26 de maio de 2010

Não pense nisso...


"Acontece que odeio festas de Ano Novo. Todo mundo desesperado para se divertir. Tentando comemorar de algum modo patético. Comemorar o quê? Um passo mais perto da sepultura?

É por isso que não me canso de dizer, qualquer amor que possa receber e dar, qualquer felicidade que possa se apropriar ou fornecer, cada breve gesto gentil, tudo pode dar certo. E que ninguém se engane, nem tudo depende da genialidade humana.

A maior parte de sua existência é mais sorte do que gostaria de admitir.
Cristo, você sabe as chances de um esperma do seu pai, entre bilhões, encontrar o único óvulo que fez você?

Não pense sobre isso, você terá um ataque de pânico."


mais uma parte do filme de ontem

25 de maio de 2010

Whatever works...

- Casei com você pelas razões erradas.
- O que quer dizer isso?
- Você é brilhante. Eu queria alguém para conversar. Você amava música clássica, arte, literatura. Você amava sexo! Você me   amava!
- Essas me parecem ser boas razões!
- Sim! Exatamente! Esse é o problema! É esse o problema! Foi racional, isso faz sentido!
- Não sei o que deu errado.
- Quando se examina isso mais de perto, há muito em comum entre nós. Na teoria, somos perfeitos.

Mas a vida não é só teoria.

do filme: Whatever Works, do - mais uma vez - brilhante Woody Allen

17 de maio de 2010

Música do dia - Foto Polaróide

Isabella Taviani resolveu cantar a trilha sonora da segunda-feira da fotógrafa que vos fala... segue a letra...


Sabe o que me cansa?
São essas suas palavras que eu tenho que arrancar
do meio da tua garganta, criança
Que eu tenho que trazer de dentro do teu peito,
Perfeito!

Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo
Desaparecendo, como uma foto de Polaroid
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo.

Sabe o que me mata?
São os teus olhos de vidraça
Fosca, embaçada à jato de areia
De onde não mina uma lágrima
Teu olho turmalina pedra muito negra
Como esse tal amor por mim.

Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo
Desaparecendo, como uma foto de Polaroid
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo.

Sabe, eu odeio, odeio
Adorar teu jeito simples de viver
Ver você sorrindo assim loucamente
Quando estou aqui presente
Sentir as tuas pernas trêmulas
Depois do prazer satisfeito
E é por isso que eu não aceito,eu não aceito não,
Ver você assim retrocedendo
Abrindo mão dos sonhos, fantasias
Por essa covarde, covardia
Muito menos pagando o preço dos nossos pecados
Nem se fosse dez centavos.

Mas eu aqui, largada
Num canto desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo.
Mas eu aqui, eu aqui morrendo
Desaparecendo, como uma foto de Polaroid
Eu morro mais ou morro menos
Tanto fez, você não veio mesmo.
Não veio...

12 de maio de 2010

Música do dia...

Sem Palavras - Móveis Coloniais de Acaju

Eu sei que nada tenho a dizer,
Mas acabei dizendo sem querer
Palavra bandida!
Sempre arruma um jeito de escapar (hum!)

Seria tudo muito melhor
Se a música falasse por si só
Dá raiva da vida
Nada existe sem classificar (não!)

Penso, tento
Achar palavras pro meu sentimento
Tanto é pouco, nada diz
Não é triste, nem feliz

Mesmo sendo
Um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais

Pensei em mil palavras, e enfim
Nenhuma das palavras coube em mim
Não vejo saída
Como vou dizer sem me calar?

Diria mudo tudo o que faz
Minha vida andar de frente para trás
Uma frase perdida
Num discurso feito de olhar

Penso, tento
Achar palavras pro meu sentimento
Tanto é pouco, nada diz
Não é triste, nem feliz

Mesmo sendo
Um pranto, um choro ou qualquer lamento
Nada importa, tanto faz
Se é pra sempre ou nunca mais

Não é medo, nem é riso
Não é raso, não é pouco, nem é oco
Não é fato, nem é mito
Não é raro, não é tolo, não é louco
Não é isso, não é rouco
Não é fraco, não é dito, não é morto
Não, não, não, não!

Eu sei que nada tenho a dizer
Pensei em mil palavras, e enfim
Seria tudo muito melhor
Pensei
Seria
Se um dia alguém puder me entende

11 de maio de 2010

Alimentando-se de luz

Muita gente bem que queria uma dieta como essa, né não?

