10 de abril de 2010

Cecília, sua puta!

Cecília, sua puta, tua alma é lavada no álcool, tuas atitudes - tão loucas, tão desesperadas, desconexas e às vezes tão minhas - são temperadas por ele.
Cecília, seu Paulo, Cecília faz o que lhe convém: brinca como eu queria brincar.

Cecília não é Capitu. Por mais que levante desconfianças, por mais que seja dissimulada, Cecília, ainda assim, não é tão tola quanto nossa diva machadiana. Diva que, aliás, deveria passar pela igreja e ser mais benta, ou melhor: ser mais Bento.

Desconfiar. Ter dúvidas. Sem questões não encontraremos respostas.

Cecília brinca e erra. Brinca e fere de leve quem outrora também já feriu. Mas o álcool, a vida boêmia e as poesias baratas justificam.

O poeta é um fingidor: finge ser limpo, ser puro, finge inocência e, o pior dos fingimentos, finge sentir amor.

Cecília, sua puta, estou com uma puta vontade de fazer não sei o quê. Vamos chamar Capitu? Vamos coloca-la no álcool também? Vamos ao vinho? No vinho a verdade, não é assim o ditado? No vinho a verdade que os contos de fada, as princesas e os poetas não conseguem dizer.

Eu faço prosa como quem coloca o dedo na ferida e sente a dor da realidade.
A caneta fere o papel, mas não demonstra que mais ferido está(va) meu coração.


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texto escrito durante a viagem.
Salvador, 01/04/10 por volta de 21h - não sei por quê, mas resolvi postar.

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