10 de novembro de 2012

Banho

Um estalo e lá se foi a energia minutos antes do tão desejado banho.
Segundos depois, com a volta da eletricidade, despiu-se, abriu vagarosamente o chuveiro deixando a água escoar e esquentar.
Com a ponta dos pés mediu a temperatura antes de entrar por completo embaixo do jato de água quente.

Enquanto a água escorria pelo corpo, escorriam também as ideias. Algumas delas ela conseguia guardar antes de irem embora, ralo abaixo.
Pensava nos frutos da imaginação. Se seriam doces, amargos ou sem gosto. Pensava se os tais frutos eram redondos como uma laranja ou se tinham a aparência de um abacaxi rolando pelo chão. E qual seria o gosto desses frutos tão abundantes?

Enquanto pensava nessa feira de imaginações e criações se deu conta que a resposta estava bem em frente aos seus olhos: ao ensaboar a cabeça notou o frasco branco logo a frente e encontrou ali a resposta, toda cura para todo o mal: em letras sem serifa, sem a presença de um “bold” ou um itálico, ali, o que por anos ela procurou para melhorar a vida: Condicionar a dor.

25 de setembro de 2012

Setembro chove

Cores gris

Da calmaria da noite surgem as palavras, brotadas lentamente entre um gole e outro da cerveja já quente.

Era o início da primavera, mas os dias ainda conservavam-se cinzas, nublados, como se todos os problemas resolvessem se condensar em todas aquelas nuvens que nunca se precipitavam em chuva.
Esperava pelo desabrochar de algo colorido dentro do peito, algo bonito e perfumado. Um sentimento sem nome talvez.

Nas músicas, escolhidas à dedo, um toque de melancolia e saudade.
No fundo, o que havia era uma certa fuga de si mesmo, de si e dos outros.
Ele andava em círculos em frente ao espelho como se aquele reflexo fosse lhe trazer alguma resposta, uma resposta pra aquelas perguntas, que também andavam em círculos dentro de sua cabeça.

Era um ciclo sem fim: cerveja, música, caminhadas noturnas, tudo na vã tentativa de cansar o corpo e vencer a insônia. Entre uma corrida e outra, o líquido que escorria de seu rosto não era suor, eram lágrimas. Lágrimas salgadas como a solidão, como um fim de tarde só, em frente mar.

Tudo se acumulou com o passar dos dias. Foram meses até chegar àquela data. Meses de desgosto, como agosto. E tudo acumulava: as mudanças de humor, as dores, as paixões, os desejos, as mágoas. Toda uma vida nas nuvens, crescendo, ficando cada dia mais cinza, cada dia mais pesada e sem se precipitar.

O coração ardia numa chama seca, sedento de cores, sedento da chuva que mesmo em setembro, tardava a cair.

16 de agosto de 2012

pensando ao som do passarinho

Acho que preciso desabafar, acho que mexi numa ferida, acho voltei num passado que eu deveria ter deixado pra trás há muito mais tempo.
Ao som de Tiê muita coisa faz sentido.
Começo, meio e fim.
“No meio da euforia aquele alguém me protegia, mas não foi por acaso que o encanto se quebrou. O tempo foi gastando o que não era pra durar. Como se eu soubesse, não era amor pra todo dia.
Dessa vez eu tive medo, mesmo assim eu disse "sim". Percebi o percevejo e deixei cravado em mim.
Só eu sei que foi melhor assim. Ás vezes é mais saudável chegar ao "fim"
Chegar ao "fim"
– Piscar o olho, Tiê
Tenho em mim todas as mágoas do mundo.
Parece que minha vida pode ser contada nas músicas da cantora com nome de passarinho.
O que começou com “Assinado, Eu” virou Dois mesmo sendo Stranger, but Mine, virou Perto e distante.
Turbilhão de coisas.
E no fundo uma raiva, uma mágoa.
Mágoa...
Mais mentiras. Mais do mesmo.
Não sei porque ainda me surpreendo.
Eu já deveria ter me desistido de tudo, ter perdido as esperanças de uma amizade bacana.
Poucas vezes me senti tão mal assim.
Sinto uma raiva tão grande, pena que é apenas raiva de mim.