Mas lendo a Folha de SP hoje, olha o que eu encontrei:
Indiano que "não come nem bebe nada" intriga cientistas
DA REDAÇÃO

Um iogue octogenário que diz ter vivido mais de sete décadas sem beber ou comer tem causado espanto em cientistas da Índia.
Prahlad Jani, 83, passou duas semanas sob constante observação de 30 médicos e de câmeras de filmagem, em estudo que terminou na última quinta. No período, ele não ingeriu nada, não urinou nem defecou, segundo os observadores. "Continuamos sem saber como ele sobrevive. É um mistério", disse Sudhir Shah, neurologista.
"O único contato de Jani com líquidos foi para fazer gargarejos ou se lavar", disse G. Ilavazahagan, especialista em fisiologia. "Se ele não tira sua energia dos alimentos ou da água, deve tirá-la de outras fontes, e o sol é uma delas", ponderou Shah.
O estudo foi conduzido pelo Ministério da Defesa, que quer tirar de Jani lições sobre sobrevivência para militares e vítimas de tragédias naturais. Os resultados finais são prometidos para os próximos meses.
Em sua aldeia natal de Ambaji (norte), o iogue alega que foi abençoado por uma deusa quando tinha oito anos e que isso lhe permite viver sem alimentos.
Em 2003, segundo a BBC, ele já passara dez dias sob observação de uma equipe médica, também sem consumir nada, mas apresentando boa saúde mental e física.

5 de maio de 2010

Asinha quebrada

Encontrei aquela "nossa" foto hoje.
Aquela com roupas espalhadas pelo chão. Retrato de mais uma entre tantas noites de amor e sexo, de sexo com amor, de sexo apenas. Registro da nossa devassidão, do nosso desejo, da sede dos nossos corpos...

Encontrei também aquelas mensagens no meu celular.

Cheguei a conclusão de que eram duas pessoas completamente diferentes de quem somos hoje. Talvez por isso voltar ao passado tenha se tornado impossível. E quer saber? Não fiquei triste, não chorei, não quis voltar, não senti falta.

Pra falar a verdade - eu sempre falo a verdade - nem sei porque estou escrevendo essas palavras embaçadas.
Sim, porque eu estou sem óculos, e não vejo direito o mundo ao meu redor, muito menos enxergo com clareza as palavras que meus dedos vão digitando. E pra ser sincera, eu sempre sou sincera, eu acho que... acho que deveria tomar meu banho, perfumar minha pele e sair para ver o mar.

A noite está quente e abafada, diferente das manhãs frias e secas.
Minha boca arde, não pelo desejo dos teus beijos, mas porque a sinusite atacou novamente e o médico receitou os mesmos remédios de sempre. Aí fico assim: sem fôlego por nada.

Quanto ao coração, eu mesma me receitei os mesmos remédios de sempre: amor-próprio.

Pareço um passarinho com uma asa quebrada.

Uma só asa quebrada... Uma asa só... Uma casa, só. Casa. Só.
E não tem como não lembrar dela, da senhorita Furtado. "I'm like a bird, I always fly away... I don't know where my home is..."

Minha asa é meu coração. Não que eu tenha dois corações, eu sei que essa foi uma comparação boba...

Se bem que às vezes parece, sim, que eu tenho dois, desse que todo mundo julga ser o órgão responsável pelas emoções. Aliás, acho que a cabeça fica acima dele justamente por uma questão de hierarquia, pra dizer quem manda.

No meu caso não adianta muito, não: Eu sempre fui criança levada, dessas que sobem em árvores, se escondem por tardes inteiras, dessas que ralam o joelho-cotovelo-extremidade-qualquer de tanto brincar, sempre fui de questionar as ordens, as regras, por mais que no fim eu tenha cumprido com (quase) todas elas... E nessas peraltices eu nunca quebrei nada. Só o coração. Quebrei por ter esquecido que o bichinho é frágil feito asa de passarinho. Talvez eu quisesse voar mais longe e mais alto do que minhas pobres asinhas aguentavam. Talvez...

Ou talvez o meu erro tenha sido flor de lis.

Olha, eu não quero me estender muito não, sei que to meio Alice hoje, que qualquer lugar está bom, mas não pode ser assim, não deve ser assim, não vai ser assim.

As palavras hoje parecem ter bebido (ou seria comido? eu nunca lembro, eu sempre me confundo) aquela coisa/líquido e estão crescendo assustadoramente.

É melhor eu me despedir, encerrar por aqui. Preciso dormir para ver o sol nascer.