23 de julho de 2010

Sobre a boca

Não me censura, amor. Não pousa esses dedos sobre a minha boca, querendo calar-me. Me deixa gritar, me deixa sair na rua nua gritando teu nome e falando do nosso amor pelo mundo afora.
Ok, eu sei que sou exagerada. E você sabe que quando eu quero eu sou sensata. Eu quero ser sensata sempre que você está por perto. E quando você não está também.
 
Não me censura, meu amor. Não me olha com estes teus olhinhos de jabuticaba, com essa cara de fruta madura que me dá vontade de morder, e arder em desejo. Deixa que eu me calo sozinha enquanto tua voz inunda meus ouvidos e me conta teus segredos. Me deixa com essa cara de boba, essa que você diz ser fofa...
 
Eu sonhei outra vez com o nosso apartamento e com aquele fim de semana na serra. Não me pede pra calar-me quando coloco num outdoor nossos planos. Deixa esse povo morrer de inveja que ainda ontem comprei num lugar escondido uma caixa daquele colírio diet, aquele bom pra olho-gordo.
 
Quanto aos teus dedos, esses que pressionam levemente a minha boca num “xiu” fofo e delicado, escorrega com eles pelo meu corpo e me faz uma massagem, os últimos dias estão puxados, você bem sabe... Dá me aquela dose de carinho capaz de curar qualquer ferida, capaz de dar vida nova à fênix.
 
Cala a minha boca com a tua boca e beija-me como se não houvesse amanhã. Gosto dos nosso beijos, úmidos, intensos e duradouros. Gosto de estremecer em tuas mãos e desejar mais uma, duas, quinze horas, semanas, séculos ao teu lado. Uma vida inteira ainda é pouco pro que temos pra viver.

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