21 de agosto de 2010

não-soneto

Sonetos não sei escrever. O que sai são esses sons da minha boca, essas ligações de alguns segundos com o tão brega e clichê "é só pra dizer que eu te amo" ouvir o "eu também" e desligar.

Sonetos eu nunca tentei escrever. Me enrolo na métrica. O que eu sei somar é a tua vida na minha e nada mais. As sílabas que separo não são tônicas. O que eu conto é o tempo que falta pra rever teus olhos e reencontrar tua pele.

Essa coisa toda de poesia deixo de lado. Exceto o poeta. Esse muito me interessa.

12 de agosto de 2010

Folha SP: Autorregulamentação no jornalismo

É preciso deixar bem claro que toda interferência governamental no exercício do jornalismo está fadada à inconstitucionalidade

Democracias de verdade dispensam leis de imprensa. Valem para as empresas jornalísticas e os jornalistas as mesmas leis de danos morais que valem para a sociedade em geral.
Disse muito bem um grande jornalista brasileiro, Cláudio Abramo, num texto hoje já clássico, que "não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão". Lembrou Abramo: "O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer?
O cidadão não pode trair a palavra dada, não pode abusar da confiança do outro, não pode mentir".
Mesmo assim, diante da grande presença e da influência que têm os meios de comunicação nas democracias modernas, nelas os jornalistas, as empresas e as associações representativas do setor costumam definir princípios éticos que devem ser obedecidos no exercício da atividade.
De uma forma geral, são princípios que seguem a fórmula simples e evidente do mestre Abramo. No Brasil, muitas empresas jornalísticas têm seus códigos de ética. A Associação Nacional de Jornais também tem seu código de ética e autorregulamentação.
Com o fim da Lei de Imprensa que vigorava até o ano passado, tem crescido no país o debate sobre a necessidade de autorregulamentação mais efetiva do exercício do jornalismo.
Há quem fale em autorregulamentação como antídoto contra a criação de conselhos ou mecanismos chapa-branca de regulamentação, na linha de propostas tentadas nos últimos anos por grupos obscurantistas partidários do "controle social da mídia".
É preciso deixar bem claro que qualquer iniciativa de interferência de instâncias governamentais no exercício do jornalismo estará sempre fadada à inconstitucionalidade. Nossa Constituição é categórica no sentido de que a liberdade de expressão não pode sofrer nenhum tipo de restrição. Por isso, o Supremo Tribunal Federal acabou com a famigerada Lei de Imprensa.
De qualquer forma, contudo, é válido o debate sobre a autorregulamentação. Em outras democracias modernas, em diferentes graus e modelos, a autorregulamentação está institucionalizada.
Criou-se nesses países toda uma cultura de respeito a princípios éticos fundamentais para que o jornalismo siga cumprindo seu essencial papel na sociedade.
Mais do que a criação de uma instância de autorregulamentação, o que precisamos no Brasil é exatamente disseminar ainda mais a cultura de respeito aos princípios éticos do jornalismo.
Os cidadãos devem estar atentos para os códigos de ética de cada jornal, de cada veículo de comunicação, e cobrar que sejam seguidos. Não podemos nunca esquecer que a credibilidade é o maior patrimônio do jornalismo.
Em relação ao Judiciário, o fundamental é que nunca se avance contra os princípios da Constituição e se pratique a censura.
Todo o conceito de liberdade de expressão está baseado no fundamento de que qualquer punição nesse campo se dará sempre a posteriori. Afinal, acima de tudo, a sociedade tem direito à informação, sem restrições ou censura.
A democracia brasileira, da qual muito devemos nos orgulhar, é uma obra em progresso iniciada com a Constituição de 88. A liberdade de expressão consagrada nessa Constituição tem sido um elemento fundamental desse processo e assim deve permanecer.
Cabe avançarmos na cultura da autorregulamentação para valorizarmos o exercício do jornalismo com liberdade e responsabilidade.


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JUDITH BRITO é presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.

Artigo publicado hoje na Folha.
E você acredita na autorregulamentação?

8 de agosto de 2010

Comma

Você me pede Leminski enquanto eu falo de Clarice. Como foi que nos conhecemos mesmo?
Somos os dois lados da mesma moeda. Negativo e positivo que se alternam, que se atraem.

A gente brinca de viver, brinca de relacionamento, brinca com os sentimentos...
Brinca enquanto faz sexo também, por que não?

Volto a pergunta: como foi que nos conhecemos mesmo? Será que a gente só se esbarrou por aí?

Você sabe que eu reparei primeiro e jurei não me apaixonar. Jurei. E, enquanto eu pude, tentei manter minha palavra.

Ontem eu estava brincando com comas. Com coma, comma e comas.
O verbo, o sinal e a pausa. Porque entrar em coma deve ser como dar uma pausa na vida.

Eu brinco com as palavras, você não vê?
Mando meus recados.
Chamo aos outros de loucos e digo meus impropérios. Brincando numa seriedade tão grande que praticamente me deixa nua...

Eu fiz promessas.
Você fez algumas também.

Às vezes só queria que você lembrasse as tuas palavras.
Logo você que escreve tanto quanto eu... Logo você, que escreve tão melhor...
Palavras, quando escritas assim, são como filhos: não tem como esquecer.

