31 de dezembro de 2014

Ao ano de 2014

Eu poderia fazer inúmeros comentários sobre 2014.
Pderia falar em como foi incrível trabalhar mais um ano no Outback. Falar como cresci, como foi bom conhecer e inaugurar outras lojas.
Poderia escrever horas a fio sobre cada abertura. Cada pessoa que conheci. Cada Outbacker que contou comigo, cada Outbacker que passou a fazer parte desse meu sonho que se torna realidade.

Profissionalmente falando, 2014 termina da melhor forma possível: com caminhos traçados, com objetivos alcançados.
2014 termina com a dúvida se 2015 será meu último ano nessa cidade em que vivo desde que nasci.

Se tem algo que aprendi é que viajar é muito bom, mas melhor ainda é poder voltar pra casa. Confesso estar insegura com essa possibilidade de "casa" ter um novo significado pra mim. Assusta quando planos começam a deixar de ser planos e tomam forma.

Tudo bem que às vezes acho que vivo uma versão "made in China" de O Diabo veste Prada. É aquela coisa: quando sua vida pessoal virar fumaça, você será promovida. Talvez isso tenha acontecido. Ou não.

Não acho que a vida esteja ruim.
Eu sou chata, isso é um fato. O problema é que antes eu só não admitia. Tem que ter saco pra me aturar. Muita paciência, mesmo. No fundo, acho que ainda não encontrei a pessoa. Ou encontrei nos últimos meses e não estou querendo admitir. Ou é só mais uma paixãozinha que logo logo vai passar.

Muita gente e ao mesmo tempo ninguém. Gosto da solidão. Gosto de escolher.
Não posso reclamar, se estou sozinha é tudo fruto das escolhas que fiz, dos critérios que adotei pra vida...
Ok que na minha cabeça eu acho que no mínimo eu contribui (não da maneira correta, mas aí o fim justifica os meios) com a evolução. Ok também que na minha cabeça eu acho que algumas pessoas me odeiam. E ok, que isso pode ser só coisa da minha cabeça, vai ver eu não fui tão importante assim e que as minhas quase certezas são frutos de ilusões... Enfim, não é esse o foco da conversa.

Mais um ano em casa. Uma passagem de ano. Uma em que optei em ficar só. Opção estranha? Não acho.
Eu sou só. Sempre fui. Não dá pra tentar fugir disso. Tenho amigos? Tenho. Por que não quero a companhia deles? Porque essa minha vibe reflexiva requer um recolhimento, um silêncio, uma análise. Envolve decisões.

Acho que estou tão cheia, que preciso me esvaziar sozinha. Preciso pensar na vida. Até chorar um pouco, por que não?

2014 não foi um ano incrível. Mas foi bom. Foi um ano onde a dor e a raiva ensinaram lições preciosas.
Acho que hoje eu consigo ter mais certeza sobre decisões tomadas.
Voltar atrás de algo tem que ser por mim, não pelos outros.
O eterno conflito do o quão egocêntrica eu sou ainda mora por aqui.

2014 foi o ano em que fiquei chateada por saber que alguns amigos tem uma visão distorcida sobre mim.
Toda panela tem sua tampa. Uma hora encontro a minha.

2014 também veio pra me ensinar que idade é relativo. O tempo é relativo, Einstein não descobriu isso à toa.

Vamos lá, vamos dar adeus. Vamos fazer nossos rituais de passagem.
2015 já está mais ou menos traçado. Mas ainda assim são 365 dias de surpresas. Cabe a mim decidir como vou tratar cada uma dessas 365 oportunidades de ser um pouco mais feliz.

Ao ano e pessoas de 2014: obrigada. De alguma forma vocês me tornaram uma pessoa melhor.



16 de outubro de 2014

Sobre estar pronta

Nessas indas e vindas, nessas de ir trabalhar, de ouvir uma música no carro.
Nessas de acender um cigarro, beber uma cerveja... Eu geralmente estou pensando em alguma coisa. Matutando, quebrando a cabeça.
Me preocupo com bem mais coisas do que muita gente imagina. Mas me preocupar não quer dizer necessariamente que eu vá tomar algum tipo de atitude em relação a essa coisa que ocupa a minha cabeça.