31 de maio de 2012

Indie




Bicho, sabe o que é que é?
É que eu to aqui pensando em você, sabe? Eu to pensando em como você chegou na minha vida e plantou sonhos, desejos, e depois se foi.
Na verdade eu fico pensando em como eu fico aqui lembrando do seu sorriso, e me doendo. Doendo porque depois que fiquei aquele tempo fora, você não voltou.
Pior do que não voltar, foi perceber que seu sorriso não é/era mais meu. Foi ver que aquela coisa de tomar um café, de ter as nossas conversas, todo aquele nosso universo único e mágico, tudo isso não existe mais.
Sabe o que é que é? É que eu acho que eu te amei desde o primeiro dia. Desse aquela virada de ano louca... Desde aquele filme lá em casa. Desde a sua primeira risada.

E aí eu fico aqui, pensando. Sabe como é, né? Um pensamento puxa o outro, que puxa outro, que chama outro. E eu querendo fugir dos pensamentos, fugir de tantos E’s...
Aí eu clico em músicas que não conheço, ouço sons que nunca ouvi antes, e me identifico com o novo... Fantasmas numa fotografia, fantasmas que mentem para mim...

Vou indo. Indo, indo, indo. Indo sem saber pra onde. Me jogo no trabalho. Na solidão. Nos amigos. Me jogo em tantas outras coisas, só pra não lembrar como a tua pele é macia, só pra não relembrar que você não está comigo.
Vou indo. E acho que eu te amei desde o primeiro instante. Eu só não soube dizer isso. Vou indo.
Indie. Como o som.

29 de maio de 2012

A lição de servir.


Há tempos eu venho querendo escrever sobre esse assunto. E acho que sempre me faltou tempo. Ou talvez tenham faltado as palavras nos momentos em que resolvi escrever.

Desde que entrei no Outback, muita coisa mudou na minha vida.
Principalmente porque eu resolvi chutar o balde, sair da comunicação e (re)começar do zero. Por quê? Talvez porque eu tenha saturado do mercado, talvez porque a grana não estivesse assim tão boa, ou talvez porque eu já não via um futuro bacana... Ou não estivesse motivada para conseguir chegar em alguma posição bacana.

Dizem que ganha mais quem arrisca mais e eu já não tinha vontade de arriscar no jornalismo.
Chutei o balde e ganhei uma lição de vida. Sair da área depois de anos de formada, anos na área em que me formei não foi uma decisão fácil, mas para quem não tinha nada então eu não tinha nada a perder.

Aí você se pergunta: ir trabalhar como “garçonete” é uma lição de vida?
Do meu ponto de vista? Sim, é. Saí do comodismo.
E servir requer humildade. Servir bem requer humildade e conhecimento. Jogo de cintura. Paciência.

Trabalhar no Outback me faz lidar diariamente com um universo de pessoas com as quais eu não teria contato, se eu não trabalhasse lá. E todas essas pessoas diferentes tem algo a ensinar. Essa é o lance em ser humilde: assumir que você não sabe de tudo e que pode aprender com todo mundo ao seu redor.
É certo que não sou a melhor carregadora de bandejas do mundo. Mas servir bem é mais do que anotar pedidos e levá-los à mesa. Servir bem é prestar atenção no seu cliente, ouvi-lo e quem sabe, surpreender.

É como uma boa história no jornalismo, onde você tem que saber as perguntas certas... Criar uma empatia.
Eu tenho aprendido muita coisa nesses últimos meses. Uma verdadeira lição de humildade... Em momento algum me sinto rebaixada ou menos do que outra pessoa que trabalhe em uma profissão qualquer...

16 de abril de 2012

Em outro plano

De vez em quando eu venho aqui e desabafo.
Conto pra tela em branco o que tem me afetado. Distribuo nas letras cada pedacinho da dor ou da alegria.

E questiono. Questiono as atitudes ao meu redor.
Questiono ausências, omissões, por vezes, mentiras.

Sabe quando tudo fica somente só no plano das palavras e jamais vira uma ação?
Acho que cansei de palavras. De novo.



2 de abril de 2012

O medo de falhar volta a bater. A questão agora é dinheiro. Morro um pouco a cada dia.

17 de fevereiro de 2012

Sobre ansiedade...

Sabe aquela vontade de sair escrevendo e contando como as coisas são, estão ou deveriam estar?
Sabe aquela vontade só de escrever, sem tema, só pra colocar palavra no papel?

Falta-me um tema, mas a vontade tá aqui... Latente, batendo, martelando, ecoando... E aí fico pensando sobre o que escrever.
Escrever sobre mim? Talvez. Escrever sobre não saber o que escrever? Clichê.

Sei que ando ansiosa. É como se algo estivesse em cima do muro e eu tivesse que tomar uma decisão... Eu só não sei o que lado tomar, porque não sei o que anda em jogo.

