27 de outubro de 2010

A guerra no tempo de Cecília

Senti saudades de Cecília. Não porque ela fosse boa companhia, mas porque seus problemas eram menores. Ou porque meus problemas com ela fossem menores.
Naquela época, feridas da guerra não sangravam tanto como sangram hoje. A batalha não era tão intensa e os inimigos eram reais e tinham nome. Nome e sobrenome. Hoje luto contra essa coisa invisível chamada dor.

Tornei-me Maria Dolores. Maria das dores indolores. Maria dessa cegueira branca tal qual Saramago escreveu. Essa coisa branca que envolve e cega. Faz-me bater na mesma tecla. Cecília limpava minhas feridas com álcool. José estava por perto nas horas difíceis. Era ele quem me apresentava novas raparigas. Dessas que todos desejam, mas que poucos se aproximam.

A guerra no tempo de Cecília não era tão dura.

3 comentários:

  1. E ainda não ficou claro quem é Cecília.

    ResponderExcluir
  2. Comentário respondido aqui: http://goiabasverdesfritas.blogspot.com/2010/11/sobre-cecilia-e-sua-irma-perdida.html

    ResponderExcluir