Enfim, ontem eu estava pensando sobre repetições, sobre estar pronta (ou achar que estou) para um relacionamento mais sério.
Pensei novamente em todas as expectativas e pensei também na forma como eu transformei, ainda que sem querer, a vida de quem passou por mim.
Talvez se eu tivesse um pouco mais de paciência essas pessoas estariam melhores e talvez ainda estivessem ao meu lado.

Não que eu queira alguém de volta. Não é isso. É só uma questão de achar que eu hoje sou uma pessoa melhor, porque da mesma forma que ensinei eu também aprendi. E se o amor ainda não bateu novamente à minha porta é porque ainda deve ter um motivo, algum degrau pra evoluir que eu até agora não descobri...

Estou esperando? Um pouco. É errado esperar? Não sei.
Eu sempre fui do time que não acredita em palavras mas sim em atitudes.
Eu sei exatamente o que quero, conheço pessoas que têm o perfil, mas eu me pergunto: o que essas pessoas esperam?
Me apaixonei no ano passado. Deu certo? Não. Tentei? Sim. Foi melhor assim? Não sei.
Ainda penso? Às vezes. Dói? Não.

Acho que é isso que me consome... Será que eu sou o que esperam? E isso vale pra tudo: família, vida profissional, amizades...
Outra pergunta a ser feita: Será que eu me mostro como eu gostaria que as pessoas me conhecessem?
Eu acho que a resposta pra essa última é: não.

Mas como sair desse ciclo? Como mostrar pra quem já me conhece que posso ser/sou bem diferente do que a grande maioria das pessoas imagina??

Soma-se a isso tudo a proximidade de mais uma viagem...
Ir, voltar. Mudar.
A cada viagem eu deixo um pouco de mim por aí. Eu trago um pouco do mundo comigo na volta. Será que é numa dessas que minha vida vai mudar completamente?
Vai saber...
Só Deus sabe o que destino me reserva.


30 de setembro de 2014

Sobre digitar e apagar

É tanta coisa que eu queria falar.
Tanta coisa que eu queria reclamar.

Digitei, digitei e apaguei tudo.
Queria apagar mais coisas.

15 de setembro de 2014

O último

O último cigarro foi aceso no caminho pra casa.
Parei no sinal vermelho ainda embrigada com os prazeres de uma boa conversa, olhei a noite e resolvi acender.
Seria uma despedida. Despedir depois de me despir da vergonha, dos preconceitos, das máscaras sociais.

Eu já havia bebido, mas desejei mais uma cerveja.
Acendi o cigarro. Enquanto tragava, pensava na vida.
O sinal ficou verde.
Combinação automática de ações: pisar na embreagem, engatar a marcha e acelerar. Mas eu não quis imprimir velocidade.
Arranquei calmamente, analisando cada movimento.

Eu não queria chegar em casa.
O último cigarro foi consumido em câmera lenta.
Enquanto me desfazia da fumaça, lançava fora cada problema. Na fumaça que subia aos céus, subia uma prece pedindo por paz.

Pela janela observei a cidade a dormir. Sempre gostei de dirigir de madrugada. Me encontro nos meus caminhos solitários.
O rumo está certo, e eu vou devagar, sem pressa pra chegar.

O último cigarro não foi fumado por stress ou coisa parecida.
O último foi minha despedida.

3 de setembro de 2014

Sobre o eterno medo de fracassar

O sono demora a vir. Mais uma daquelas noites onde dormir será uma tarefa fracionada.
A chuva escorre gota a gota pela janela de vidro. A parte metálica da janela, que está fechada, fica responsável pelo barulho que deixaria a cama acolhedora, não fosse a quantidade de chá que tomei agora a noite.

Na cabeça, alguns pensamentos rodopiam. Frases de músicas que insistem em se repetir. Perguntas e mais perguntas. Afinal, o que seria da Priscila se ela não fosse atormentada pelas perguntas. São incansáveis questionamentos. Incansáveis interrogações que insistem em surgir nas horas mais inapropriadas.

Sempre tive mania de questionar. De tentar novas formas, de subverter a ordem natural das coisas, só que tudo isso só acontece dentro desse mundo à parte que eu crio dentro de mim.

