na verdade comecei a escrever estas palavras ainda na noite de ontem, quando eu achava que ainda tinha algo de certo na vida. Ou que eu pelo menos tinha um destino. Odeio promessas não cumpridas. Aí fico com esse gosto amargo na boca. Eu sempre tenho um motivo pra carregar esse sabor. É misto de todas as coisas ruins que ando sentindo nos últimos dias.
Tem horas em que me pergunto o que eu realmente quero para a minha vida. O pior é ter certeza do que eu quero e ter medo de “bancar” a minha atitude. Sou do tipo que aprendeu a não interferir na vida dos outros, mesmo interferindo. Sugiro minhas vontades, mas daí a fazer a escolha, não, não dá.

Se há algo que digo é que escolher sempre implica em abrir mão de algo. Talvez por isso minhas escolhas sejam veladas, é difícil abrir mão, mas no fundo eu sempre sei que se for preciso eu abro. Dói perceber que justo no momento em que eu precisava que abrissem mão de algo por mim, não o fizeram. Isso ainda está doendo. Isso está doendo de novo. É mágoa, é trauma, é sentimento de rejeição.
Aí fico aqui, escrevendo palavras sem rumo, como se isso estancasse essa tristeza que escorre aos litros por aí.
Por instantes tive certezas. Certezas tão grandes que me fariam “chutar o balde” em muito sentidos. Pena que foram apenas instantes.
Minha mania de querer controlar tudo, querer controlar todas as jogadas dessa coisa chamada vida, atrapalha quando não agem conforme o esperado. É eu sei, tenho que parar de criar tantas expectativas.

Às vezes me pego pensando se esses casais que são eternos apaixonados, desses que estão casados há tantos anos, se no início eles tinham dúvidas, fico me perguntando se sempre foram certezas. Respostas? Não sei quem as tem. Sei que no momento o que quero é distância daquilo que não me faz bem.

5 de outubro de 2010

Sobre a festa

Era mais uma entre tantas outras festas. Mais um casamento, não fosse a ausência de mensagens no celular, não fosse a diferença de idade entre os noivos, aquela seria uma noite como qualquer outra, mais uma entre tantas.

Seria mais uma noite onde eu explicaria o meu emprego e o porquê de eu trabalhar num horário doido, tudo isso pela enésima vez. Responder às mesmas perguntas às vezes (quase sempre) me cansa.

Os noivos, desta vez de outra cidade e não desta que habito, eram um casal diferente. Talvez o mais diferente que eu tenha tido a oportunidade de colocar sob o foco das minhas lentes. Ela com seus quarenta e poucos anos e ele recém-chegado à casa dos trinta. Já viviam juntos. Dizem que as pessoas quando convivem demais começam a ficar parecidas. Deve ser. O noivo é jovem, mas tem um semblante de pessoa responsável, sereno. A noiva não aparenta ter a idade que tem. Deve ser por ter ao seu lado uma fonte de juventude.

Poderia ser mais uma entre tantas festas. O fato do casal já viver junto por volta de quinze anos não deveria pesar. Era só uma festa. Era pra ser só uma festa.

Senti falta das mensagens de carinho que costumavam chegar em meu celular, e que eu furtivamente costumava me esforça pra responder.
Atrás da mesa do bolo reparei nas pessoas ali presentes. Dançando, bebendo, celebrando. E vi que aquilo era real. E era real porque todos compartilhavam da alegria daquele casal. Era de fato uma festa. Não era a continuação de uma cerimônia, não era “uma festa porque nos casamos”, não era apenas um protocolo, era de fato alegria esbanjada. Enquanto sentia a alegria das pessoas a minha frente, senti vontade de chorar. Contive-me. Mas a vontade ficou ali.
Chorei por dentro, enquanto me perguntava se algum dia eu celebraria algo parecido, enquanto perguntava a mim mesma se eu teria a oportunidade de viver uma felicidade tão real quanto a daquele casal tão diferente e ao mesmo tempo tão cúmplice.

Prometi a mim mesma que registraria os pensamentos surgidos naquele momento. Era uma emoção diferente. Alheia. Quiçá única. Agradeci por ter testemunhado tamanha alegria. Quero conquistar isso pra mim também...

28 de setembro de 2010

Café.

Enche, esvazia.
Enche e esvazia.
Ciclo de palavras.
Ciclo do café sobre a mesa...

Palavras vazias com gosto de café na boca.
Um aroma no ar. Talvez o cheiro de saudade.

As palavras fogem, deixam o vazio. Ouço a Chuva de Novembro que chega meses antes.
Passei o dia todo com café na cabeça. Várias ligações, várias lembranças.
E só lembranças não fazem com que o hoje seja melhor do que o ontem.

Enquanto a inércia me consome, despejo palavras no vazio. Pontuação falha, quiçá ortografia também. Não grafo, não gravo. Minha memória seletiva esta especialmente ruim hoje. Já não lembro dos sorrisos, nem os meus nem os teus.
Outro café. Sorriso amarelo.



*para ler ao som de November Rain – Guns ’n Roses
Aliás, a letra hoje é especialmente significativa.

27 de setembro de 2010

A voz do passarinho

Poder presenciar por mais de uma vez um show da doce Tiê, faz com que eu tenha a certeza de que cada nova data em sua turnê de Sweet Jardim é algo único e especial.

Com a leveza característica, Tiê deixa qualquer ambiente, tenha ele 50 ou 200 pessoas, aconchegante e próximo. Um tanto quanto íntimo, o que quase nos faz sentir que estamos numa rodinha de amigos com um violão à mão.

Há pouco mais de um ano conheci a sonoridade dela - que já fez turnê com Toquinho. “Assinado eu” marcou um dos foras mais mal sucedidos que tomei na vida. Depois disso, em vinte e oito de agosto, um cover de Cryin’ do Aerosmith fez com que eu me apaixonasse de vez perdidamente pela voz do passarinho.

Se não cantasse, é fato que Tiê poderia ganhar a vida no palco fazendo “stand up”. Tirar sarro de si mesma, esquecer as letras das próprias músicas, as conversas com Plínio Profeta – parceiro de palco e produtor do disco - contribuem para o riso intimista da plateia, que canta junto grande parte de suas músicas.

Na última sexta, pude conferir mais uma apresentação exclusiva (fotos aqui) no Sesc Ipiranga. Show com gostinho de "quero mais".

Ao final, chego a conclusão que não tem como não sair mais leve, quase voando de um show dessa paulistana.

A turnê de Sweet Jardim está quase no final, se você já viu, vá ver de novo. Se não, corra e apaixone-se você também.

Você acha a Tiê aqui:
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15 de setembro de 2010

sobre o trato

Quase cai da cadeira.
Mesmo carregando o celular tocou. Alonguei-me inteira para pegá-lo em cima da cama. Sabe essas ligações que você não espera, mas sorri sempre que recebe? Essa era mais uma daquelas.

O quarto quente se tornava ainda mais quente em tardes como aquela, tardes em que o sol incidia sem piedade alguma nas paredes e janelas.

O cômodo tão cômodo abrigava as memórias, as noites bem e mal dormidas. Abrigava lágrimas secas em cada canto, enquanto o travesseiro, confidente de tantas coisas, como por encanto, por vezes fazia com que o passar dos dias, o alternar entre “noite-e-dia-dia-e-noite-sem-cessar“, fazia com que essa rotina curasse algumas feridas, muito embora elas não fossem esquecidas.

A ligação durou os minutos permitidos. Seus efeitos porém estenderam-se por mais alguns instantes, alguns tantos instantes quantos os necessários para se perder a noção de tempo. O sorriso durou quase a mesma coisa.

Dez minutos. Era tudo o que ela tinha. Era o quanto lhe restava para colocar nas palavras coisas que ela já havia dito antes.
Dez minutos para lembrar das expectativas.
Dois dias para obter respostas. Ainda que as respostas pudessem vir a ser um silêncio constrangedor, um silêncio traduzido em partida.

5 de setembro de 2010

There can only be one

John Mayer cantarolando aqui na minha orelha. Suco de goiaba sobre a mesa. Uma bagunça sem fim na minha vida.

Friends, lovers or nothing, there can only be one…

E sabe, o amigo John tá mais do que certo.

3 de setembro de 2010

só faltou dizer

só faltou dizer que como todo ser humano: eu canso.
canso de tentar, canso de arrumar, canso de criar esperanças, expectativas.

canso de alimentar desejos.
canso de me frustar e canso de repetições que não agregam nada.

uncategorized

Sabe quando você começa a pouco se foder pra várias coisas?
Pois bem, relacionamentos estão entrando nesse mérito.

Sei lá se isso é fase, se estou ficando velha e ranzinza - da forma como minha mãe sempre praguejou que eu iria ficar – ou se está tudo tão chato e tão sem emoção que eu não sei mais o que eu quero.

Vamos aos fatos, e aqui faço uma espécie de comparação, tal qual acontece em “500 days of Summer “ entre realidade e expectativas.

