30 de novembro de 2010

Sobre o jogo

Não vou declarar toda minha paixão assim. Não vou gritar aos quatro cantos do mundo. Vou deixar subentendido, deixar no silêncio enquanto te olho, na interpretação da linha da mão... Na desculpa pra te tocar...

Sempre fui direta, sempre entreguei as cartas marcadas e por muitas vezes blefei, sabia do jogo perdido. Dessa vez vai ser diferente. Dessa vez vai ser sussurrado ao pé do ouvido, de um jeito tão bobo que nos faça rir...
Não quero tempo contado, não quero terceiros entre conversas que são nossas e que às vezes ficam pela metade.

Com o tempo, entendi que é necessário esperar por algumas coisas e acreditar em algumas outras, pois bem, resolvi acreditar nessa coisa aqui no peito e ver onde tudo isso vai dar...

29 de novembro de 2010

Sem tradução

Não sei se a gente morre de saudade. Nunca ouvi falar de alguém que consumido pelo sentimento que somente existe na língua mãe, sucumbisse ao sono eterno.
Acho que aqueles que sentem saudade não morrem, mas devem desmaterializar-se. Talvez numa vã tentativa de ficar mais perto daquele cuja existência desperta a saudade no peito.

Saudade aperta, sufoca, deixa a gente sem ar, como paixão nova em coração de adolescente. E é estranho como trinta segundos após ter a tua presença, essa coisa que sufoca vai tomando conta do peito. Não é paixão, é vácuo de algo bom. É como se o coração quisesse virar ao contrário só pra não ter que sentir essa falta que você faz.

28 de novembro de 2010

Nossa vida pode ser dividida e contada a partir do antes, depois, durante e daqui pra frente.
Escrevo palavras sem nexo algum, sem ordem alguma, mas com toda a vontade do mundo. O que mais admiro na gente é essa capacidade de tentar consertar as coisas.

18 de novembro de 2010

#vidadelan

Ficar sem computador por mais de 7 dias nunca foi tão “animador”.
O fato é que com a ida da minha querida máquina para a manutenção me vi obrigada a frequentar um mundo completamente novo: a lan house.
A primeira batalha foi achar algum estabelecimento que estivesse aberto em pleno domingo, véspera de feriado, as vinte e duas horas de uma noite um tanto quanto fria. Noite anormal pra esses idos de novembro.

Local encontrado, cadastro efetuado. Por que todo mundo ainda estranha o “psouva”? Há tempos não via um rosto tentando decifrar o username. Se você ainda não sabe acho que os negritos a seguir vão ajudar: Priscila Souza Silva, e não, esse não é meu nome completo, meus queridos.
Pois bem cadastro efetuado, segui para uma das máquinas disponíveis. A lan é grande. Acho que tem mais de 30 computadores disponíveis. Mesmo com o horário tardio havia adolescentes, a maioria jogando. Eu acho que era CS (conter strike).
Minha grande surpresa foi a relação custo/benefício: R$ 1,00/hora.

Acho que hoje é o quarto dia que estou por aqui. Geralmente venho, compro minha uma hora, leio e-mails, respondo alguma coisa, vejo meu Google Reader, twitto um pouco, ouço música e fim, sobram minutos para conversar com algum amigo que esteja online.
E hoje estou dando graças a Deus que meu fone de ouvido funciona com os DOIS CANAIS. Sabe por quê? Porque tem uns pirralhos gritando na minha orelha e eu vou esquarteja-los a qualquer instante. Tá, não vou, mas meu, custa jogar de boca fechada? Os pirralhos têm uns 10 anos cada um. Não mais que isso. Estão jogando. No computador ao meu lado. E não bastassem gritar, eles parecem que não tomam banho há uns três dias, aí tenho que aturar a gritaria e o cheiro maravilhoso de CC. Imagine a minha felicidade.