Hoje imaginei cenas. Fiz inúmeros roteiros para uma noite despretensiosa. Ainda assim eu crio cenas. Diálogos, monólogos. Conversas que só acontecem dentro de mim.
Fico na dúvida entre falar tudo ou calar.

Senti saudades em Campo Grande.
Sinto saudades em São José.
Sou saudosa a todo instante e isso me preocupa. Me faz criar mais uma questão: O que eu estou fazendo do meu "agora"?

Domingo eu me senti impotente. Quase surtei. Mas como boa moça que sou, segurei firme. Pensei no que meu pai diria se me visse nervosa por conta de bobeira.
Só que nem sempre dá pra ser forte. Aí nos momentos mais bobos eu demonstro que eu também sou sensível, que eu também tenho defeitos e que eu não sou sempre essa pedra de gelo ambulante.

Eu erro. Eu pago pelos meus erros em silêncio.
Falando em silêncio: hoje percebi, por meio de uma coisa boba, que na grande maioria das vezes eu opto por sofrer calada.

Eu tenho um medo tão grande de fracassar. Só não sei fracassar no quê.
A vida profissional está indo bem.
A sentimental... Bom, estou colhendo o que eu plantei. A bem da verdade, hoje senti um friozinho na barriga.
E uma espécie de tristeza. Uma tristeza que invade o peito toda vez que eu percebo que...
Melhor deixar pra lá.

No fundo, eu morro de medo de machucar de novo. Me resguardo.

Eu só queria que desse certo uma vez na vida. Que fosse igual, que eu me apaixonasse e fosse recíproco. Que fosse leve, gostoso, terno.
Sinto falta de companhia. Sinto falta de ter pra quem contar meu dia. Sinto falta principalmente de que alguém se interesse em saber como foi o meu dia.

Não é que eu não estou feliz. Sim, estou.
Estou com a plena certeza de que nunca estive melhor.
Eu só sinto falta de ouvir um "eu também pensei em você" quando digo isso,

E eu tenho tanto medo de machucar as pessoas.
Tanto medo de gostar das pessoas erradas. Tanto medo de não dar certo quando eu resolver tentar outra vez.
Cansa saber que alguém saiu ferido da história.

A noite vai ser longa.

A chuva continua caindo. O sono continua longe, ainda assim, resolvi deitar.


1 de setembro de 2014

Sobre setembro

Aí você toma um tapa na cara, agosto termina da pior possível.
Aí você aprende da pior maneira possível.
E então você volta pra casa, pro lugar de onde você não deveria ter saído.

Ou deveria.
Aprendi muita coisa nesse mês.
Aprendi a deixar ir, a me irritar. A não me irritar, a deletar quem não acrescenta em nada na vida.
Se bem que até com mau exemplo a gente aprende: aprende a não fazer igual.

Setembro chegou.
A constatação de que estou acima do peso desejado também.
Ah, também estou com um acúmulo de celulite. E isso está me incomodando.

Agora resta saber se eu vou levantar minha bunda da cadeira e fazer alguma coisa pra mudar tudo isso.
Um ano sem namorar (a volta em março não conta).
Tá na hora de cuidar de mim e ser feliz.

E se isso significa beber menos e correr mais, é isso que vou fazer.
Não quero me sentir a tia gorda e encalhada.
Não quero mais passar por momentos de raiva.

NÃO QUERO NUNCA MAIS TER O CARREGADOR DO CELULAR ROUBADO.
Porque olha, ontem eu quase tive um dia de fúria. Tive ganas de quebrar tudo.

Me sinto orgulhosa de não ter chorado.
Ao mesmo tempo acho que deveria ter chorado como há tempos estou precisando.

O que eu sei é: tô gorda. Tô chata.
E não quero ninguém enchendo meu saco.

Setembro trás a primavera. Que eu renasça com as flores.



29 de agosto de 2014

Sobre Campo Grande

Campo Grande tem ensinado muita coisas.
Ter paciência e não falar muito, curtir minha própria companhia. Essas e outras coisas.

Tenho pensado em escrever bastante, mas falta tempo ou disposição.
Os dias são mais longos por aqui...

Confesso estar um pouco decepcionada com alguns detalhes.
Gente que fala o que quer enquanto eu engulo meus lagartos.