O que eu quero (quero, queria, sei lá que tempo verbal está de acordo com as minhas vontades):

Namoro sério, desses de família. Sabe aquela coisa de almoçar na casa da sogra, trazer para almoçar em casa? Sabe aquela coisa de ter liberdade de ficar uma tarde inteira só vendo filme na sala? Apesar de não parecer, queria poder fazer essas coisas. Sem maiores dores de cabeça. Quero uma sogra que vá com a minha cara, que converse comigo e não uma que simplesmente me odeie só pelo fato de eu existir e habitar a face da Terra na mesma época na história do Universo e com uma localização geográfica que me dá a possibilidade de encontrar a doce criatura saída de suas entranhas.

Nunca curti pré-conceitos. Nem rótulos. E quando falo de rótulos digo com relação a pessoas. Porque rótulos em outras coisas é algo bem vindo. Por quê? Porque ajuda a organizar a vida. E coisas organizadas são mais fáceis de lidar. É mais prático. E querendo ou não a gente sempre categoriza as coisas. Mesmo as coisas que estão sem rótulo tem um rótulo, uma tag ou etiqueta, se assim você preferir. Ou você nunca ouviu falar em "uncategorized"? (pensando bem até dá pra colocar rótulo nas pessoas, mas são rótulos mutáveis, adaptáveis bla bla bla)

Acho que eu não tenho é paciência. Sabe, quando somos crianças temos aquela coisa de plantar o feijão no algodão e esperar, ver brotar, crescer e cuidar.

Rola todo um lance de descoberta. De expectativa. De ver como a coisa é, ir descobrindo. Eu já sei como o "feijão" brota. Não tenho mais a paciência de uma criança que não sabe como as coisas funcionam. Eu quero o feijão. Pode ser o feijão crú mesmo. Aí decido o que eu faço. Se faço doce, se faço tutu, feijoada - tudo bem que aí teria que ser feijão preto, mas enfim, vocês entenderam.

Gosto de estabilidade. De certezas. Eu sei o que eu quero. E justo por saber o que eu quero me dou o direito de me desviar no caminho, porque sei que o destino continua o mesmo.

O que não significa que eu queira pegar atalhos. Mas por que ir à 58km/h se dá pra ir a 60? Continua seguro, continua devagar, só não está quase parando.

Eu sou sistemática. Eu sei disso. E não tenho muita paciência também. Nunca escondi isso de ninguém. Quem me conhece sabe que quando eu me irrito eu chego "com um quente e dois fervendo". Ok, que é meio difícil me tirar do sério, mas depois que temos esse limite ultrapassado, ah menina...

Só que eu também não tenho paciência para ficar muito tempo brava, com raiva, com "mágoazinhas bobas." Ou seja, passou 15 minutos voltamos com a programação normal.

Sei que sai do "assunto" do post. Tudo bem. No final, de um jeito ou de outro, sempre fica tudo bem.

Eu só precisava escrever.

21 de agosto de 2010

não-soneto

Sonetos não sei escrever. O que sai são esses sons da minha boca, essas ligações de alguns segundos com o tão brega e clichê "é só pra dizer que eu te amo" ouvir o "eu também" e desligar.

Sonetos eu nunca tentei escrever. Me enrolo na métrica. O que eu sei somar é a tua vida na minha e nada mais. As sílabas que separo não são tônicas. O que eu conto é o tempo que falta pra rever teus olhos e reencontrar tua pele.

Essa coisa toda de poesia deixo de lado. Exceto o poeta. Esse muito me interessa.

12 de agosto de 2010

Folha SP: Autorregulamentação no jornalismo

É preciso deixar bem claro que toda interferência governamental no exercício do jornalismo está fadada à inconstitucionalidade

Democracias de verdade dispensam leis de imprensa. Valem para as empresas jornalísticas e os jornalistas as mesmas leis de danos morais que valem para a sociedade em geral.
Disse muito bem um grande jornalista brasileiro, Cláudio Abramo, num texto hoje já clássico, que "não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão". Lembrou Abramo: "O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer?
O cidadão não pode trair a palavra dada, não pode abusar da confiança do outro, não pode mentir".
Mesmo assim, diante da grande presença e da influência que têm os meios de comunicação nas democracias modernas, nelas os jornalistas, as empresas e as associações representativas do setor costumam definir princípios éticos que devem ser obedecidos no exercício da atividade.
De uma forma geral, são princípios que seguem a fórmula simples e evidente do mestre Abramo. No Brasil, muitas empresas jornalísticas têm seus códigos de ética. A Associação Nacional de Jornais também tem seu código de ética e autorregulamentação.
Com o fim da Lei de Imprensa que vigorava até o ano passado, tem crescido no país o debate sobre a necessidade de autorregulamentação mais efetiva do exercício do jornalismo.
Há quem fale em autorregulamentação como antídoto contra a criação de conselhos ou mecanismos chapa-branca de regulamentação, na linha de propostas tentadas nos últimos anos por grupos obscurantistas partidários do "controle social da mídia".
É preciso deixar bem claro que qualquer iniciativa de interferência de instâncias governamentais no exercício do jornalismo estará sempre fadada à inconstitucionalidade. Nossa Constituição é categórica no sentido de que a liberdade de expressão não pode sofrer nenhum tipo de restrição. Por isso, o Supremo Tribunal Federal acabou com a famigerada Lei de Imprensa.
De qualquer forma, contudo, é válido o debate sobre a autorregulamentação. Em outras democracias modernas, em diferentes graus e modelos, a autorregulamentação está institucionalizada.
Criou-se nesses países toda uma cultura de respeito a princípios éticos fundamentais para que o jornalismo siga cumprindo seu essencial papel na sociedade.
Mais do que a criação de uma instância de autorregulamentação, o que precisamos no Brasil é exatamente disseminar ainda mais a cultura de respeito aos princípios éticos do jornalismo.
Os cidadãos devem estar atentos para os códigos de ética de cada jornal, de cada veículo de comunicação, e cobrar que sejam seguidos. Não podemos nunca esquecer que a credibilidade é o maior patrimônio do jornalismo.
Em relação ao Judiciário, o fundamental é que nunca se avance contra os princípios da Constituição e se pratique a censura.
Todo o conceito de liberdade de expressão está baseado no fundamento de que qualquer punição nesse campo se dará sempre a posteriori. Afinal, acima de tudo, a sociedade tem direito à informação, sem restrições ou censura.
A democracia brasileira, da qual muito devemos nos orgulhar, é uma obra em progresso iniciada com a Constituição de 88. A liberdade de expressão consagrada nessa Constituição tem sido um elemento fundamental desse processo e assim deve permanecer.
Cabe avançarmos na cultura da autorregulamentação para valorizarmos o exercício do jornalismo com liberdade e responsabilidade.


_______________

JUDITH BRITO é presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.

Artigo publicado hoje na Folha.
E você acredita na autorregulamentação?

8 de agosto de 2010

Comma

Você me pede Leminski enquanto eu falo de Clarice. Como foi que nos conhecemos mesmo?
Somos os dois lados da mesma moeda. Negativo e positivo que se alternam, que se atraem.

A gente brinca de viver, brinca de relacionamento, brinca com os sentimentos...
Brinca enquanto faz sexo também, por que não?

Volto a pergunta: como foi que nos conhecemos mesmo? Será que a gente só se esbarrou por aí?

Você sabe que eu reparei primeiro e jurei não me apaixonar. Jurei. E, enquanto eu pude, tentei manter minha palavra.

Ontem eu estava brincando com comas. Com coma, comma e comas.
O verbo, o sinal e a pausa. Porque entrar em coma deve ser como dar uma pausa na vida.

Eu brinco com as palavras, você não vê?
Mando meus recados.
Chamo aos outros de loucos e digo meus impropérios. Brincando numa seriedade tão grande que praticamente me deixa nua...

Eu fiz promessas.
Você fez algumas também.

Às vezes só queria que você lembrasse as tuas palavras.
Logo você que escreve tanto quanto eu... Logo você, que escreve tão melhor...
Palavras, quando escritas assim, são como filhos: não tem como esquecer.

Eu não esqueceria um filho meu, um filho teu, um filho nosso.

...

Quase derrubei as cervejas que habitam minha mesa. Na verdade são garrafas. Vazias, impregnam o ar com o doce da cevada. Verdes, lembram que é preciso amadurecer. Alcoólicas, me embriagam enquanto tento afogar esse sentimento, esse vazio no peito.

“I was ready to give you my name...”

6 de agosto de 2010

Sopa de letrinhas

Resolvi admitir: essa tpm tá fodendo comigo. Isso mesmo: f-o-d-e-n-d-o. E não é no sentido legal da expressão. Esse mimimi eterno, essa sensibilidade toda à flor da pele, tudo isso não me pertence.
Faço dramas e mais dramas, Audrey Hepburn fica no chinelo. Nem Paola Bracho faz concorrência. Não que eu esteja atuando. Eu to é tomando autuações mesmo. Tudo culpa desse trânsito astrológico no qual eu não ponho um pingo da minha fé.

Estacionei em lugar proibido, aí tem essa lua fazendo um ângulo obtuso qualquer e obstruindo meu sol... Ah, mas o que eu quero mesmo é sombra e água fresca, merrrrmão.