Frequentar a lan tem seu lado bom. Vejo muita gente diferente.
É legal ver um povo mais velho acessando a internet. Por exemplo agora, aqui do meu lado tem uma senhora no chat do facebook. É. Nem eu uso direito o chat do facebook e a senhora aqui do lado tá toda empolgada. Tá na digitação estilo “cata-milho” mas me parece feliz.
De tempos em tempos ela ajeita os óculos, vermelhos como as unhas – e isso me lembra Cecília, ou coloca os fones pra ver algum vídeo engraçado no youtube.
Fora isso, tem a academia. A academia fica no prédio ao lado, em vez em quando, quando fico sem fones, dá pra ouvir as aulas sei lá do quê. Ouço a contagem típica de aulas de aeróbica e outras coisas mais. Dá saudade de algumas coisas. Talvez da minha adolescência, quando eu frequentava assiduamente a academia.
E tem o Luiz. O Luiz é o rapaz que “administra” a lan house. À primeira vista ele parece emo. Na segunda e na terceira também. Aí você olha mais um pouco e começa a achar o cabelo dele uma mistura de Justin Bieber com Restart. O Luiz é quieto. Pelo menos comigo ele é. Ele só fica de papo com as menininhas da idade dele, de no máximo uns 17 anos.

Essa é a vida de lan que eu tenho levado. Não vejo a hora de pegar minha máquina de volta, mas acho que vou sentir falta de frequentar a “casa da ovelha” (piada infame péssima do dia).

Enquanto isso, mesmo com os fones escuto: UUUMMMMM, DOIIIIISSS, TRÊEEESS, QUAAAATRO, CIIIIIINCO, VAMO LÁ GENTE... e a gritaria dos moleques...
Depois de hoje meu filho nunca que vai chamar-se Daniel.

17 de novembro de 2010

nos sonhos mais lindos eu vejo você
na forma mais gostosa da realidade, estou ao teu lado.

e e tão bom quando tua pele encontra a minha, quando minha mão alcança a tua e quando os meu lábios sentem o calor dos teus.

e conto cada minuto, segundo, cada instante longe.
e encho a minha vida com promessas e sonhos.
e digo sim, e digo: eu me caso.

16 de novembro de 2010

assim não

Não gosto
da sua mania
de escrever
assim.

Parece
que você pensa
em cada frase
e para.

Não gosto dos erros de português que são tão evidentes.
Não gosto de tantas e tantas coisas. Não gosto das lembranças que remetem-me a teu nome, Cecília.

11 de novembro de 2010

Sutil

Sempre fui meio arisca com as coisas. Meio mimada, talvez.
E não gosto de quem fala demais sem ter nada a dizer. Gosto das palavras bem medidas, bem escritas. De toda aquela coisa certinha e engomada. Amo a sutileza e a elegância.

Minha maior paixão é o padrão e aquela vírgula fora dele. Um detalhe pensado, as vogais que somem e ainda assim dão sentido ao texto.

Amo a maneira como a minha mão procura a tua, a minha loucura no meio da rua.
Curto essa coisa de tentar rimar, mesmo sabendo que eu nasci pra prosear e que essa coisa de verso é sempre o meu inverso, de tanto tentar.

Aprecio o segredo bem guardado, a confidência e a cumplicidade no olhar: tem coisas (muitas coisas) que não gosto de espalhar.

6 de novembro de 2010

meu herói

Meu pai pode até não saber, mas acho ele o cara mais incrível da face da Terra. Se a maioria das pessoas tem um apego com a mãe, aqui em casa as coisas mudam de lado: meu pai, meu herói.

Ainda que a gente passe dias sem trocar muitas palavras, tenho por ele uma admiração do tamanho do mundo.

Papai por vezes lembra meu avô: quietão, dias falando somente o necessário.
Nossa relação alterna entre dias com inúmeras conversas e temporadas em silêncio, mas sabemo-nos presentes.

Podemos passar dias só falando o mínimo do mínimo, mas sei que ao abrir a porta do meu quarto vou encontrar o “Velho” na cozinha ou assitindo televisão. Ouvir seus barulhos pela casa ou enquanto ele cozinha é “vê-lo” vivo. E isso me basta.