Sinto saudades de casa. das minhas pessoas.
Saudade de um beijo bem dado, de uma noite fofa, de conversas.
Saudades de ser eu mesma sem ter que ficar agradando.

Me sinto sozinha por aqui. E sinto que rolam fofocas...E o fato de achar que rola fofoca me irrita.
Odeio a forma mais ou menos desorganizada como as coisas são tocadas.

Aprendi a valorizar muito o lugar de onde eu vim, minhas raízes.


10 de agosto de 2014

Sobre Jack num domingo a noite

Eu não sei lidar com sentimentos.
Tenho um senso lógico muito bom, mas me falta tato com sentimentos.
Misturo muita coisa, sinto coisas completamente opostas ao mesmo tempo.
Quero tudo e nada ao mesmo tempo.

Não sei o que quero. Mas sei bem o que não quero.
Só sei o que quero quando o assunto é profissional.

Tô triste, com raiva.
Tô decepcionada. Tô esperando muita coisa de muita gente.
Tô perdida querendo me encontrar.

2 de agosto de 2014

Sobre seguir em frente

A vida tem dessas coisas de nos deixar em dúvida.
O destino é capaz de plantar tantas questões na minha cabeça que eu já não sei o que eu faço com tantas perguntas.

É que eu não sei o que se passa na cabeça das outras pessoas.
Eu não sei o que se passa no coração dessas outras pessoas.

Eu vou seguindo.
Sei que em breve eu vou precisar fazer uma escolha. Uma escolha que pode afetar todo o meu futuro,
Não sei o que levar em consideração.

A gente segue em frente com o que tem. E o que é que eu tenho hoje? E quem é que eu tenho hoje?
Meu quebra-cabeças não está completo,

1 de agosto de 2014

A pergunta...

que insiste em aparecer na minha cabeça e não quer calar: será que algum dia você vai se arrepender de não ter me dado uma chance?

26 de julho de 2014

Selfish

Vínculos.
O que é essa coisa de criar vínculos?

Sei lá, eu me acho tão filha da puta quando percebo que tudo é uma questão de tempo. Pra acontecer, pra esquecer.
Tudo é tempo.

Ninguém é insubstituível. Não que dê pras coisas serem exatamente da mesma forma com todos. Sei lá, só acho que com o tempo ou com a distância, pessoas, coisas situações, quase tudo deixa de fazer sentido. É só começar a deixar de lado. Aos poucos.

Será que é muita frieza da minha parte?
Não é que não dói. Dói. Sofro.
Mas eu sei que não é pra sempre. E isso alivia. É como se eu tivesse sempre alguém a me lembrar: calma, já vai passar.
Sofro menos.

Eu não faço questão daquilo que não me agrada.
Acho que talvez todos deveriam fazer isso. Seria mais simples. É mais fácil resolver os problemas assim, do que ficar discutindo em cima de algo que não tem solução.

Aprendi, à duras penas, que o passado passou. Ficou lá trás.
Claro que eu sinto saudade de algumas coisas, e que se pudesse reviveria alguns momentos, mas não dá pra mudar.
Já foi. Já era.

Tenho plena consciência de que eu não sou a melhor pessoa do universo. Muito pelo contrário, eu sei o quanto e no quê eu sou ruim.
E acho que a minha pior parte é justamente essa, de deixar ir, de não ligar. De ligar um botãozinho de indiferença, ainda que seja por alguns minutinhos.

Eu tenho essa mania de cortar. Começou a encher o saco? Corto.
A não ser que seja uma discussão sadia, algo que mude o presente. Ou o futuro.

Gosto de ser quem sou. Gosto do meu passado. Gosto ainda mais das pessoas que fazem parte disso tudo. Faço lá minhas brincadeiras escrotas, mas é sobre o passado.
É um cego fazendo piadas sobre cegos. Faço piadas de mim, sobre mim. Faço piada do que não deu certo, porque o que me resta agora é rir, até porque chorar não vai resolver absolutamente nada.

Sei lá. Me irrito fácil.
Eu nunca tive paciência.

Será que sou egoísta demais? Será que eu sou mesmo tão egoísta assim?
E mais, será que todo esse "pensar primeiro em mim" é realmente tão ruim assim?

Enquanto isso, a vida segue.