Sinceramente ando é precisando dumas pinga, uns mé, sabe como é, né?
Preciso, preciso, preciso. Grito pra dentro minhas necessidades.

Tenho medo.
Um medo babaca e incoerente com a situação.
Alguém aqui dentro pode me ouvir?
Partindo do pressuposto que você mora no meu coração, será que você me ouve, câmbio?

Não, não e não, eu não desligo. Tua voz alimenta minha esperança.
Ouça querida, sabe as entrelinhas? Então, eu fiz a encomenda e ainda não chegou. O Amor não está muito bem hoje. Ele tem medo dos trovões, dos rojões. Tem medo do mundo.

Ora, ora. Amor, o cão covarde. Ah não, era Coragem... Coragem, o cão covarde.

O Amor fez amizade com o tigre. Coabitam. Às vezes acho que são gêmeos siameses. Mas só às vezes.

Esse mundo tá confuso demais e eu to me sentindo sozinha.
Eu to chorando sozinha.
Cansa ser gente grande.

Você me vê, mas você não me nota.
Dó, ré, mi... Um grande surto em mim.

Essas palavras vão saindo e arrancando minha carne.
O Amor escondeu-se novamente embaixo da cama.
Preciso das entrelinhas para tira-lo de lá. Me ajuda?

Novo surto, novas linhas vão surgindo.
Vou vomitando essa sopa de letrinhas mal digeridas, mal escritas, mal cozidas, mal cosidas.

Preciso de um amplexo amplo, um amplo amplexo. Ampliar meus horizontes.
Desculpa, eu não fui ao sebo conforme lhe dizia. Mas ainda quero ser um pouco mais parte do teu mundo.

Vem ser parte do meu?
Ah esse surto... Esse medo. Eu odeio sentir medo. E eu estou com medo agora. Medo dessa fraqueza, medo dessa minha fragilidade, medo de me machucar...

Repete que vai ficar tudo bem? Diz de novo aquele “eu te amo” que você jura que é só pra mim, diz?

E me desculpa por não ser sempre tão forte.

Sobre o recado

Acho que ainda não entenderam o recado.
Preciso registrar isso.

O cão que ladra não morde.
No meu braço jaz a marca da arcada dentária pressionada contra minha pele.
Não ladrou, não roubou, apenas marcou.

Saudade absurda.
Palavras desconexas.
Lágrimas...

Ainda procuro... Ainda espero.

5 de agosto de 2010

Um cão chamado Amor...

Preciso de entrelinhas. Nosso Amor se alimenta delas, esqueceu?
Na verdade, o meu Amor necessita delas... Ainda hoje conseguimos uma dose, o que faz com que ele - o Amor - tenha uma sobrevida de algumas semanas.

Não sei qual tipo de entrelinhas você tem disponível aí com você, então por via das dúvidas mande todas assim que possível.

Não que o Amor esteja fraco ou algo do tipo, é que este frio todo e essa distância, que já dura mais de uma semana, faz com que o Amor fique extremamente sensível e até mesmo um pouco tímido. Tão tímido que ao perceber que tem alguém por perto, corre e esconde-se embaixo da cama.

O Amor anda bobo.
Hoje, com as ligações, corria de um lado a outro do escritório. O exercício aqueceu o coração.

Mas o médico pediu que continuemos com as entrelinhas...
Lembra daquele papo de fisioterapia? Então...

Quero ver se consigo treina-lo para que busque além de jornais, livros.
Se bem que o livro que anda me interessando mesmo é aquela biografia, aqueles contos de humor que pensamos em escrever...

Não sei como serão os próximo dias.
Acredito que amanhã fará frio...
Talvez mais frio do que hoje, mas nem ligo.
Abraços costumam esquentar dias assim tão frios.
Longos e aconchegantes. Os melhores abraços. E com amor no meio, é lógico.
Ih! Você esqueceu as entrelinhas? Tudo bem eu trouxe algumas aqui comigo.
Escrevo-as da mesma maneira que confesso meus sentimentos por aí.

31 de julho de 2010

Circun...

Amanheci com esse gosto amargo na boca, esse ciúme mal digerido que insisto em arrotar enquanto me olho ao espelho.
Pernas finas, hein garota? Essas pernas que, mesmo finas, são recheadas de tanta loucura não te levarão a lugar algum/nenhum/a algum lugar. Elas apenas fazem com que o rastro da falta de razão fique maior. Como um raio, aumentando o diâmetro das coisas, dos problemas, das minhas dores de cabeça.

Não quero círculos, não quero ciclos, não quero circo. Cansei de palhaços, bailarinas, equilibristas na corda bamba. Cansei do cai-não-cai-quase-cai, cansei da plateia que, diferentemente e exclusivamente neste caso, insiste em ver desgraça e dor, que insiste em querer ver o circo/círculo/ciclo pegar fogo.

Eu quero a volta. Eu quero envolta, o entorno, o terno. Quero os meus braços, meus laços, tudo isso, misturado com as coisas e a vida da Realeza que doma e deixa manso o tigre. O sangue azul, capaz de ser visto correndo pelas veias através da pele tão branca e tão macia, carrega a chave do reino desconhecido.

Quero um espetáculo de amor, não uma peça de teatro, não um romance-policial, não uma ficção. Quero a biografia autorizada desse amor.

...

Amanheci com esse gosto amargo na boca, esse teu medo de ser feliz espalhado no céu da minha boca.

A balança sempre pesa pra um lado, fica em cima o lado vazio.
Agora eu quero ficar por baixo.

28 de julho de 2010

...

Sabe, em momentos assim, em momentos onde só existe eu e você, e mais ninguém, onde só o nosso riso intercala com nossos gemidos, em momentos onde tudo é prazer, nesses momentos que eu fico repetindo non-stop aqui na minha cabeça, sabe, esses momentos é que fazem a vida valer a pena.

Pelo menos a minha vida vale mais a pena.
Aí qualquer loucura paga o preço desse amor.
Aí o preço ainda é barato pro tanto de coisa que eu levo pra casa depois. E eu levo esse sorriso, e a certeza de que não é e não será em vão.

Sabe, eu não tenho do que reclamar.
Eu sou feliz quando sinto teus lábios tocando meu ombro entre um "eu te amo" e outro.
Sou feliz quando escrevo essas ficções baseadas na minha vã imaginação.

Sou feliz quando invento uma vida e me percebo vivendo-a.
Sou feliz quando me vejo nos teus olhos, ainda que essa seja só mais uma cena do nosso roteiro que ainda não foi gravada.

24 de julho de 2010

Outro dia

Um dia, acordei, vi o sol nascer e decidi que assim seria. E assim foi.
Hoje é outro dia.
Decidi.

Assim vai ser.

...

Vou dizer que inventei o amor. Que criei você.
Vou dizer que inventei o amor, você e a dor. Na verdade, a dor é só quando você está longe. E estar longe não quer dizer distante. E junto não quer dizer perto, por mais que a distância, neste exato momento, seja o que mais me dói.
 
Vou dizer que te criei só pra mim, que te fiz personagem dos meus romances, dos meu enlaces, das minhas histórias. Quem sabe até dos meus rolos. Na verdade eu gosto mesmo é quando a gente se enrola e rola pela cama, pelo chão, pelo tapete da sala, pela escada, pelos ares...
 
Vou dizer por aí que somos um pronome. Que somos um verbo. Que encarnamos as dores, os amores, as criações mais bizarras. Vou dizer que somos um conto de fadas, uma fábula, uma história baseada em fatos reais. Tão reais quanto as lágrimas que escorrem quando a saudade aperta.
 
Vou dizer que não me importo, vou dizer que desisto quando tudo o que eu mais quero é insistir nessa coisa de te conquistar cada dia um pouco mais, mas eu não minto, então não vou dizer isso...
 
Vou dizer que não dá mais. E de fato, não dá. Não dá pra ficar sem teu sorriso, sem teu cheiro, sem tua pele, sem teu toque. Não dá pra esperar amanhã, na verdade não consigo esperar nem mais meia hora, trinta minutos contados no relógio, não dá pra esperar pra dizer que é de verdade, que é pra valer, que esse amor veio e tomou conta do que eu sou e principalmente: do que eu quero ser.
 
Vão dizer que eu não presto. Mas você me testa, você me prova, você me aprova. Vão dizer que eu não existo, vão dizer que eu não persisto, vão dizer que não dá certo, que é incerto.
 
Vão dizer que é errado.
 
Mas de que nos importa?
Sabe o que importa? Eu vou te dizer: O que importa é aquilo que a gente já sabe e que, de tão bom, ninguém mais vai provar...

23 de julho de 2010

Sobre a boca

Não me censura, amor. Não pousa esses dedos sobre a minha boca, querendo calar-me. Me deixa gritar, me deixa sair na rua nua gritando teu nome e falando do nosso amor pelo mundo afora.
Ok, eu sei que sou exagerada. E você sabe que quando eu quero eu sou sensata. Eu quero ser sensata sempre que você está por perto. E quando você não está também.
 