Tudo bem que prefiro longas conversas, prefiro ver o pôr-do-sol ao lado do cara que me ensinou alguns dos principais valores que carrego comigo, mas temos nosso momentos de silêncio. Acho que nisso puxei meu pai: o temperamento um tanto quanto sistemático. Não que isso seja um problema, é uma questão de saber adaptar-se.

O pai me ensinou a correr atrás do que quero, meu deu asas muito cedo. Ele saiu de casa cedo. Com 12 anos mudou-se da roça para a cidade para estudar e cuidar dos irmãos mais novos, deixando para trás as lavouras de café do sul das Minas Gerais.

Mesmo tendo sido alfabetizado mais tarde, não perdeu o interesse pela coisa: estudou em colégio de padres, talvez por isso tenha entrado no seminário em Aparecida. Não ficou muito tempo. Terminou os estudos por lá. Não sei depois de quanto tempo veio parar em São José. Dividir uma casa de dois comodos com um dos meus tios.

Papai conta que nessa época ele não tinha relógio, então durante a noite às vezes levantava e ia até a praça de uma das igrejas perto da “casa” onde ele morava para ver as horas e não perder o horário de ir trabalhar. Trabalhou, deu duro na vida, até porque não é fácil trabalhar durante a noite e estudar pela manhã e foi assim que ele formou-se em Psicologia.

Hoje, aposentado depois de 30 anos na mesma empresa, ele ainda acorda cedo: se você chegar em casa as cinco e meia da manhã com certeza vai sentir o aroma do café fresquinho que ele provavelmente acabou de passar.

Ele pode não saber, mas encho a boca pra dizer que sou filha dele.
Ferreira no sangue!

Talvez por ver esse tamanho exemplo eu acredito que eu posso, ou na verdade, deveria, ser bem melhor. Na minha cabeça eu tenho que ser muito melhor, afinal tenho muito mais oportunidades. Me cobro de inúmeras coisas e no fim, acho que ele espera mais de mim.

E se tem algo que me mata é pensar se estou deixando a desejar na frente do meu herói.

2 de novembro de 2010

sobre Cecília e sua irmã perdida

Cecília é dessas moças apaixonadas, dessas que existem apenas no vão entre as palavras criadas na mente doente dessa que vos escreve. Dessas que vivem no vão das pernas de outras moças.
Cecília bebe todos os dias pra matar os vermes que corroem seu coração. Cecília escreve por entre folhas gastas de um velho caderno, deitada no chão.

Cecília foi desafeto, Foi desilusão.
Cecília diz que leva a vida a sério enquanto é confundida como das putas da augusta: meia arrastão, cigarro na boca e toda aquela marra de quem negocia o corpo como ninguém.

Cecília grita: Não fode. Cecília fode. Trepa. Faz amor.

Cecília tem uma irmã perdida. Quase uma alma gêmea. Ilusionista, a coitada. Ilude os corações dos moços da burguesia paulista. A irmã de Cecília não tem nome, mas é amorosa como ninguém.
A irmã de Cecília passou por aqui. Não deixou lembranças, nem deixará. Partiu ao amanhecer, foi na direção em que o vento tocou.

1 de novembro de 2010

brasa bem cuidada

Uma, duas, cinco ligações.
E meu maior desejo, hoje, era apenas desejar “Bom dia”, sem beijos meus, porque beijos nossos são melhores quando a proximidade é tanta, que minha pele chega a arrepiar-se com o toque da tua.

Gosto das nossas lembranças. Gosto de fechar os olhos e sentir de novo tuas mãos nos meus cabelos, bagunçando, alisando, confortando.
Gosto de rir de novo e de novo das formigas me atacando e você a rir, vendo graça no meu desespero.

Tenho comigo muita coisa boa, muita coisa que só foi possível depois que você passou a existir na minha vida. Por esses e outros objetivos me fiz forte.

Com o tempo aprendi que tem que querer. E eu quero. Posso não demonstrar, mas a chama ainda está viva. É como brasa, que quando bem cuidada volta a virar fogo.