31 de maio de 2012

Indie




Bicho, sabe o que é que é?
É que eu to aqui pensando em você, sabe? Eu to pensando em como você chegou na minha vida e plantou sonhos, desejos, e depois se foi.
Na verdade eu fico pensando em como eu fico aqui lembrando do seu sorriso, e me doendo. Doendo porque depois que fiquei aquele tempo fora, você não voltou.
Pior do que não voltar, foi perceber que seu sorriso não é/era mais meu. Foi ver que aquela coisa de tomar um café, de ter as nossas conversas, todo aquele nosso universo único e mágico, tudo isso não existe mais.
Sabe o que é que é? É que eu acho que eu te amei desde o primeiro dia. Desse aquela virada de ano louca... Desde aquele filme lá em casa. Desde a sua primeira risada.

E aí eu fico aqui, pensando. Sabe como é, né? Um pensamento puxa o outro, que puxa outro, que chama outro. E eu querendo fugir dos pensamentos, fugir de tantos E’s...
Aí eu clico em músicas que não conheço, ouço sons que nunca ouvi antes, e me identifico com o novo... Fantasmas numa fotografia, fantasmas que mentem para mim...

Vou indo. Indo, indo, indo. Indo sem saber pra onde. Me jogo no trabalho. Na solidão. Nos amigos. Me jogo em tantas outras coisas, só pra não lembrar como a tua pele é macia, só pra não relembrar que você não está comigo.
Vou indo. E acho que eu te amei desde o primeiro instante. Eu só não soube dizer isso. Vou indo.
Indie. Como o som.

29 de maio de 2012

A lição de servir.


Há tempos eu venho querendo escrever sobre esse assunto. E acho que sempre me faltou tempo. Ou talvez tenham faltado as palavras nos momentos em que resolvi escrever.

Desde que entrei no Outback, muita coisa mudou na minha vida.
Principalmente porque eu resolvi chutar o balde, sair da comunicação e (re)começar do zero. Por quê? Talvez porque eu tenha saturado do mercado, talvez porque a grana não estivesse assim tão boa, ou talvez porque eu já não via um futuro bacana... Ou não estivesse motivada para conseguir chegar em alguma posição bacana.

Dizem que ganha mais quem arrisca mais e eu já não tinha vontade de arriscar no jornalismo.
Chutei o balde e ganhei uma lição de vida. Sair da área depois de anos de formada, anos na área em que me formei não foi uma decisão fácil, mas para quem não tinha nada então eu não tinha nada a perder.

Aí você se pergunta: ir trabalhar como “garçonete” é uma lição de vida?
Do meu ponto de vista? Sim, é. Saí do comodismo.
E servir requer humildade. Servir bem requer humildade e conhecimento. Jogo de cintura. Paciência.

Trabalhar no Outback me faz lidar diariamente com um universo de pessoas com as quais eu não teria contato, se eu não trabalhasse lá. E todas essas pessoas diferentes tem algo a ensinar. Essa é o lance em ser humilde: assumir que você não sabe de tudo e que pode aprender com todo mundo ao seu redor.
É certo que não sou a melhor carregadora de bandejas do mundo. Mas servir bem é mais do que anotar pedidos e levá-los à mesa. Servir bem é prestar atenção no seu cliente, ouvi-lo e quem sabe, surpreender.

É como uma boa história no jornalismo, onde você tem que saber as perguntas certas... Criar uma empatia.
Eu tenho aprendido muita coisa nesses últimos meses. Uma verdadeira lição de humildade... Em momento algum me sinto rebaixada ou menos do que outra pessoa que trabalhe em uma profissão qualquer...