31 de julho de 2010

Circun...

Amanheci com esse gosto amargo na boca, esse ciúme mal digerido que insisto em arrotar enquanto me olho ao espelho.
Pernas finas, hein garota? Essas pernas que, mesmo finas, são recheadas de tanta loucura não te levarão a lugar algum/nenhum/a algum lugar. Elas apenas fazem com que o rastro da falta de razão fique maior. Como um raio, aumentando o diâmetro das coisas, dos problemas, das minhas dores de cabeça.

Não quero círculos, não quero ciclos, não quero circo. Cansei de palhaços, bailarinas, equilibristas na corda bamba. Cansei do cai-não-cai-quase-cai, cansei da plateia que, diferentemente e exclusivamente neste caso, insiste em ver desgraça e dor, que insiste em querer ver o circo/círculo/ciclo pegar fogo.

Eu quero a volta. Eu quero envolta, o entorno, o terno. Quero os meus braços, meus laços, tudo isso, misturado com as coisas e a vida da Realeza que doma e deixa manso o tigre. O sangue azul, capaz de ser visto correndo pelas veias através da pele tão branca e tão macia, carrega a chave do reino desconhecido.

Quero um espetáculo de amor, não uma peça de teatro, não um romance-policial, não uma ficção. Quero a biografia autorizada desse amor.

...

Amanheci com esse gosto amargo na boca, esse teu medo de ser feliz espalhado no céu da minha boca.

A balança sempre pesa pra um lado, fica em cima o lado vazio.
Agora eu quero ficar por baixo.

28 de julho de 2010

...

Sabe, em momentos assim, em momentos onde só existe eu e você, e mais ninguém, onde só o nosso riso intercala com nossos gemidos, em momentos onde tudo é prazer, nesses momentos que eu fico repetindo non-stop aqui na minha cabeça, sabe, esses momentos é que fazem a vida valer a pena.

Pelo menos a minha vida vale mais a pena.
Aí qualquer loucura paga o preço desse amor.
Aí o preço ainda é barato pro tanto de coisa que eu levo pra casa depois. E eu levo esse sorriso, e a certeza de que não é e não será em vão.

Sabe, eu não tenho do que reclamar.
Eu sou feliz quando sinto teus lábios tocando meu ombro entre um "eu te amo" e outro.
Sou feliz quando escrevo essas ficções baseadas na minha vã imaginação.

Sou feliz quando invento uma vida e me percebo vivendo-a.
Sou feliz quando me vejo nos teus olhos, ainda que essa seja só mais uma cena do nosso roteiro que ainda não foi gravada.

24 de julho de 2010

Outro dia

Um dia, acordei, vi o sol nascer e decidi que assim seria. E assim foi.
Hoje é outro dia.
Decidi.

Assim vai ser.

...

Vou dizer que inventei o amor. Que criei você.
Vou dizer que inventei o amor, você e a dor. Na verdade, a dor é só quando você está longe. E estar longe não quer dizer distante. E junto não quer dizer perto, por mais que a distância, neste exato momento, seja o que mais me dói.
 
Vou dizer que te criei só pra mim, que te fiz personagem dos meus romances, dos meu enlaces, das minhas histórias. Quem sabe até dos meus rolos. Na verdade eu gosto mesmo é quando a gente se enrola e rola pela cama, pelo chão, pelo tapete da sala, pela escada, pelos ares...
 
Vou dizer por aí que somos um pronome. Que somos um verbo. Que encarnamos as dores, os amores, as criações mais bizarras. Vou dizer que somos um conto de fadas, uma fábula, uma história baseada em fatos reais. Tão reais quanto as lágrimas que escorrem quando a saudade aperta.
 
Vou dizer que não me importo, vou dizer que desisto quando tudo o que eu mais quero é insistir nessa coisa de te conquistar cada dia um pouco mais, mas eu não minto, então não vou dizer isso...
 
Vou dizer que não dá mais. E de fato, não dá. Não dá pra ficar sem teu sorriso, sem teu cheiro, sem tua pele, sem teu toque. Não dá pra esperar amanhã, na verdade não consigo esperar nem mais meia hora, trinta minutos contados no relógio, não dá pra esperar pra dizer que é de verdade, que é pra valer, que esse amor veio e tomou conta do que eu sou e principalmente: do que eu quero ser.
 