10 de junho de 2014

sutilezas

a vida é descobrir os pequenos grandes prazeres.
estar em paz consigo, não temer o futuro, uma mensagem no celular, um encontro com um amigo.

aprendi a não ligar para aquilo que não acrescenta.
prefiro ficar maravilhada com uma folha que cai durante o outono. prefiro acreditar na primavera.

30 de maio de 2014

Carta para Mari

E aí, vou reler algumas coisas e me deparo com teus comentários em postagens antigas do blog.
Bateu saudade.
Fui reler coisas.
É estranha a falta que você me faz.
Sei lá, na minha cabeça você não morreu. A gente só parou de se falar. Penso que eu deveria ter ido para Floripa naquele mês de dezembro, só não sei se isso mudaria em algo o destino.

Faz tempo né?
E sinto sua falta. Sinto falta dos teus conselhos. Sinto falta do teu sotaque.
De encontrarmos coisas em comum nos nossos relacionamentos, no término dos relacionamentos. Sinto até mesmo saudade de sentir ciúmes de você. Porque sim, eu tinha ciúmes.

Fico me perguntando de quais musicas você gostaria hoje. Se teríamos ido assistir a algum jogo do nosso tricolor juntas.
Ou se teríamos feito outras viagens, como a para Salvador.

Por aqui as coisas continuam mais ou menos iguais. Eu continuo sem conseguir manter meus relacionamentos.
Continuo me arrependendo de algumas coisas e com saudades de tantas outras.

Saudade de algumas pessoas. De alguns momentos.
Saudade de histórias que eu não vivi.

Sabe, eu faço escolhas e fico torcendo para que sejam as escolhas certas. Às vezes as pessoas me chamam de egoísta sem saber tudo o que envolve uma decisão minha.
Enfim, acho que é isso.
Espero que você esteja bem onde está.

Abraços.

Pri

27 de maio de 2014

Sobre o pijama azul listrado

Repasso a lista de afazeres.
Reparo a listra. Prazeres.
Pijama quente e cafuné.
Flanela e café.

26 de maio de 2014

Carta para Londres

Hoje é um daqueles dias: cinza, repleto de água, de gotas escorrendo pela janela. Queria escrever que no rádio toca aquela música que tanto gostamos, mas seria mentira, os rádios foram substituídos em casa, na minha e na sua, por outras formas de se escutar música e não há mais o acaso, não há aquela surpresa, boa ou ruim, quando determinada música toca, inesperadamente na programação do dial.

Na verdade, ouço algo que descobri faz pouco tempo. E algo que combina com o tempo de hoje.
Há tempos venho querendo escrever. Nosso contato é quase nulo e sinto falta de nossas correspondências. Sempre foi bom receber notícias da tua fria Europa. Você sempre foi da Europa, mesmo quando ainda estava aqui no Brasil. Já eu sempre fui tropical, mesmo quando estava aí pelos teus lados.
É engraçado que se eu fosse te considerar um país, você seria a Inglaterra. Se fosse uma cidade, seria Londres. E não, eu não conheço Londres. Só sei que Londres é distante, é cinza e chove quase sempre. Ainda assim é linda. É, eu acompanho suas fotos. Fotos de Londres. Do colorido das cabines telefônicas.

Por essas terras tropicais tudo certo. Outro inverno vem chegando. Serão mais dias cinzas e mais dias chorosos. Mais dias, uns seguindo-se aos outros. Dias secos. Às vezes azuis, mas frios. Frios como toda essa melancolia que insiste em escorrer junto com a chuva que escorre em gotas pela janela.
Faço planos que nunca vão sair do papel. Queria conhecer Londres. Queria levar a minha primavera tropical, espalhar minhas cores na tua pele. Mas eu não vou. Eu queria ligar, mas tem outra pessoa usando a cabine telefônica. E eu acho que eu já não sei esperar mais.

25 de maio de 2014

Sementes

São tantas coisas que passam pela cabeça por esses dias, que até o corpo fica cansado.
Acho que a garganta fechada, essa indisposição é reflexo de coisas que por tempos venho acumulando.
Coisas de anos que eu não consigo lidar, não consigo expor.

Há um vazio e ele não é preenchido nem por nada nem por ninguém.
Nessas horas prefiro me jogar no trabalho. Fico mais feliz assim.

