17 de junho de 2010

Cataratas

Não construir rimas, não escrever palavras sem sentido ou vazias.
O que escrevo é reflexo da vida que levo, da vida que me permito levar. Se bem que cada palavra carrega seu significado, mesmo que desnecessário seja explicar o sentido da coisa.

O tempo tem sido gracioso comigo. Como uma catarata ao contrário, minha visão torna-se cada dia mais límpida.

Ainda levo os velhos óculos, aquele de lentes riscadas. Ainda vejo as mesmas pessoas, agora mais velhas, não tão maduras, mas acrescida das marcas que o tempo insistiu em deixar. Ainda enxergo tudo embaçado por conta do astigmatismo que sempre me acompanhou, mas a visão que melhora, a das cataras invertidas, é aquela que vê além, que não vê só os corpos, não só o físico.

Confesso evitar os questionamentos que o coração me tem proposto. Não sei se me apego às possíveis consequências ou se vou vivendo um dia de cada vez, como se não houvesse amanhã, como se eu nunca tivesse me machucado.

Telefonemas alegram o dia. O velho sorriso bobo dá as caras e dura por alguns minutos: os instantes necessários para escrever estas palavras.

“Alguém bateu com a cabeça” digo a mim mesma em voz baixa.
A vida dá voltas. Gira em torno de si mesma e retorna sem explicar-se.
Bailarina graciosa com suas piruetas pelo ar. Movimentos repetitivos e chegaremos à perfeição. Relacionar-se é dançar no mesmo ritmo.

- Vem cá, me deixa te conduzir.
- Para onde vamos?
- O destino é incerto, vamos apenas dançar. Vem, segura minha mão. Confia?
- Não sei se consigo.
- Nem eu, mas o que temos a perder? Eu também tenho medo.

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