5 de outubro de 2011

Síndrome de Mulher Maravilha

A real é que eu não sei segurar as pontas sempre. Não dá pra ser a Mulher de Aço, a Mulher Maravilha todos os dias, o dia todo. Cresci e continuei brincando dessa coisa de “super-herói” que, às vezes, não dá certo. É pressão, cobrança, situações com as quais não sei lidar. E invariavelmente eu não sei lidar com erros. Especificamente: eu não sei lidar com os meus erros.

Brinco e esqueço que até mesmo quem tem olhar de raios-X e sabe voar, tem também pontos fracos. Fui programada como um robozinho pra sempre (tentar) a excelência em tudo o que faço... E cada fracasso, cada erro cometido durante a vida, cada coisa que ainda tenho que consertar, numa vã ilusão de que uma hora vai ficar “tudo certo”, trazem para a superfície, trazem à tona, coisas com as quais não sei bem como lidar. Aí me sinto uma criança. Uma criança sozinha e sem qualquer tipo de estrutura para perdoar os próprios erros, sem qualquer fundamentação pra compreender que todo mundo erra e que principalmente: eu também erro.

Não é questão de admitir. Eu sei que erro. São sentimentos muito mais arraigados do que as palavras me permitem explicar. A sensação de mãos atadas é uma das piores na vida. A de impotência também. Há todo um processo de gerir sentimentos e atitudes que venho analisando. E eu não sei se o resultado de todos esses quase vinte e sete anos está saindo conforme o esperado. Bem vindos, estou novamente em crise. Existencial, como obviamente havia de ser. Estou feliz com o rumo que as coisas estão tomando. O problema é que com o rumo que as coisas estão tomando o que sou agora não é exatamente aquilo que eu deveria ser dentro de um plano de perfeição que eu criei baseada nas expectativas de ser a filha que meu pai gostaria que eu fosse.

Se bem que, no fundo, eu acho que ele não conhece a filha que tem. E se ele não a conhece, a culpa (em parte), acaba sendo minha também. Talvez porque aquilo que demonstro ser, ou o reflexo da minha vida que chega até o homem que me deu a vida, não seja exatamente a realidade. Mas e aí, quem tem razão? Será que o que chega nele é mesmo tão distorcido? Nem tanto, penso comigo mesma. O ruim é que parece que só meus erros aparecem quando se trata de analisar a vida da Priscila.

E eu me cobro. Eu me cobro todos os dias. Por mais que em alguns desses dias eu simplesmente não faça nada a respeito. Então lembro novamente das palavras de Santo Agostinho que ele me disse uma vez: “Palavras comovem, exemplos arrastam”. Pois bem, o que estou fazendo agora? Palavreando. O que não muda exatamente nada na minha vida.

Não muda meus erros, não muda o sentimento de impotência, não muda o arrependimento, não muda o peso de saber que existem pessoas tristes comigo ou por minha causa, não deixa mais leve a responsabilidade (ou falta de) que eu, por vezes, tive e que agora me aparecem à frente, na forma de problemas à serem resolvidos. Junte a tudo isso, pesadelos, insegurança, uma sinusite e uma espécie de solidão que me consome pouco a pouco. Não é presença física, é a falta de uma referência, um ponto chave, um porto-seguro que acolha esse pequeno barco perdido voltando de uma tempestade no mar.

4 comentários:

  1. Mamãe, você é uma gracinha. As pessoas meio perdidas sempre me interessam muito mais. Isso quer dizer que elas procuram outros caminhos e não só o que mostraram pra elas...E eu sei que uma hora você vai achar o seu e eu vou achar o meu, mesmo que a gente dê com a cabeça em uns postes antes disso. E se esse de agora for o errado, que bom que eu dei uma caminhada nele, porque encontrei gente como você. Assinado filhinha

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  2. Em alguns momentos cheguei a me perguntar se eu que havia escrito isso, pq não tem condições de alguém me descrever tão bem. Eu passo por isso praticamente todos os dias. Eu sei como é a sensação de querer sair de dentro de sim mesma, pois não cumpri a meta que me eu mesma me coloquei. Eu sei o que é essa angústia, eu sei o que é essa frustração, e eu sei principalmente o quanto dói apenas a sombra de que eu possa vir a decepcionar as expectativas de alguém (principalmente do meu pai) em relação a mim.

    Isso dói e corrói.

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