Não me censura, meu amor. Não me olha com estes teus olhinhos de jabuticaba, com essa cara de fruta madura que me dá vontade de morder, e arder em desejo. Deixa que eu me calo sozinha enquanto tua voz inunda meus ouvidos e me conta teus segredos. Me deixa com essa cara de boba, essa que você diz ser fofa...
 
Eu sonhei outra vez com o nosso apartamento e com aquele fim de semana na serra. Não me pede pra calar-me quando coloco num outdoor nossos planos. Deixa esse povo morrer de inveja que ainda ontem comprei num lugar escondido uma caixa daquele colírio diet, aquele bom pra olho-gordo.
 
Quanto aos teus dedos, esses que pressionam levemente a minha boca num “xiu” fofo e delicado, escorrega com eles pelo meu corpo e me faz uma massagem, os últimos dias estão puxados, você bem sabe... Dá me aquela dose de carinho capaz de curar qualquer ferida, capaz de dar vida nova à fênix.
 
Cala a minha boca com a tua boca e beija-me como se não houvesse amanhã. Gosto dos nosso beijos, úmidos, intensos e duradouros. Gosto de estremecer em tuas mãos e desejar mais uma, duas, quinze horas, semanas, séculos ao teu lado. Uma vida inteira ainda é pouco pro que temos pra viver.

21 de julho de 2010

O necessário

Preciso deixar de lado essas dores.
Esses amores.
Essas dores desses amores.

Dissabores.

Diferentes. Dia e noite.

Preciso da cura, da presença. Do abraço que quando presente cura qualquer dor, qualquer amor.
Preciso eliminar esse vazio que a ausência faz presente.
Preencher qualquer lacuna, essa lacuna, espuma do mar que arrebenta contra as pedras... Preencher este espaço entre meus braços, esse vão, essa coisa pulando e pedindo a todo instante pra não ser mais uma vã história.

Preciso provar pra alguém, pra ninguém, pra todo mundo, pra ESSE mundo dentro de mim, dentro de ti, que todo esforço vale a pena.

Dar um tiro na dúvida, atirar-se de cabeça, da cabeça aos pés, enlouquecida, ensandecida, enfurecida, com toda raiva/vontade/amor desse mundo.

Fazer sexo, fazer amor, dar e comer, meter, foder... usar todas as palavras, preposições, verbos e suas conjugações, desculpas e disposições: na cama, sob a cama, acima e abaixo do sol, na cozinha, na escada, fazer da emergência uma urgência e urgir, gritar esparramar. No final tomar um café pra adoçar a vida com o gosto amargo e forte da bebida.

Necessidades desnecessárias. Importâncias. Cada qual em seu lugar...
E essa eloquência, essas palavras cuspidas na penumbra, escarradas na folha em branco, vomitadas... Tudo isso há de aliviar, por alguns instantes, por breves segundos, essas vontades que insistem em nascer no meu peito feito erva daninha...

10 de julho de 2010

A morte anunciada do Zé

O Zé tá morrendo. Tá nas últimas. Não sei se você ficou sabendo, mas ele desistiu dessa vida, quer sair da bagunça, virou homem sério, continua sendo o macho alfa de sempre, todo orgulhoso, desses, que acha uma ofensa a dama pagar as contas, desses que se orgulha de abrir a porta do carro, puxar a cadeira, enfim, o Zé agora diz que quer tomar rumo na vida, casar, ter filhos, essas coisas...

Anda cabisbaixo, coitado.
O Zé pediu pra falar que está desenganado da vida. Diz ele que, agora, é José, como o Saramago - que vai escrevendo, escrevendo, escrevendo - o Zé vai vivendo, vivendo, e amadurecendo. Vai sendo. E quanto mais o Zé vive, mais ele vê que não quer viver. O Zé amadurece, cai, feito fruta madura. E quanto mais saborosa fica a fruta, mais perto do fim, fica o Zé.

Mas deixa o ex-Zé pra lá. Ele está morrendo mesmo.

9 de julho de 2010

O muro voltou

Coloquei Cazuza só pra ver se bate uma "vibe" meio Caio F. pra escrever. Me dei conta que não, não vou conseguir escrever, não tenho tanto talento não tenho tantas dores, não tenho essa coisa fodida de ir escrevendo, escrevendo e pá pum, tá pronto. Pra falar a verdade eu nem tenho pretensões com essa escrita torta, errada, essa escrita às avessas.

Ai Cazuza canta Ritual. Eu me perco nas palavras enquanto presto atenção na letra "O amor na prática é sempre ao contrário...".

Fico surda, canto junto. Uso fones. Não consigo mais ouvir nas caixas de som as minhas músicas favoritas. Quero tudo dentro, quero a música dentro de mim junto com os fones, quero me isolar do mundo lá fora, me fechar dentro de mim mesma.

É estranho, parece que ando prendendo até as palavras dentro de mim: gaguejo, troco letras. Eu não era assim.

Eu ergo muros, lembra? E entrego as chaves dessa pseudo fortaleza pra poucas pessoas.
Eu tinha mais palavras, eu juro que eu tinha. Mas o Cazuza, ah o Cazuza...

Aí eu fico aqui, dando voltas...
circulando, circulando... pensando nas nossas lembranças, me perguntando se você ainda pensa nelas também... Vou enchendo de reticências essa história que não sei onde vai chegar. Esse "bad romance" que a gente vive, que a gente insiste em deixar no looping.

O sono dá sinal de vida, eu vou narrando, contando, proseando com meus amigos invisíveis.

Vejo fotos. Ela é feia. Eu a acho feia.

Troco a aba. Escondo meus olhos embaixo do chapéu.
Leio coisas que não são minhas, mas que eu sei que eram pra mim. Volto ao passado, dou um pulo em 2007 e... e... E vazio, né? Vazio. Nem ao menos uma palavra a ser dita hoje sobre 2007.

Dois mil e sete. No ano de dois mil e sete eu tinha certezas. Não eram as melhores, não eram tantas, não eram nem sete, mas eram, e o fato de serem, serem ou estarem, bem... Esse fato me deixava em paz.

O que eu tenho hoje?
Eu tenho esse muro. Esse muro enorme, essa coisa sensível dentro de mim, essa criatura que mora dentro dos muros, dentro da fortaleza. Tenho a Fera. Sou como a Fera. Um tigre, lembra? Você lembra de como eu dizia que não estava apaixonada? Rio sozinha. Só rio. Sorrio.

A água da lágrima traz a lembrança e leva o pensamento, a cabeça e tudo mais o que eu tenho aqui, agora, pra perto de ti.

6 de julho de 2010

Aquelas pernas

As pernas passam e levam junto meus pensamentos. Pé ante pé.

Passo a passo, repasso os últimos acontecimentos.

O par de pernas volta. Meu par de olhos acompanha. Quero de volta meu fuso horário japonês, horário que me faz dar boa noite quando o correto é dar bom dia.

Pergunto-me o que será agora daquelas serenatas. Aquelas que ficaram só nos meus planos. Planos que são muitos. Que eram de uma vida toda. Histórias para dormir, reuniões no colégio dos filhos.

Detalhes.
Cada vírgula fantasiada na minha cabeça inconsequente, juvenil.
As pernas passeiam. Minhas pernas não me levam a lugar algum.

Faço coisas que nem sei por quê, coisas que não sei como explicar.

30 de junho de 2010

É

Tantas e tantas são as palavras que brotam no silêncio de mais uma manhã.
Tantos os clichês que insistem em aparecer pra falar de amor.

Brega. O amor é brega em sua essência. Brega e bobo. Brega, bobo e bom.
Traz consigo uma leveza, uma paz, algo que só um sorriso sincero consegue traduzir. Um sorriso bobo, que perdura por horas a fio, sorriso que faz companhia à ausência do teu repouso, ausência do teu silêncio.

Vivo disso. Vivo de traduzir em palavras, sorrisos, ações, vivo traduzindo pensamentos em outras coisas, sentimentos em preocupações, frio em arrepios. Traduzo também tesão em arrepios.

Não quero fazer sentido. O sentido que eu quero é caminhar na tua direção.
É ir, e saber que você vem ao meu encontro. É me jogar, mesmo. De verdade verdadeira.

Cem, duzentos, mil por cento. De corpo inteiro. De alma entregue.
De coração lavado; lavado, curado e bem tratado.

Brotam.
As palavras brotam. Brotam e vão surgindo linhas e mais linhas. Sem nexo, sem coesão. Amar não faz sentido, não tem que fazer sentido, não tem que ter (muita) razão.

É. É e ponto final.

28 de junho de 2010

...

A sede daqueles beijos urge em meu corpo.
Cada marca tua, cada marca nossa, cada lembrança maltrata ainda mais, deixa no peito esse vazio insaciável.

Vou preenchendo com palavras esse vazio, característico dos momentos em que não posso te ouvir, momentos em que não posso sentir tua pele junto a minha.

Vou escrevendo, registrando os desejos, os planos e os sonhos.
Aí percebo que não preciso sonhar, o primeiro passo já é realidade.

