19 de maio de 2011

O bufão

Esse texto também poderia ser chamado de: "Delírios de uma noite sem coesão".
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência


E aí veio aquela ânsia novamente.
Aquele desejo de pular do precipício e sair voando em seguida. Aquela angustia que rasga o peito, a dúvida que tira o sono.

Como e qual seria o próximo passo?
Não sabia. Não há prerrogativas inerentes a essa fase do jogo.

A Vida, essa criança peralta, pregava peças. Brincava, num concerto onde, para o erro, não há conserto.
Conforme o hábito adquirido, as palavras iam surgindo, quase na mesma batida da música. O mesmo compasso que marcava também os passos de quem, tarde da noite, rumava para casa. Ainda que "casa" fosse a denominação de um "nós" que cambaleava. Um figura de linguagem, um personagem fatal, um ciclo sem fim próximo.

E aí surgiam perguntas.
E o centro do mundo mudava de umbigo. E o umbigo do mundo mudava de centro.
E o rei virou bobo da corte.

Bufão. Bufando impropérios e tolices a quem quisesse ouvir. Divertindo toda a corte sem saber.

No meio disso tudo, o sadismo divertia a alguns poucos.
Era ironia demais. E irônico também era o fato de levarem essas peraltices à sério.
Irônico e cômico.

O assunto muda.
Sinto dificuldade de fixar essas memórias. Esses pensamentos tolos e sem razão que insistem em brotar.

Não há uma linha de raciocínio. Não há coerência. Muito menos coesão.
Não há verdades, mas há entrelinhas.


O bom humor viu no Bufão, que deveria fazer rir, o seu algoz então não esperou a pena de morte e suicidou-se.

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