Vão dizer que eu não presto. Mas você me testa, você me prova, você me aprova. Vão dizer que eu não existo, vão dizer que eu não persisto, vão dizer que não dá certo, que é incerto.
 
Vão dizer que é errado.
 
Mas de que nos importa?
Sabe o que importa? Eu vou te dizer: O que importa é aquilo que a gente já sabe e que, de tão bom, ninguém mais vai provar...

23 de julho de 2010

Sobre a boca

Não me censura, amor. Não pousa esses dedos sobre a minha boca, querendo calar-me. Me deixa gritar, me deixa sair na rua nua gritando teu nome e falando do nosso amor pelo mundo afora.
Ok, eu sei que sou exagerada. E você sabe que quando eu quero eu sou sensata. Eu quero ser sensata sempre que você está por perto. E quando você não está também.
 
Não me censura, meu amor. Não me olha com estes teus olhinhos de jabuticaba, com essa cara de fruta madura que me dá vontade de morder, e arder em desejo. Deixa que eu me calo sozinha enquanto tua voz inunda meus ouvidos e me conta teus segredos. Me deixa com essa cara de boba, essa que você diz ser fofa...
 
Eu sonhei outra vez com o nosso apartamento e com aquele fim de semana na serra. Não me pede pra calar-me quando coloco num outdoor nossos planos. Deixa esse povo morrer de inveja que ainda ontem comprei num lugar escondido uma caixa daquele colírio diet, aquele bom pra olho-gordo.
 
Quanto aos teus dedos, esses que pressionam levemente a minha boca num “xiu” fofo e delicado, escorrega com eles pelo meu corpo e me faz uma massagem, os últimos dias estão puxados, você bem sabe... Dá me aquela dose de carinho capaz de curar qualquer ferida, capaz de dar vida nova à fênix.
 
Cala a minha boca com a tua boca e beija-me como se não houvesse amanhã. Gosto dos nosso beijos, úmidos, intensos e duradouros. Gosto de estremecer em tuas mãos e desejar mais uma, duas, quinze horas, semanas, séculos ao teu lado. Uma vida inteira ainda é pouco pro que temos pra viver.

21 de julho de 2010

O necessário

Preciso deixar de lado essas dores.
Esses amores.
Essas dores desses amores.

Dissabores.

Diferentes. Dia e noite.

Preciso da cura, da presença. Do abraço que quando presente cura qualquer dor, qualquer amor.
Preciso eliminar esse vazio que a ausência faz presente.
Preencher qualquer lacuna, essa lacuna, espuma do mar que arrebenta contra as pedras... Preencher este espaço entre meus braços, esse vão, essa coisa pulando e pedindo a todo instante pra não ser mais uma vã história.

Preciso provar pra alguém, pra ninguém, pra todo mundo, pra ESSE mundo dentro de mim, dentro de ti, que todo esforço vale a pena.

Dar um tiro na dúvida, atirar-se de cabeça, da cabeça aos pés, enlouquecida, ensandecida, enfurecida, com toda raiva/vontade/amor desse mundo.

Fazer sexo, fazer amor, dar e comer, meter, foder... usar todas as palavras, preposições, verbos e suas conjugações, desculpas e disposições: na cama, sob a cama, acima e abaixo do sol, na cozinha, na escada, fazer da emergência uma urgência e urgir, gritar esparramar. No final tomar um café pra adoçar a vida com o gosto amargo e forte da bebida.

Necessidades desnecessárias. Importâncias. Cada qual em seu lugar...
E essa eloquência, essas palavras cuspidas na penumbra, escarradas na folha em branco, vomitadas... Tudo isso há de aliviar, por alguns instantes, por breves segundos, essas vontades que insistem em nascer no meu peito feito erva daninha...

10 de julho de 2010

A morte anunciada do Zé

O Zé tá morrendo. Tá nas últimas. Não sei se você ficou sabendo, mas ele desistiu dessa vida, quer sair da bagunça, virou homem sério, continua sendo o macho alfa de sempre, todo orgulhoso, desses, que acha uma ofensa a dama pagar as contas, desses que se orgulha de abrir a porta do carro, puxar a cadeira, enfim, o Zé agora diz que quer tomar rumo na vida, casar, ter filhos, essas coisas...

