27 de abril de 2010

Recomeço, ponto

A palavra surge em meio a mais uma entre tantas músicas.
Afinal o que é começar de novo? É começar do zero? É fazer tudo de novo?

É mudar?

O coração segue de um jeito que faz com que eu acredite que está tudo melhor assim.
Não que o passado sejam apenas reclamações, não, não é isso. Só acho que assim, por enquanto está melhor.

"E eu vou tratá-la bem, pra que ela não tenha medo, quando começar a conhecer os meus segredos" canta Frejat com sua voz grave.

Sobre a mesa o copo plástico com restos de café. As fotos que não minhas, as memórias que não são minhas, a vida da qual não faço parte.

A vida segue. Pra onde?
Por que?

"Lágrimas são água..." passa a música, passa o tempo.

Esse vazio, apesar de bom, me incomoda.

E esse incomodo me faz ficar olhando por minutos a fio sem saber o que escrever. E não saber o que escrever é tortura. Eu sempre fui de falar, eu sempre fui de colocar pra fora...

No fundo sei que essa ansiedade, essa coisa de deixar o tempo esperar é que me mata... Eu sempre quero fazer acontecer e agora, de novo, estou deixando acontecer.

25 de abril de 2010

Bom dia

Shut up and let me go! Hey...

O domingo amanheceu sem que eu percebesse. A janela fechada do escritório impedia a luz de fazer a sua entrada, sempre tão esplendida. Quando me dei conta, já eram seis e tantas da manhã.

Entre as notícias, entre tantas palavras, procurei alguma coisa que preenchesse o vazio do estômago, quiçá esquentasse a alma.

How bizarre, how bizarre dizia a música, dando a impressão que falava da minha vida, que realmente anda bizarra.

Passado e presente se misturando, fazendo com que a minha cabeça entre num ritmo tão alucinado, tão frenético e ao mesmo tempo tão controlado.

Não surtei com a ausência.
Sei que sinto falta e sei exatamente do que eu sinto falta. Acho que por saber disso a falta que faz me é indiferente.

Tenho lá meus surtos de bondade, meus momentos de preocupação, mas a consciência de saber que é um esforço inútil, deixa minha consciência tranquila.

Pessoas não são objetos. E ouvir de alguém que está usando todos ao redor numa preocupação egoísta e egocêntrica e outros egos e eus mais, me fez ter uma certa repulsa.

É... A vida anda mesmo bizarra.
Desconhecer, desconstruir, desapegar.

Por entre nuvens um sol tímido.
Por aqui, uma dor aguda.

Strokes, Someday.
Encerra-se aqui mais um daqueles posts sem pé nem cabeça.

Alguém, por favor, me manda um café?

19 de abril de 2010

Das coisas que eu canto

Eu ando tão perdido de desejo
Em cada esquina imagino te ver
Hoje é domingo eu tenho vinte e cinco
Eu acho que vai chover
Eu sigo chamando chamando
Mas você não me abraça
Mais um pouco eu desisto
Eu quase morro de raiva e disfarço


Os Paralamas do Sucesso - Será que vai chover?

14 de abril de 2010

sobre o caminho...

Eu não vejo o sol nascer, (re)nasço antes dele.
Eu não sinto o sol aquecendo a terra em seus primeiros instantes no horizonte, eu aqueço durante a madrugada fria.

Eu mudo. A todo instante. Mas sou constante. Repito rimas, forço as palavras.
Tudo muda. Exceto o essencial. Exceto o "miolo".

Plantei.
Vou colher.

Que o sol ilumine.
Que meu coração se aqueça. Que o caminho esteja certo.
Que as escolhas se mostrem corretas.

Eu sigo.
Escrevo.
Escrevo mal... Mas tudo bem... Eu só queria era registrar esse novo horizonte na direção do qual eu caminho.

"291 days of Summer"

Se Tom aprendeu algo,é que você não pode atribuir um significado cósmico a um simples evento terreno. Coincidência. É o que tudo é. Nada mais que coincidência.

