9 de julho de 2010

O muro voltou

Coloquei Cazuza só pra ver se bate uma "vibe" meio Caio F. pra escrever. Me dei conta que não, não vou conseguir escrever, não tenho tanto talento não tenho tantas dores, não tenho essa coisa fodida de ir escrevendo, escrevendo e pá pum, tá pronto. Pra falar a verdade eu nem tenho pretensões com essa escrita torta, errada, essa escrita às avessas.

Ai Cazuza canta Ritual. Eu me perco nas palavras enquanto presto atenção na letra "O amor na prática é sempre ao contrário...".

Fico surda, canto junto. Uso fones. Não consigo mais ouvir nas caixas de som as minhas músicas favoritas. Quero tudo dentro, quero a música dentro de mim junto com os fones, quero me isolar do mundo lá fora, me fechar dentro de mim mesma.

É estranho, parece que ando prendendo até as palavras dentro de mim: gaguejo, troco letras. Eu não era assim.

Eu ergo muros, lembra? E entrego as chaves dessa pseudo fortaleza pra poucas pessoas.
Eu tinha mais palavras, eu juro que eu tinha. Mas o Cazuza, ah o Cazuza...

Aí eu fico aqui, dando voltas...
circulando, circulando... pensando nas nossas lembranças, me perguntando se você ainda pensa nelas também... Vou enchendo de reticências essa história que não sei onde vai chegar. Esse "bad romance" que a gente vive, que a gente insiste em deixar no looping.

O sono dá sinal de vida, eu vou narrando, contando, proseando com meus amigos invisíveis.

Vejo fotos. Ela é feia. Eu a acho feia.

Troco a aba. Escondo meus olhos embaixo do chapéu.
Leio coisas que não são minhas, mas que eu sei que eram pra mim. Volto ao passado, dou um pulo em 2007 e... e... E vazio, né? Vazio. Nem ao menos uma palavra a ser dita hoje sobre 2007.

Dois mil e sete. No ano de dois mil e sete eu tinha certezas. Não eram as melhores, não eram tantas, não eram nem sete, mas eram, e o fato de serem, serem ou estarem, bem... Esse fato me deixava em paz.

O que eu tenho hoje?
Eu tenho esse muro. Esse muro enorme, essa coisa sensível dentro de mim, essa criatura que mora dentro dos muros, dentro da fortaleza. Tenho a Fera. Sou como a Fera. Um tigre, lembra? Você lembra de como eu dizia que não estava apaixonada? Rio sozinha. Só rio. Sorrio.

A água da lágrima traz a lembrança e leva o pensamento, a cabeça e tudo mais o que eu tenho aqui, agora, pra perto de ti.

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