9 de abril de 2010

Correspondência.

As cartas que me escreves, mas não as entregas, responderei.
Cada linha, cada entrelinha. Cada verso sem razão escrito numa sobriedade que não me pertence.

Se assim queres, assim será. Cada um faz da vida o que bem entende.
E no fundo não tenho raiva nem nada. O que tenho é vazio.

E vazio e nada dá no mesmo.
Sigo.
Minha lição eu já aprendi. Eu me repito, mas não repito meus erros.
Prefiro minhas verdades.

Quanto a Cecília, deixemos ela pra lá. Ela só fez parte de um capítulo dessa novela mexicana, sem pé nem cabeça. Eu bem tentei curar as dores causadas por ela, afinal foi neste colo que choraram. Todavia mais fortes e intensas foram as minhas lágrimas.

De certa forma, mantive quente o lugar que na cama te pertence.


(e quando eu morrer, em torno dos quarenta anos, num desastre de automóvel
ou com um tiro na cabeça, publique nossas cartas, nosso recados, esses trocados sem envelopes, sem destinatários ou remetentes)

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