25 de outubro de 2011

Piegas Pride

Sou chata. Chata, feia e piegas. Bem piegas. Não acho que relacionamentos devem se pautar apenas em sexo. Aquela coisa do “one night only” até vai. Afinal, é só tesão somado à um “até nunca mais”. Isso se você não for pirar, não for se sentir apenas um objeto sexual ou coisas do tipo. Isso se você tiver maturidade suficiente pra aceitar que, por mais que tenha sido ótimo, foi “só por uma noite”.

Mas como eu dizia: sou piegas. Sou uma velha, tradicional, romântica e ainda assim boêmia. Meio malandra às vezes, confesso. Mas ainda assim piegas.
Não mantenho relações porque o sexo é bom. Literalmente: Não dá. Não dá pra manter isso por muito tempo. Não passo mais tempo na cama do que fora dela. Não vivo de sexo. Nasci dele, mas não vivo dele.

Ser bom de cama é uma ótima qualidade nos pretendentes, mas não é tudo. Uma boa conversa vale mais que uma noite, uma tarde, um dia, na cama (ou em outro lugar qualquer).
Nós, seres-humanos, somos a única espécie que faz sexo por outro motivo além de procriar. Todavia, acredito que muita gente acaba esquecendo disso. E de outros detalhes.
Não tenho culpa. Posso estar carente, subindo pelas paredes, mas ainda assim sou piegas. E de certa forma me orgulho disso.

21 de outubro de 2011

Amora

amoras.Todo dia eu penso que quero um novo amor.
Todo dia eu penso que quero um amor novo.

Todo dia, o dia todo, eu digo que eu penso que eu quero um amor de novo. Ou quem sabe, eu penso em dizer que quero um amor novo de novo.

Penso que quero. Este amor, aquele amor.

Aqueles olhos que fechados, me olham. Que piscando, me enamoram.
A diferença entre aqui e lá, antes e depois. Agora.
Amor no feminino. Amora.



foto:tai

20 de outubro de 2011

Paraíso musical

A introdução de Paradise é como o começo de um filme bom: te prende e te faz ficar ali, esperando, por tudo aquilo que há por vir de bom. Sem decepcionar, entrega bem mais do que esperado, entrega uma melodia doce, que emociona, que te faz querer cantar junto.

19 de outubro de 2011

Casulo

Sempre querer mais, sempre pedir demais. Insaciável. Insolúvel. Palavras que se misturam pra representar um sentimento que não consigo dizer. É uma sede, uma vontade, um desejo. É uma força violenta que guardo dentro de mim, como se meu casulo estivesse apertado. Como crescer sem ter que explodir tudo ao meu redor? Como caminhar com passos lentos quando a minha pressa de viver é latente, tão latente que machuca. Eu quero mais. Quero beijos, sorrisos, olhares, mais chuva. Quero quebrar esse hiato, preencher esse vazio de uma vez por todas.

5 de outubro de 2011

Síndrome de Mulher Maravilha

A real é que eu não sei segurar as pontas sempre. Não dá pra ser a Mulher de Aço, a Mulher Maravilha todos os dias, o dia todo. Cresci e continuei brincando dessa coisa de “super-herói” que, às vezes, não dá certo. É pressão, cobrança, situações com as quais não sei lidar. E invariavelmente eu não sei lidar com erros. Especificamente: eu não sei lidar com os meus erros.

Brinco e esqueço que até mesmo quem tem olhar de raios-X e sabe voar, tem também pontos fracos. Fui programada como um robozinho pra sempre (tentar) a excelência em tudo o que faço... E cada fracasso, cada erro cometido durante a vida, cada coisa que ainda tenho que consertar, numa vã ilusão de que uma hora vai ficar “tudo certo”, trazem para a superfície, trazem à tona, coisas com as quais não sei bem como lidar. Aí me sinto uma criança. Uma criança sozinha e sem qualquer tipo de estrutura para perdoar os próprios erros, sem qualquer fundamentação pra compreender que todo mundo erra e que principalmente: eu também erro.

Não é questão de admitir. Eu sei que erro. São sentimentos muito mais arraigados do que as palavras me permitem explicar. A sensação de mãos atadas é uma das piores na vida. A de impotência também. Há todo um processo de gerir sentimentos e atitudes que venho analisando. E eu não sei se o resultado de todos esses quase vinte e sete anos está saindo conforme o esperado. Bem vindos, estou novamente em crise. Existencial, como obviamente havia de ser. Estou feliz com o rumo que as coisas estão tomando. O problema é que com o rumo que as coisas estão tomando o que sou agora não é exatamente aquilo que eu deveria ser dentro de um plano de perfeição que eu criei baseada nas expectativas de ser a filha que meu pai gostaria que eu fosse.

Se bem que, no fundo, eu acho que ele não conhece a filha que tem. E se ele não a conhece, a culpa (em parte), acaba sendo minha também. Talvez porque aquilo que demonstro ser, ou o reflexo da minha vida que chega até o homem que me deu a vida, não seja exatamente a realidade. Mas e aí, quem tem razão? Será que o que chega nele é mesmo tão distorcido? Nem tanto, penso comigo mesma. O ruim é que parece que só meus erros aparecem quando se trata de analisar a vida da Priscila.

E eu me cobro. Eu me cobro todos os dias. Por mais que em alguns desses dias eu simplesmente não faça nada a respeito. Então lembro novamente das palavras de Santo Agostinho que ele me disse uma vez: “Palavras comovem, exemplos arrastam”. Pois bem, o que estou fazendo agora? Palavreando. O que não muda exatamente nada na minha vida.

Não muda meus erros, não muda o sentimento de impotência, não muda o arrependimento, não muda o peso de saber que existem pessoas tristes comigo ou por minha causa, não deixa mais leve a responsabilidade (ou falta de) que eu, por vezes, tive e que agora me aparecem à frente, na forma de problemas à serem resolvidos. Junte a tudo isso, pesadelos, insegurança, uma sinusite e uma espécie de solidão que me consome pouco a pouco. Não é presença física, é a falta de uma referência, um ponto chave, um porto-seguro que acolha esse pequeno barco perdido voltando de uma tempestade no mar.