A maioria dos dias do ano é comum. Eles começam e terminam, sem nenhuma memória
durável nesse tempo. A maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida.

Tom finalmente aprendeu que não existem milagres. Não existem coisas
como o destino. Nada está destinado a ser. Ele sabia. Ele tinha certeza disso agora.

Não existem coisas como o destino. Nada está destinado a ser.


Do filme: 500 days of Summer

13 de abril de 2010

Just another night in Nantes

Esse misto de não-sei-o-quê com não-sei-onde.
Esse bando de coisas que eu não entendo. Esses sentimentos ruins, essa mágoa de um alguém que mudou.

Essas perguntas.
O velho passado de sempre. O mesmo passado de três, quatro anos atrás.

Esse meu medo de machucar um velho coração.
Essas lágrimas.
Esses pronomes. Essas histórias. Remakes de uma vida sem coisas sólidas.

Nobody raise your voices
Just another night in Nantes
Nobody raise your voices
Just another night in Nantes


Nova fase. Velhas pessoas.
Deixar pra trás.
Perguntas, perguntas, perguntas.

Vale a pena?
Valeu a pena?
Qual a importância? Houve importância?
O que ainda é importante? Devo me importar?

Certo? Errado?

É tanta coisa, meu Deus. É tanta coisa.
Crer pra ver ou ver pra crer?

Essa solidão, que hora trás paz hora trás lágrimas.
Hora me lembra que estou mais feliz assim, hora lembra que ainda falta algo.

Que caminho trilhar?
Esquecer ou resolver?

Cuidar.
Senso de justiça ou deixar aprender?
Repreender? Se for ver, não sou mãe de ninguém.

Trabalho, dinheiro.
RES-PON-SA-BI-LI-DA-DES.

Cada palavra vai surgindo.
Não sei o que escrevo. Não sei onde quero chegar.

And I'll gamble away my fright
And I'll gamble away my time
And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile

10 de abril de 2010

Cecília, sua puta!

Cecília, sua puta, tua alma é lavada no álcool, tuas atitudes - tão loucas, tão desesperadas, desconexas e às vezes tão minhas - são temperadas por ele.
Cecília, seu Paulo, Cecília faz o que lhe convém: brinca como eu queria brincar.

Cecília não é Capitu. Por mais que levante desconfianças, por mais que seja dissimulada, Cecília, ainda assim, não é tão tola quanto nossa diva machadiana. Diva que, aliás, deveria passar pela igreja e ser mais benta, ou melhor: ser mais Bento.

Desconfiar. Ter dúvidas. Sem questões não encontraremos respostas.

Cecília brinca e erra. Brinca e fere de leve quem outrora também já feriu. Mas o álcool, a vida boêmia e as poesias baratas justificam.

O poeta é um fingidor: finge ser limpo, ser puro, finge inocência e, o pior dos fingimentos, finge sentir amor.

Cecília, sua puta, estou com uma puta vontade de fazer não sei o quê. Vamos chamar Capitu? Vamos coloca-la no álcool também? Vamos ao vinho? No vinho a verdade, não é assim o ditado? No vinho a verdade que os contos de fada, as princesas e os poetas não conseguem dizer.

Eu faço prosa como quem coloca o dedo na ferida e sente a dor da realidade.
A caneta fere o papel, mas não demonstra que mais ferido está(va) meu coração.


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texto escrito durante a viagem.
Salvador, 01/04/10 por volta de 21h - não sei por quê, mas resolvi postar.

9 de abril de 2010

Correspondência.

As cartas que me escreves, mas não as entregas, responderei.
Cada linha, cada entrelinha. Cada verso sem razão escrito numa sobriedade que não me pertence.

Se assim queres, assim será. Cada um faz da vida o que bem entende.
E no fundo não tenho raiva nem nada. O que tenho é vazio.

E vazio e nada dá no mesmo.
Sigo.
Minha lição eu já aprendi. Eu me repito, mas não repito meus erros.
Prefiro minhas verdades.

