6 de junho de 2011

Twitter: Carapuça tamanho único

Aula básica de comunicação (e Língua Portuguesa também):
Emissor → mensagem → receptor, correto?

Como fica esse papo quando chegamos às tão faladas “Redes sociais”?
Bom, eu não tenho a intenção de escrever um artigo técnico e tão pouco fiz pesquisas sobre o assunto, logo, o que você encontra aqui são apenas reflexões de uma comunicóloga que há um tempinho vem pensando no assunto e que agora resolveu escrever.
Vamos lá! Quando você publica algo em sua página, obviamente você pensa que os receptores dessa mensagem serão apenas aqueles que te adicionaram ou te seguem, como é o caso do Twitter, estou certa?

Partindo desse pressuposto, a mensagem só poderá ser, de certa forma, plenamente captada por aqueles que fazem parte do contexto e/ou que possuem o repertório necessário para apropriar-se do conteúdo e compreende-lo. No caso do Twitter é difícil construir um contexto em apenas 140 caracteres, principalmente porque dentro da timeline são poucos os que se atentam para pesquisar e tentar entender se aquela atualização tem, ou não, relação com as anteriores.
Penso que cada atualização é uma pílula. Às vezes a pílula saiu da mesma caixinha e tem o mesmo conteúdo, mas às vezes, um tweet não possui a menor relação com o anterior, exceto pelo fato de ser emitido pela mesma pessoa.

Quando tuitamos algo, o óbvio a se pensar é que aquela mensagem chegará tão somente aos nossos seguidores, o que não é verdade, afinal quem mantém o perfil livre do “cadeado” expõe a quem quiser visitar a página o conteúdo de suas pílulas.
Utilizando esse exemplo das pílulas, cada emissor transmite um conteúdo conforme as pessoas que o seguem, como se somente quem segue aquele perfil tivesse a “receita médica” para fazer uso daquela “medicação”.

Quando alguém que não possui a “receita”, isto é, não segue um determinado perfil e não tem relação direta com aquilo que foi publicado, as chances de termos uma “intoxicação informacional” são grandes. Essa “intoxicação” pode ser compreendida como o famoso ruído na comunicação, que a gente estuda nas aulas das quais falei no início desse post.
Talvez por conta desse ausência de contexto/repertório o Twitter é o palco para diversos mal-entendidos, onde comumente pessoas são julgadas (ou pré julgadas, se assim fica melhor) por conta da falta de preparo de quem tenta absorver o conteúdo.

Hoje por exemplo o Tiago Leifert passou por uma situação parecida: Durante o Globo Esporte, Tiago fez uma brincadeira com o jogo de tênis entre Nadal e Federer, que rolou durante o final de semana, pelo fato do jogo ter sido disputado no saibro.
Após algumas horas, a brincadeira repercutiu no Twitter e Fernando Meligeni sentiu-se ofendido ao entender que Tiago havia falado mal da modalidade esportiva, o que não ocorreu.

Outra vítima constante dessas “pílulas consumidas sem receita” é a, também comunicóloga e astrofísica, Rosana Hermann, que sempre tem que justificar uma outra ironia postada pois o repertório de quem lê não é suficiente para a compreensão daquilo que é apresentado.
Isso sem falarmos das pessoas que se apropriam das “pílulas” como se determinadas publicações fossem direcionadas a essas.
Uma das formas de referenciar ou direcionar uma publicação é citar a @ de quem você deseja relacionar no tweet.

Todavia, o Twitter muitas vezes se transforma numa máquina de indiretas. Só que aí tenho uma opinião bem consolidada a respeito: se não tem sua a @ e você não faz parte dos seguidores daquele perfil, provavelmente aquela mensagem não foi para você. Se ainda assim você se sente como “portador da receita daquela pílula”, bem, só posso dizer que (in)felizmente a “carapuça” serviu.

Um comentário:

  1. PS: No caso de indiretas, eu dei uma pesquisada... Se o conteúdo for ofensivo de alguma forma e a maneira como foi publicado dê a entender que é com você, sim, dá pra enquadrar naquela parte do Direito que fala sobre difamação, injúria e calúnia. Por exemplo, se brincou com algo que dê a entender que está falando do Goiabas Verdes Fritas, por conta do trocadilho ou da paródia (que aliás é diferente de plágio) dá sim pra mover os pauzinhos na justiça.

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