1 de agosto de 2011

Ela não é irmã de Cecília


Se fossem outros tempos, diria que ela é irmã de Cecília. Ou parente. Que tem o mesmo sangue, ainda que fosse aquela prima distante. Mas a ginga é diferente. O rebolado por essas bandas, é outro. É um palavrão cantado alto, tão alto quanto o grito de quem não tem medo de ser o que se é. E tem também uma classe. Uma pose no chique do preto. Algo sério. Preto no branco como um dia foi e como nunca há de ser novamente.
Pensando bem, ela não pode ser parente de Cecília, porque ela encanta. Ela bebe, e quando ninguém vê, mexe com todos aqueles instintos que andavam guardados pra outras ocasiões.

Coloco meu traje de gala e saio à paisana. Passeio pelas ruas numa esperança fútil de encontrar aquela que jurei ser parente de Cecília.

Que ofensa.
Cecília era aquela puta... Aquela que trocava cartas de amor e noites de sexo sem pudor por qualquer nota rasgada... 

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Enamorei-me.
Não foi amor. Nem paixão, nem tesão.
Foi só um desejo que brotou na alma. Um desafio lançado, um jogo de cartas marcadas.