25 de junho de 2010

Elas

Parcas, poucas e confusas palavras
e s p a ç a d a s
Jogadas ao acaso, ao espaço
Ao lugar onde não consigo colocar um nome

Palavras de amor, de ódio, de raiva ou saudade
Versos que vem e vão para outra cidade

Repetidas
Com ou sem nexo
Repetidas, eu disse
Incansavelmente, inconstantemente, aleatoriamente

Colocadas no lugar das doces declarações de amor
No lugar de toda aquela dor
Posicionadas incorretamente, sim senhor.

Sem medidas
Como aquele sentimento
Como a fome que meu corpo sente do teu

23 de junho de 2010

Proa e vela

Das palavras não escritas me desfaço
sou prosa e não poesia
Sou proa; você, vela
Você na cor: branco, eu no verbo: o teu sono.



Você toca, eu sigo
Você pede, eu fico
Eu vou, volto, fico, cuido
Descuido-me também



Faço uma prece
Digo amém

Sou prosa
em minhas conversas nunca coloco um fim

17 de junho de 2010

Cataratas

Não construir rimas, não escrever palavras sem sentido ou vazias.
O que escrevo é reflexo da vida que levo, da vida que me permito levar. Se bem que cada palavra carrega seu significado, mesmo que desnecessário seja explicar o sentido da coisa.

O tempo tem sido gracioso comigo. Como uma catarata ao contrário, minha visão torna-se cada dia mais límpida.

Ainda levo os velhos óculos, aquele de lentes riscadas. Ainda vejo as mesmas pessoas, agora mais velhas, não tão maduras, mas acrescida das marcas que o tempo insistiu em deixar. Ainda enxergo tudo embaçado por conta do astigmatismo que sempre me acompanhou, mas a visão que melhora, a das cataras invertidas, é aquela que vê além, que não vê só os corpos, não só o físico.

Confesso evitar os questionamentos que o coração me tem proposto. Não sei se me apego às possíveis consequências ou se vou vivendo um dia de cada vez, como se não houvesse amanhã, como se eu nunca tivesse me machucado.

Telefonemas alegram o dia. O velho sorriso bobo dá as caras e dura por alguns minutos: os instantes necessários para escrever estas palavras.

“Alguém bateu com a cabeça” digo a mim mesma em voz baixa.
A vida dá voltas. Gira em torno de si mesma e retorna sem explicar-se.
Bailarina graciosa com suas piruetas pelo ar. Movimentos repetitivos e chegaremos à perfeição. Relacionar-se é dançar no mesmo ritmo.

- Vem cá, me deixa te conduzir.
- Para onde vamos?
- O destino é incerto, vamos apenas dançar. Vem, segura minha mão. Confia?
- Não sei se consigo.
- Nem eu, mas o que temos a perder? Eu também tenho medo.

14 de junho de 2010

#musicmonday

Não deixe um sussurro te assustar
Nem pense como eles vão pensar
Só ouça o nosso coração bater
Não precisa dizer nada, eles nunca vão saber

Sandy e Jr - Alguém como você

10 de junho de 2010

Música do dia: Cordão

Ninguém
Ninguém vai me segurar
Ninguém há de me fechar
As portas do coração
Ninguém
Ninguém vai me sujeitar
A trancar no peito a minha paixão

Eu não
Eu não vou desesperar
Eu não vou renunciar
Fugir
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir

Ninguém
Ninguém vai me ver sofrer
Ninguém vai me surpreender
Na noite da solidão
Pois quem
Tiver nada pra perder
Vai formar comigo o imenso cordão

E então
Quero ver o vendaval
Quero ver o carnaval
Sair
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Alguém vai ter que me ouvir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder seguir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder...

Chico Buarque - Cordão
foto:/zylenia

9 de junho de 2010

"Cartolando"

Não quero mais
Amar a ninguém
Não fui feliz
O destino não quis
O meu primeiro amor
Morreu como a flor
Ainda em botão
Deixando espinhos
Que dilaceram meu coração


Não quero mais!

6 de junho de 2010

Roleta russa...

Acordei de sobressalto, as palavras queriam sair e não me deixaram dormir nem por mais um segundo. Era urgente. É urgente.
Como num sonho, pulei da cama e cheguei até aqui. Comecei traduzir os sentimentos desse jeito que só eu sei.
Perfeição não existe, celebramos as coisas erradas.
E de fato há muita estupidez humana, há ódio entre as nações. E eu entendo as proporções. Se dois indivíduos não conseguem se respeitar ainda quando dizem haver amor, imagine quando há disputa pelo poder?
Sonhei. Na verdade não sei se foi sonho, ou se foi eco das palavras escutadas, anos atrás, momentos atrás: já não importa.
A vida é um ciclo. Não só a minha vida, mas a vida de todos. Sem exceções. E tudo que vai, volta de um jeito ou de outro, seja igualzinho ao que aconteceu antes, seja uma mera adaptação, o roteiro já está escrito. Outros atores, um ou outro personagem a mais ou a menos.
Passo a ter medo do que vem pela frente. Eu sempre temi meu sexto sentido. Acho que sei por que ele é tão forte, no fim eu já vi tudo isso acontecendo. Numa outra perspectiva é verdade, mas vi.
Olho ao redor, vejo os outros envolvidos naquilo que chamo de passado, naquilo que chamo de vida, percebo que a “roda da vida” também girou para eles. Situações conhecidas, papéis diferentes.
E isso não é uma maldição, mas vejo choro e ranger de dentes. E não consigo ficar em paz.
É isso que me falta: paz. É a falta de paz que me tira o sono.

4 de junho de 2010

Another sunset

Another sunset was entering at my room.
While the birds were coming back to their nests, I started to think about us again.

Are we like birds? We have nests? Am I your house?
Could you, please, come back to our house? These and other questions, full-off my head. My dirty head.

Singing with Anthony Kiedis. Singing and sharing this lonely view.

My English is too bad for writing. My feelings are too bad for life.

3 de junho de 2010

Sunset

É de tarde e a solidão invade o quarto junto com os últimos raios de sol do dia.
Conto os minutos para que a cama me abrace novamente e eu volte a sonhar com os teus beijos, com os nossos beijos.
Verde, vermelho, não importa, a vida contigo não é preto-e-branco.

Levo no olhar um sorriso teu.
Na alma, o teu cheiro. Lembranças que insistem em rondar a minha cabeça.
Desejos.

Lentamente a noite vai chegando e se acomodando, a escuridão e o frio pedem o calor dos corpos.

Distância.
Mensagens. Eu ainda te sinto aqui comigo.

26 de maio de 2010

Não pense nisso...


"Acontece que odeio festas de Ano Novo. Todo mundo desesperado para se divertir. Tentando comemorar de algum modo patético. Comemorar o quê? Um passo mais perto da sepultura?

É por isso que não me canso de dizer, qualquer amor que possa receber e dar, qualquer felicidade que possa se apropriar ou fornecer, cada breve gesto gentil, tudo pode dar certo. E que ninguém se engane, nem tudo depende da genialidade humana.

A maior parte de sua existência é mais sorte do que gostaria de admitir.
Cristo, você sabe as chances de um esperma do seu pai, entre bilhões, encontrar o único óvulo que fez você?

Não pense sobre isso, você terá um ataque de pânico."


mais uma parte do filme de ontem

25 de maio de 2010

Whatever works...

- Casei com você pelas razões erradas.
- O que quer dizer isso?
- Você é brilhante. Eu queria alguém para conversar. Você amava música clássica, arte, literatura. Você amava sexo! Você me   amava!
- Essas me parecem ser boas razões!
- Sim! Exatamente! Esse é o problema! É esse o problema! Foi racional, isso faz sentido!
- Não sei o que deu errado.
- Quando se examina isso mais de perto, há muito em comum entre nós. Na teoria, somos perfeitos.

Mas a vida não é só teoria.

do filme: Whatever Works, do - mais uma vez - brilhante Woody Allen

17 de maio de 2010

Música do dia - Foto Polaróide

Isabella Taviani resolveu cantar a trilha sonora da segunda-feira da fotógrafa que vos fala... segue a letra...


Sabe o que me cansa?
São essas suas palavras que eu tenho que arrancar
do meio da tua garganta, criança
Que eu tenho que trazer de dentro do teu peito,
Perfeito!

Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo
Desaparecendo, como uma foto de Polaroid
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo.

Sabe o que me mata?
São os teus olhos de vidraça
Fosca, embaçada à jato de areia
De onde não mina uma lágrima
Teu olho turmalina pedra muito negra
Como esse tal amor por mim.

Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo
Desaparecendo, como uma foto de Polaroid
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo.

Sabe, eu odeio, odeio
Adorar teu jeito simples de viver
Ver você sorrindo assim loucamente
Quando estou aqui presente
Sentir as tuas pernas trêmulas
Depois do prazer satisfeito
E é por isso que eu não aceito,eu não aceito não,
Ver você assim retrocedendo
Abrindo mão dos sonhos, fantasias
Por essa covarde, covardia
Muito menos pagando o preço dos nossos pecados
Nem se fosse dez centavos.

Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo
Desaparecendo, como uma foto de Polaroid
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo.
Não veio...

12 de maio de 2010

Música do dia...

Sem Palavras - Móveis Coloniais de Acaju

Eu sei que nada tenho a dizer,
Mas acabei dizendo sem querer
Palavra bandida!
Sempre arruma um jeito de escapar (hum!)

