30 de dezembro de 2010

Sussurros

A tristeza chegou de mansinho. Pouco a pouco, passo a passo. Chegou encostou a cabeça no meu ombro, sussurrou palavras ao meu ouvido. Constatei que a saudade apertava.

Se ela transmutasse-se em gente, a tristeza, seria pálida e sem cor. Sem sal. De poucas palavras, sussurra verdades e inverdades. Povoa a mente com ideias, no meu caso, planta a solidão e aumenta a distância.
Mulher, sabe bem onde ferir, é como a mãe que cutuca a ferida do próprio filho. Tristeza sem fim ao fim do expediente.

Salas vazias, repletas da mais pura saudade. Tristeza enche o peito, esvazia a alma. Tudo é triste e sem cor que até o sol por entre as nuvens se escondeu.
A janela reflete as palavras tristes e sem forma no papel. Reflete também o olhar vazio, frio, que procura na rodovia um caminho para a vida...

28 de dezembro de 2010

Twitter: Falamos mais, mas falamos sozinhos

Hoje pela manhã li o artigo de um dos blogs da Veja: "No Twitter, grande parte das pessoas conversa – sozinha" após a leitura, comecei a fazer alguns questionamentos, alguns inclusive tuitados...

Acho que o assunto rendeu e resolvi continuar aqui minhas reflexões:

Se o twitter é onde buscamos informações sem interações, podemos dizer que ele não se encaixa como rede SOCIAL e sim como rede de INFORMAÇÕES? Isso seria atribuir a ele o mesmo status de "imprensa"?

O padrão social para obter informação requer mesmo interação? Em que momento existe a quebra do hábito?
Twitter funciona como um segundo filtro? Acredito que sim, afinal milhares de informações são publicadas a todo instante sobre inúmeros assuntos. Só fato de ser publicado já o torna relevante, se publicado e em seguida tuitado e retuitado temos um aprofundamento na escala de relevância, correto?

Mas se algo atinge o patamar de relevância para ser distribuído e multiplicado pela rede, por que não gera comentários? Por que o número de replies ainda é tão baixo em comparação ao total de tweets?

Nesse ponto volto ao passado e lembro das conversas sobre conteúdo local, sobre interações com as pessoas próximas fisicamente. Globaliza se a informação, temos acesso a muito mais notícias, mas a partir de que ponto essas influem diretamente no nosso modo de viver?

Lembro das conversas entre vizinhos, que hoje dificilmente ocorrem, assuntos sobre o bairro, sobre a comunidade eram muito mais recorrentes do que hoje em dia. E de certa forma eram coisas que influenciavam diretamente. Hoje fala-se mais sobre coisas que ocorrem do outro lado do mundo, mas sem tanto impacto local.

Uma década fez e faz diferença.
Temos mais contatos, conversamos com mais pessoas sobre mais assuntos, mas isso faz diferença no final das contas?

27 de dezembro de 2010

Sobre 2010 e suas partes


Reviews e retrospectivas são muito comuns nessa época do ano. Olhar para trás às vezes faz bem, digo “às vezes” porque é como diz aquele dito popular “Quem vive de passado é museu” e se tem algo que realmente não dá é tentar ficar revivendo coisas, sejam mágoas ou alegrias, sejam coisas ou pessoas, temos uma grande dificuldade em deixar algumas coisas para trás, da mesma forma como não nos apegamos em certos detalhes que deveriam ser muito mais importantes...

Se aquilo que nos faz mal nos prende mais, deveríamos dar mais atenção a pequenos momentos de alegria. Seja um passeio com amigos, seja uma tarde sozinha em casa.
2010, último ano de sua década. Fechamos mais um ciclo, mais uma geração entregue ao mundo. Uns mais saudosistas dos anos 80. Outros com saudades dos anos 90 que apesar de não parecer, já tem um tempinho que passou também.
Para um ano em que eu comecei basicamente sem nada, 2010 foi até que generoso: encerro o ciclo num emprego que eu gosto, com melhores condições, com possibilidades de crescimento, com um salário melhor que o anterior, com colegas de trabalho bem-humorados e que contribuem sem reclamar para o crescimento do empresa; uma galera que não liga de abrir mão do eu em benefício do coletivo. Admiro essa visão de time em uma empresa grande. Dá gosto ver que as pessoas aqui não se limitam a fazer somente aquilo para o que foram contratadas...

Se no início desses quase 365 dias que já se passaram eu me meti em diversas confusões amorosas, se me envolvi em rolos, briguei, me magoei, magoei outras pessoas, me apaixonei, desapaixonei, briguei de novo, confiei, me decepcionei, dezembro de 2010 permite que eu encha a boca pra dizer que consegui chegar a uma das minhas metas desse ano: namorar com alguém que goste de mim e de quem eu goste também.
Por mais que haja dificuldades, por mais que exista a distância, acho que poucas vezes me senti assim... tão bem... A relação tem altos e baixo? Tem, mas nada impede de prosseguir superando cada obstáculo que aparece, e olha que não foram poucos: de ex-maluca surtando à fofoca, esse ano eu acho que enfrentei de tudo, enfrentei até a triste (e ao mesmo tempo feliz) constatação de um grande amor às vezes deixa de existir... No final fica a certeza de que vou dormir e amanheço pensando na mesma pessoa, fica a certeza de quero construir um lar, dividir minhas coisas, dividir minha vida... São planos em que 2011 pretendo ficar mais perto de realizar!

