15 de setembro de 2010

sobre o trato

Quase cai da cadeira.
Mesmo carregando o celular tocou. Alonguei-me inteira para pegá-lo em cima da cama. Sabe essas ligações que você não espera, mas sorri sempre que recebe? Essa era mais uma daquelas.

O quarto quente se tornava ainda mais quente em tardes como aquela, tardes em que o sol incidia sem piedade alguma nas paredes e janelas.

O cômodo tão cômodo abrigava as memórias, as noites bem e mal dormidas. Abrigava lágrimas secas em cada canto, enquanto o travesseiro, confidente de tantas coisas, como por encanto, por vezes fazia com que o passar dos dias, o alternar entre “noite-e-dia-dia-e-noite-sem-cessar“, fazia com que essa rotina curasse algumas feridas, muito embora elas não fossem esquecidas.

A ligação durou os minutos permitidos. Seus efeitos porém estenderam-se por mais alguns instantes, alguns tantos instantes quantos os necessários para se perder a noção de tempo. O sorriso durou quase a mesma coisa.

Dez minutos. Era tudo o que ela tinha. Era o quanto lhe restava para colocar nas palavras coisas que ela já havia dito antes.
Dez minutos para lembrar das expectativas.
Dois dias para obter respostas. Ainda que as respostas pudessem vir a ser um silêncio constrangedor, um silêncio traduzido em partida.

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