Seria tudo muito melhor
Se a música falasse por si só
Dá raiva da vida
Nada existe sem classificar (não!)

Penso, tento
Achar palavras pro meu sentimento
Tanto é pouco, nada diz
Não é triste, nem feliz

Mesmo sendo
Um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais

Pensei em mil palavras, e enfim
Nenhuma das palavras coube em mim
Não vejo saída
Como vou dizer sem me calar?

Diria mudo tudo o que faz
Minha vida andar de frente para trás
Uma frase perdida
Num discurso feito de olhar

Penso, tento
Achar palavras pro meu sentimento
Tanto é pouco, nada diz
Não é triste, nem feliz

Mesmo sendo
Um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais

Não é medo, nem é riso
Não é raso, não é pouco, nem é oco
Não é fato, nem é mito
Não é raro, não é tolo, não é louco
Não é isso, não é rouco
Não é fraco, não é dito, não é morto
Não, não, não, não!

Eu sei que nada tenho a dizer
Pensei em mil palavras, e enfim
Seria tudo muito melhor
Pensei
Seria
Se um dia alguém puder me entende

11 de maio de 2010

Alimentando-se de luz

Muita gente bem que queria uma dieta como essa, né não?

Mas lendo a Folha de SP hoje, olha o que eu encontrei:
Indiano que "não come nem bebe nada" intriga cientistas
DA REDAÇÃO

Um iogue octogenário que diz ter vivido mais de sete décadas sem beber ou comer tem causado espanto em cientistas da Índia.
Prahlad Jani, 83, passou duas semanas sob constante observação de 30 médicos e de câmeras de filmagem, em estudo que terminou na última quinta. No período, ele não ingeriu nada, não urinou nem defecou, segundo os observadores. "Continuamos sem saber como ele sobrevive. É um mistério", disse Sudhir Shah, neurologista.
"O único contato de Jani com líquidos foi para fazer gargarejos ou se lavar", disse G. Ilavazahagan, especialista em fisiologia. "Se ele não tira sua energia dos alimentos ou da água, deve tirá-la de outras fontes, e o sol é uma delas", ponderou Shah.
O estudo foi conduzido pelo Ministério da Defesa, que quer tirar de Jani lições sobre sobrevivência para militares e vítimas de tragédias naturais. Os resultados finais são prometidos para os próximos meses.
Em sua aldeia natal de Ambaji (norte), o iogue alega que foi abençoado por uma deusa quando tinha oito anos e que isso lhe permite viver sem alimentos.
Em 2003, segundo a BBC, ele já passara dez dias sob observação de uma equipe médica, também sem consumir nada, mas apresentando boa saúde mental e física.

5 de maio de 2010

Asinha quebrada

Encontrei aquela "nossa" foto hoje.
Aquela com roupas espalhadas pelo chão. Retrato de mais uma entre tantas noites de amor e sexo, de sexo com amor, de sexo apenas. Registro da nossa devassidão, do nosso desejo, da sede dos nossos corpos...

Encontrei também aquelas mensagens no meu celular.

Cheguei a conclusão de que eram duas pessoas completamente diferentes de quem somos hoje. Talvez por isso voltar ao passado tenha se tornado impossível. E quer saber? Não fiquei triste, não chorei, não quis voltar, não senti falta.

Pra falar a verdade - eu sempre falo a verdade - nem sei porque estou escrevendo essas palavras embaçadas.
Sim, porque eu estou sem óculos, e não vejo direito o mundo ao meu redor, muito menos enxergo com clareza as palavras que meus dedos vão digitando. E pra ser sincera, eu sempre sou sincera, eu acho que... acho que deveria tomar meu banho, perfumar minha pele e sair para ver o mar.

A noite está quente e abafada, diferente das manhãs frias e secas.
Minha boca arde, não pelo desejo dos teus beijos, mas porque a sinusite atacou novamente e o médico receitou os mesmos remédios de sempre. Aí fico assim: sem fôlego por nada.

Quanto ao coração, eu mesma me receitei os mesmos remédios de sempre: amor-próprio.

Pareço um passarinho com uma asa quebrada.

Uma só asa quebrada... Uma asa só... Uma casa, só. Casa. Só.
E não tem como não lembrar dela, da senhorita Furtado. "I'm like a bird, I always fly away... I don't know where my home is..."

Minha asa é meu coração. Não que eu tenha dois corações, eu sei que essa foi uma comparação boba...

Se bem que às vezes parece, sim, que eu tenho dois, desse que todo mundo julga ser o órgão responsável pelas emoções. Aliás, acho que a cabeça fica acima dele justamente por uma questão de hierarquia, pra dizer quem manda.

No meu caso não adianta muito, não: Eu sempre fui criança levada, dessas que sobem em árvores, se escondem por tardes inteiras, dessas que ralam o joelho-cotovelo-extremidade-qualquer de tanto brincar, sempre fui de questionar as ordens, as regras, por mais que no fim eu tenha cumprido com (quase) todas elas... E nessas peraltices eu nunca quebrei nada. Só o coração. Quebrei por ter esquecido que o bichinho é frágil feito asa de passarinho. Talvez eu quisesse voar mais longe e mais alto do que minhas pobres asinhas aguentavam. Talvez...

Ou talvez o meu erro tenha sido flor de lis.

Olha, eu não quero me estender muito não, sei que to meio Alice hoje, que qualquer lugar está bom, mas não pode ser assim, não deve ser assim, não vai ser assim.

As palavras hoje parecem ter bebido (ou seria comido? eu nunca lembro, eu sempre me confundo) aquela coisa/líquido e estão crescendo assustadoramente.

É melhor eu me despedir, encerrar por aqui. Preciso dormir para ver o sol nascer.

27 de abril de 2010

Recomeço, ponto

A palavra surge em meio a mais uma entre tantas músicas.
Afinal o que é começar de novo? É começar do zero? É fazer tudo de novo?

É mudar?

O coração segue de um jeito que faz com que eu acredite que está tudo melhor assim.
Não que o passado sejam apenas reclamações, não, não é isso. Só acho que assim, por enquanto está melhor.

"E eu vou tratá-la bem, pra que ela não tenha medo, quando começar a conhecer os meus segredos" canta Frejat com sua voz grave.

Sobre a mesa o copo plástico com restos de café. As fotos que não minhas, as memórias que não são minhas, a vida da qual não faço parte.

A vida segue. Pra onde?
Por que?

"Lágrimas são água..." passa a música, passa o tempo.

Esse vazio, apesar de bom, me incomoda.

E esse incomodo me faz ficar olhando por minutos a fio sem saber o que escrever. E não saber o que escrever é tortura. Eu sempre fui de falar, eu sempre fui de colocar pra fora...

No fundo sei que essa ansiedade, essa coisa de deixar o tempo esperar é que me mata... Eu sempre quero fazer acontecer e agora, de novo, estou deixando acontecer.

25 de abril de 2010

Bom dia

Shut up and let me go! Hey...

O domingo amanheceu sem que eu percebesse. A janela fechada do escritório impedia a luz de fazer a sua entrada, sempre tão esplendida. Quando me dei conta, já eram seis e tantas da manhã.

Entre as notícias, entre tantas palavras, procurei alguma coisa que preenchesse o vazio do estômago, quiçá esquentasse a alma.

How bizarre, how bizarre dizia a música, dando a impressão que falava da minha vida, que realmente anda bizarra.

Passado e presente se misturando, fazendo com que a minha cabeça entre num ritmo tão alucinado, tão frenético e ao mesmo tempo tão controlado.

Não surtei com a ausência.
Sei que sinto falta e sei exatamente do que eu sinto falta. Acho que por saber disso a falta que faz me é indiferente.

Tenho lá meus surtos de bondade, meus momentos de preocupação, mas a consciência de saber que é um esforço inútil, deixa minha consciência tranquila.

Pessoas não são objetos. E ouvir de alguém que está usando todos ao redor numa preocupação egoísta e egocêntrica e outros egos e eus mais, me fez ter uma certa repulsa.

É... A vida anda mesmo bizarra.
Desconhecer, desconstruir, desapegar.

Por entre nuvens um sol tímido.
Por aqui, uma dor aguda.

Strokes, Someday.
Encerra-se aqui mais um daqueles posts sem pé nem cabeça.

Alguém, por favor, me manda um café?

19 de abril de 2010

Das coisas que eu canto

Eu ando tão perdido de desejo
Em cada esquina imagino te ver
Hoje é domingo eu tenho vinte e cinco
Eu acho que vai chover
Eu sigo chamando chamando
Mas você não me abraça
Mais um pouco eu desisto
Eu quase morro de raiva e disfarço


Os Paralamas do Sucesso - Será que vai chover?

14 de abril de 2010

sobre o caminho...

Eu não vejo o sol nascer, (re)nasço antes dele.
Eu não sinto o sol aquecendo a terra em seus primeiros instantes no horizonte, eu aqueço durante a madrugada fria.

Eu mudo. A todo instante. Mas sou constante. Repito rimas, forço as palavras.
Tudo muda. Exceto o essencial. Exceto o "miolo".