Eu não esqueceria um filho meu, um filho teu, um filho nosso.

...

Quase derrubei as cervejas que habitam minha mesa. Na verdade são garrafas. Vazias, impregnam o ar com o doce da cevada. Verdes, lembram que é preciso amadurecer. Alcoólicas, me embriagam enquanto tento afogar esse sentimento, esse vazio no peito.

“I was ready to give you my name...”

6 de agosto de 2010

Sopa de letrinhas

Resolvi admitir: essa tpm tá fodendo comigo. Isso mesmo: f-o-d-e-n-d-o. E não é no sentido legal da expressão. Esse mimimi eterno, essa sensibilidade toda à flor da pele, tudo isso não me pertence.
Faço dramas e mais dramas, Audrey Hepburn fica no chinelo. Nem Paola Bracho faz concorrência. Não que eu esteja atuando. Eu to é tomando autuações mesmo. Tudo culpa desse trânsito astrológico no qual eu não ponho um pingo da minha fé.

Estacionei em lugar proibido, aí tem essa lua fazendo um ângulo obtuso qualquer e obstruindo meu sol... Ah, mas o que eu quero mesmo é sombra e água fresca, merrrrmão.

Sinceramente ando é precisando dumas pinga, uns mé, sabe como é, né?
Preciso, preciso, preciso. Grito pra dentro minhas necessidades.

Tenho medo.
Um medo babaca e incoerente com a situação.
Alguém aqui dentro pode me ouvir?
Partindo do pressuposto que você mora no meu coração, será que você me ouve, câmbio?

Não, não e não, eu não desligo. Tua voz alimenta minha esperança.
Ouça querida, sabe as entrelinhas? Então, eu fiz a encomenda e ainda não chegou. O Amor não está muito bem hoje. Ele tem medo dos trovões, dos rojões. Tem medo do mundo.

Ora, ora. Amor, o cão covarde. Ah não, era Coragem... Coragem, o cão covarde.

O Amor fez amizade com o tigre. Coabitam. Às vezes acho que são gêmeos siameses. Mas só às vezes.

Esse mundo tá confuso demais e eu to me sentindo sozinha.
Eu to chorando sozinha.
Cansa ser gente grande.

Você me vê, mas você não me nota.
Dó, ré, mi... Um grande surto em mim.

Essas palavras vão saindo e arrancando minha carne.
O Amor escondeu-se novamente embaixo da cama.
Preciso das entrelinhas para tira-lo de lá. Me ajuda?

Novo surto, novas linhas vão surgindo.
Vou vomitando essa sopa de letrinhas mal digeridas, mal escritas, mal cozidas, mal cosidas.

Preciso de um amplexo amplo, um amplo amplexo. Ampliar meus horizontes.
Desculpa, eu não fui ao sebo conforme lhe dizia. Mas ainda quero ser um pouco mais parte do teu mundo.

Vem ser parte do meu?
Ah esse surto... Esse medo. Eu odeio sentir medo. E eu estou com medo agora. Medo dessa fraqueza, medo dessa minha fragilidade, medo de me machucar...

Repete que vai ficar tudo bem? Diz de novo aquele “eu te amo” que você jura que é só pra mim, diz?

E me desculpa por não ser sempre tão forte.

Sobre o recado

Acho que ainda não entenderam o recado.
Preciso registrar isso.

O cão que ladra não morde.
No meu braço jaz a marca da arcada dentária pressionada contra minha pele.
Não ladrou, não roubou, apenas marcou.

Saudade absurda.
Palavras desconexas.
Lágrimas...

Ainda procuro... Ainda espero.

5 de agosto de 2010

Um cão chamado Amor...

Preciso de entrelinhas. Nosso Amor se alimenta delas, esqueceu?
Na verdade, o meu Amor necessita delas... Ainda hoje conseguimos uma dose, o que faz com que ele - o Amor - tenha uma sobrevida de algumas semanas.

Não sei qual tipo de entrelinhas você tem disponível aí com você, então por via das dúvidas mande todas assim que possível.

Não que o Amor esteja fraco ou algo do tipo, é que este frio todo e essa distância, que já dura mais de uma semana, faz com que o Amor fique extremamente sensível e até mesmo um pouco tímido. Tão tímido que ao perceber que tem alguém por perto, corre e esconde-se embaixo da cama.

O Amor anda bobo.
Hoje, com as ligações, corria de um lado a outro do escritório. O exercício aqueceu o coração.

Mas o médico pediu que continuemos com as entrelinhas...
Lembra daquele papo de fisioterapia? Então...

Quero ver se consigo treina-lo para que busque além de jornais, livros.
Se bem que o livro que anda me interessando mesmo é aquela biografia, aqueles contos de humor que pensamos em escrever...

Não sei como serão os próximo dias.
Acredito que amanhã fará frio...
Talvez mais frio do que hoje, mas nem ligo.
Abraços costumam esquentar dias assim tão frios.
Longos e aconchegantes. Os melhores abraços. E com amor no meio, é lógico.
Ih! Você esqueceu as entrelinhas? Tudo bem eu trouxe algumas aqui comigo.
Escrevo-as da mesma maneira que confesso meus sentimentos por aí.