30 de junho de 2010

É

Tantas e tantas são as palavras que brotam no silêncio de mais uma manhã.
Tantos os clichês que insistem em aparecer pra falar de amor.

Brega. O amor é brega em sua essência. Brega e bobo. Brega, bobo e bom.
Traz consigo uma leveza, uma paz, algo que só um sorriso sincero consegue traduzir. Um sorriso bobo, que perdura por horas a fio, sorriso que faz companhia à ausência do teu repouso, ausência do teu silêncio.

Vivo disso. Vivo de traduzir em palavras, sorrisos, ações, vivo traduzindo pensamentos em outras coisas, sentimentos em preocupações, frio em arrepios. Traduzo também tesão em arrepios.

Não quero fazer sentido. O sentido que eu quero é caminhar na tua direção.
É ir, e saber que você vem ao meu encontro. É me jogar, mesmo. De verdade verdadeira.

Cem, duzentos, mil por cento. De corpo inteiro. De alma entregue.
De coração lavado; lavado, curado e bem tratado.

Brotam.
As palavras brotam. Brotam e vão surgindo linhas e mais linhas. Sem nexo, sem coesão. Amar não faz sentido, não tem que fazer sentido, não tem que ter (muita) razão.

É. É e ponto final.

28 de junho de 2010

...

A sede daqueles beijos urge em meu corpo.
Cada marca tua, cada marca nossa, cada lembrança maltrata ainda mais, deixa no peito esse vazio insaciável.

Vou preenchendo com palavras esse vazio, característico dos momentos em que não posso te ouvir, momentos em que não posso sentir tua pele junto a minha.

Vou escrevendo, registrando os desejos, os planos e os sonhos.
Aí percebo que não preciso sonhar, o primeiro passo já é realidade.

25 de junho de 2010

Elas

Parcas, poucas e confusas palavras
e s p a ç a d a s
Jogadas ao acaso, ao espaço
Ao lugar onde não consigo colocar um nome

Palavras de amor, de ódio, de raiva ou saudade
Versos que vem e vão para outra cidade

Repetidas
Com ou sem nexo
Repetidas, eu disse
Incansavelmente, inconstantemente, aleatoriamente

Colocadas no lugar das doces declarações de amor
No lugar de toda aquela dor
Posicionadas incorretamente, sim senhor.

Sem medidas
Como aquele sentimento
Como a fome que meu corpo sente do teu

23 de junho de 2010

Proa e vela

Das palavras não escritas me desfaço
sou prosa e não poesia
Sou proa; você, vela
Você na cor: branco, eu no verbo: o teu sono.



Você toca, eu sigo
Você pede, eu fico
Eu vou, volto, fico, cuido
Descuido-me também



Faço uma prece
Digo amém

Sou prosa
em minhas conversas nunca coloco um fim

17 de junho de 2010

Cataratas

Não construir rimas, não escrever palavras sem sentido ou vazias.
O que escrevo é reflexo da vida que levo, da vida que me permito levar. Se bem que cada palavra carrega seu significado, mesmo que desnecessário seja explicar o sentido da coisa.

O tempo tem sido gracioso comigo. Como uma catarata ao contrário, minha visão torna-se cada dia mais límpida.

Ainda levo os velhos óculos, aquele de lentes riscadas. Ainda vejo as mesmas pessoas, agora mais velhas, não tão maduras, mas acrescida das marcas que o tempo insistiu em deixar. Ainda enxergo tudo embaçado por conta do astigmatismo que sempre me acompanhou, mas a visão que melhora, a das cataras invertidas, é aquela que vê além, que não vê só os corpos, não só o físico.

Confesso evitar os questionamentos que o coração me tem proposto. Não sei se me apego às possíveis consequências ou se vou vivendo um dia de cada vez, como se não houvesse amanhã, como se eu nunca tivesse me machucado.

Telefonemas alegram o dia. O velho sorriso bobo dá as caras e dura por alguns minutos: os instantes necessários para escrever estas palavras.

“Alguém bateu com a cabeça” digo a mim mesma em voz baixa.
A vida dá voltas. Gira em torno de si mesma e retorna sem explicar-se.
Bailarina graciosa com suas piruetas pelo ar. Movimentos repetitivos e chegaremos à perfeição. Relacionar-se é dançar no mesmo ritmo.