Anda cabisbaixo, coitado.
O Zé pediu pra falar que está desenganado da vida. Diz ele que, agora, é José, como o Saramago - que vai escrevendo, escrevendo, escrevendo - o Zé vai vivendo, vivendo, e amadurecendo. Vai sendo. E quanto mais o Zé vive, mais ele vê que não quer viver. O Zé amadurece, cai, feito fruta madura. E quanto mais saborosa fica a fruta, mais perto do fim, fica o Zé.

Mas deixa o ex-Zé pra lá. Ele está morrendo mesmo.

9 de julho de 2010

O muro voltou

Coloquei Cazuza só pra ver se bate uma "vibe" meio Caio F. pra escrever. Me dei conta que não, não vou conseguir escrever, não tenho tanto talento não tenho tantas dores, não tenho essa coisa fodida de ir escrevendo, escrevendo e pá pum, tá pronto. Pra falar a verdade eu nem tenho pretensões com essa escrita torta, errada, essa escrita às avessas.

Ai Cazuza canta Ritual. Eu me perco nas palavras enquanto presto atenção na letra "O amor na prática é sempre ao contrário...".

Fico surda, canto junto. Uso fones. Não consigo mais ouvir nas caixas de som as minhas músicas favoritas. Quero tudo dentro, quero a música dentro de mim junto com os fones, quero me isolar do mundo lá fora, me fechar dentro de mim mesma.

É estranho, parece que ando prendendo até as palavras dentro de mim: gaguejo, troco letras. Eu não era assim.

Eu ergo muros, lembra? E entrego as chaves dessa pseudo fortaleza pra poucas pessoas.
Eu tinha mais palavras, eu juro que eu tinha. Mas o Cazuza, ah o Cazuza...

Aí eu fico aqui, dando voltas...
circulando, circulando... pensando nas nossas lembranças, me perguntando se você ainda pensa nelas também... Vou enchendo de reticências essa história que não sei onde vai chegar. Esse "bad romance" que a gente vive, que a gente insiste em deixar no looping.

O sono dá sinal de vida, eu vou narrando, contando, proseando com meus amigos invisíveis.

Vejo fotos. Ela é feia. Eu a acho feia.

Troco a aba. Escondo meus olhos embaixo do chapéu.
Leio coisas que não são minhas, mas que eu sei que eram pra mim. Volto ao passado, dou um pulo em 2007 e... e... E vazio, né? Vazio. Nem ao menos uma palavra a ser dita hoje sobre 2007.

Dois mil e sete. No ano de dois mil e sete eu tinha certezas. Não eram as melhores, não eram tantas, não eram nem sete, mas eram, e o fato de serem, serem ou estarem, bem... Esse fato me deixava em paz.

O que eu tenho hoje?
Eu tenho esse muro. Esse muro enorme, essa coisa sensível dentro de mim, essa criatura que mora dentro dos muros, dentro da fortaleza. Tenho a Fera. Sou como a Fera. Um tigre, lembra? Você lembra de como eu dizia que não estava apaixonada? Rio sozinha. Só rio. Sorrio.

A água da lágrima traz a lembrança e leva o pensamento, a cabeça e tudo mais o que eu tenho aqui, agora, pra perto de ti.

6 de julho de 2010

Aquelas pernas

As pernas passam e levam junto meus pensamentos. Pé ante pé.

Passo a passo, repasso os últimos acontecimentos.

O par de pernas volta. Meu par de olhos acompanha. Quero de volta meu fuso horário japonês, horário que me faz dar boa noite quando o correto é dar bom dia.

Pergunto-me o que será agora daquelas serenatas. Aquelas que ficaram só nos meus planos. Planos que são muitos. Que eram de uma vida toda. Histórias para dormir, reuniões no colégio dos filhos.

Detalhes.
Cada vírgula fantasiada na minha cabeça inconsequente, juvenil.
As pernas passeiam. Minhas pernas não me levam a lugar algum.

Faço coisas que nem sei por quê, coisas que não sei como explicar.