5 de maio de 2010

Asinha quebrada

Encontrei aquela "nossa" foto hoje.
Aquela com roupas espalhadas pelo chão. Retrato de mais uma entre tantas noites de amor e sexo, de sexo com amor, de sexo apenas. Registro da nossa devassidão, do nosso desejo, da sede dos nossos corpos...

Encontrei também aquelas mensagens no meu celular.

Cheguei a conclusão de que eram duas pessoas completamente diferentes de quem somos hoje. Talvez por isso voltar ao passado tenha se tornado impossível. E quer saber? Não fiquei triste, não chorei, não quis voltar, não senti falta.

Pra falar a verdade - eu sempre falo a verdade - nem sei porque estou escrevendo essas palavras embaçadas.
Sim, porque eu estou sem óculos, e não vejo direito o mundo ao meu redor, muito menos enxergo com clareza as palavras que meus dedos vão digitando. E pra ser sincera, eu sempre sou sincera, eu acho que... acho que deveria tomar meu banho, perfumar minha pele e sair para ver o mar.

A noite está quente e abafada, diferente das manhãs frias e secas.
Minha boca arde, não pelo desejo dos teus beijos, mas porque a sinusite atacou novamente e o médico receitou os mesmos remédios de sempre. Aí fico assim: sem fôlego por nada.

Quanto ao coração, eu mesma me receitei os mesmos remédios de sempre: amor-próprio.

Pareço um passarinho com uma asa quebrada.

Uma só asa quebrada... Uma asa só... Uma casa, só. Casa. Só.
E não tem como não lembrar dela, da senhorita Furtado. "I'm like a bird, I always fly away... I don't know where my home is..."

Minha asa é meu coração. Não que eu tenha dois corações, eu sei que essa foi uma comparação boba...

Se bem que às vezes parece, sim, que eu tenho dois, desse que todo mundo julga ser o órgão responsável pelas emoções. Aliás, acho que a cabeça fica acima dele justamente por uma questão de hierarquia, pra dizer quem manda.

No meu caso não adianta muito, não: Eu sempre fui criança levada, dessas que sobem em árvores, se escondem por tardes inteiras, dessas que ralam o joelho-cotovelo-extremidade-qualquer de tanto brincar, sempre fui de questionar as ordens, as regras, por mais que no fim eu tenha cumprido com (quase) todas elas... E nessas peraltices eu nunca quebrei nada. Só o coração. Quebrei por ter esquecido que o bichinho é frágil feito asa de passarinho. Talvez eu quisesse voar mais longe e mais alto do que minhas pobres asinhas aguentavam. Talvez...

Ou talvez o meu erro tenha sido flor de lis.

Olha, eu não quero me estender muito não, sei que to meio Alice hoje, que qualquer lugar está bom, mas não pode ser assim, não deve ser assim, não vai ser assim.

As palavras hoje parecem ter bebido (ou seria comido? eu nunca lembro, eu sempre me confundo) aquela coisa/líquido e estão crescendo assustadoramente.

É melhor eu me despedir, encerrar por aqui. Preciso dormir para ver o sol nascer.

2 comentários:

  1. Adoooooooooorei o texto, me identifico bastante...
    Também só quebreimeuc oração nessa história toda de tentar voar! Mas sempre há forças, vindas n sei da onde... mas que há,há! :D
    beijos

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  2. Seus textos são sempre incríveis.

    Conserte suas asas, e vai voaaaaaaaaaaaaaar, menina! :D

    Porque o mundo é enorme demais pra perder tempo olhando o que passou.

    Beijo grande! :)

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