2010 teve suas dificuldades: desemprego, confiança quebrada, brigas bobas, mas teve muito mais coisas boas.
Posso dizer que esse ano me firmei um pouco mais como fotógrafa. Casamentos e making-of com fotos particularmente excelentes e a conquista da minha primeira foto publicada na capa de dois jornais regionais (agradecimento especial: Raquel Marques pelas oportunidades concedidas e a Fátima Gamallo, mais do que mestre: exemplo de vida e grande encorajadora... Fica mais fácil vencer quando conto com a torcida de vocês).

2011 está quase aí. Esperanças e forças renovadas. Novos rumos, novos planos. Coisas boas permanecem, coisas ruins me desfaço, me despeço.

24 de dezembro de 2010

Boas Festas!

Boas Festas!

Que o Natal seja motivo de renascimento das esperanças de que a vida pode ser, sim, melhor.
2010 foi um ano incrível, de altos e baixos e principalmente de superação.

Feliz Natal!

19 de dezembro de 2010

Paixão

Eu tenho uma necessidade quase que diária de me apaixonar. Chega a ser doença esse desejo de querer sentir as maçãs ruborizando levemente, sentir aquele calor queimando dentro do peito...
Olho e me apaixono. Uma, duas, várias vezes ao dia. Quero suspirar pelos cantos, esbanjar sorrisos bobos. Eu preciso me apaixonar de novo e novamente a cada meia hora. Me apaixono por sorrisos, por fotos, pela mesma pessoa, por várias pessoas, pela criança bonita, pela criança simpática, pelo olhar atraente. Pelo aroma do café.
Me apaixono pela vida. Do jeito que a vida é.
É meu vício essa coisa de sentir as mãos transpirando nervosismo. É um vício, ecoa a frase pelo quarto.


p.s: geraldo, não tenho seu e-mail

17 de dezembro de 2010

Geraldo não me entende mais

Geraldo me visitava, trocávamos parcas palavras, mas ainda assim havia comunicação nessa vida nômade que a gente leva de link em link.
Geraldo, entendia e comentava comigo, de noite na cama, sem parcimônias suas histórias, seus contos e seus pontos. Geraldo tinha uma alma feminina que me encantava. Mas Geraldo sumiu, não deixou um bilhete escrito sobre a mesa, não deixou endereço, nem e-mail para contato.

Agora ele escreve cartas, mas envia-as sem destinatário certo. De vez em quando pego uma dessas no ar, volto a sua antiga moradia, devoro suas palavras. Então passo mais tempo sem ver nada, sem sentir nada... Aí Marisa faz com que eu me lembre, então volto a caçar no ar as palavras jogadas por aí...

Geraldo, me manda um e-mail?

16 de dezembro de 2010

Meias armênias



Encomendei aquelas meias do teu sonho. Coloridas, listradas e de seda. Quer dizer, eu acho que elas são assim, para falar bem a verdade eu não sei. Espero que sejam, porque me lembram sonhos bons, coisas boas, e principalmente coisas felizes. Meias listradas e coloridas são alegres. Não mais alegres do que o meu sorriso quando você está por perto, mas alegres ainda assim.

A chuva atrapalhou os planos. Eu queria ter ido ao parque passear de canoa. Sem deixar virar é claro. Canoas só viram em cantigas infantis. Pelo menos a minha canoa. E sempre tem um culpado.
Agora só uma pessoa tem culpa: Você. Você é responsável por essa felicidade boba que eu ando sentindo.

Não, não foge, não. Fica na raia!
Converso com meus pensamentos.
Revejo os meus sonhos. Você é parte de todos eles.
A chuva cai timidamente lá fora.

9 de dezembro de 2010

De estimação

Se existe quem crie a tal da "culpa de estimação", tenho eu, minhas mágoas. E essas são tão de estimação que cuido delas com carinho: alimento todos os dias. Dou palavras com sabor de fel, banhos regados de ironia e um certo dissabor.

Minha mágoa é bárbara. Por vezes animal, que não raciocina e sai latindo seus impropérios a torto e a direito.

8 de dezembro de 2010

IM

Foi assim que adormeci: ao som do doce silêncio da tua voz, que nada diz e que estranhamente condiz com tudo aquilo que fiz e desfiz...
Foi como ver o mar pela primeira vez, como perder o fôlego, como perder a vida e encontrá-la logo em seguida. Como a alegria de ver cada letra surgindo nessa conversa sem sentido, nesse papo onde admito sentir tanto a tua falta que me falta o ar.

Foi ao som do teu silêncio, da tua ausência noturna, desse jeito assim ,que minha pele encontrou a cama fria, que meus poros sentiram o toque da roupa de cama trocada no mesmo dia.

E então, numa quarta como tantas outras, vivi quase um dia de quinta. E palavras de quinta foram surgindo. Foi assim, desse jeito assim, que fui completando, recheando o vazio com o “não dizer” que tudo diz. Não era amanhã, mas já não era mais hoje. E me perdi no tempo, e desejei tua boca e quis tua pele tão fresca e tão próxima quanto a roupa de cama.