É ansiedade pelo aniversário que chega, pelo treinamento em outra cidade, por ficar dois meses fora de casa.
É um teste. E eu não sei se sei ser forte assim. Todo mundo acha que sim, mas eu não sei. Eu tenho dúvidas. Muitas.
Eu sempre quero acertar, até porque eu não sei lidar com erros. Mas acertar, quando se trata da minha vida, é algo que pode ter tantas facetas... O certo pra mim nem sempre é o certo pra todo mundo... E quando isso acontece, me chamam de egoísta, ou coisas do tipo...

Eu tenho um ego meio grandinho, um senso de autossuficiência que às vezes me faz mal. Faz mal porque quando ele não está presente em excesso, ele falta de uma maneira que me deixa insegura como uma criancinha... É nesse momento que eu começo a morrer de medo de falhar. E eu já disse e vou repetir: sou impiedosa com meus erros.
Não que tudo isso tenha que ser levado à sério. Eu fico remoendo por alguns minutos, mas se tem algo que aprendi com a vida (e não foi de um jeito legal) é que quase tudo passa. Isso pra não falar que tudo, exatamente TUDO passa.
O que é pra sempre? Não conheço nada que seja “pra sempre”...

Tudo isso pra comentar, que estou ansiosa e que no fundo to morrendo de “medinho”. E uns medos bobos. Medo de não fazer amigos. Síndrome de patinho feio. Medo bobo porque quem me conhece sabe que eu começo a bater papo até com o poste se deixar... Ou seja: socializar nunca foi problema. Não até agora.

E só de pensar nisso tudo minhas mãos começam a suar. Pois é...

Acho que o tempo trouxe algumas mudanças pra tia Pri aqui. E trouxe também questionamentos... O que às vezes é algo bom e em outras acaba fazendo com que eu fique me perguntando coisas demais...

7 de fevereiro de 2012

...

Doce, deliciosamente doce. Porque até no nome, tens essa coisa branda e agradável...

25 de janeiro de 2012

Idealizando

Relacionamento sempre é pauta quando sento para conversar com o Thiago.
Ontem, durante um dos nossos cafés, resolvemos elaborar uma lista com qualidades que gostaríamos que o nosso par ideal tivesse.
Rabiscada num guardanapo, eis que a minha atingiu 50 itens.

Não que eu espere alguém num cavalo branco ou coisa do tipo, não que a pessoa tenha que ter todas as qualidades, mas são coisas que eu busco, coisas que considero importante... E o mais importante nessa história é que seja alguém que me ame, que aprenda a gostar e conviver comigo, mesmo com os meus defeitos.

Seguem abaixo alguns itens, sem hierarquia, alguns são flexíveis, outros nem tanto.
  • Sorriso bonito
  • Olhar cativante
  • Superior completo
  • Bom humor constante
  • Goste de filmes
  • Goste de ler
  • Inteligente
  • Bom gosto musical
  • Goste de sair
  • Goste de sexo
  • Goste de aventuras
  • Saiba provocar
  • Goste de viajar
  • Não fume
  • Goste de beber um pouco de vez em quando
  • Seja independente financeiramente ou que pelo menos pague boa parte das próprias contas
  • Carinhoso
  • Paciente
  • Mais ou menos a mesma estatura que eu
  • Não muito acima do peso
  • Tenha um toque suave
  • Cheiroso
  • Cuide da aparência, se vista bem
  • Saiba cozinhar
  • Goste de trabalhar
  • Fale mais de uma língua (é, eu sou chata mesmo)
  • Que saiba amar e não tenha medo disso
  • Não muito mais velho, nem muito mais novo
  • Beije bem (óbvio)
  • Saiba fazer massagem
  • Saiba dirigir e dirija (só ter a CNH não vale)
  • Goste de São Paulo
  • Goste de tecnologia
  • Goste de artes
  • Acredite em Deus
  • Saiba rir de si próprio
  • Saiba presentear
  • Escreva bem
  • Troque cartas comigo
  • Seja simpático
  • Seja sociável
  • Saiba me deixar vermelha com um elogio
  • Seja Leal

24 de janeiro de 2012

Só pra constar

Sabe aquele sentimento de não saber o que fazer da vida, quando a pergunta tem a ver com a sua vida sentimental?
Então, tô mais perdida que cego em tiroteio de filme mudo.

Existe um abismo entre o que eu quero, o que eu posso ter, o que eu deveria querer e a realidade.
É uma distância que não consigo percorrer...
É o medo de ultrapassar algum limite...

E assim vamos vivendo...
Ardendo em desejo toda noite, enquanto tento, em vão, dormir, enquanto tento não pensar tanto...

