11 de janeiro de 2012

Moralismo pseudo cult

Engraçado que, nas últimas semanas, a reflexão coletiva sobre o é sinônimo de cultura ou não tem sido pauta tanto nas redes sociais quanto em algumas publicações.

Tudo começou com a capa da revista Época ao trazer Michel Teló como personagem principal.
Muitos revoltadinhos disseram que Teló não representa a cultura nacional.

Na minha humilde opinião não, ele não representa, mas é parte dessa cultura.
Mas o problema (se é que há problema) são os "pseudo cults", aqueles que acreditam que cultura é uma forma de elitizar-se. E na real, não é.










O bom e velho Aurélio define cultura assim:
1.Ato, efeito ou modo de cultivar.
2.O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade.
3.O conjunto dos conhecimentos adquiridos em determinado campo.

E aí, vai me dizer que "Nossa, nossa, assim você me mata" não é cultura?

A chegada do Big Brother também traz à tona, além dos ânimos exaltados, um ódio simples e mortal contra quem se diverte com "voyer". Se no sexo tem gente que gosta de assistir, porque não acompanhar também a vida e não só momentos específicos? Prazeres diferentes.

Acompanhar BBB não é sinônimo de burrice ou de inferiorização. Dizer-se culto por ler um ou dois livros também não te torna culto. Gostar da Veja ou do Mainardi não te faz polêmico. E assim vamos com uma série de outras exceções.

O que vejo, é que com as redes sociais, todos voltam meio que a um patamar animalesco, se na vida "off-line" não podemos extravasar nossa raiva, nosso descontamento, na online temos jogado todas as frustrações, toda a raiva e manifestação de violência que foram contidas.

Qual o problema em cultura também ser diversão?
Entretenimento também é cultura, aliás, cultura também pode ser entretenimento.

BBB e Michel Teló não são pra serem levados à sério.

2 comentários:

  1. Pri, adorei. Já disse uma vez e reafirmo: sou filho da cultura pop. A partir do meu gosto, sei o que é viável ou não é, escolho o que quero consumir ou não. Não gosto das pessoas que cravam suas ideias como se fossem as mais corretas, dizendo que se você ouvir pagode será x e se ouvir rock será y. A cultura é um conglomerado, uma bola, repleta de conteúdo, cores, sons... Michel Teló se destacou lá fora. Parabéns pra ele, pois lá fora, tem muita coisa que se destaca aqui e nem por isso o povo critica. Muito dos que criticaram via rede social, se parar para pensar, nem de cultura brasileira entende. Não sabe dos movimentos artísticos do norte e nordeste. Não conhece o "ziriguidum" do samba ou a batida perfeita que se encontra nas periferias do RJ.
    Sou a favor do "experimentar", de ouvir, ver. Sentiram-se ofendidos por Michel Teló representar o páis lá fora? Muito bem, duvido que a pessoa tenha talento o suficiente para representar a sí mesmo.

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  2. estou de pleno acordo! eu tinha um professor que vivia dizendo que nós, os alunos, já que temos acesso à "cultura", nao deveriamos gostar de sertanejo universitario ou raiz, como se sertanejo fosse inferior a qualquer coisa. ele nao era o unico, outros professores criticavam esses populares, exatamente como voce disse, achando que cultura é um metodo para se elitizar. e nos tinhamos tambem um outro professor, brilhante, que adorava samba e dançava funk sem preconceito nenhum... é ridiculo achar que algumas coisas, só porque sao mais conhecidas entre as classes sociais mais altas, são melhores que outras que vêm do meio do povão. é tudo cultura, realmente, e ignorante mesmo é quem lê filosofo consagrado e diz que funk nao é cultura

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