14 de março de 2010

Xadrez

Mãos nervosas e inquietas. A todo instante tateavam o celular na busca cega por uma mensagem que não vai chegar.

O suor inundava a alma. O estômago resolveu inundar-se de ânsia. Era aquela ansiedade novamente. Talvez fosse a idade. Talvez fosse só o coração, partido como tantas outras vezes. Partido, em pedaços, pelo teu partir injustificado.

Pensei em ligar. Procurei teu nome na agenda, e fiquei parada, olhando, já não carregava mais o coração a frente do teu nome. Por instantes toda uma história de amor passou a minha frente, como naqueles filmes em que os casais americanos assistiam a filmes dentro do carro. Assim eu vi os flashbacks dos momentos que eu não sei se eu quero esquecer.

Cadê você? CADÊ VOCÊ? O silêncio responde pela tua ausência.

Inconscientemente tenho te julgado. Julgado tuas promessas não cumpridas.
E deixo de acreditar no "amo mais" por vezes repetido. Agora eu sei que tudo não passou de uma grande mentira. Aliás essa é a verdade que você me tem feito acreditar: tudo não passou de uma grande mentira.

E isso dói. Dói de forma estranha. Dói porque parecia tão real, tão palpável quanto a tua mão bagunçando os meus cabelos. No fim, acho que foi falta de tato. Tato pra perceber que aqui, por trás de todas as muralhas, o tigre - sempre solitário e caçador - tinha sentimentos tão nobres quanto os que deveriam ter aquela peça, a principal do tabuleiro de xadrez. Talvez por isso eu tenha esperado uma certa nobreza. E me frustei.
Me decepcionei.

Pintei de branco toda a minha vida só pra te receber, limpei mágoas, me desfiz de amores maiores que os de todos os contos de fadas, só pra aconchegar você no meu peito.

Agora o que ficou foi esse vazio chato. Essas lembranças, esse não saber:
Não saber como foi o teu dia, não saber do teu riso, não saber da tua rotina, do teu humor, dos teus dramas e até mesmo das tuas mentiras, como aquela, que você sempre repetia às segundas, quartas e sextas. A mentira que quando dita por mim se tornava verdade. E tudo ficou meio a meio. E por incrível que pareça não é um meio a meio proporcional.

Dividimos as dores, as mágoas e os erros, meio a meio, mas a minha metade pesa mais. O tabuleiro, antes preto-e-branco-depois-todo-branco está negro, como a escuridão que abriga o teu medo e as minhas lágrimas.

3 comentários:

  1. sabe que gostar é dar a nossa cara a tapa...a gente muda toda a nossa vida em busca do novo...amei seu blog.

    ResponderExcluir
  2. Show, vc tem talento, criativa, olhei seu perfil e é absurda o numero de coisas em comum que vc tem comigo, tbm estou com um blog, fiz tem pouco tempo,http://petaccia.blogspot.com, sempre quis fazer jornalismo + não pude, gostaria de saber até onde vai tantos pontos em comum, de repente podemos trocar boas figurinhas amo escrever, quanto a musica tenho uma banda amo compor tbm, vi q se interessa por futebol, e vc fala com uma enciclopédia viva ahehae, abraço, para ampliar isso --> edymax1985@hotmail.com. Acho q vc vai longe. bjo.

    ResponderExcluir
  3. Showwww...vc tem personalidade. ;D
    Continua assim,pq vc vai longe!
    ;*

    ResponderExcluir