31 de julho de 2010

Circun...

Amanheci com esse gosto amargo na boca, esse ciúme mal digerido que insisto em arrotar enquanto me olho ao espelho.
Pernas finas, hein garota? Essas pernas que, mesmo finas, são recheadas de tanta loucura não te levarão a lugar algum/nenhum/a algum lugar. Elas apenas fazem com que o rastro da falta de razão fique maior. Como um raio, aumentando o diâmetro das coisas, dos problemas, das minhas dores de cabeça.

Não quero círculos, não quero ciclos, não quero circo. Cansei de palhaços, bailarinas, equilibristas na corda bamba. Cansei do cai-não-cai-quase-cai, cansei da plateia que, diferentemente e exclusivamente neste caso, insiste em ver desgraça e dor, que insiste em querer ver o circo/círculo/ciclo pegar fogo.

Eu quero a volta. Eu quero envolta, o entorno, o terno. Quero os meus braços, meus laços, tudo isso, misturado com as coisas e a vida da Realeza que doma e deixa manso o tigre. O sangue azul, capaz de ser visto correndo pelas veias através da pele tão branca e tão macia, carrega a chave do reino desconhecido.

Quero um espetáculo de amor, não uma peça de teatro, não um romance-policial, não uma ficção. Quero a biografia autorizada desse amor.

...

Amanheci com esse gosto amargo na boca, esse teu medo de ser feliz espalhado no céu da minha boca.

A balança sempre pesa pra um lado, fica em cima o lado vazio.
Agora eu quero ficar por baixo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário