28 de setembro de 2010

Café.

Enche, esvazia.
Enche e esvazia.
Ciclo de palavras.
Ciclo do café sobre a mesa...

Palavras vazias com gosto de café na boca.
Um aroma no ar. Talvez o cheiro de saudade.

As palavras fogem, deixam o vazio. Ouço a Chuva de Novembro que chega meses antes.
Passei o dia todo com café na cabeça. Várias ligações, várias lembranças.
E só lembranças não fazem com que o hoje seja melhor do que o ontem.

Enquanto a inércia me consome, despejo palavras no vazio. Pontuação falha, quiçá ortografia também. Não grafo, não gravo. Minha memória seletiva esta especialmente ruim hoje. Já não lembro dos sorrisos, nem os meus nem os teus.
Outro café. Sorriso amarelo.



*para ler ao som de November Rain – Guns ’n Roses
Aliás, a letra hoje é especialmente significativa.

27 de setembro de 2010

A voz do passarinho

Poder presenciar por mais de uma vez um show da doce Tiê, faz com que eu tenha a certeza de que cada nova data em sua turnê de Sweet Jardim é algo único e especial.

Com a leveza característica, Tiê deixa qualquer ambiente, tenha ele 50 ou 200 pessoas, aconchegante e próximo. Um tanto quanto íntimo, o que quase nos faz sentir que estamos numa rodinha de amigos com um violão à mão.

Há pouco mais de um ano conheci a sonoridade dela - que já fez turnê com Toquinho. “Assinado eu” marcou um dos foras mais mal sucedidos que tomei na vida. Depois disso, em vinte e oito de agosto, um cover de Cryin’ do Aerosmith fez com que eu me apaixonasse de vez perdidamente pela voz do passarinho.

Se não cantasse, é fato que Tiê poderia ganhar a vida no palco fazendo “stand up”. Tirar sarro de si mesma, esquecer as letras das próprias músicas, as conversas com Plínio Profeta – parceiro de palco e produtor do disco - contribuem para o riso intimista da plateia, que canta junto grande parte de suas músicas.

Na última sexta, pude conferir mais uma apresentação exclusiva (fotos aqui) no Sesc Ipiranga. Show com gostinho de "quero mais".

Ao final, chego a conclusão que não tem como não sair mais leve, quase voando de um show dessa paulistana.

A turnê de Sweet Jardim está quase no final, se você já viu, vá ver de novo. Se não, corra e apaixone-se você também.

Você acha a Tiê aqui:
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15 de setembro de 2010

sobre o trato

Quase cai da cadeira.
Mesmo carregando o celular tocou. Alonguei-me inteira para pegá-lo em cima da cama. Sabe essas ligações que você não espera, mas sorri sempre que recebe? Essa era mais uma daquelas.

O quarto quente se tornava ainda mais quente em tardes como aquela, tardes em que o sol incidia sem piedade alguma nas paredes e janelas.

O cômodo tão cômodo abrigava as memórias, as noites bem e mal dormidas. Abrigava lágrimas secas em cada canto, enquanto o travesseiro, confidente de tantas coisas, como por encanto, por vezes fazia com que o passar dos dias, o alternar entre “noite-e-dia-dia-e-noite-sem-cessar“, fazia com que essa rotina curasse algumas feridas, muito embora elas não fossem esquecidas.

A ligação durou os minutos permitidos. Seus efeitos porém estenderam-se por mais alguns instantes, alguns tantos instantes quantos os necessários para se perder a noção de tempo. O sorriso durou quase a mesma coisa.

Dez minutos. Era tudo o que ela tinha. Era o quanto lhe restava para colocar nas palavras coisas que ela já havia dito antes.
Dez minutos para lembrar das expectativas.
Dois dias para obter respostas. Ainda que as respostas pudessem vir a ser um silêncio constrangedor, um silêncio traduzido em partida.

