5 de outubro de 2010

Sobre a festa

Era mais uma entre tantas outras festas. Mais um casamento, não fosse a ausência de mensagens no celular, não fosse a diferença de idade entre os noivos, aquela seria uma noite como qualquer outra, mais uma entre tantas.

Seria mais uma noite onde eu explicaria o meu emprego e o porquê de eu trabalhar num horário doido, tudo isso pela enésima vez. Responder às mesmas perguntas às vezes (quase sempre) me cansa.

Os noivos, desta vez de outra cidade e não desta que habito, eram um casal diferente. Talvez o mais diferente que eu tenha tido a oportunidade de colocar sob o foco das minhas lentes. Ela com seus quarenta e poucos anos e ele recém-chegado à casa dos trinta. Já viviam juntos. Dizem que as pessoas quando convivem demais começam a ficar parecidas. Deve ser. O noivo é jovem, mas tem um semblante de pessoa responsável, sereno. A noiva não aparenta ter a idade que tem. Deve ser por ter ao seu lado uma fonte de juventude.

Poderia ser mais uma entre tantas festas. O fato do casal já viver junto por volta de quinze anos não deveria pesar. Era só uma festa. Era pra ser só uma festa.

Senti falta das mensagens de carinho que costumavam chegar em meu celular, e que eu furtivamente costumava me esforça pra responder.
Atrás da mesa do bolo reparei nas pessoas ali presentes. Dançando, bebendo, celebrando. E vi que aquilo era real. E era real porque todos compartilhavam da alegria daquele casal. Era de fato uma festa. Não era a continuação de uma cerimônia, não era “uma festa porque nos casamos”, não era apenas um protocolo, era de fato alegria esbanjada. Enquanto sentia a alegria das pessoas a minha frente, senti vontade de chorar. Contive-me. Mas a vontade ficou ali.
Chorei por dentro, enquanto me perguntava se algum dia eu celebraria algo parecido, enquanto perguntava a mim mesma se eu teria a oportunidade de viver uma felicidade tão real quanto a daquele casal tão diferente e ao mesmo tempo tão cúmplice.

Prometi a mim mesma que registraria os pensamentos surgidos naquele momento. Era uma emoção diferente. Alheia. Quiçá única. Agradeci por ter testemunhado tamanha alegria. Quero conquistar isso pra mim também...

Um comentário:

  1. Segurar o choro as vezes é preciso, mas isso nem sempre é tão bom, do mesmo jeito que precisamos segurar aquele sentimento, quase uma invejinha boa, da felicidade dos outros.
    Gostei,
    beijo.

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