28 de julho de 2011

Estação fora do centro


Sabe, eu curto essa coisa de sair escrevendo sem eira nem beira, sem querer chegar a lugar algum.
Gosto da maneira como letra à letra, as palavras surgem. E eu gosto de me repetir, de reafirmar minhas ideias.
Gosto também da paixão que brota sem querer, que surge como o sol no horizonte e aquece - ternamente, como calor de colo amigo - até mesmo a mais fria das noites.

Conto minutos para um horário incerto, para um momento que não é calculado com o badalar do sino do relógio da igreja. Conto contos. Espero. Anseio. Desejo.

Aumento um ponto. Reticências...
Várias.
Variáveis.

Possibilidades. Pos-si-bi-li-da-des. Repito em voz alta.

É noite e na rua lá fora só ouço alguns poucos carros a passarem correndo pela avenida. Um som abafado e longe, mas ao mesmo tempo próximo, como se o passar dos carros fosse um sinal de que a vida continua, sem cessar... Sempre correndo...
Mais reticências...
Mais paixão.
Mais um sentimento que é criado apenas para preencher com palavras um espaço que antes não existia. Mais um desejo, e mais uma vez me repito.

Uma vez eu disse que sou excêntrica, uma coisa assim fora do centro, original, extravagante... Apesar disso, acredito que mesmo estando fora do centro sou um círculo e vivo de ciclos... E essa sensação de viver em ciclos de certa forma me conforta e me faz sentir natural como as estações do ano: que se repetem sem jamais serem iguais.

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