21 de junho de 2011

Porém

Há dois dias tento porque tento escrever algo que preste. Falta algo. Falta raiva correndo pelas veias, faltam lágrimas escorrendo pelos olhos. Falta aquela palavra na ponta da língua. Falta até mesmo aquela ofensa que brota quando dá na telha.

Não falta alegria.
Não falta vontade de recomeçar do zero.

Às vezes falta revisão. Em outros casos, o que falta mesmo é visão.
E nessas ausências, nessas transparências, nessas entrelinhas, nesses risos contidos, nessas coisas pequenas, bem, sobra muita coisa. Sobra orgulho-ferido, sobra soberba, inveja e recalque.

Procurei por palavras por dois dias. Palavras que pudessem preencher um espaço ou que pudessem dar nome a esse sentimento no peito.

Carrego em mim certo desprezo, certo nojo. Um asco sem fim. Carrego um “porém” que não sei onde por. Um “enfim” que não se junta ao só.

Um comentário: