6 de fevereiro de 2011

Mistureba

Tá, tá, tá, essa agonia cansa, essa agonia passa.
Tá, tá, tá, essa saudade metralha meu peito e eu fico vazando, vazando...

Cada furo, cada poro, cada ponto, vírgula, ponto-e-vírgula, tudo transborda esse vazio.
Esse monte de nada jogado no sofá num domingo tedioso.
Procuro por carinho, por colo, por aquela soneca depois do almoço com direito a cafuné de sobremesa.

Eu escrevo mas não passa.
Tá, tá, tá, eu sei que sou grande, eu sei, eu sei...
Fico me repetindo na frente do espelho, da janela e do monitor.
Eu olho pela janela do carro, eu encosto o queixo no volante e olho pra frente: o caminho que eu vejo é solitário demais para mim...

Eu sinto falta, eu sinto toda a falta do mundo em meio a uma multidão de pessoas, pensamentos e sentimentos. Tá tudo junto e misturado agora.

E lembro de Legião mas não lembro da canção.
E nada é o que é, e nada traduz o que eu sinto. Aí fico assim, com esse monte de palavra pela metade, esse monte de frase que não levam a lugar algum.
Fico, fico, fico.
Fico mais uma tarde sozinha. Fico mais um dia longe. E vou ficando, fico, fico, fico.

E vou, vou, vou.
Na casa da tia tem doce de figo, tem lasanha e sorvetão.
O queijo, salgado, tem o mesmo sabor das minhas lágrimas.

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