Quanto a Cecília, deixemos ela pra lá. Ela só fez parte de um capítulo dessa novela mexicana, sem pé nem cabeça. Eu bem tentei curar as dores causadas por ela, afinal foi neste colo que choraram. Todavia mais fortes e intensas foram as minhas lágrimas.

De certa forma, mantive quente o lugar que na cama te pertence.


(e quando eu morrer, em torno dos quarenta anos, num desastre de automóvel
ou com um tiro na cabeça, publique nossas cartas, nosso recados, esses trocados sem envelopes, sem destinatários ou remetentes)

8 de abril de 2010

Repetições

Saí armada do meu melhor sorriso, meu melhor olhar.
Aquele que despe até a puta mais puritana.

Saí. Saí atrás da loura, junto do moreno alto, barba por fazer e alguns quilos a mais.
Peguei meu melhor sorriso e distribui entre putas, puritanas, safadas, certinhas, distribui como distribuo meus conselhos entre Capitu's, Lóri's, Cecílias, Bentos, Anas Terra. Altos e baixos da vida.

"- Buenas e me espalho. Nos pequenos dou de prancha nos grandes dou de talho."
Mais um entre tantos devaneios, mais um capitão entre outros Rodrigos.
Mais um veado, mais uma puta na minha vida. Mais um irresponsável com os sentimentos alheios.

Meu bem, eu te avisei.

A loira, gelada, estalada, aberta, derramada, decora o copo antes que a minha sede o esvazie. É um desejo de embriaguez, é uma felicidade contida. É um sorriso de canto, um sorriso safado, tão safado quanto a sujeita das tuas mentiras.

O sorriso está ali. Safado. Ligeiro. Verdadeiro.
"Verdades!" Vou repetir isso till the end!
Mais uma cerveja, por favor? Essa embriaguez alimenta meus dedos, meus pensamentos, meus desejos.

Quero uma noite de sexo e nada mais. Quero não ter que acordar ao teu lado, quero apenas o teu corpo pra mais uma entre tantas outras fodas, uma foda e nada mais.

Fui o Luke O'Neil da dona Meggie Cleary! Pássaros Feridos. Corações feridos, remendados, cicatrizes, marcas. Aliás lembra daquelas marcas do nosso sexo? Ficaram mais marcas do que deveria.

E tudo se mistura.
Let's make love and listen death from above, eu cansei de ser sexy, todo mundo cansa;

Palavras e mais palavras, vão surgindo, aparecendo, eu quero esgotá-las.
Quero... Quero? O que eu quero mesmo?

E esse meu medo de conjugar amar no passado? Será que se eu disser hoje que "amei" serei filha da puta? Filha da puta foi... Deixa pra lá, let's get it on. Let's move on, let's walk on, já diria Bono, o bom, Bono voz, voz do povo, voz de Deus.

Palavras e mais palavras. Estou me repetindo. Como sempre.
Eu sempre me repito, você não percebe?

Delírios. Mais uma cerveja.
É a minha sede pelo novo, é minha gana de viver.
Estou me reerguendo ainda. E vou voltar ainda melhor. Eu aprendo com meus erros. Ou tento. Tento não repeti-los. Eu me repito mas não repito meus erros.


p.s.: acho que ando lendo Caio F. Abreu mais do que deveria.

Vejo no fim

Acordei.
Seja pra vida, seja do sono em que me encontrava. Acordei em mais uma manhã de um dia qualquer de um mês que por acaso era abril.

Acordei e fui andar, andar à beira do mar. Andar e sentir aquela brisa, a maresia embaraçando meus cabelos, como outrora outras mãos faziam, a diferença é que entre eu e o mar, entre eu e a brisa, entre a maresia e mim não havia sentimento... Ou havia. Havia liberdade e havia desejo. Um desejo louco pela paz que não encontrei no teu sorriso de falsa felicidade.

Minha relação com o mar foi mais verdadeira.
O mar me acolheu e me limpou. Me abraçou por inteira.