- Vem cá, me deixa te conduzir.
- Para onde vamos?
- O destino é incerto, vamos apenas dançar. Vem, segura minha mão. Confia?
- Não sei se consigo.
- Nem eu, mas o que temos a perder? Eu também tenho medo.

14 de junho de 2010

#musicmonday

Não deixe um sussurro te assustar
Nem pense como eles vão pensar
Só ouça o nosso coração bater
Não precisa dizer nada, eles nunca vão saber

Sandy e Jr - Alguém como você

10 de junho de 2010

Música do dia: Cordão

Ninguém
Ninguém vai me segurar
Ninguém há de me fechar
As portas do coração
Ninguém
Ninguém vai me sujeitar
A trancar no peito a minha paixão

Eu não
Eu não vou desesperar
Eu não vou renunciar
Fugir
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir

Ninguém
Ninguém vai me ver sofrer
Ninguém vai me surpreender
Na noite da solidão
Pois quem
Tiver nada pra perder
Vai formar comigo o imenso cordão

E então
Quero ver o vendaval
Quero ver o carnaval
Sair
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Alguém vai ter que me ouvir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder seguir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder...

Chico Buarque - Cordão
foto:/zylenia

9 de junho de 2010

"Cartolando"

Não quero mais
Amar a ninguém
Não fui feliz
O destino não quis
O meu primeiro amor
Morreu como a flor
Ainda em botão
Deixando espinhos
Que dilaceram meu coração


Não quero mais!

6 de junho de 2010

Roleta russa...

Acordei de sobressalto, as palavras queriam sair e não me deixaram dormir nem por mais um segundo. Era urgente. É urgente.
Como num sonho, pulei da cama e cheguei até aqui. Comecei traduzir os sentimentos desse jeito que só eu sei.
Perfeição não existe, celebramos as coisas erradas.
E de fato há muita estupidez humana, há ódio entre as nações. E eu entendo as proporções. Se dois indivíduos não conseguem se respeitar ainda quando dizem haver amor, imagine quando há disputa pelo poder?
Sonhei. Na verdade não sei se foi sonho, ou se foi eco das palavras escutadas, anos atrás, momentos atrás: já não importa.
A vida é um ciclo. Não só a minha vida, mas a vida de todos. Sem exceções. E tudo que vai, volta de um jeito ou de outro, seja igualzinho ao que aconteceu antes, seja uma mera adaptação, o roteiro já está escrito. Outros atores, um ou outro personagem a mais ou a menos.
Passo a ter medo do que vem pela frente. Eu sempre temi meu sexto sentido. Acho que sei por que ele é tão forte, no fim eu já vi tudo isso acontecendo. Numa outra perspectiva é verdade, mas vi.
Olho ao redor, vejo os outros envolvidos naquilo que chamo de passado, naquilo que chamo de vida, percebo que a “roda da vida” também girou para eles. Situações conhecidas, papéis diferentes.
E isso não é uma maldição, mas vejo choro e ranger de dentes. E não consigo ficar em paz.
É isso que me falta: paz. É a falta de paz que me tira o sono.

4 de junho de 2010

Another sunset

Another sunset was entering at my room.
While the birds were coming back to their nests, I started to think about us again.

Are we like birds? We have nests? Am I your house?
Could you, please, come back to our house? These and other questions, full-off my head. My dirty head.

Singing with Anthony Kiedis. Singing and sharing this lonely view.

My English is too bad for writing. My feelings are too bad for life.

3 de junho de 2010

Sunset

É de tarde e a solidão invade o quarto junto com os últimos raios de sol do dia.
Conto os minutos para que a cama me abrace novamente e eu volte a sonhar com os teus beijos, com os nossos beijos.
Verde, vermelho, não importa, a vida contigo não é preto-e-branco.

Levo no olhar um sorriso teu.
Na alma, o teu cheiro. Lembranças que insistem em rondar a minha cabeça.
Desejos.

Lentamente a noite vai chegando e se acomodando, a escuridão e o frio pedem o calor dos corpos.

Distância.
Mensagens. Eu ainda te sinto aqui comigo.