Plantei.
Vou colher.

Que o sol ilumine.
Que meu coração se aqueça. Que o caminho esteja certo.
Que as escolhas se mostrem corretas.

Eu sigo.
Escrevo.
Escrevo mal... Mas tudo bem... Eu só queria era registrar esse novo horizonte na direção do qual eu caminho.

"291 days of Summer"

Se Tom aprendeu algo,é que você não pode atribuir um significado cósmico a um simples evento terreno. Coincidência. É o que tudo é. Nada mais que coincidência.

A maioria dos dias do ano é comum. Eles começam e terminam, sem nenhuma memória
durável nesse tempo. A maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida.

Tom finalmente aprendeu que não existem milagres. Não existem coisas
como o destino. Nada está destinado a ser. Ele sabia. Ele tinha certeza disso agora.

Não existem coisas como o destino. Nada está destinado a ser.


Do filme: 500 days of Summer

13 de abril de 2010

Just another night in Nantes

Esse misto de não-sei-o-quê com não-sei-onde.
Esse bando de coisas que eu não entendo. Esses sentimentos ruins, essa mágoa de um alguém que mudou.

Essas perguntas.
O velho passado de sempre. O mesmo passado de três, quatro anos atrás.

Esse meu medo de machucar um velho coração.
Essas lágrimas.
Esses pronomes. Essas histórias. Remakes de uma vida sem coisas sólidas.

Nobody raise your voices
Just another night in Nantes
Nobody raise your voices
Just another night in Nantes


Nova fase. Velhas pessoas.
Deixar pra trás.
Perguntas, perguntas, perguntas.

Vale a pena?
Valeu a pena?
Qual a importância? Houve importância?
O que ainda é importante? Devo me importar?

Certo? Errado?

É tanta coisa, meu Deus. É tanta coisa.
Crer pra ver ou ver pra crer?

Essa solidão, que hora trás paz hora trás lágrimas.
Hora me lembra que estou mais feliz assim, hora lembra que ainda falta algo.

Que caminho trilhar?
Esquecer ou resolver?

Cuidar.
Senso de justiça ou deixar aprender?
Repreender? Se for ver, não sou mãe de ninguém.

Trabalho, dinheiro.
RES-PON-SA-BI-LI-DA-DES.

Cada palavra vai surgindo.
Não sei o que escrevo. Não sei onde quero chegar.

And I'll gamble away my fright
And I'll gamble away my time
And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile

10 de abril de 2010

Cecília, sua puta!

Cecília, sua puta, tua alma é lavada no álcool, tuas atitudes - tão loucas, tão desesperadas, desconexas e às vezes tão minhas - são temperadas por ele.
Cecília, seu Paulo, Cecília faz o que lhe convém: brinca como eu queria brincar.

Cecília não é Capitu. Por mais que levante desconfianças, por mais que seja dissimulada, Cecília, ainda assim, não é tão tola quanto nossa diva machadiana. Diva que, aliás, deveria passar pela igreja e ser mais benta, ou melhor: ser mais Bento.

Desconfiar. Ter dúvidas. Sem questões não encontraremos respostas.

Cecília brinca e erra. Brinca e fere de leve quem outrora também já feriu. Mas o álcool, a vida boêmia e as poesias baratas justificam.

O poeta é um fingidor: finge ser limpo, ser puro, finge inocência e, o pior dos fingimentos, finge sentir amor.

Cecília, sua puta, estou com uma puta vontade de fazer não sei o quê. Vamos chamar Capitu? Vamos coloca-la no álcool também? Vamos ao vinho? No vinho a verdade, não é assim o ditado? No vinho a verdade que os contos de fada, as princesas e os poetas não conseguem dizer.

Eu faço prosa como quem coloca o dedo na ferida e sente a dor da realidade.
A caneta fere o papel, mas não demonstra que mais ferido está(va) meu coração.


__________________________________
texto escrito durante a viagem.
Salvador, 01/04/10 por volta de 21h - não sei por quê, mas resolvi postar.

9 de abril de 2010

Correspondência.

As cartas que me escreves, mas não as entregas, responderei.
Cada linha, cada entrelinha. Cada verso sem razão escrito numa sobriedade que não me pertence.

Se assim queres, assim será. Cada um faz da vida o que bem entende.
E no fundo não tenho raiva nem nada. O que tenho é vazio.

E vazio e nada dá no mesmo.
Sigo.
Minha lição eu já aprendi. Eu me repito, mas não repito meus erros.
Prefiro minhas verdades.

Quanto a Cecília, deixemos ela pra lá. Ela só fez parte de um capítulo dessa novela mexicana, sem pé nem cabeça. Eu bem tentei curar as dores causadas por ela, afinal foi neste colo que choraram. Todavia mais fortes e intensas foram as minhas lágrimas.

De certa forma, mantive quente o lugar que na cama te pertence.


(e quando eu morrer, em torno dos quarenta anos, num desastre de automóvel
ou com um tiro na cabeça, publique nossas cartas, nosso recados, esses trocados sem envelopes, sem destinatários ou remetentes)

8 de abril de 2010

Repetições

Saí armada do meu melhor sorriso, meu melhor olhar.
Aquele que despe até a puta mais puritana.

Saí. Saí atrás da loura, junto do moreno alto, barba por fazer e alguns quilos a mais.
Peguei meu melhor sorriso e distribui entre putas, puritanas, safadas, certinhas, distribui como distribuo meus conselhos entre Capitu's, Lóri's, Cecílias, Bentos, Anas Terra. Altos e baixos da vida.

"- Buenas e me espalho. Nos pequenos dou de prancha nos grandes dou de talho."
Mais um entre tantos devaneios, mais um capitão entre outros Rodrigos.
Mais um veado, mais uma puta na minha vida. Mais um irresponsável com os sentimentos alheios.

Meu bem, eu te avisei.

A loira, gelada, estalada, aberta, derramada, decora o copo antes que a minha sede o esvazie. É um desejo de embriaguez, é uma felicidade contida. É um sorriso de canto, um sorriso safado, tão safado quanto a sujeita das tuas mentiras.

O sorriso está ali. Safado. Ligeiro. Verdadeiro.
"Verdades!" Vou repetir isso till the end!
Mais uma cerveja, por favor? Essa embriaguez alimenta meus dedos, meus pensamentos, meus desejos.

Quero uma noite de sexo e nada mais. Quero não ter que acordar ao teu lado, quero apenas o teu corpo pra mais uma entre tantas outras fodas, uma foda e nada mais.

Fui o Luke O'Neil da dona Meggie Cleary! Pássaros Feridos. Corações feridos, remendados, cicatrizes, marcas. Aliás lembra daquelas marcas do nosso sexo? Ficaram mais marcas do que deveria.

E tudo se mistura.
Let's make love and listen death from above, eu cansei de ser sexy, todo mundo cansa;

Palavras e mais palavras, vão surgindo, aparecendo, eu quero esgotá-las.
Quero... Quero? O que eu quero mesmo?

E esse meu medo de conjugar amar no passado? Será que se eu disser hoje que "amei" serei filha da puta? Filha da puta foi... Deixa pra lá, let's get it on. Let's move on, let's walk on, já diria Bono, o bom, Bono voz, voz do povo, voz de Deus.

Palavras e mais palavras. Estou me repetindo. Como sempre.
Eu sempre me repito, você não percebe?

Delírios. Mais uma cerveja.
É a minha sede pelo novo, é minha gana de viver.
Estou me reerguendo ainda. E vou voltar ainda melhor. Eu aprendo com meus erros. Ou tento. Tento não repeti-los. Eu me repito mas não repito meus erros.


p.s.: acho que ando lendo Caio F. Abreu mais do que deveria.

Vejo no fim

Acordei.
Seja pra vida, seja do sono em que me encontrava. Acordei em mais uma manhã de um dia qualquer de um mês que por acaso era abril.

Acordei e fui andar, andar à beira do mar. Andar e sentir aquela brisa, a maresia embaraçando meus cabelos, como outrora outras mãos faziam, a diferença é que entre eu e o mar, entre eu e a brisa, entre a maresia e mim não havia sentimento... Ou havia. Havia liberdade e havia desejo. Um desejo louco pela paz que não encontrei no teu sorriso de falsa felicidade.

Minha relação com o mar foi mais verdadeira.
O mar me acolheu e me limpou. Me abraçou por inteira.

Não que eu tenha me sentido em casa com essa relação. Não que eu não tenha sentido saudades naquele dia. Senti sim, mas deixa pra lá, deixa no mar, deixei na água salgada e pedi pras ondas levarem pra longe de mim.

O que quero pra mim agora é eternizar esse momento. Essa sensação que estou tentando loucamente registrar agora. Essa paz. Eu quero eternizar isso, eu quero que isso continue. Eu quero essa verdade, quero essas melhorias, quero essas oportunidades, quero minha vida do jeito que eu traço, no traço certo, no incerto do amanhã.

Sou rasa, se você chegar perto você pode ver até o que há no fundo de mim.
Sou rasa, não sei esconder as coisas. Não consigo.