Uma relação não deve requerer esforço pra se ver. Quando passa a ser obrigação e não prazer é porque há algo errado. E isso vale pra tudo na vida.

Eu sou uma palhaça, faço todos darem risadas, conto minhas piadas bobas e sem sentido, mas no fundo, bem no fundo, sou uma pessoa séria que sabe dos próprios compromissos e que adora mostrar trabalho.
Escondo de alguma forma minha inteligência. Me faço de boba, prefiro escutar.
E assim vou vivendo.

Se tem algo que aprendi é que gente grande não tem tempo pra chorar um coração partido.
Eu tenho tantas dúvidas. Tantas. E tanta saudade de quando eu era apenas uma criança e que meus pais tomavam decisões por mim.
Jamais vou esquecer do episódio do meu quase primeiro beijo. É... Quase. Quase porque a criança aqui foi pedir permissão pra mãe pra "ficar" com o fulano.

Fui apaixonada pelo Rafael durante muito tempo. E quando um dia quase rolou, pedi pra minha mãe e ela não deixou, eu obediente que sou não fiz nada. Por conta dessa meu primeiro beijo só foi rolar três anos depois.

Não busco permissões.
Só não quero mais ter que correr atrás das coisas.
Serenar. Esperar. Amadurecer.

Até quando? Acho que está na hora da minha vida florir e eu não faço ideia do que plantei.
Será que você pode me ajudar?

18 de maio de 2014

Eu nunca soube direito o que eu quero da vida. Sempre fui melhor em dizer aquilo que eu não quero.
Mentira, eu aprendi a dizer "não".

Não saber algo me traz o benefício da dúvida, aquela coisa do ir tentando pra ver onde é que vai dar. Traço meu caminho de acordo com a estrada.
Hoje eu me permito trocar o destino. Se a estrada está ruim, não me importo em mudar o caminho.

Eu danço conforme a música. Só não dá pra esperar que ao final da noite eu ainda tenha a mesma empolgação do começo da festa.

11 de abril de 2014

Reflexões de uma viagem

Toda viagem me transforma. Pra mim tornou-se impossível voltar e continuar sendo a mesma pessoa. Talvez por isso eu goste tanto de viajar sozinha: sinto-me capaz de enxergar o mundo de outra forma, por outros ângulos.

A viagem à Argentina foi boa, não tão incrível quanto Paris, mas boa. Fiz amizades, conheci lugares que queria conhecer, relaxei.
Mas mais interessante que isso foi o que senti enquanto estava em Buenos Aires. E senti tantas coisas. Senti necessidade de compartilhar algumas coisas, senti ausência de algumas pessoas, me senti plena por estar sozinha, tudo junto e misturado como manda a cartilha Priscila de ser.

É engraçado ver o tempo passar. Ver necessidades mudarem, ver seu corpo, seu humor, expectativas, uma série de coisas se transformarem.

Se por um lado estou criando paciência com algumas coisas, com outras já não tenho tanto. Hoje acho que sou mais dona de mim. Pertenço-me. E é tão bom pertencer-se a si próprio.

Estou planejando voltar a estudar. Tem um bom tempo que tenho sentido essa necessidade. Preciso ocupar a cabeça com coisas que me acrescentem. Sempre fui nerd. Meio nerd. Meio completamente nerd.
Sobre relacionamentos: tenho um medo enorme de tentar. Acho que eu sempre desestabilizo quando a coisa começa a ficar séria. Minhas cobranças aumentam: em relação a mim e em relação a outra parte.

Das conversas que tive algo marcou: essa coisa de admiração. E isso tem me martelado muito nos últimos meses. É algo que me corrói.
Acho que se antes eu pensava nas qualidades desejadas, hoje penso nos defeitos aceitáveis. Porque eu também tenho defeitos, e alguns deles – infelizmente – eu vou carregar pro resto da vida.
Tenho procurado o novo. Não tenho encontrado. O novo de certa forma me dá preguiça. O novo que eu aceito é o novo em mim. Difícil de entender? É, pra mim também.

Falando um pouco sobre Buenos Aires: gostei da atmosfera política da cidade. Até comentei que entendo o porquê do argentino ser tão dramático. A história política da Argentina não estabilizou como aqui no Brasil, onde parece que muito se fala mas pouco se faz. Tanto que ontem começou greve geral por lá.