Não que eu tenha me sentido em casa com essa relação. Não que eu não tenha sentido saudades naquele dia. Senti sim, mas deixa pra lá, deixa no mar, deixei na água salgada e pedi pras ondas levarem pra longe de mim.

O que quero pra mim agora é eternizar esse momento. Essa sensação que estou tentando loucamente registrar agora. Essa paz. Eu quero eternizar isso, eu quero que isso continue. Eu quero essa verdade, quero essas melhorias, quero essas oportunidades, quero minha vida do jeito que eu traço, no traço certo, no incerto do amanhã.

Sou rasa, se você chegar perto você pode ver até o que há no fundo de mim.
Sou rasa, não sei esconder as coisas. Não consigo.

Não me perco na escuridão. Não tenho medo do escuro.
Mas agora eu vejo uma luz, que por mais clichê que seja, sim, eu vejo uma luz no fim do túnel.

7 de abril de 2010

O que eu não sei dizer

Eu não sei dizer que errei. Eu errei, você sabe, eles sabem, todos sabem.
Não, não me arrependo.
E assim é melhor?
Sim é. Por mais que... Por mais que haja vazio em vez de dor.

"O mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo" cantarolam atrás de mim... Qual o tamanho da minha cruz?

Penso. Repenso.
Esse vazio incomoda.
Não é tristeza, é só vazio. E eu não sei falar sobre o vazio.
Eu sei falar sobre o tudo, sobre as verdades, sei acusar tuas mentiras.
Sei do colo que eu dei, mas o vazio, é isso que dói.

Ausência de palavras, o vazio do teu olhar... O vazio da tua felicidade supérflua.
Não é bem dor. É vácuo. É algo que me puxa pra dentro de mim.

Tuas mentiras contadas a todos os cantos, o idiotas sendo idiotas de novo.
As falsas amizades, as falsas preoucupações. Pessoas vazias.

É sobre isso que eu não sei falar.
Amor da boca pra fora, amor pra todos, amor que não é amor.
Amor que nunca foi amor, e que por amor eu insisti.

Eu não sei dizer várias coisas.
Eu não sei de muita coisa.
Mas agora está melhor assim, por mais que minha preocupação seja mais com os tolos que acreditam no amor que não é amor, no amor que é comodismo...

Meus compromissos mudaram. E não sei pra onde vou.
Coração vazio, trancafiado no fundo de mim...

Não vou voltar a ser o que era antes...
Agora eu só sigo, até encontrar outro norte.

Por entre as nuvens o céu azul.
Tudo termina da mesma forma que começou: conversas rápidas num dia frio.

Eu amei. Amei cada defeitinho... Mas não quero nada de volta. Aliás faz um bom tempo que não quero. Mereço mais, e eu sempre soube disso. Você sempre soube. Os tolos também merecem mais. Mas a vida segue...

E eu não sei dizer... Não sei se eu quero dizer...
Hoje parece mais fácil do que ontem, do que alguns anos atrás.

Hoje eu sei onde eu quero chegar.
E eu sei que só preciso deixar o tempo passar...

Mas não sei dizer algumas coisas, não sei mais ser profunda.
Sou rasa. Sou razão. Sou...

3 de abril de 2010

todatoda

Toda prosa, toda conversas, toda intensa: assim sou eu.
Toda errada, toda certa, mas sempre toda, mas sempre cem por cento.

Nem mais, nem menos.
Toda limpa, toda verdade.
Toda suja por conta daquelas mágoas.

Toda ódio por algo que um dia já foi todo amor.

Mas essas mentiras, encenadas por todos os cantos, essas mentiras ditas sem pesar algum, essas mentiras que os tolos acreditam, nessas eu não acredito mais.

Que fiquem, os outros, com os restos podres da maçã bonita. Da maçã que é só casca e que não tem sabor algum.

Não me alimento de mentiras, nunca gostei delas.
Não gosto dessas coisas dissimuladas. Gosto da verdade, ainda que isso signifique sentir dor.