10 de novembro de 2012

Banho

Um estalo e lá se foi a energia minutos antes do tão desejado banho.
Segundos depois, com a volta da eletricidade, despiu-se, abriu vagarosamente o chuveiro deixando a água escoar e esquentar.
Com a ponta dos pés mediu a temperatura antes de entrar por completo embaixo do jato de água quente.

Enquanto a água escorria pelo corpo, escorriam também as ideias. Algumas delas ela conseguia guardar antes de irem embora, ralo abaixo.
Pensava nos frutos da imaginação. Se seriam doces, amargos ou sem gosto. Pensava se os tais frutos eram redondos como uma laranja ou se tinham a aparência de um abacaxi rolando pelo chão. E qual seria o gosto desses frutos tão abundantes?

Enquanto pensava nessa feira de imaginações e criações se deu conta que a resposta estava bem em frente aos seus olhos: ao ensaboar a cabeça notou o frasco branco logo a frente e encontrou ali a resposta, toda cura para todo o mal: em letras sem serifa, sem a presença de um “bold” ou um itálico, ali, o que por anos ela procurou para melhorar a vida: Condicionar a dor.