25 de setembro de 2012

Setembro chove

Cores gris

Da calmaria da noite surgem as palavras, brotadas lentamente entre um gole e outro da cerveja já quente.

Era o início da primavera, mas os dias ainda conservavam-se cinzas, nublados, como se todos os problemas resolvessem se condensar em todas aquelas nuvens que nunca se precipitavam em chuva.
Esperava pelo desabrochar de algo colorido dentro do peito, algo bonito e perfumado. Um sentimento sem nome talvez.

Nas músicas, escolhidas à dedo, um toque de melancolia e saudade.
No fundo, o que havia era uma certa fuga de si mesmo, de si e dos outros.
Ele andava em círculos em frente ao espelho como se aquele reflexo fosse lhe trazer alguma resposta, uma resposta pra aquelas perguntas, que também andavam em círculos dentro de sua cabeça.

Era um ciclo sem fim: cerveja, música, caminhadas noturnas, tudo na vã tentativa de cansar o corpo e vencer a insônia. Entre uma corrida e outra, o líquido que escorria de seu rosto não era suor, eram lágrimas. Lágrimas salgadas como a solidão, como um fim de tarde só, em frente mar.

Tudo se acumulou com o passar dos dias. Foram meses até chegar àquela data. Meses de desgosto, como agosto. E tudo acumulava: as mudanças de humor, as dores, as paixões, os desejos, as mágoas. Toda uma vida nas nuvens, crescendo, ficando cada dia mais cinza, cada dia mais pesada e sem se precipitar.

O coração ardia numa chama seca, sedento de cores, sedento da chuva que mesmo em setembro, tardava a cair.

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