Não me perco na escuridão. Não tenho medo do escuro.
Mas agora eu vejo uma luz, que por mais clichê que seja, sim, eu vejo uma luz no fim do túnel.

7 de abril de 2010

O que eu não sei dizer

Eu não sei dizer que errei. Eu errei, você sabe, eles sabem, todos sabem.
Não, não me arrependo.
E assim é melhor?
Sim é. Por mais que... Por mais que haja vazio em vez de dor.

"O mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo" cantarolam atrás de mim... Qual o tamanho da minha cruz?

Penso. Repenso.
Esse vazio incomoda.
Não é tristeza, é só vazio. E eu não sei falar sobre o vazio.
Eu sei falar sobre o tudo, sobre as verdades, sei acusar tuas mentiras.
Sei do colo que eu dei, mas o vazio, é isso que dói.

Ausência de palavras, o vazio do teu olhar... O vazio da tua felicidade supérflua.
Não é bem dor. É vácuo. É algo que me puxa pra dentro de mim.

Tuas mentiras contadas a todos os cantos, o idiotas sendo idiotas de novo.
As falsas amizades, as falsas preoucupações. Pessoas vazias.

É sobre isso que eu não sei falar.
Amor da boca pra fora, amor pra todos, amor que não é amor.
Amor que nunca foi amor, e que por amor eu insisti.

Eu não sei dizer várias coisas.
Eu não sei de muita coisa.
Mas agora está melhor assim, por mais que minha preocupação seja mais com os tolos que acreditam no amor que não é amor, no amor que é comodismo...

Meus compromissos mudaram. E não sei pra onde vou.
Coração vazio, trancafiado no fundo de mim...

Não vou voltar a ser o que era antes...
Agora eu só sigo, até encontrar outro norte.

Por entre as nuvens o céu azul.
Tudo termina da mesma forma que começou: conversas rápidas num dia frio.

Eu amei. Amei cada defeitinho... Mas não quero nada de volta. Aliás faz um bom tempo que não quero. Mereço mais, e eu sempre soube disso. Você sempre soube. Os tolos também merecem mais. Mas a vida segue...

E eu não sei dizer... Não sei se eu quero dizer...
Hoje parece mais fácil do que ontem, do que alguns anos atrás.

Hoje eu sei onde eu quero chegar.
E eu sei que só preciso deixar o tempo passar...

Mas não sei dizer algumas coisas, não sei mais ser profunda.
Sou rasa. Sou razão. Sou...

3 de abril de 2010

todatoda

Toda prosa, toda conversas, toda intensa: assim sou eu.
Toda errada, toda certa, mas sempre toda, mas sempre cem por cento.

Nem mais, nem menos.
Toda limpa, toda verdade.
Toda suja por conta daquelas mágoas.

Toda ódio por algo que um dia já foi todo amor.

Mas essas mentiras, encenadas por todos os cantos, essas mentiras ditas sem pesar algum, essas mentiras que os tolos acreditam, nessas eu não acredito mais.

Que fiquem, os outros, com os restos podres da maçã bonita. Da maçã que é só casca e que não tem sabor algum.

Não me alimento de mentiras, nunca gostei delas.
Não gosto dessas coisas dissimuladas. Gosto da verdade, ainda que isso signifique sentir dor.

29 de março de 2010

Cecília

Cecília, Seu Paulo, Cecília não é santa.
Cecília está mais pra uma Madalena não arrependida. Mulher de encantos que encantam. Vida boemia e liberdade, vida que no fim do mês não paga as contas.
Tem alma de Capitu essa tal de Cecília, dissimulada, te engole como leão... Só pra matar a própria fome. Te envolve como a bebida, vira vício. Faz da criança de outros tempos mero brinquedo.

Santa Cecília não é residência, não é lar, não é casa, não é a tua casa.
E tuas mentiras só me afastam daquilo que um dia achei belo.

25 de março de 2010

Instantâneo

você não tinha dito antes
ah, achei que tivesse dito. Enfim, vou comer
vem. quer dizer: vai
:*
;]
logo menos. logo mais. logo logo. logomarca. marcas. marcas de amor. tuas marcas no meu corpo. cicatriz. coração
marcas no meu corpo
nossas marcas. lembranças. suspiro. lágrima
tenho saudade
eu também tenho


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conversas imaginadas são as melhores

24 de março de 2010

Pastel de Vento.

Preencho a tarde com a cama, o ócio com a TV.
Preencho a fome com a comida, empurrada à força, garganta abaixo.
A sede, preencho com coca, já sem gás, já sem vida, estupidamente gelada.

Vou colocando coisas nos meios. Sentimentos, pensamentos e outros quinhentos.

(odeio minhas rimas forçadas)

Sobra ausência, mas falta teu abraço pra preencher.
Sobra carência, mas faltam teus carinhos, sobra minha boca, faltam teus beijos.

Tento preencher a vida que levo sem ter você por perto. Releio mensagens no celular. Espero novas mensagens no mesmo aparelho.

Vou colocando coisas com e sem importância numa tarde tão vazia quanto o meu abraço calculado exatamente pra caber você...

No fundo, eu sem você, sou assim: Pastel de Vento.

18 de março de 2010

Sobre ofensas...

Nada se compara ao som daquela risada depois daqueles xingamentos, aqueles que sabemos não serem ofensas, mas o nosso jeito estranho de dizer: ei, eu gosto de você.

E depois do fim, sempre vem o recomeço.

14 de março de 2010

Xadrez

Mãos nervosas e inquietas. A todo instante tateavam o celular na busca cega por uma mensagem que não vai chegar.

O suor inundava a alma. O estômago resolveu inundar-se de ânsia. Era aquela ansiedade novamente. Talvez fosse a idade. Talvez fosse só o coração, partido como tantas outras vezes. Partido, em pedaços, pelo teu partir injustificado.

Pensei em ligar. Procurei teu nome na agenda, e fiquei parada, olhando, já não carregava mais o coração a frente do teu nome. Por instantes toda uma história de amor passou a minha frente, como naqueles filmes em que os casais americanos assistiam a filmes dentro do carro. Assim eu vi os flashbacks dos momentos que eu não sei se eu quero esquecer.

Cadê você? CADÊ VOCÊ? O silêncio responde pela tua ausência.

Inconscientemente tenho te julgado. Julgado tuas promessas não cumpridas.
E deixo de acreditar no "amo mais" por vezes repetido. Agora eu sei que tudo não passou de uma grande mentira. Aliás essa é a verdade que você me tem feito acreditar: tudo não passou de uma grande mentira.

E isso dói. Dói de forma estranha. Dói porque parecia tão real, tão palpável quanto a tua mão bagunçando os meus cabelos. No fim, acho que foi falta de tato. Tato pra perceber que aqui, por trás de todas as muralhas, o tigre - sempre solitário e caçador - tinha sentimentos tão nobres quanto os que deveriam ter aquela peça, a principal do tabuleiro de xadrez. Talvez por isso eu tenha esperado uma certa nobreza. E me frustei.
Me decepcionei.

Pintei de branco toda a minha vida só pra te receber, limpei mágoas, me desfiz de amores maiores que os de todos os contos de fadas, só pra aconchegar você no meu peito.

Agora o que ficou foi esse vazio chato. Essas lembranças, esse não saber:
Não saber como foi o teu dia, não saber do teu riso, não saber da tua rotina, do teu humor, dos teus dramas e até mesmo das tuas mentiras, como aquela, que você sempre repetia às segundas, quartas e sextas. A mentira que quando dita por mim se tornava verdade. E tudo ficou meio a meio. E por incrível que pareça não é um meio a meio proporcional.

Dividimos as dores, as mágoas e os erros, meio a meio, mas a minha metade pesa mais. O tabuleiro, antes preto-e-branco-depois-todo-branco está negro, como a escuridão que abriga o teu medo e as minhas lágrimas.

11 de março de 2010

Esconde-esconde

Faço da prosa um caminho, um ninho.
Me aconchego, me escondo atrás das palavras. Escondo a dor, escondo as escaras.
Esconde-esconde.
Aqui e ali, peças soltas pelo ar.
Incerto. Flecha solta no ar.
Peça a peça. Peça-a-peça. Quebra-cabeça.
Jogo de palavras. Palavras cruzadas.
O que completa a coluna? O que fica no lugar do vazio?

Eu quero a sorte de um amor com sabor de fruta madura, pra poder riscar do meu vocabulário a palavra tristeza.

O verbo é outro. O pronome? Não sei mais como conjugar "nós". E o amor? Ah, o amor ficou oculto, como o sujeito, como eu, que me escondo atrás dos sorrisos, atrás das farpas.

9 de março de 2010

achei por aí

Saudade - texto atribuído a Miguel Falabella

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que
não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,
do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida
é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem
se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade,
mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem
vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se
menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe
como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando
num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa
daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista
como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa
daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald’s;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer
com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro,
e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz,
e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos.
É não querer saber se ele está mais magro,
se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,
e ainda assim doer…
Saudade é isso que senti
enquanto estive escrevendo
e o que você, provavelmente, está sentindo
agora depois que acabou de ler.