12 de junho de 2011

Sobre escolhas

Sabe, às vezes a vida insiste em doer mais do que o julgo necessário. É foda, e me desculpa o palavrão, mas é foda viver. Aliás, é foda crescer.

Quando eu era criança minha vida se resumia em coisas simples e quem administrava grande parte do meu tempo não era eu, era meu pai, era minha mãe. À bem da verdade, não havia essa coisa de ter que decidir a toda hora, não era eu quem escolhia a grande maioria das coisas... No máximo decidia a cor da próxima camiseta ou o estilo do próximo tênis, mas ainda assim, não tinha muito para ser escolhido.

Não havia o que administrar: era escola, casa, lazer e igreja.
Acredito que crescer é justamente isso: decidir por conta própria. É escolher ser feliz numa determinada carreira, é decidir entre ficar triste ou MUITO triste com o desemprego que às vezes bate à porta.
E crescer dói um pouco mais quando o assunto é coração. Porque em meio a tantas escolhas, como acordar e ir trabalhar fazendo cara de paisagem quando a dor daquela relação que não deu certo ainda está latente, essas escolhas relacionadas aos sentimentos acabam ficando pra depois, acabam não tendo tanta “importância”, afinal o mundo não para e você não tem direito a folga por ter o coração quebrado em pedacinhos.

Durante a adolescência, vá lá, ainda é mais fácil... Você no máximo mata uma aula para chorar no colo da melhor amiga na escola. Até porque ter amigos nessa fase é mais fácil. Você encontra com muita gente todo dia, e geralmente não rola pressão, como no trabalho.
É mais fácil sofrer quando não se é adulto. Porque você se permite sofrer, até porque não há mais nada pra se preocupar, dá pra ter mais tempo pra deixar as coisas cicatrizarem, e não simplesmente ficar fingindo que tá tudo bem para todo mundo. Porque né, venhamos e convenhamos: chorar por um coração partido aos 15 é bem diferente de chorar pelo mesmo motivo quando se está quase beirando os 30.

Não sei como ou porque, mas parece que a parte que justamente é aquela que nos dá a maior parte da nossa felicidade é meio que condenada a ter menos espaço/importância na vida.
Trabalhar é necessário sim. Exercer uma atividade da qual você goste é fundamental para considerar-se uma pessoa feliz, mas isso não é tudo. É parte, é complemento. Há quem se realize apenas trabalhando. Não sou dessas. Acho amor tão fundamental quanto ter um emprego bacana na área que você gosta por uma remuneração que te deixe feliz também.

E porque estou escrevendo tudo isso? Simples, porque às vezes eu só queria voltar a ser criança e não ter que fazer escolhas. Só por alguns minutos. Só até essa angústia chata passar.

3 comentários:

  1. Aquela sensação de se sentir aéreo sem direção e sem conseguir tocar o chão, é dificil escolhar, mas mais dificil ainda é conviver com nossas escolhas, e não diferente de você algumas que fiz batem a porta da lembraça diariamente.
    Lindo post pri, adorei!

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  2. é verdade, ter filho ajuda nessas horas, o mundo para quando você larga tudo pra brincar com eles, todos os problemas vão embora por alguns minutos. Renovador! Recomendo. rs

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  3. Sempre, sempre, sempre odiei fazer escolhas. Até hoje, as vezes peço pro meu pai escolher algo por mim, porque afinal, ele sabe o que é bom PRA mim. Mas essa é a hora que ele vira e me manda tomar vergonha na cara, porque eu não tenho mais idade pra ele ficar decidindo as coisas. Daí eu caio na realidade e é...é foda!

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