19 de janeiro de 2012

Saudade mais uma vez

Hoje é um daqueles dias em que a saudade resolveu apertar novamente.
Sentir saudade de alguém que está longe dói, mas não é nada perto da saudade de alguém que eu sei que não vou ver mais.

Aí as lagrimas escorrem junto com as lembranças.
Não sei se fico triste ou feliz. Triste porque sei que não terei mais lembranças, mais conversas, mais coisas pra dividir. Triste porque sei que eu não disse tudo o que eu queria dizer, não disse o quanto eu me importava. E feliz porque tive a oportunidade de fazer parte de alguma forma da vida, feliz porque tenho ótimos momentos compartilhados, feliz por ter contado com a amizade.

Hoje a saudade bateu de novo. Bateu forte.
E me fez pensar novamente o quanto tudo isso, às vezes, parece uma brincadeira.
Na real, eu fico esperando pelo momento em que vão dizer: ei, calma, foi só uma brincadeira (de mal gosto), a Mari tá aqui ó, vivinha da silva.

Dizem que os bons morrem jovens ou morrem dormindo. Quero continuar acreditando nisso.

11 de janeiro de 2012

Moralismo pseudo cult

Engraçado que, nas últimas semanas, a reflexão coletiva sobre o é sinônimo de cultura ou não tem sido pauta tanto nas redes sociais quanto em algumas publicações.

Tudo começou com a capa da revista Época ao trazer Michel Teló como personagem principal.
Muitos revoltadinhos disseram que Teló não representa a cultura nacional.

Na minha humilde opinião não, ele não representa, mas é parte dessa cultura.
Mas o problema (se é que há problema) são os "pseudo cults", aqueles que acreditam que cultura é uma forma de elitizar-se. E na real, não é.










O bom e velho Aurélio define cultura assim:
1.Ato, efeito ou modo de cultivar.
2.O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade.
3.O conjunto dos conhecimentos adquiridos em determinado campo.

E aí, vai me dizer que "Nossa, nossa, assim você me mata" não é cultura?

A chegada do Big Brother também traz à tona, além dos ânimos exaltados, um ódio simples e mortal contra quem se diverte com "voyer". Se no sexo tem gente que gosta de assistir, porque não acompanhar também a vida e não só momentos específicos? Prazeres diferentes.

Acompanhar BBB não é sinônimo de burrice ou de inferiorização. Dizer-se culto por ler um ou dois livros também não te torna culto. Gostar da Veja ou do Mainardi não te faz polêmico. E assim vamos com uma série de outras exceções.

O que vejo, é que com as redes sociais, todos voltam meio que a um patamar animalesco, se na vida "off-line" não podemos extravasar nossa raiva, nosso descontamento, na online temos jogado todas as frustrações, toda a raiva e manifestação de violência que foram contidas.

Qual o problema em cultura também ser diversão?
Entretenimento também é cultura, aliás, cultura também pode ser entretenimento.

BBB e Michel Teló não são pra serem levados à sério.

7 de janeiro de 2012

Pra 2012

Fazer ou não as tais resoluções de Ano Novo?
O que eu quero para 2012?

Pelo quê vou trabalhar?

2012 começou de forma boa, em casa e tranquilamente como nos últimos anos.
Me falta coragem para ir para a praia e enfrentar todo aquele caos, muito embora eu tenha vontade de pular as "sete ondinhas" pelo menos uma vez na vida.

Acredito que vou conseguir desenvolver melhor minhas metas para 2012 se eu as colocar em tópicos.
Mas é difícil colocar em tópicos coisas que você não faz ideia...

Não é uma questão de ter ou poder, mas é uma questão de ser. O que eu quero ser, ou por quais experiências quero passar em 2012?
Acho que as possíveis respostas para essa pergunta são:

Me tornar Key (gerente) no Outback (esse processo já está em andamento)
Participar como treinadora da abertura de uma nova loja
Ter pelo menos 3 BYTE's (Better Yourself Through Education)

Manter as contas em dia
Iniciar um consórcio
Poupar mais dinheiro
Tirar no mínimo 18,0 (dentro de um total de 20,0) nas provas de francês
Voltar para a pós (2º semestre)

Praticar algum esporte ou voltar para academia (estou entre voltar a nadar ou começar a jogar tênis)
Beber menos cerveja
Ler um livro por mês
Ver um filme por semana
Escutar mais músicas
Ir mais para São Paulo para programas culturais
Ir mais ao teatro

Acho que já tá de bom tamanho. Se eu chegar ao final desse ano com 50% das metas realizadas tá legal...