Em todos os lugares pichações com frases políticas, sindicais, pedidos para a presidente Cristina. Acredito que se não fosse toda essa crise eu com certeza pensaria em me mudar para a Paris sul-americana, ainda que o meu espanhol não seja um dos melhores.
Outro pensamento tem ocupado a cabeça: sair do país. Passar uma temporada fora. Um ano, quem sabe? Preciso amadurecer minhas escolhas.

24 de março de 2014

Paz

Sabe quando você sente aquela sensação de dever cumprido?
Pois é, ando sentindo uma paz...

Sabe aquela coisa de não esperar nada e se bastar por si só?
Pois é, ando sentindo uma paz...

Férias chegando. Constatações.
Estou ficando um pouco mais paciente e tenho ganhado muito com isso.

Acho que contribuí com a evolução alheia e de quebra com a minha própria e isso é tão gratificante que me faz ficar em paz.

Aniversário passou.
Comemorei antes e passei o dia propriamente dito da maneira como eu esperava: sem grandes badalações e sozinha.
Não que eu não tenha amigos, tenho e tenho os melhores que a vida poderia me proporcionar, mas é que eu ando completa.

Completa e leve.
Pois é, ando sentindo uma paz...

16 de março de 2014

se

Se eu tiver que escolher, eu escolho esperar.
Esperar a tempestade acalmar, a maré baixar, o barco atracar.

Se eu tiver que escolher, eu escolho esperar.
Esperar a planta nascer, o fruto amadurecer.

Não ligo. Não me importo.
Prefiro cuidar, prefiro plantar meu "pé de amor", regá-lo todos os dias.
Podar se necessário.
Lutar, se necessário.

A escolha é minha e, no fundo no fundo, já está feita.

De raízes fortes e profundas que demoram a brotar e aparecer sobre a terra, assim são meus desejos mais profundos, minhas paixões mais intensas.

Eu calo.
Eu sumo.
Só não deixo de continuar a regar.
Só não deixo de continuar.

5 de março de 2014

Avessos

E quando eu não me reconheço, quem sou eu?
Quando digo e faço coisas, quando fujo de verdades. Quem é que eu quero enganar?

E quando tenho medo, qual coragem eu mostro?
E quando sofro, qual sorriso eu exponho?


Sou o avesso. Avesso do que queria ser, avesso de onde queria estar.
Avesso.
Sou o outro lado da moeda sendo levado em consideração.
"Duplipenso"

O que eu quero, o que eu preciso e o que eu gosto.
O certo, o errado e o que eu faço. O que geralmente acaba se encaixando no meio dessa imensidão de nada que existe dentro de mim.

Confuso? Talvez.
Vou me perder pra me reencontrar.

16 de fevereiro de 2014

O retorno de Saturno

Preciso de mais ações e menos pensamentos.
Sei que ando economizando dinheiro, mas ando economizando a vida também. E a vida a gente não economiza. Ela é uma só, cada minuto que se passa é um a menos.

É uma eterna contagem regressiva para um momento que não sabemos quando chega.
Não existe hora certa, existe a hora que eu quero que as coisas aconteçam e eu estou postergando tanta coisa, mas tanta coisa.

Encontros e reencontros.
Leituras.
Filmes.
Não é uma questão de esquecer do amanhã e viver tudo agora, é uma questão apenas de viver.
O que eu tenho feito com esses minutos? Com essas horas?

Sinto falta de escrever. Sinto-me na obrigação de ler mais. De ler com maior frequência.

A vida está passando e eu não quero perder momentos em frente a tela de um computador.
Quero beijos que não sejam abreviados. Quero abraços, emoções e não emoticons.

É hora de entrar novamente no meu isolamento.
Ser mais eu. Conhecer gente nova. Novos amigos.
Renascer. Reconstruir.

Saturno está voltando pra sua posição inicial e eu como boa ariana sei muito bem como começar do zero.



11 de fevereiro de 2014

Trecho de "Se"

"Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!"


