9 de junho de 2011

Deriva

Cada minuto do dia acrescenta uma angústia. Acordo cinza, tal qual o céu lá fora que derrama a água que não brota dos olhos. Inchados, percorrem o quarto analisando cada detalhe, procurando algo novo que não existe, nem dentro nem fora do que sou.
O mesmo sempre me perturbou. “O de sempre” só me serve em poucas ocasiões.
Tenho asas e só quero voar ainda mais alto, mas esse céu, esse tempo, o pinga-pinga na janela do meu quarto, o tic-tac inexistente do relógio, tudo isso só prolonga a melancolia, o tédio e a angústia.
Se hoje mar eu fosse, me afastaria da costa, se barco eu fosse, ficaria à deriva por horas e horas, porque embora a chuva seja calma e praticamente silenciosa, sei que a tempestade acontece dentro de mim.

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