5 de setembro de 2010

There can only be one

John Mayer cantarolando aqui na minha orelha. Suco de goiaba sobre a mesa. Uma bagunça sem fim na minha vida.

Friends, lovers or nothing, there can only be one…

E sabe, o amigo John tá mais do que certo.

3 de setembro de 2010

só faltou dizer

só faltou dizer que como todo ser humano: eu canso.
canso de tentar, canso de arrumar, canso de criar esperanças, expectativas.

canso de alimentar desejos.
canso de me frustar e canso de repetições que não agregam nada.

uncategorized

Sabe quando você começa a pouco se foder pra várias coisas?
Pois bem, relacionamentos estão entrando nesse mérito.

Sei lá se isso é fase, se estou ficando velha e ranzinza - da forma como minha mãe sempre praguejou que eu iria ficar – ou se está tudo tão chato e tão sem emoção que eu não sei mais o que eu quero.

Vamos aos fatos, e aqui faço uma espécie de comparação, tal qual acontece em “500 days of Summer “ entre realidade e expectativas.

O que eu quero (quero, queria, sei lá que tempo verbal está de acordo com as minhas vontades):

Namoro sério, desses de família. Sabe aquela coisa de almoçar na casa da sogra, trazer para almoçar em casa? Sabe aquela coisa de ter liberdade de ficar uma tarde inteira só vendo filme na sala? Apesar de não parecer, queria poder fazer essas coisas. Sem maiores dores de cabeça. Quero uma sogra que vá com a minha cara, que converse comigo e não uma que simplesmente me odeie só pelo fato de eu existir e habitar a face da Terra na mesma época na história do Universo e com uma localização geográfica que me dá a possibilidade de encontrar a doce criatura saída de suas entranhas.

Nunca curti pré-conceitos. Nem rótulos. E quando falo de rótulos digo com relação a pessoas. Porque rótulos em outras coisas é algo bem vindo. Por quê? Porque ajuda a organizar a vida. E coisas organizadas são mais fáceis de lidar. É mais prático. E querendo ou não a gente sempre categoriza as coisas. Mesmo as coisas que estão sem rótulo tem um rótulo, uma tag ou etiqueta, se assim você preferir. Ou você nunca ouviu falar em "uncategorized"? (pensando bem até dá pra colocar rótulo nas pessoas, mas são rótulos mutáveis, adaptáveis bla bla bla)

Acho que eu não tenho é paciência. Sabe, quando somos crianças temos aquela coisa de plantar o feijão no algodão e esperar, ver brotar, crescer e cuidar.

Rola todo um lance de descoberta. De expectativa. De ver como a coisa é, ir descobrindo. Eu já sei como o "feijão" brota. Não tenho mais a paciência de uma criança que não sabe como as coisas funcionam. Eu quero o feijão. Pode ser o feijão crú mesmo. Aí decido o que eu faço. Se faço doce, se faço tutu, feijoada - tudo bem que aí teria que ser feijão preto, mas enfim, vocês entenderam.

Gosto de estabilidade. De certezas. Eu sei o que eu quero. E justo por saber o que eu quero me dou o direito de me desviar no caminho, porque sei que o destino continua o mesmo.

O que não significa que eu queira pegar atalhos. Mas por que ir à 58km/h se dá pra ir a 60? Continua seguro, continua devagar, só não está quase parando.

Eu sou sistemática. Eu sei disso. E não tenho muita paciência também. Nunca escondi isso de ninguém. Quem me conhece sabe que quando eu me irrito eu chego "com um quente e dois fervendo". Ok, que é meio difícil me tirar do sério, mas depois que temos esse limite ultrapassado, ah menina...

Só que eu também não tenho paciência para ficar muito tempo brava, com raiva, com "mágoazinhas bobas." Ou seja, passou 15 minutos voltamos com a programação normal.

Sei que sai do "assunto" do post. Tudo bem. No final, de um jeito ou de outro, sempre fica tudo bem.

Eu só precisava escrever.