- Rudyard Kipling

6 de fevereiro de 2014

Alicerces

Aí você passa a vida assim: esperando.
Esperando o sono passar pra levantar, esperando o sono chegar pra dormir.
Esperando aquela oportunidade pra mudar.
Esperando a inspiração pra escrever. Esperando sol para um dia de praia.
Esperando alguém dizer que está com saudades, pedir desculpas, esperando dos outros mudanças que você poderia ter.

Eu acredito em escolhas. Escolhi ser feliz e estou tentando a todo custo alcançar minhas conquistas.
E no meu caso, aprender a esperar é uma conquista. Sempre fui do time que faz acontecer. Não importa como ou onde, se por bem ou mal, mas sempre enfiei muita coisa goela abaixo. Em mim, nos outros.

Opiniões, sentimentos. Rotinas.
Serenar. Desde 2012 este sido o meu Norte.
Aquietar, contemplar.

Confesso que às vezes atrás de um sorriso escondo um coração partido.
Mas partido pelo quê?
O que é esse vazio que faz tempo que tá por aqui e não consigo preencher?
É mais de mim, mais de algo ou mais de alguém que preciso?

O certo é responder com a primeira opção. Mas e se eu estiver errada?

Procuro por um alicerce forte.

30 de janeiro de 2014

60 dias

Mais um ano de trabalho árduo se passou e já comecei a programar as férias 2014.
Abril será um mês para entrar na história: Meu primeiro festival de música e minha segunda viagem internacional.

Resolvi escrever mais para organizar e deixar registrado os preparativos.
Todo ano, desde que entrei no Outback, é quase a mesma coisa: começo economizando já em dezembro, tento guardar a maior parte do 13º pra usar nas férias.

Esse ano resolvi não atravessar o oceano e ficar pela América mesmo, mais especificamente pela América do Sul.
Don't cry for me Argentina, em abril estou chegando para o Lollapalooza.

Eu já queria pegar algum festival aqui no Brasil, que fosse o Lolla ou o Planeta Terra, mas ao descobrir o lineup dos hermanos não resisti. Corri pra verificar minhas milhas e comecei a monitorar preços de passagens aérea pra capital argentina.

Tudo bem que antes mesmo de decidir o destino eu já havia montado uma planilha com os "possíveis" gastos das férias, até porque antes de realmente decidir eu cogitei ir pra Colômbia.

Nessa planilha eu faço uma média de gasto com alimentação, estipulo um valor a ser gasto com compras, passeios e transportes. Incluindo o gasto com hospedagem em diversos hotéis e/ou albergues.

Se ano passado eu fiquei num hostel em Paris, esse ano resolvi optar pela privacidade, mesmo ficando que eu vá ficar num hostel em Buenos Aires, preferi pegar um quarto individual.

O hostel, ao que vi, é super bem localizado, no centro da cidade e com acesso tanto por ônibus quanto pelo metrô.
Agora é contar os dias e começar a pagar as primeiras contas.

Passagem e ingressos juntos darão em torno de 700 e poucos reais. Quero pagar tudo antes pra voltar e não ter com o que me preocupar.
Já de hospedagem estou me planejando pra gastar em torno de mil e cem reais.

Faltam 60 dias. É, estou em contagem regressiva.

11 de janeiro de 2014

Fim

Acho que finalmente cheguei no que me tem feito pensar e repensar por esses dias: o fim.
Todo e qualquer fim é evitado. Passamos a vida inteira tentando prolongar tudo. Prolongar inclusive a vida.

Ciência, remédios, cosméticos... Tecnologia. Uma infinidade de coisas que tentam eternizar cada passo.
O fim é natural. De tudo. Seja um relacionamento, uma fase na vida, um emprego. Tudo chega ao fim. É possível, em alguns momentos, recomeçar, mas ainda assim é necessário ter antes um fim.

O fim é saudável quando é aceito. Deixa de ser triste. Nos permite fazer a escolha de começar de novo ou começar outra coisa.
Ter um fim não quer dizer ser esquecido. Existiu. Estava ali, mas acabou. Como tudo na vida acaba.
Só o espaço e o tempo são infinitos. Nós, eu e você, apenas passeamos, e tentamos inutilmente adiar o fim.

Por vezes nos prendemos tanto às coisas, às pessoas.
Sinto falta de me sentir livre o suficiente de deixar tudo e todos irem.
Sinto dificuldade em aceitar alguns finais.